terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Quem detona a bomba nos protestos



Quem detona a bomba nos protestos


Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

O movimento de protesto contra a realização da Copa do Mundo é tema de reportagens em diversas seções dos jornais desde o fim de semana: pode ser fator de instabilidade econômica, preocupa marqueteiros de campanhas eleitorais e mobiliza analistas que tentam entender o rescaldo de protestos que paralisaram as principais cidades do país em junho passado, no rastro do ativismo contra as mazelas do sistema de transporte público.

O episódio mais recente envolve o disparo de morteiro que feriu gravemente um cinegrafista da TV Bandeirantes, durante protesto na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (6/2). O noticiário de segunda-feira (10) envolve a prisão temporária do tatuador Fábio Raposo Barbosa, de 22 anos, que se apresentou à polícia no sábado (8), confessando ter entregue a bomba ao homem que a disparou.

Parte das discussões na imprensa roda em torno da hipótese de o jovem preso ser participante de um grupo organizado; o termo de detenção do acusado registra que ele seria ligado ao deputado do PSOL Marcelo Freixo, provável candidato a senador.

Os textos envolvem uma grande mistura de elementos, mas um deles, talvez o mais importante, é citado apenas indiretamente pelos jornais: o fato de que os ativistas mais violentos, aqueles que carregam artefatos incendiários ou explosivos em manifestações, agem de maneira organizada. Mas sua “organização” tem sinais claros de amadorismo. O fato de um ativista engajado em tarefa importante exibir uma fartura de tatuagens capazes de escancarar sua identidade é apenas um dos sinais desse amadorismo.

Como já foi relatado neste Observatório (ver “Qual o limite dos protestos?”), a respeito de protesto ocorrido no dia 25 de janeiro em São Paulo, há uma organização estruturada por trás das ações radicais que acompanham todo tipo de passeata que ocorre nas grandes cidades.

O problema, que denuncia os riscos potenciais desse grupo que se agrega automaticamente às mobilizações de todos os tipos, é justamente a facilidade com que se pode identificar os “raposos” tatuados que atuam como “municiadores”, comparada à dificuldade para identificar aqueles que atiram as bombas.

Um enigma nos protestos
Há nesse episódio alguns fatores interessantes que merecem ser mais explorados: por exemplo, telefonemas recomendando que o jovem tatuado assuma integralmente a responsabilidade pelo ataque ao cinegrafista, mostram que os organizadores desses ataques fazem avaliações precárias do contexto, uma vez que há imagens mostrando Fábio Raposo entregando o artefato ao homem que o disparou. Portanto, há um núcleo coordenando as ações que se convencionou chamar de Black Bloc, mas esse suposto cérebro não parece primar por um raciocínio brilhante.

Muitos jornalistas que se manifestam nas redes sociais digitais estranharam o fato de o Jornal Nacional, da TV Globo, ter dedicado no sábado (8/2) um tempo extraordinariamente longo à identificação do jovem ativista, e representantes dos coletivos chamados Mídia Ninja buscam razões ocultas para o grande interesse da Globo em ligar o portador do explosivo ao deputado Freixo.

Tudo isso compõe um conjunto de fatos que são atirados sobre o público, sem explicações e sem um fio condutor que ajude a formar uma opinião fundamentada.

É certo que as futuras manifestações contra a realização da Copa do Mundo são os eventos com maior potencial para degenerar em atos de violência, entre todas as pautas que têm sido levadas às ruas. Também já ficou claro, pelo que tem sido noticiado, que os manifestantes mobilizados para esse objetivo não formam grandes multidões, mas têm sido capazes de produzir muitos estragos e ganham importantes espaços na mídia.

Resta saber a que propósitos servem tais mobilizações, considerando-se que a Copa deve se encerrar a três meses das eleições, momento crucial para a definição das preferências do eleitorado.

Por um lado, autoridades encarregadas de decifrar o enigma dos protestos não têm se mostrado capazes de traçar um perfil de seus organizadores ou de prevenir a violência: na verdade, a única ação oficial é a repressiva. Por outro, a imprensa brasileira, pelo menos aqueles veículos que dominam o cenário da mídia, já mostraram em outras ocasiões como são capazes de manipular os acontecimentos em função de suas preferências políticas.

