segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sessenta anos depois, atentado da rua Tonelero ainda gera especulações

Interessante a matéria, que me foi enviada por email. Chamou minha atenção especialmente o que se diz lá no final: Sedes de jornais foram quebradas. Por que "O Globo" não diz que foi a sede de "O Globo"  a mais depredada?

E outra coisa interessante. Na década de 70, não me recordo bem o ano, o Alcino, que foi o responsabilizado pela morte do Major Rubens Vaz, saiu da prisão. E deu uma entrevista a um dos jornais da época, o COOJornal, da Cooperativa de jornalistas do Rio Grande do Sul. Ele afirmou algo interessante: ninguém fez o simples e exato exame de balística, para saber de que arma teria partido a bala que matou o major... Ele afirmava que vigiava Lacerda, sim, e que quando o grupo chegou à rua Tonelero e ele foi avistado, o major foi até ele, discutiram, se atracaram e no meio da luta a arma do major disparou... porque ele, Alcino, não estava armado. É só mais uma versão para o episódio...

Tiros contra Carlos Lacerda foram estopim para a crise no governo que culminou no suicídio de Getúlio Vargas

por Raphael Kapa
02/08/2014 7:00 / Atualizado 02/08/2014 14:16

Carlos Lacerda aparece em público sendo levado por oficiais da Aeronáutica devido ferimento no pé após atentado
Foto: Agência O Globo Carlos Lacerda aparece em público sendo levado por oficiais da Aeronáutica devido ferimento no pé após atentado - Agência O Globo

“Mas, perante Deus, acuso um só homem como responsável por esse crime. Este homem chama-se Getúlio Vargas”. Com estas palavras Carlos Lacerda acusou o então presidente da República de ser o autor do atentado que sofreu no dia 5 de agosto de 1954, que completa 60 anos na próxima terça-feira, e foi o estopim para a crise no governo que culminou com o suicídio do governante.
O jornalista e político estava chegando em sua casa, na rua Tonelero número 180, em Copacabana, depois de um comício, quando vários tiros foram disparados em sua direção. Lacerda estava acompanhado de dois oficiais da Aeronáutica e de seu filho. Uma das balas atingiu fatalmente o oficial Rubens Vaz e outra, motivo de especulações até os dias atuais, teria acertado o pé do principal opositor de Vargas.
— Carlos Lacerda era um homem absolutamente teatral. Até hoje não é possível reconstituir, em uma narrativa única, pronta e acabada, todas as circunstâncias daquela trágica madrugada de 5 de agosto — afirma o jornalista Lira Neto, autor da biografia sobre Getúlio Vargas, com dois volumes já lançados e um terceiro que deve chegar às lojas neste ano. — As várias versões são contraditórias, incompatíveis entre si. O próprio Lacerda, ao longo do tempo, em situações distintas, narrou o episódio de diferentes maneiras, ajudando a tornar a história ainda mais nebulosa. O desaparecimento do prontuário do hospital, que poderia atestar se o jornalista teria ou não sido realmente ferido no pé, só complicou ainda mais o esclarecimento do caso — acredita.
Reações contra o presidente
Carro do filho do presidente, Luthero Vargas, foi queimado após atentado contra seu principal opositor - Agência O Globo
Ainda assim, o jornalista conseguiu atrair setores da sociedade para se manifestarem contra o presidente. A imagem de Lacerda sendo levado por dois oficiais da Aeronáutica foi estampada nos principais jornais do país e demonstrou a aproximação que o político tinha com as Forças Armadas.
— Os dois oficiais da Aeronáutica faziam a segurança particular de Lacerda e não estavam fardados, mas quando apareceu para o público, o jornalista foi carregado pelos militares uniformizados — o professor de História do Brasil da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Marcus Dezemone. — Existia uma aproximação muito forte entre o Lacerda e seu partido, a UDN, com a Aeronáutica. O que evidencia o motivo pelo qual Vargas passou a confiar em uma milícia para sua segurança pessoal em vez das forças do Estado — analisa.
Dezemone aponta diferentes versões do caso:
— Houve relatos de que ele deu um tiro no próprio pé para criar uma encenação ou até que a bala acertou suas nádegas. A questão é que o atentado foi usado como uma tentativa política para inviabilizar a permanência de Vargas no poder. E, de certa forma, conseguiu.

