sábado, 3 de janeiro de 2015

Charges da posse

Sempre é bom começar o ano sorrindo...



Sob o signo do “canhão frouxo”


Wallerstein aponta: grande ameaça ao mundo, na virada do ano, são Estados Unidos — brutamontes militar sem rumo, errático e perigoso

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Inês Castilho

Em 27 de novembro, o New York Times publicou em manchete o artigo “Políticas conflitantes na Síria e no Estado islâmico corroem a presença dos EUA no Oriente Médio”. Mas isso não é novidade. A presença dos EUA no Oriente Médio (e em outros lugares) vem se deteriorando há quase 50 anos. A realidade é muito mais ampla do que a disputa imediata entre as forças anti-Assad na Síria e os seus apoiadores em outros lugares, por um lado, e o regime Obama nos Estados Unidos, por outro.
O fato é que os Estados Unidos tornaram-se, na expressão derivada de uma antiga prática náutica, um “canhão frouxo”, isto é, um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para si e para os outros. O resultado é que o país não é confiável para quase ninguém, ainda que vários países e grupos políticos lhe peçam ajuda para coisas específicas, a curto prazo.

Como é que o antes inquestionável poder hegemônico do sistema-mundo, e ainda de longe o mais forte poder militar, acabou nesse estado deprimente? Ele é insultado, ou pelo menos severamente censurado não só pela esquerda, mas também pela direita mundial, e até mesmo pelas poucas forças de centro que ainda restam neste mundo crescentemente polarizado. O declínio dos Estados Unidos não é devido a seus equívocos políticos, mas estrutural – ou seja, não pode realmente ser revertido.
Talvez seja útil rastrear os sucessivos momentos dessa erosão de poderio efetivo. Os Estados Unidos encontravam-se no auge de seu poder entre 1945-1970, período em que apareciam no cenário mundial 95% do tempo, em 95% dos assuntos – o que é minha definição de verdadeira hegemonia. Essa posição hegemônica era sustentada por um arranjo com União Soviética, a qual mantinha com os Estados Unidos um acordo tácito de divisão de zonas de influência — que não deveria ser ameaçado por nenhum confronto entre os dois. Isso era denominado guerra fria, com ênfase na palavra “fria”, e, pela posse de armas nucleares, uma garantia de “destruição mútua assegurada”.
O objetivo da guerra fria não era subjugar o presumido inimigo ideológico, mas manter sob controle os próprios países satélites de cada um dos lados. Este arranjo confortável foi inicialmente ameaçado pela resistência de organizações do então chamado “Terceiro Mundo” a sofrer as consequências negativas dessa ordem. O Partido Comunista Chinês desafiou a imposição de Stalin para comprometer-se com o Kuomintang e, ao invés disso, marchou sobre Xangai e proclamou a República Popular. O Viet Minh (“Liga pela Independência do Vietnã”) desafiou os acordos de Genebra e insistiu em marchar sobre Saigon para unir o país sob sua direção. A Frente de Liberação Nacional da Argélia desafiou a determinação do Partido Comunista Francês para que desse prioridade à luta de classes na França e lançou a guerra pela independência. E as guerrilhas cubanas que depuseram a ditadura de Batista forçaram a União Soviética a ajudá-las a se defender da invasão dos EUA ao tomarem, do grupo que tinha feito conchavo com Batista, o rótulo de Partido Comunista.
A derrota dos Estados Unidos no Vietnã resultou tanto da enorme drenagem de recursos do Tesouro norte-americano pelo conflito como do crescimento da oposição interna à guerra, pelos jovens recrutas de classe média e suas famílias – o que legou uma restrição permanente às futuras ações militares dos EUA, na chamada síndrome do Vietnã.
A revolução mundial de 1968 foi não apenas contra a hegemonia dos EUA, mas também contra o conluio soviético com os Estados Unidos. Coincidiu também com rejeição dos velhos partidos de esquerda (Partidos Comunistas, Partidos Social-democráticos, Movimentos de Libertação Nacional), com base em que, a despeito de chegar ao poder, eles não mudaram o mundo como prometeram e tornaram-se parte do problema, não da solução.