A bomba está armada em algum lugar. Identificar quem acende o pavio é relativamente fácil. Difícil é denunciar quem ganha com isso.
(fonte:  http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/02/quem-detona-bomba-nos-protestos.html)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Maierovitch: Mendes é caso de “impeachment”


Maierovitch: Mendes é caso de “impeachment”, Mas, cadê o Senado? Tão pequeno que sumiu…

9 de fevereiro de 2014 | 22:04 Autor: Fernando Brito


O Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e ex-Secretário Nacional Antidrogas, no Governo Fernando Henrique – insuspeito, portanto, de “petismos” – diz hoje, em artigo na CartaCapital, que embora as atitudes de Gilmar Mendes sejam incompatíveis com o comportamento de um magistrado, mais ainda um da Corte Suprema, só há um foro para que ele seja responsabilizado.
É o Senado.
E um rito para processá-lo: o “impeachment”.
É obvio que no Senado, nada acontecerá, porque o Supremo Tribunal Federal se imôs sobre a Casa Legislativa que é responsável, em última instância, pela escolha de seus integrantes.
A degradação do Poder Legislativo tem esse pouco lembrado “efeito colateral”.
Potencializa a transformação do Judiciário em um poder sem controles, capaz de arreganhos autoritários e – como no caso de Gilmar Mendes, capz das práticas mais acintosas de desprezo pelas leis – a começar das que regem o comportamento de seus Ministros – vigentes.
Não há o que ponha freios ao comportamento de qualquer um de seus integrantes, exceto o caráter e o respeito espontâneo à lei.
E quando este falta, o que acontece?
Nada, ora…

O Brasil hipócrita

Mais uma vez, coube ao ministro Gilmar Mendes violar os deveres impostos a um magistrado e tipificados na lei orgânica da Magistratura
Walter Maierovitch

O relator-regimental do processo de execução do apelidado “mensalão” é o ministro Joaquim Barbosa.
Em outras palavras, e à luz do princípio constitucional do “juiz natural”, o ministro Barbosa é o juiz competente para o processo de execução e dos seus incidentes. E de uma sua decisão monocrática cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal. No seu todo, ou seja, dez ministros-julgadores, em sessão Plenária, poderão reexaminar as decisões monocráticas do ministro Barbosa no processo de execução de penas e nos seus incidentes.
Fora do momento apropriado do reexame e nos autos, não podem os supremos ministros saírem a levantar suspeitas sobre penas criminais impostas a condenados definitivamente e com processo de execução em andamento.
Mais uma vez, coube ao ministro Gilmar Mendes violar os deveres impostos a um magistrado e tipificados na lei orgânica da Magistratura. O ministro Mendes, sem competência e fora dos autos, externou, a jornalistas, uma suposição.
Suposição, pois não apresentou nenhum indício consistente.
E a suposição referia-se à lavagem de dinheiro nas “vaquinhas eletrônicas” realizadas para recolher doações a fim de pagamentos das penas de multas-criminais impostas, no processo penal chamado de “mensalão”, a José Genoíno e Delúbio Soares.
Vale recordar ter o supremo ministro Gilmar Mendes protagonizado, fora dos autos, grandes confusões pela sua verborragia aguda e inadequada. E por envolver-se, sem renunciar à toga, em questões político-partidárias. Por exemplo, participou de uma reunião com Lula e Jobim, no escritório deste último, e de lá saiu para se encontrar com o presidente e membros do partido de sigla DEM. Depois, metralhou pela imprensa, com Jobim e Lula a dizer que havia mentido.
Ainda fora dos autos, o ministro Mendes autoproclamou-se vítima de “grampos telefônicos” e invocou uma conversa telefônica com o seu considerado e então senador Demóstenes Torres, de triste memória. As apurações mostraram não ter havido grampo e o inventado áudio nunca apareceu. Apenas o ex-delegado e secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior,  em recente participação no consagrado programa de entrevistas Roda-Viva, da TV Cultura, fala de uma “mala-francesa eletrônica” capaz de interceptar e gravar conversas quando num raio próximo. Mas nem Tuma Júnior viu a mala próxima do gabinete de Gilmar e nem sabe quem era o portador. A revelação de Tuma Júnior serviu para o ministro Mendes ressuscitar a comunicação de crime que o levou a exigir do então presidente Lula a cabeça do delegado aposentado Paulo Lacerda, então diretor da agência de inteligência brasileira.
O presidente do Partido dos Trabalhadores, a jogar para a torcida, representou no Supremo Tribunal Federal contra Gilmar Mendes e pela suposição relativa à lavagem de dinheiro nas “vaquinhas”.
Como todos sabem, os ministros não têm poder correcional sobre os seus pares. Também não possui poder correcional contra ministros do Supremo o Conselho Nacional de Justiça.
O que fazer em tais casos e não fez o presidente do Partido dos Trabalhadores? Deveria o presidente petista ter apresentado, junto ao Senado, um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes.
Por que não fez?
Sobre caber impeachment a supremos ministros, basta atentar ao doutrinado pelo ministro Celso de Mello, um dos nossos constitucionalistas mais brilhantes.
Convém recordar, certa vez e a envolver o ministro Gilmar Mendes, e referente ao seu comportamento como magistrado, o pedido de impeachment formulado por um comum do povo. O então presidente Sarney arquivou o pedido liminarmente.

Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=13801 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Veja é barbárie: jornalismo justiceiro

Os grifos em vermelho são meus... creio que o autor deste texto concorda com o que eu postei anteriormente...

 

Veja é barbárie: jornalismo justiceiro

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:


Nas redes sociais, tarde da noite de sexta-feira, jornalistas afinados com o tucanato e militantes da esquerda extremada se esparramavam em elogios à capa da “Veja”. Eu, que procuro manter distância sanitária da revista, aproximei-me da capa. E só consegui enxergar um gesto de oportunismo barato.

A “Veja” expõe a imagem – chocante, lamentável, triste – do rapaz preso pelo pescoço num poste na zona sul carioca, e aproveita a cena não para refletir sobre a tradição oligárquica brasileira, não para pensar sobre nossa história de 300 anos de escravidão, ou sobre nossa elite que reclama de pobres nos aviões e clama sempre pela resposta fácil do liberalismo de araque e da violência de capatazes. Não. “Veja” usa a foto terrível em mais uma tentativa para desgastar a imagem do Brasil; e também – que surpresa – para culpar o “governo”. Que governo? Ah, não é preciso ser muito esperto pra descobrir…

Emoldurando a foto triste, “Veja” berra em letras garrafais: “Civilização” e “Barbárie”. E depois acrescenta a legenda malandra, velhaca: “A volta dos justiceiros, criminosos impunes, colapso no transporte, caos aéreo. Onde está o Brasil equilibrado, rico em petróleo, educado e viável que só o governo enxerga”.

Certamente, o Brasil “equilibrado” não está nessa revista. “Veja” pratica o jornalismo da barbárie, um jornalismo que escreve “estado” assim – com “E” minúsculo – numa espécie de bravata liberal fora de época. “Veja” envenena o país todos os dias, com blogueiros obtusos, asquerosos, que falam para um Brasil pretensamente senhorial, como se ainda estivéssemos antes da Revolução de 30.

Curioso, também, ver a “Veja” falar em “barbárie” e em “criminosos impunes”. Logo essa revista, tão próxima do bicheiro Cachoeira, pautada pelo bicheiro, amiga do bicheiro. A tabelinha com Cachoeira é – sim – um exemplo perfeito desse Brasil de criminosos impunes.

A “Veja”, que tenta pegar carona na imagem do rapaz preso pelo pescoço, pratica um jornalismo justiceiro – que invade quartos de hotel, “julga” e “condena” sem provas, inventa fatos, publica grampos sem áudio, alardeia contas no exterior e dólares em caixa de whisky. Tudo falso, falsificado. Um jornalismo que acredita em boimate e Gilmar Mendes.

A revista não tem moral para falar contra a “barbárie”, nem contra os “justiceiros”. E não tem, precisamente, por praticar um jornalismo que é a própria encarnação da barbárie, da falta de escrúpulos, um jornalismo justiceiro.