Mais do que ligar o caso à imagem do seu opositor, as investigações apontaram que pessoas do círculo mais próximo do presidente estavam envolvidas. Ainda assim, não há nenhuma indicação de que Vargas sabia dos planos.
— Getúlio morreu negando, com veemência, qualquer envolvimento pessoal no caso. E, na esfera privada, ficou verdadeiramente chocado quando as investigações apontaram para Gregório Fortunato (chefe da sua guarda pessoal) e outros homens de seu grupo — afirma Lira Neto, que aponta que o inquérito desenvolvido por oficiais do Galeão, ligados a Lacerda, abalou o presidente por mostrar tráfico de influência no Palácio do Catete.
A informação de que seu filho, Maneco Vargas, havia vendido uma fazenda para Gregório, abalou a moral do presidente, segundo Lira Neto.
— Para fechar o negócio, Gregório, cujo salário era incompatível com o valor em jogo, contara com a ajuda de Jango, que avalizara para ele um vultuoso empréstimo bancário. No entender de Getúlio, ficara caracterizada a mácula: o filho de um presidente da República fechara com o chefe da segurança oficial um negócio suspeito, com o devido aval de um ex-ministro, homem de sua mais absoluta confiança — diz.
A atuação do presidente já não era mais a mesma. O homem que esteve à frente da Revolução de 1930, instaurou a ditadura do Estado Novo e governou o país por quase 19 anos, com uma interrupção entre 1945 e 1950, perdia o seu protagonismo.
— O cerco da imprensa, que já era enorme, fechou-se por completo. No parlamento, agravou-se o gradativo processo de isolamento político, então em curso — afirma Lira Neto.
Milhares de pessoas foram prestar homenagem em velório de Getúlio Vargas, que se suicidou - Agência O Globo
Dezemone aponta que, para além dos aspectos políticos, a própria personalidade do presidente evidencia sua reação perante aos desdobramentos que os tiros na rua Tonelero provocaram.
— Vargas era acostumado a governar “à canetada”. O seu segundo governo é a primeira vez em que é eleito e governa democraticamente. Pela dificuldade em lidar com o regime democrático e com a oposição, há um desgaste — afirma Dezemone, que aponta que a possibilidade de suicídio não era uma novidade para o presidente:
— Em dois momentos Vargas cogitou o suicídio: na Revolução de 1930, ao sair com suas tropas do Sul, ele afirmou que “o preço de um grande fracasso só pode ser pago com um grande sacrifício". E após a Segunda Guerra Mundial, ele acreditou que as Forças Expedicionárias Brasileiras poderiam aplicar um golpe quando chegassem no país. E optaria pelo suicídio caso isso acontecesse.

Suicídio foi escolha política

Para Lira Neto, o suicídio de Vargas foi uma resposta política perante o instável cenário da época.
— Os rumos tortuosos do chamado “Inquérito do Galeão" poderiam, no limite, levá-lo à prisão. Com o gesto extremo, suicidando-se, Vargas neutralizou a fúria dos adversários e assumiu a dimensão de mártir popular — analisa Lira Neto.
Na madrugada de 23 para 24 de agosto, Getúlio Vargas, como afirmou em sua Carta-testamento, “saiu da vida para entrar na História" com um tiro no peito em plena residência oficial do presidente da República. A comoção popular foi instaurada nos dias seguintes. Sedes de jornais foram quebradas, Carlos Lacerda teve que lidar com manifestações na porta de sua casa, e uma multidão fez vigília em frente ao Palácio do Catete esperando a retirada do caixão com o corpo de Vargas.
— Não se deve compreender esta comoção como uma manipulação, como muitos já falaram. Ela não está somente na dimensão simbólica. Está ligada à experiência dos trabalhadores, tanto do campo como da cidade, que viram ganhos no seu governo e, por isso, foram às ruas. Não foi o suicídio que atrasou um possível golpe que poderia ocorrer naquele momento, foi a reação das pessoas — relata Dezemone.
As semanas seguintes foram de forte turbulência política, com uma inédita sucessão presidencial em que o posto de presidente da República foi ocupado por três políticos em pouco mais de cinco meses. As mobilizações contra Lacerda fizeram com que ele saísse do país por curto tempo. Ainda assim, o jornalista fez campanha para a depor outros presidentes, como Juscelino Kubitschek e João Goulart, e ficou conhecido “demolidor de presidentes”.


Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/sessenta-anos-depois-atentado-da-rua-tonelero-ainda-gera-especulacoes-13466468#ixzz39MIVwcl1

sábado, 2 de agosto de 2014

A confissão de Aécio prova duas coisas: o estrago eleitoral e sua covardia moral

Fernando Britto


Finalmente, hoje, em artigo na Folha de S.Paulo, Aécio Neves admite que o Aeroporto de Cláudio, junto a sua fazenda, serviu para sua comodidade pessoal, em atividades rigorosamente privadas.
E que a obra (que entre contratos e desapropriação custou, em dinheiro de hoje, mais de R$ 20 milhões) que consumiu farto dinheiro público, por não homologada e sem controle público já há quatro anos, só teve mesmo a serventia de dar-lhe este privilégio.
Mais importante que a semi-confissão do candidato tucano é o que o levou a ela, 11 dias depois de revelado o escândalo pela própria Folha.
Depois de várias gaguejadas e diversos “de novo este assunto?” irritados, Aécio tomou essa iniciativa, sem sombra de dúvida, porque as pesquisas internas do tucanato revelaram o estrago que isso fez em sua campanha.
Não foi um ato de honestidade, de quem quer e pode sustentar as atitudes que tomou.
Fosse assim, não teria se evadido de dizer, antes, o que diz agora.
O fez por três fatores, todos sem qualquer dignidade.
O primeiro é que sabe que existem provas deste uso. Não se descarte, até, que tenha sofrido ameaças de que elas seriam reveladas.
O segundo é que só tomou esta atitude depois que as pesquisas eleitorais internas do PSDB mostraram que o estrago não apenas era grande como está se agravando à medida em que o conhecimento da situação se amplia.
O terceiro, mais grave e por isso capaz de continuar ceifando o seu prestígio e o respeito pessoal que possa ter, é o que se provou um homem moralmente covarde.
Precisou ser exposto diariamente às suas contradições e omissões – ou, pior ainda, ser ameaçado por alguém que tinha provas do uso do aeroporto – para confessar que fez, por diversas vezes, uso particular da pista que a ninguém mais servia.
Depois disso, quem acredita na já implausível afirmação de que a obra milionária se justificava pelo “grande pólo industrial” que é aquele município de menos de 30 mil habitantes? Ou que o negócio entre o Estado e o tio, que tinha os bens bloqueados, não foi bom pela família, até porque parte do depósito já foi levantado pela tia, num processo tumultuado de separação e com, inclusive, uma ação de interdição por um dos filhos?
Aécio abaixou o bico.
Diante da mentira que pregou, durante 11 dias, a todo o país e à imprensa, desqualificou-se moralmente para dizer qualquer coisa.
A confissão tardia e cínica não lhe perdoa, exatamente porque é tardia e cínica.
Ficou do tamanho que é: um herdeiro de oligarquias, que controla e uso o poder que o sobrenome foi lhe trazendo e que trata o exercício do poder com a mesma irresponsabilidade que lhe valeu a fama de playboy mimado.
Resta saber o que não fazer com ele: se é melhor deixar que o fracasso recaia sobre sua inconsistência moral ou se tentarão uma muito improvável nova via para disputar as eleições.
O aeroporto de Cláudio foi sua bolinha de papel.
E essa, sim, capaz de provocar um estrago imenso.
(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=19538)