Nos governos dos presidentes Richard Nixon a Bill Clinton (inclusive Ronald Reagan), os Estados Unidos procuraram desacelerar seu declínio por meio de uma política tríplice. Convidaram os aliados mais próximos a mudar seu status de satélite para parceiro — com a condição de não se afastarem muito das políticas norte-americanas. Mudaram o foco na economia mundial — do desenvolvimentismo para uma demanda a que o Sul Global produzisse para exportar, sob as injunções neoliberais do Consenso de Washington. E procuraram frear a criação de novas potências nucleares para além dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, impondo a todos os outros países o fim de seus projetos de armamentos nucleares – um tratado não assinado e ignorado por Israel, Índia, Paquistão e África do Sul.
Os esforços norte-americanos foram parcialmente bem sucedidos. Eles tornaram mais lento, mas não reverteram o declínio dos EUA. Quando, no final dos anos 1980, teve início o colapso da União Soviética, os Estados Unidos ficaram na verdade decepcionados. A guerra fria não era para ser vencida, mas para manter-se indefinidamente. A consequência mais imediata do colapso da União Soviética foi a invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein. A União Soviética não estava mais lá para conter o Iraque, no interesse dos arranjos entre as duas potências.
E embora os Estados Unidos tenham vencido a Guerra do Golfo, mostraram logo sua fraqueza pelo fato de não poderem financiar seu próprio papel, dependendo, para cobrir 90% de seus custos bélicos, de quatro outros países – Kuwait, Arábia Saudita, Alemanha e Japão. A decisão do presidente George H.W. Bush de não marchar sobre Bagdá, mas contentar-se com a restauração da soberania do Kuwait, foi sem dúvida um julgamento sábio, mas muitos, nos Estados Unidos, consideraram-no como uma humilhação, pois mantinha Saddam Hussein no poder.
O próximo ponto de virada foi a ascenção ao poder do presidente George W. Bush e do círculo de intervencionistas neoconservadores de que se cercou. Esse grupo usou o ataque de 11 de Setembro pela al-Qaeda como pretexto para justificar a invasão do Iraque em 2003 e derrubar Saddam Hussein. Isso foi visto pelos intervencionistas como maneira de restaurar uma pálida hegemonia dos EUA no sistema-mundo. Muito ao contrário, foi um tiro no pé. De duas manerias: pela primeira vez os Estados Unidos perderam um voto no Conselho de Segurança da ONU; e a resistência iraquiana à presença dos EUA foi maior e mais persistente do que se imaginava. Em síntese, a invasão precipitou o declínio, o que nos traz aos esforços do governo Obama para lidar com isso.
A razão pela qual nem o presidente Obama, nem qualquer futuro presidente dos EUA será capaz de reverter esse processo é porque os Estados Unidos não querem aceitar essa nova realidade e ajustar-se a ela. O país ainda está tentando restaurar seu papel hegemônico. Perseguir essa tarefa impossível leva-o a desencadear as chamadas “políticas conflitivas” no Oriente Médio e em outros lugares. Como um canhão frouxo, Washington muda constantemente de posição, procurando estabilizar o navio geopolítico mundial. A opinião pública dos EUA está dividia entre as glórias de ser “líder” e os custos de tentar ser líder. A opinião pública ziguizagueia constantemente.
Ao observarem este espetáculo, os países e movimentos deixam de depositar confiança nas políticas norte-americanas. Cada qual persegue suas próprias prioridades. O problema é que canhões frouxos resultam em destruição, tanto para os que disparam como para o resto do mundo. E isso intensifica o papel que o medo desempenha nas ações de todos os outros, aumentando os perigos para a sobrevivência global.