O Brasil do lulismo tem muitos problemas. Isso é evidente. Mas não venha a “Veja” querer apresentar a receita de “Civilização” ao Brasil. A receita da “Veja” é a mesma que os EUA oferecem à Ucrânia.

Está claro, por essa capa oportunista e velhaca, qual é a pauta dos setores que não aceitam o Brasil um pouquinho mais avançado dos últimos anos: é jogar tudo no “caos”, na “barbárie”, na insegurança. O Brasil é a jóia da coroa na América Latina em 2014. Tão importante quanto a Ucrânia no leste europeu, tão estratégico quanto a Síria no Oriente Médio.

Não sejamos ingênuos. A velha imprensa brasileira – que se reúne com embaixadores dos EUA às escondidas (isso desde 64, mas também em 2010 – como nos revelou o Wikileaks) – é parte decisiva no jogo pesado que veremos em 2014.

A oposição brasileira não tem programa. A economia não afunda como gostariam os urubulinos. Portanto, é preciso produzir a pauta do caos. Esse é o caldo de cultura em que podem prosperar candidaturas “justiceiras” que a “Veja”, os mervais e outros quetais estão prontos a lançar.

Para retomar o Estado brasileiro, eles pouco se lixam se o preço a pagar for a ebulição social. Aécio e Eduardo não darão conta dessa pauta da “ordem contra a barbárie”. A pauta do caos e do Brasil “inviável” (que está na capa da “Veja”) é boa para aventuras autoritárias – semelhantes ao janismo de 1960.

Quem pode encarnar esse figurino? Quem? O terreno vai sendo preparado…


Não creio que o povo brasileiro – equilibrado, sim! E que trabalha duro para construir um país “viável”, sim – não creio que a maioria de nosso povo embarque na aventura da “ordem contra a barbárie” – proposta pela revista. Mas a direita asquerosa e velhaca vai tentar.

O roteiro está claro. É preciso estar atento. E não cair na esparrela de acreditar que a “Veja” – de repente – converteu-se à “Civilização”.

A “Veja” é a barbárie. No jornalismo, na política, na vida do brasileiro comum.

A “Veja” – se pudesse – prenderia o pescoço do povo brasileiro no poste. Mas não vai conseguir. Vai perder – de novo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Será que finalmente o mensalão tucano vai ser julgado?

Vejo em diversos blogues um certo alívio por acontecimentos recentes.
Vejamos:
1.O Procurador Geral da República apresenta as Alegações Finais sobre o mensalão tucano, reconhece que a Lista de Furnas é verdadeira (veja o link para a matéria mais abaixo);
2. O Ministro Marco Aurelio Mello declara que vai expor os nomes dos implicados nas propinas do trensalão paulista;
3. A Folha de São Paulo e o Estadão já começam a falar abertamente nos problemas do metrô paulistano e, sem querer querendo, deixam clara a incompetência dos governos tucanos e insinuam que as propinas podem ser, em parte, responsáveis pela situação dramática que se vive na capital.

Ora, pois bem. Como o atual Procurador Geral é novo no cargo, vamos nos eximir de analisar sua postura, aparentemente muito sóbria e isenta. Mas o ministro Marco Aurélio denunciar abertamente nomes do governo tucano (todos ligados a Alckmin, Serra, Kassab) não deixa de ser curioso, face aos últimos votos e pronunciamentos do mesmo.
E o que dizer dos dois jornalões que sempre defenderam com unhas e dentes seus candidatos? Essa mudança de postura me parece bem parecida com aquela das organizações globo que, de repente, não mais que de repente, se deram conta de que agiram mal, muito mal, ao apoiar os governos militares.
E posso estar errado, claro, errar é humano, não é? 
Mas eu vejo coincidências demais nessa história. Agora só falta a Veja e o Jornal Nacional começarem a falar mal do tucanato para eu ter certeza.
De quê? Ora, Aécio não consegue deslanchar, os tucanos não conseguem apresentar um programa alternativo ao do PT, o DEM e o PPS já não contam, são meros figurantes. Eduardo Campos? Nem ele está interessado em ser eleito agora, só quer ficar conhecido para disputar prá valer em 2018.
Entonces... Acredito piamente que ao detonar os tucanos mineiros e paulistas, o STF não estará apenas julgando... estará aplainando o terreno para que "ELE" apareça como o candidato salvador da pátria... A partir de maio teremos os escândalos tucanos comparados aos petistas. E na falta de gente de moral impoluta, o Brasil precisará daquele que já foi descrito como o salvador da pátria. E que vai, humildemente, como é de seu feitio, aceitar o sacrifício de largar as benesses atualmente à sua disposição, para um gesto de sacrifício extremo...
Sabem quem é "ELE", não sabem?
A ver para crer...