No Brasil da direita, a culpa é da vítima

caos

Aécio Neves diz que o Aeroporto de Cláudio só é usado por ele porque a ANAC não o homologou, mesmo que isso tenha ocorrido por falta de documentos e porque a pista fica sob o controle de sua família.
Reinaldo Azevedo escreve que o racionamento de água em São Paulo vai  ocorrer por causa de Alexandre Padilha e do Ministério Público Federal, embora quem o diga necessário sejam os especialistas da Unicamp.

O Santander lucra aqui R$ 1,2 bilhão (líquidos, já sem os impostos que quase não pagam) em seis meses, quase 30% do que ganha em todo o mundo, mas se acha no direito de dizer que o Brasil vai de mal a pior.
Só de abril a junho, o Santander no Brasil teve lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre, alta de 5,35% em relação ao mesmo período do ano passado.

A coisa anda “tão ruim” para os bancos que o Bradesco divulgou hoje um lucro líquido  de R$ 3,8 bilhões no 2° trimestre, quase 30% maior que o do ano passado. E sem emprestar mais, o que deveria ser a origem dos lucros de um banco.

A Argentina vinha pagando religiosamente sua dívida, mas um juiz de bairro decide que os que especularam com seus títulos, os fundos abutres, devem ter prioridade para receber o fruto de sua esperteza. E, em lugar de uma indignação contra isso, dizem que Cristina Kirchner “dá o calote” nos credores.

As empresas se queixam da demanda fraca mas contabilizam lucros recordes “vendendo menos”.

Estão todos “indignados”, os pobres coitados.

E nada disso é polemizado, porque são verdades absolutas, imperiais.

Reproduzo aí em cima um trecho da homepage do Valor Econômico.

Nunca se viu um caos econômico tão lucrativo assim.
(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=19542)

Sininho e o dia seguinte na Terra do Nunca.


Sininho como representação e o desencanto de uma geração adultescente que acreditou na inconsequência como ação de transformação revolucionária da realidade.