(fonte: http://outraspalavras.net/destaques/sob-o-signo-do-canhao-frouxo/)

A democracia começa na Grécia



Gregos vão às urnas em 25/1, podendo derrubar políticas de “austeridade” e iniciar uma revolução democrática. Por isso, FMI e Alemanha já chantageiam…

Talvez 2015 — um ano que promete tudo, menos pasmaceira — tenha começado antecipadamente nesta quarta-feira, 29/12. Fracassou uma manobra do primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, para assegurar seu próprio mandato até 2016. Como resultado, haverá eleições parlamentares antecipadas em 25/1. Segundo as pesquisas, a Syriza — Frente de Esquerda Radical — é favorita para formar novo governo. Seu principal líder, Alexis Tsipras, declarou, minutos depois: “uma página foi virada. Em pouco tempo, as políticas de ‘austeridade’ impostas ao país farão parte do passado”. São, em dose mais radical, o mesmo que Joaquim Levy, o ministro da Fazenda escolhido por Dilma Roussef, quer impor ao Brasil, também a partir de 2015…
Uma vitória da Syriza teria consequências além da Grécia e da Europa. Desafiaria o estranho retorno do neoliberalismo — a política ultracapitalista que provocou a crise iniciada em 2008, mas que paradoxalmente recuperou influência, por faltarem, ainda, opções sistêmicas. Por isso, não será fácil. Imediatamente após anunciadas as eleições,  o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu o pagamento de um empréstimo à Grécia, com o qual havia se comprometido. E o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, dirigiu-se aos gregos repetindo, “ipsis literis”, a frase de Margareth Thatcher: “não há alternativas”… 
Os gregos se curvarão? Talvez seja o primeiro grande desafio de 2015, o primeiro ato a definir seu sentido. “Outras Palavras” celebrará, nas próximas horas: por um ano que sacuda os acomodados e acalente os inquietos! Foi ótimo ter sua companhia em 2014. Estejamos juntos nos tempos áridos, porém cheios de oportunidades, que se abrirão. Tin-tim! (A.M.)


Quando os EUA ocuparam o Iraque enviaram um homem para mandar no país: Paul Bremer foi o escolhido. O homem que usava terno e gravata com botas militares notabilizou-se por ter defendido publicamente o seguinte: os iraquianos vão ter uma democracia, vão poder eleger todo mundo, menos os partidos com que os americanos não estão de acordo.
Apesar de o Iraque desse tempo viver sob ocupação militar e a União Europeia ser um espaço formalmente constituído por países independentes, esta é a situação dos povos a mando da troika [FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu]: os povos são livres para votar, desde que não ponham  em causa a ordem imposta a partir do eixo Berlim-Bruxelas. E para lembrar isso aos mais recalcitrantes, usam-se todas armas disponíveis: depois de o FMI anunciar a suspensão do pagamento da sexta parcela de um empréstimo, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble veio a público afirmar que “os gregos não têm alternativa” às políticas de austeridade.
A receita da chantagem e da pressão é velha, mas tem dado até agora os seus resultados. Em 2011 a troika anunciou também a suspensão de uma parcela, do primeiro empréstimo à Grécia. A decisão de ouvir o povo e fazer um referendo às medidas da troika, anunciada pelo então primeiro-ministro grego, Papandreu, deixou Berlim e Bruxelas em estado de guerra. O governo grego foi obrigado a recuar em toda a linha e a assumir que as imposições da troika não estavam sujeitas às decisões democráticas.
Nesta segunda tentativa de chantagem, a Grécia tem mais uns anitos de medidas impostas pelo estrangeiro que levaram à destruição do país e ao empobrecimento da sua população, o que faz com que nenhum habitante ignore que esta chantagem pode ser poderosa, porque apela ao medo do desconhecido. Mas sabem o fundamental: que a política da troika se limitou a garantir os lucros dos especuladores: roubar aos pobres para dar aos ricos. Nenhum dos problemas estruturais da economia grega foi resolvido: o país produz menos, tem mais desempregados, deve mais e está mais pobre e desigual. A única coisa que estas políticas, com selo da chanceler alemã, conseguiram foi dar mais dinheiro aos do costume: os especuladores e os muito ricos.
No dia 25 de Janeiro realizam-se eleições legislativas antecipadas na Grécia e pela primeira vez um partido antitroika pode ganhar. As sondagens dão como vencedor o Syriza (coligação de esquerda radical). Este pode ser o primeiro episódio de uma mudança diversa mas considerável na Europa. Depois da possível vitória da extrema-esquerda na Grécia, as sondagens dizem que em Espanha o Podemos poderá disputar o primeiro lugar das eleições. Na França, pode vir a triunfar a Frente Nacional e no Reino Unido cresce o UKIP. Todos estes partidos são diferentes, a única coisa que os une é responderem a um mal-estar crescente dos povos em relação à integração europeia e às políticas ditadas pelo governo de Berlim.
Aquilo que se verificou até aqui é que as políticas neoliberais esvaziaram a democracia e se tornaram cada vez mais autoritárias. Os povos votam em partidos diferentes, mas quem dá ordens é Berlim e Bruxelas, a mando dos interesses dos “mercados”. Até os Orçamentos do Estado passaram a ter de ter visto de Bruxelas. A única coisa que a integração na UE faz é garantir que todos pagamos os prejuízos dos especuladores financeiros. Foi esta a lição que nos deixou a crise financeira começada em 2008: quando os lucros da especulação eram altos, receberam os dividendos os especuladores accionistas do bancos; quando os bancos tiveram prejuízos ou foram à falência devido à especulação, pagamos nós. A nossa democracia foi expropriada para garantir a segurança dos lucros dos poderosos.
Só há alternativa a este estado de coisas devolvendo a soberania aos povos. A democracia só tem sentido se pudermos escolher caminhos diferentes. No dia 25 de Janeiro os gregos vão às urnas e isso pode ser o início de uma revolução democrática.