Luís Carlos da Silva: Janot “atira” em Azeredo, ricocheteia em Aécio e desmonta armações do tucanato.

Como esta matéria do Viomundo é extensa, cheia de cópias do documento enviado pelo Procurador Geral ao STF, deixo o link para os interessados.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/luis-carlos.html

O Brasil, EUA e o “Hemisfério Ocidental”

O Brasil, EUA e o “Hemisfério Ocidental”



Washington deve sufocar militarmente ações comuns da América do Sul, propôs teórico geopolítico norte-americano mais influente dos no século XX. Em que medida proposição prevalece?
Por José Luis Fiori
As terras situadas ao sul do Rio Grande constituem
um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos.

E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina
do continente
tenham que ser chamadas igualmente de América,
evocando similitudes entre as duas que de fato não existem
N. Spykman, “America´s Strategy in World Politics”

Tudo indica que os Estados Unidos serão o principal contraponto da política externa brasileira, dentro do Hemisfério Ocidental, durante o século XXI. E quase ninguém tem dúvida, também, de que os EUA seguirão sendo, por muito tempo, a principal potência militar, e uma das principais economias do mundo. Por isto é fundamental compreender as configurações geopolíticas da região, e a estratégia que orienta a política hemisférica norte-americana, deste início de século.


Ao norte do continente, o poder americano foi, é, e seguirá sendo incontrastável, garantindo-lhe fronteiras continentais absolutamente seguras. Além disto, a assimetria de poder dentro da América do Norte é de tal ordem que o Canadá e o México tendem a convergir cada vez mais, atraídos pela força gravitacional do poder econômico e militar dos EUA. O que não significa, entretanto, que o Canadá e o México ocupem a mesma posição junto aos EUA e dentro do tabuleiro geopolítico e econômico regional, apesar dos três países participarem do “Tratado Norte-Americano de Livre Comercio” (NAFTA), desde 1993. O Canadá ocupa uma posição única, como ex-colônia e ex-domínio britânico, que depois da sua independência, e da II Guerra Mundial, transferiu-se para a órbita de influencia direta dos EUA, transformando-se em sócio comercial, aliado estratégico e membro do sistema de defesa e informação militar dos povos de “língua inglesa”, comandado pelos EUA, e composto pela Inglaterra, Austrália e a Nova Zelândia. Neste contexto, o México ocupa apenas a posição de enclave militar dos EUA, uma espécie de “primo pobre”, de “fala latina”, ao lado das potências anglo-saxônicas. Mais do que isto, o México é hoje um país dividido e conflagrado por uma verdadeira guerra civil que escapa cada vez mais ao controle do seu governo central, mesmo depois do acordo de colaboração militar assinado com os EUA, em 2010. E mesmo com relação ao NAFTA, a economia mexicana beneficiou-se em alguns poucos setores dominados pelo capital americano, como automobilístico e eletrônico, mas ao mesmo tempo, neste últimos vinte anos, o México foi o único dos grandes países latino-americanos em que a pobreza cresceu, atingindo agora 51,3% da sua população. Hoje a economia mexicana é inseparável da norte-americana, e a política externa do país tem escassíssimos graus de liberdade, atuando quase sempre como ponta de lança da política econômica internacional dos EUA, como no caso explícito da “Aliança do Pacífico”.
Do ponto de vista estritamente geográfico, a América do Norte inclui o istmo centro-americano, que Nicholas Spykman coloca ao lado dos países caribenhos, e da Colômbia e Venezuela, dentro de uma mesma zona de influência americana, “onde a supremacia dos EUA não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado, cujas chaves pertencem aos EUA — o que significa que ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos EUA” (N.S, p: 60). O que explica as 15 bases militares dos EUA existentes na América Central e no Caribe. Foi uma região central na 2º Guerra Fria de Ronald Reagan, e será muito difícil que se altere a posição americana nas próximas décadas, muito além das “dissidências” cubana e venezuelana.