Não há como não se enternecer, de alguma forma, com a figura da personagem Sininho. Traz em si a figura da filha adolescente, frágil e radical.
Até o codinome – Sininho – lhe cai apropriadamente bem. Uma personagem que saiu da “Terra do Nunca” da internet e inspira a tropa dos “meninos perdidos” na sua tentativa de alcançar a utopia pela destruição do mundo real.
Sintomático dos dias atuais é que há Sininho e há meninos perdidos, mas não há um Peter Pan. Sininho é a líder dos meninos perdidos.
Mas Sininho é uma ficção. Não é professora, não é sindicalista, não é bailarina, não é socialite. É qualificada ora como “ativista”, ora como “produtora cultural”.
Seu cavalo, Elisa Quadros Sanzi, no entanto, chegou à casa dos trinta, muito provavelmente com formação superior e tendo recebido da família a estrutura necessária para ser, hoje, uma jovem adulta de quem se espera a consequência nas ações.  E a consequência é o que se espera de adultos, mesmo, e talvez principalmente, em ações que busquem a transformação da realidade.
O oposto disso é a principal característica do que chama “movimento” – a inconsequência.
Quem forma esse movimento?
Anarquistas de internet, carbonários anacrônicos, incendiários saídos da Academia ou de histórias em quadrinhos, punheteiros imberbes, a criminalidade comum e os oportunistas de toda ordem.
Isso forma um movimento?
Lênin – Vladimir Ilitch Ulianov, já dizia que batatas dentro de um saco formam um saco de batatas, mas não formam uma organização.
Pena que Sininho e seus amigos não tenham lido “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”.
Teriam aprendido com um mestre revolucionário que a transformação do mundo se faz num passo-a-passo onde a revolução não é sequer o primeiro passo, quanto mais o último ou o fim.
A transformação do mundo não é nada divertida. Assemelha-se mais ao trabalho de operários.
Ao invés disso, Sininho e seus amigos retomaram o grito de “não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos”. E o que não queremos é o sistema – seja lá o que entendam como sendo “o sistema”.
Nada disso é novo. Quem empunhava essa bandeira aos dezoito anos hoje já está na terceira idade – é provavelmente um aposentado de 65 anos. Isso se sobreviveu a “sexo, drogas e rock and roll”.
Lutar contra o sistema traz em si um dilema a ser resolvido de antemão, quando não um paradoxo. Quando se destrói o sistema, algo deve ser colocado, ou se coloca por si próprio, em seu lugar. E, então, outro sistema se estabelece.
Essa é a lição de Lenin que Sininho e seus amigos não aprenderam.
Na Terra do Nunca não há dia seguinte, logo, não há um sistema a ser substituído por outro sistema. Mas Sininho e seus amigos não estão mais na Terra do Nunca, foram trazidos a força à terra dos homens.
Não admira que estejam todos sem chão diante da responsabilização judicial. O que esses “revolucionários” esperavam das forças da repressão, das forças do partido da ordem? Que se se limitassem a fazer a segurança do playground e os deixassem brincar em paz?
Interessante também é notar que essa geração é ingênua a ponto de não ter percebido o quanto a sua ilusão de transformação radical foi instrumentalizada pelo reacionarismo.
Serviram a quem interessava criar um ambiente de instabilidade que ajudasse a enfraquecer o governo da esquerda democrática para facilitar o retorno ao poder do conservadorismo.
Sininho e os meninos perdidos não são mais úteis a essas forças. Podem ser descartados.
Aprenderão da pior forma que o Judiciário é o lixeiro do sistema ao qual serviram pensando que o estavam combatendo.
(fonte: http://jornalggn.com.br/blog/sergio-saraiva/sininho-e-o-dia-seguinte-na-terra-do-nunca-0)

Morte e vida Severina

"Morte e Vida Severina" em produção da TV Escola da melhor qualidade. 

Bom proveito!
 
 


De Gaulle


A Editora Contexto apresenta De Gaulle, obra que retrata a vida de um dos personagens mais importantes do século XX. Conhecido mundialmente como o líder da resistência francesa na luta contra a invasão da Alemanha de Hitler, foi também um dos principais estadistas do pós-Segunda Guerra.
Após intensa pesquisa, visitas aos lugares onde De Gaulle viveu e entrevistas inéditas com seus familiares, Ricardo Corrêa Coelho traz nesta obra todos os detalhes da vida pública e privada desse grande personagem.

O livro já está em pré-venda, aproveite!

     
   
“Nada está perdido para a França.” Foi assim, por uma transmissão radiofônica de Londres, após ver seu país invadido pelos alemães, que Charles de Gaulle convocou os franceses a lutarem pela Resistência. Ele liderou o país nos momentos mais difíceis e tornou-se herói nacional.
Nos diversos conflitos dos quais participou, De Gaulle lutou, foi ferido, acabou preso e, depois, fugitivo. Fora dos campos de batalha, mostrou sua faceta de estadista, trabalhou em reformas constituintes, assumiu a presidência da França. Foi também um escritor importante, compondo obras sobre militaria, além de novelas, romances e até poemas.
Neste livro, o leitor encontrará essas e muitas outras facetas da personalidade política e militar francesa mais importante do século XX, desde o nascimento até o fim da vida. E conhecerá a fundo o estadista por trás do militar, o homem por trás do guerreiro.



 
Nº de Páginas: 240
Formato: 16 x 23

ISBN:
978-85-7244-853-6
Data: 05/08



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Aécioporto: quem vai salvar o Aécio desse rolo?

A primeira pergunta básica é: se esse aeroporto tem essa importância toda, como explicar que ele não consta em lista alguma do Proaero/MG?