(fonte: http://outraspalavras.net/capa/a-democracia-comeca-na-grecia/)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lua vai, lua vem...

Hoje, 6 da madrugada, tudo escuro e a lua se põe ao fundo.


Hoje, 18 horas, tudo escuro e a lua cheia já alta... Fala sério!


FELIZ ANO NOVO ! O BRASIL NÃO É FEITO SÓ DE LADRÕES.

por Mauro Santayana,em seu blog

(Jornal do Brasil) - Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano do Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República.

Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.

Ao longo de todo esse tempo, e mesmo antes do nascimento de Cristo, já existíamos, lutávamos, travávamos batalhas, construíamos barcos e pirâmides, cidades e templos, nações e impérios, observávamos as estrelas, o cair da chuva, o movimento do Sol e da Lua sobre nossas cabeças, e o crescimento das plantas e dos animais.

Em que ponto estamos de nossa História ?

Nesta passagem de ano, somos 200 milhões de brasileiros, que, em sua imensa maioria, trabalham, estudam, plantam,  criam, empreendem, realizam, todos os dias.

Nos últimos anos, voltamos a construir navios, hidrelétricas, refinarias, aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, hidrovias, e a fazer coisas que nunca fizemos antes, como submarinos - até mesmo atômicos - ou trens de levitação magnética.

Desde 2002, a safra agrícola duplicou - vai bater novo recorde  este ano -  e a produção de automóveis, triplicou.

Há 12 anos, com 500 bilhões de dólares de PIB, devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI, tínhamos uma dívida líquida de mais de 50%, e éramos a décima-quarta economia do mundo.

Hoje, com 2 trilhões e 300 bilhões de dólares de PIB, e 370 bilhões de dólares em reservas monetárias,  somos a sétima maior economia do mundo. Com menos de 6% de desemprego, temos uma dívida líquida de 33%, e um salário mínimo, em dólares, mais de três vezes superior ao que tínhamos naquele momento.

De onde vieram essas conquistas?

Do suor, da persistência, do talento e da criatividade de milhões de brasileiros. E, sobretudo, da confiança que temos em nós mesmos, no nosso trabalho e determinação, e no nosso país.