Por último, a política externa americana diferencia claramente os países situados ao sul da Colômbia e da Venezuela, onde seu principal objetivo estratégico foi sempre impedir que surgisse um polo alternativo de poder no Cone Sul do continente, capaz de questionar a sua hegemonia hemisférica. Com relação a estes países, os EUA sempre utilizaram a mesma linguagem, com duas tônicas complementares: a dos acordos militares bilaterais, e a das zonas de livre comércio. Os acordos militares começaram a ser assinados no fim do século XIX, e a primeira proposta de uma zona pan-americana de livre-comércio foi apresentada pelo presidente Grover Cleveland, em 1887, um século antes da ALCA — proposta em 1994 e rejeitada em 2005, pelos principais países sul-americanos. Não existe uma relação mecânica entre os fatos, mas chama atenção que pouco depois desta rejeição os EUA tenham reativado sua IV Frota Naval, com objetivo de proteger seus interesses no Atlântico Sul. A este propósito cabe lembrar o diagnóstico e a proposta de Nicholas Spykman (1893-1943), o teórico geopolítico que exerceu maior influência sobre a política externa dos EUA, no século XX: “fora da nossa zona imediata de supremacia norte-americana, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum [...] e uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida através da guerra”(N.S p: 62 e 64). Estes são os termos da equação, e a posição norte-americana foi sempre muito clara. O mesmo não se pode dizer da política externa brasileira.

Fonte: http://outraspalavras.net/destaques/o-brasil-os-estados-unidos-e-o-hemisferio-ocidental/ 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Alckmin e os "vândalos" do Metrô



Alckmin e os "vândalos" do Metrô

Por Mauro Donato, no blog Diário do Centro do Mundo:


Três dias depois do grande tumulto ocorrido no metrô de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, em parceria com seu secretário de Segurança, Fernando Grella, manda avisar que irá colocar a polícia para debelar problemas dentro das estações.

No momento em que era anunciada a intenção de “intervenção” das forças de segurança em “dias de caos no serviço de trens”, um novo caos no serviço de trens da linha vermelha ocorria. Por óbvio! Ocorre todo santo dia.

Alckmin quer botar a polícia para resolver problemas no metrô, quer botar a polícia para escurraçar garotos dentro shoppings, quer botar a polícia em cima de dependentes químicos… tudo vai ser na base da polícia??

Dentro de estações como a Sé, o Brás, a Luz, onde as plataformas se assemelham a formigueiros, Grella e Alckmin não encontram ideia melhor do que jogar a PM também lá dentro? O que estão buscando, uma tragédia?

O governador Geraldo Alckmin deseja surfar na onda de antipatia ao vandalismo para imputar neste comportamento toda sua inoperância.

Esquerda e direita andam se mostrando contrárias aos black blocs, aos quebra-quebras e demais “badernas” e Alckmin entendeu ser fórmula inequívoca para angariar simpatizantes/aliados/eleitores, jogar toda a culpa ali e imiscuir-se de responsabilidade.

Mas classificar como vândalos os usuários do metrô que viajam feito sardinha cozida dentro dos vagões, foi de uma “deselegância” brutal, como diria uma global, e um desrespeito atroz para com o cidadão. Além de um tiro no pé ainda pouco avaliado.

Ao ver as imagens de senhoras, mulheres desmaiadas, idosos, grávidas, trabalhadores cansados ao final de mais uma jornada, em pleno rush, ele vem a público com “suspeita de sabotagem” ao verificar uma revolta espontânea? Diz enxergar armação orquestrada?

Tenha dó.

Só quem nunca pegou o metrô ou trem às seis da tarde para desconhecer o estorvo e sacrifício a que se é submetido.