José Augusto Valente (*)
Após a confissão tardia de que pousou algumas vezes no aeroporto de Cláudio, quando ele já era público mas não homologado pela ANAC, coloca a candidatura Aécio numa situação que, talvez, só a parte da imprensa que o apoia possa salvá-lo.

Agora, à luz do artigo do senador, publicado na Folha (31/7), gostaria de reiterar as questões que apresentei no artigo “O caos aéreo mineiro”, publicado neste site,  e acrescentar mais um ou dois elementos igualmente complicados.

O senador afirma, ao final do artigo: “Mas reitero que a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região.”

A primeira pergunta básica é: se esse aeroporto tem essa importância toda, como explicar que ele não consta em lista alguma do Proaero/MG?

Onde estão os estudos que mostram a viabilidade econômica de aportar R$ 14 milhões de recursos públicos num aeroporto que dista apenas 32 quilômetros do de Divinópolis, que já está equipado para atender demandas num raio de 100 quilômetros?

A resposta a essas questões permitirá esclarecer o conflito existente entre interesse público e  privado.

Além desse ponto, restam as questões que fiz, ainda não respondidas adequadamente pelo artigo.

Se ainda não foi homologado pela ANAC, como Aécio o utiliza sabendo que é ilegal? Ou não sabe dessa ilegalidade?

Ele afirma que não sabia que era ilegal pousar naquele aeroporto, após as obras. Muito grave essa afirmação. Afinal, ele é senador da República, membro titular da Comissão de Constituição e Justiça. Como tal, pode alegar tudo, menos que não saiba que aeroportos não homologados pela ANAC não podem receber pousos e decolagens.

Mas a fragilidade dessa resposta ganha dimensão na questão colocada em seguida.

Se é verdade que Aécio utilizou o aeroporto algumas vezes por ano, como conseguiu passar pelo controle de voo, que sabe que ele não pode ser utilizado até homologação?

Nenhuma aeronave se destina a qualquer aeroporto sem que o comandante apresente o seu plano de voo para receber autorização para decolar. Ao apresentar o destino “aeroporto de Cláudio/MG” o controle aéreo tem que checar se ele se encontra em condições legais de operação. Se estiver interditado, não recebe autorização, se não tiver homologação da ANAC, não recebe autorização. Por condições de segurança, especialmente.

Mas, agora, sabemos pelo senador, que ele pousou algumas vezes, nos últimos anos.

O que a imprensa precisa apurar é:

Que controlador aéreo deu autorização para esses pousos?

Se ninguém deu autorização para esses pousos, como o comandante conseguiu burlar a rigidez das normas da aviação e pousar lá?

O comandante da aeronave mentiu sobre o aeroporto de destino, quando informou seu plano de voo? Disse que iria para Divinópolis e foi para Cláudio?

O comandante não mentiu, mas quando o controlador informou não poder autorizar esse destino, o senador usou sua “prerrogativa do cargo”, se responsabilizando pelas consequências?

Se Aécio se tornar presidente, será o chefe supremo da ANAC. Como terá autoridade moral de exigir rigor da agência se ele mesmo violou as regras atuais?

Isso, na verdade, coloca uma questão que diz respeito à capacidade de chefiar todos os órgãos da administração pública federal, quando demonstra, bisonhamente, desconhecer leis básicas do país.

Devo lembrar que ele foi o governador que “tocou” o Proaero, programa estadual de aviação regional e, como tal, tem a obrigação de saber tudo sobre o assunto, ainda mais uma questão básica como essa.

Mas talvez tenha sido Anastasia o condutor desse assunto.

Finalmente, em seu artigo, Aécio introduz um novo dado, ao culpar a ANAC pelo atraso na homologação do aeroporto. Mais uma vez, mostra fragilidade, visto que o motivo do atraso é de total responsabilidade do governo mineiro, cujo titular, até pouco tempo atrás, era o seu candidato ao Senado Antonio Anastasia.


(*) Especialista em logística e transportes
(fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Aecioporto-quem-vai-salvar-o-Aecio-desse-rolo-/4/31501)