Não podemos nos iludir.

Não estamos sozinhos neste mundo. Competimos com outras grandes nações, que conosco dividem as 10 primeiras posições da economia mundial, por recursos, mercados, influência política e econômica, em escala global.

Não são poucos os países e lideranças externas, que torcem para que nossa nação sucumba, esmoreça, perca o rumo e a confiança, e se entregue, totalmente, a países e regiões do mundo que sempre nos exploraram no passado - e ainda continuam a fazê-lo -  e que adorariam ver diminuída a projeção do Brasil sobre áreas em que temos forte influência geopolítica, como a África e a América Latina.  

Nosso espaço neste planeta, nosso lugar na História, foi conquistado com suor e sangue, por antepassados conhecidos e anônimos, entre outras muitas batalhas, nas lutas coloniais contra portugueses, holandeses, espanhóis e franceses; na Inconfidência Mineira, e nas revoltas que a precederam como a dos Beckman e a de Filipe dos Santos; nas Conjurações Baiana e Carioca, na Revolução Pernambucana; na Revolta dos Malês e no Quilombo de Palmares; na Guerra de Independência até a expulsão das tropas lusitanas; nas Entradas e Bandeiras, com a Conquista do Oeste, da qual tomaram parte também Rondon, Getúlio e Juscelino Kubitscheck; na luta pela Liberdade e a Democracia nos campos de batalha da Europa, na Segunda Guerra Mundial.

As passagens de um ano para outro, deveriam servir para isso: refletir sobre o que somos, e reverenciar patriotas do passado e do presente.

Brasileiros como os que estão trabalhando, neste momento, na selva amazônica, construindo algumas das maiores hidrelétricas do mundo, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; como os que vão passar o réveillon em clareiras no meio da floresta, longe de suas famílias, instalando torres de linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade de centenas de quilômetros de extensão; ou os que estão trabalhando, a dezenas de metros de altura, em nossas praias e montanhas, montando ou dando manutenção em geradores eólicos; ou os que estão construindo gigantescas plataformas de  petróleo com capacidade de exploração de 120.000 barris por dia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, como as 9 que foram instaladas este ano; ou os que estão construindo novas refinarias e complexos petroquímicos, como a RENEST e o COMPERJ, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; ou os que estão trabalhando na ampliação e reforma de portos, como os de Fortaleza, Natal, Salvador, Santos, Recife, ou no término da construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro; ou os técnicos, oficiais e engenheiros da iniciativa privada e da Marinha que trabalham em estaleiros, siderúrgicas e fundições, para construir nossos novos submarinos convencionais e atômicos, em Itaguaí; os técnicos da AEB - Agência Espacial Brasileira, e do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acabam de lançar, com colegas chineses, o satélite CBERS-4, com 50% de conteúdo totalmente nacional; os que trabalham nas bases de lançamento espacial de Alcântara e Barreira do Inferno; os oficiais e técnicos da Aeronáutica e da Embraer, que se empenham para que o primeiro teste de voo do cargueiro militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, se dê com sucesso e dentro dos prazos, até o início de 2015; os operários da linha de montagem dos novos blindados do Exército, da família  Guarani, em Sete Lagoas, Minas Gerais, e os engenheiros do exército que os desenvolveram; os que trabalham na linha de montagem dos novos helicópteros das Forças Armadas, na Helibras, e os oficiais, técnicos e operários da IMBEL, que estão montando nossos novos fuzis de assalto, da família IA-2, em Itajubá; os que produzem novos cultivares de cana, feijão, soja e outros alimentos, nos diferentes laboratórios da EMBRAPA; os que estão produzindo navios com o comprimento de mais de dois campos de futebol, e a altura da Torre de Pisa, como o João Candido, o Dragão do Mar, o Celso Furtado, o Henrique Dias, o Quilombo de Palmares, o José Alencar, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; os que estão construindo navios-patrulha para a Marinha do Brasil e para marinhas estrangeiras como a da Namíbia, no Ceará; os engenheiros que desenvolvem mísseis de cruzeiro e o Sistema Astros 2020 na AVIBRAS; os que estão na Suécia, trabalhando, junto à Força Aérea daquele país e da SAAB, no desenvolvimento do futuro caça supersônico da FAB, o Gripen NG BR, e na África do Sul, nas instalações da DENEL, e também no Brasil, na Avibras, na Mectron, e na Opto Eletrônica, no projeto do míssil ar-ar A-Darter, que irá equipá-los; os nossos soldados, marinheiros e aviadores, que estão na selva, na caatinga, no mar territorial, ou voando sobre nossas fronteiras, cumprindo o seu papel de defender o país, que precisam dessas novas armas;  os pesquisadores brasileiros das nossas universidades, institutos tecnológicos e empresas privadas, como os que trabalham ITA e no IME, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, ou no projeto de construção e instalação do nosso novo Acelerador Nacional de Partículas, no Projeto Sirius, em São Paulo;   os técnicos e engenheiros da COPPE, que trabalham com a construção do ônibus brasileiro a hidrogênio, com tubinas projetadas para aproveitar as ondas do mar na geração de energia, com a construção da primeira linha nacional de trem a levitação magnética, com o MAGLEV COBRA; nossos estudantes e professores da área de robótica, do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, várias vezes campeões da Robogames, nos Estados Unidos.   