Este descolamento da realidade a que autoridades se impõem, vivendo em uma órbita diversa do povo é por si só revoltante. Há quanto tempo o governador não experimenta o transporte público? Fica fácil, à distância, formular o raciocínio repisado milhares vezes nos últimos meses: “Não entendo o porque da quebradeira”. Tome o trem duas vezes por dia para ir e voltar do trabalho durante apenas um ano. Fique fechado por 15 minutos dentro de um vagão repleto, parado, sem ar condicionado com esse clima senegalês que estamos enfrentando. Entenderá, garanto.

Alegar motivação política não será exclusividade do governador. Ao longo dos próximos meses todos os candidatos sacarão do coldre essa resposta. Apagões, pedidos de asilos políticos de médicos cubanos, greves, tudo terá uma origem escusa, segundo prega o manual.

Mas sobre o metrô, Alckmin não terá como escapar pela tangente. Há tempos que se sabe que as reformas dos trens estavam num patamar desfavorável. Sairia mais em conta a compra de novos. Porém, os contratos de reposição de peças celebrados durante os governos tucanos levaram-nos ao estágio atual. A casa caiu. Se São Paulo ainda não está no padrão Rio de Janeiro de má qualidade, caminha a passos largos.

Saliente-se que em todas as grandes cidades do mundo o metrô é lotado, isso não é privilégio paulista. No entanto, há um mínimo de respeito pelo usuário que não vem sendo praticado por aqui. O número de vezes em que metrô e trens estão apresentando defeitos e atrasos supera a cota de paciência de qualquer cidadão com um mínimo de auto-estima.

Creditar queixas legítimas referentes à má qualidade do serviço a oportunistas de plantão foi ao mesmo tempo primário e repugnante. Colocar a polícia em cima então, é insanidade pura.

Alckmin precisa dar um rolezinho de metrô para ver como é bom.

Em apenas 4 contratos, R$ 200 milhões de propina em SP. E para fazer “trem da morte”




Em apenas 4 contratos, R$ 200 milhões de propina em SP. E para fazer “trem da morte”

7 de fevereiro de 2014 | 08:40 Autor: Fernando Brito
proptres
As cenas de terror vividas pelos paulistanos que tiveram de andar a pé pelos túneis do Metrô, quando um defeito abriu as portas da composição K-07,  fazem parte  do esquema que abriu os cofres da companhia a gente graúda d o governo tucano e não pode mais ficar sendo oculto com base num “sigilo de justiça” que não se justifica, como já sinalizou o Ministro Marco Aurélio em sua decisão sobre o processo.
O que o depoimento do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer contou  à Polícia Federal – que três secretários do governo Geraldo Alckmin (PSDB)  foram  destinatários de propina  paga pelo cartel d e empresas – é grave demais para que a população não possa acompanhar.
Se a roubalheira fosse no Governo Federal, estaria havendo uma grita para que tudo fosse público.
Afinal, só em quatro contratos, o “surucutaco” chegou a R$ 197 milhões.
Imagine só se os trens, em lugar de tucanos, fossem lulistas?
Todo mundo estaria sabendo que o tal K-07, que deveria estar tinindo de novo, depois de ser reformado, já tinha descarrilado em agosto passado e aberto as portas indevidamente em outubro, como publicaram Tadeu Breda e Vinícius Gomes na CartaCapital em novembro passado, mais de dois meses antes do caos de terça feira no metrô paulistano.
“Há pouco mais de um mês, no dia 2 de outubro, a mesma composição que descarrilou no dia 5 de agosto – a K07 – abriu sozinha todas as suas portas, em todos os vagões, inclusive no lado oposto ao da plataforma, onde fica o trilho energizado de alta voltagem. À diferença das falhas ocorridas na semana passada, porém, os vagões estavam parados na estação Santa Cecília. Apesar de graves, nenhuma das três ocorrências foi divulgada publicamente.”
Mas isso foi e continua sendo abafado.
Se um Governo e os dirigente de uma empresa que contrata a reforma de trens estão comprometidos até à medula com uma propinagem desta monta, que tipo de fiscalização de controle de qualidade nas reformas fizeram.
Será que a direção do Mtrô chegava para as empresas e dizia: “olha, eu sei que você me deu um agradinho de X milhões, mas faz o serviço direitinho no trem, tá bom?”
Os paulistasnos, ao que tudo indica, já morreram nessa grana dos trens. Não precisam acabar morrendo nos trens da grana.
(Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=13491)