Neste momento, é preciso homenagear esses milhões de compatriotas, afirmando,  mostrando e lembrando - e eles sabem e sentem profundamente isso - que o Brasil é muito, mas muito, muitíssimo maior que a corrupção.

É esse sentimento, que eles têm e dividem entre si e suas famílias, que  faz com que saíam para trabalhar, com garra e determinação, todos os dias, cheios de  orgulho pelo que fazem, e pelo nosso país.

E é por causa dessa certeza, que esses brasileiros estão se unindo e vão se mobilizar, ainda mais, em 2015, para proteger e defender as obras, os projetos e programas em que estão trabalhando, lutando, no Congresso, na Justiça, e junto à opinião pública, para que eles não sejam descontinuados, destruídos, interrompidos, colocando em risco seus empregos, sua carreira, e a  sobrevivência de suas famílias.

Eles não têm tempo para ficar teclando na internet, mas sabem que não são bandidos, que não cometeram nenhum crime e que não merecem ser punidos, direta ou indiretamente, por atos  dos quais não participaram, assim como a Nação não pode ser punida pelos mesmos motivos.

Eles têm a mais absoluta certeza de que a verdadeira face do Brasil pode ser vista nesses projetos e empresas - e no trabalho de cada um deles - e não na corrupção, que se perpetua há anos, praticada por uma ínfima e sedenta minoria. E intuem que, às vezes, na História, a Pátria consegue estabelecer seus próprios objetivos, e estes conseguem se sobrepor aos interesses de grupos e segmentos daquele momento, estejam estes na oposição ou no governo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Imprensa mineira: por quem os sinos dobram

por  Angela Carrato

 
Depois de terem participado ativamente das eleições em apoio ao candidato oposicionista Aécio Neves (PSDB), os principais jornais mineiros dão início a uma espécie de “caça às bruxas” assediando, constrangendo, ameaçando e demitindo jornalistas que não rezam pela cartilha tucana. Desta vez, as ameaças não partiram da irmã do candidato e antes todo-poderosa controladora da mídia no estado, Andrea Neves, mas das próprias empresas. Aliás, estas empresas vivem um “drama” inédito nas últimas seis administrações: continuar apoiando o governo ou partir para a oposição?
A dúvida deve ser mesmo um tormento para elas. O maior grupo de mídia no estado, Diários Associados (Estado de Minas, TV Alterosa, rádio Guarani e portal Uai) em seus mais de 70 anos, uma única vez esteve na oposição, durante o governo Newton Cardoso (1987-1991), mesmo assim porque o governador cortou uma série de regalias e apoios que a empresa recebia por debaixo do pano.
Se o jornal Estado de Minas manteve a posição de apoio total às administrações de Hélio Garcia, Itamar Franco e Eduardo Azeredo, foi a partir do tucano Aécio Neves (2003) que este apoio transformou-se em adesão incondicional. Além de possuir ações da S/A Estado de Minas herdadas do avô, Tancredo Neves, Aécio tornou-se íntimo do principal executivo do grupo, Álvaro Teixeira da Costa que, nas últimas eleições, extrapolou todas as medidas para respaldar o amigo e candidato.
Enquanto o jornal Estado de Minas denunciava o suposto “aparelhamento” promovido pelo PT, considerava “natural” que seu dirigente subisse no palanque de Aécio Neves, abrisse, nas dependências da TV Alterosa, um comitê de campanha do tucano e, como se isso não fosse suficiente, ainda “convidasse” os funcionários para participar de ato público em apoio à candidatura de Aécio, na Praça da Liberdade. Detalhe: para demonstrar apoio, esses funcionários deveriam comparecer trajando azul e amarelo, as cores tucanas.

Novos “cortes” 

O convite circulou na empresa em forma de comunicação interna enviada pelo setor de recursos humanos, mas comparecer tornou-se condição sine qua non para continuar gozando da “confiança” do patrão. Pressionados pela sobrevivência, ninguém reclamou, mas o absurdo chegou ao Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais (SJPMG) que, em nota, esclareceu que nenhum jornalista ou profissional é obrigado a participar deste tipo de atividade.
O editor de Cultura do Estado de Minas, João Paulo Cunha, era um dos poucos a conseguir manter, em seu trabalho, posição equidistante da militância tucana preconizada pela direção da empresa. Tanto que o suplemento “Pensar”, que circula aos sábados, junto com a edição regular do jornal, tornou-se uma espécie de “oásis”: reunia colaboradores de tendências, gostos e credos diversos, publicando artigos e promovendo discussões sintonizadas com o que de melhor acontecia no país e no mundo em matéria de cultura, arte, psicanálise, meio ambiente, comportamento e, naturalmente, política.
Na segunda-feira (15/12), João Paulo foi “convidado” a deixar o jornal. Sua permanência ficaria condicionada a não mais abordar assuntos “políticos” na coluna que assinava no suplemento. Pelo visto, a direção dos Associados não gostou do artigo dele publicado em 6 de dezembro, intitulado “Síndrome de Capitu“, no qual afirmava que o Brasil já definiu, nas urnas, quem é situação nos próximos quatro anos, mencionando que faltava ao país, agora, ter uma oposição consequente. A referência, óbvia, era às posições golpistas estimuladas e assumidas por Aécio Neves, inconformado com o resultado das urnas (ver, neste Observatório, “Campo minado para pensar“).
Jornalista e intelectual brilhante, João Paulo deixou o jornal. As demissões no Estado de Minas, pelo que se sabe, não vão parar aí. A empresa estaria esperando apenas vencer os três meses de estabilidade que constam da última convenção de trabalho dos jornalistas. Em outras palavras, a partir de janeiro novos “cortes” devem acontecer.

A maior tiragem 

A situação financeira do Estado de Minas e dos Diários Associadas não é nada tranquila. Carro-chefe do condomínio até pouco tempo, o Estado de Minas tem visto sua receita minguar de forma tão acelerada quanto a perda de leitores. Para uma publicação que alardeava ser “o grande jornal dos mineiros”, de uma tiragem oficial de 75 mil exemplares diários, atualmente 60% encalham nas bancas. De acordo com a pesquisa “Democratização da Mídia”, realizada pela Fundação Perseu Abramo, do Partido dos Trabalhadores (PT), divulgada em agosto de 2013 e confirmada por pesquisa do Ibope realizada no mesmo ano, o jornal alcança 1,3% dos leitores brasileiros, concentrados na região Sudeste, mais precisamente na capital mineira e Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Mas se a questão é cortar custos, o Estado de Minas poderia reduzir a tiragem e investir em jornalismo de qualidade, disponibilizando o conteúdo em suportes diversos. Certo? A empresa não pensa assim. Tanto que prefere manter a perda diária de 60% para sustentar artificialmente os preços que cobra dos anunciantes.
De olho nos erros do concorrente, o jornal O Tempo tem avançado no que antes era considerado “propriedade” do Estado de Minas: os anúncios classificados. O encolhimento dos classificados do EM contrasta com o vigor dos pequenos anúncios no tabloide sensacionalista Super e no semanário Jornal da Pampulha, ambos da Sempre Editora, que publica O Tempo.
Criado em meados da década de 1990 pelo empresário e político Vittorio Medioli – na época, deputado federal pelo PSDB – O Tempo nunca escondeu a pretensão de desbancar os Associados. Disposição acentuada depois de Medioli ter sido alvo de campanha dos Associados contra seus negócios (entre outras atividades, é dono da poderosa Sada, que faz transportes de veículos para a Fiat, Volkswagen, General Motors, Peugeot e Citroën). O carro-chefe da Sempre Editora, no entanto, é o Super, a publicação com maior tiragem no país, tendo superado os tradicionais O Globo e Folha de S.Paulo, com mais de 270 mil exemplares diários.

Pauta dirigida

Por uma questão de marketing, os veículos da Sempre Editora depois de anos fazendo campanha contra as administrações petistas em municípios mineiros e no Estado, agora parecem dispostos a manter certa equidistância do oposicionismo. Prova disso é que, na última campanha eleitoral, essas publicações foram as únicas a mencionar, com um mínimo de equilíbrio, as atividades de todos os postulantes à presidência da República e ao governo de Minas. Para os profissionais que lá trabalham, no entanto, o maior problema é que os dirigentes da Sempre sonham em fazer jornal sem jornalista, com os “enxugamentos” sendo frequentes. Lá também, novos “cortes” devem acontecer a partir de janeiro.
Dos grupos de mídia em Minas, a Sempre é a única que possui sólida saúde financeira. Aliás, apenas 6% da receita dos negócios de Medioli provêm da editora, o que lhe garante considerável autonomia frente a governos.
Dos três principais jornais mineiros, o Hoje Em Dia é, sem duvida, o que mais oscilações têm experimentado. Criado por Newton Cardoso em 1989, para enfrentar os Associados, a publicação foi vendida para o empresário Edir Macedo, da Igreja Universal em 1991, pouco depois de deixar o governo. De lá para cá, o jornal passou por sucessivas crises, com reflexos na linha editorial e na tiragem. Crises que abalaram o interesse de Macedo pela publicação que acabou sendo vendida para o Grupo Bel, do empresário Marco Aurélio Jarjour e filhos.
Jarjour possui sete emissoras de rádio, a concessão de dois canais fechados de TV, atua no setor de diversões (boate Na Sala) e no de grandes shows, disposto a ampliar a aprofundar seus negócios em mídia. Para tanto, contava com a vitória de Aécio Neves para a presidência da República e não mediu esforços para ajudar o tucano.
Estes esforços redundaram em exemplos do que de pior pode ser feito por um jornal. Na tentativa de desmoralizar a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, o comitê tucano divulgou denúncia de que o que o irmão dela teria sido funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte, entre 2003 e 2009. Imediatamente, o Hoje Em Dia enviou repórter à pequena cidade de Passa Tempo (oito mil habitantes), no interior de Minas, para apurar a denúncia.
Até aí, tudo certo. O papel da mídia é apurar. O problema é que o repórter verificou que Igor Rousseff, o único irmão da presidente, não foi funcionário fantasma. No período em questão, trabalhava durante a semana na capital mineira e ia aos sábados e domingos para Passa Tempo, onde fixou residência depois da aposentadoria.

Manchete desmentida 

A história de Igor foi confirmada por todos na cidade. Do dono da mercearia ao motorista da linha de ônibus que faz o trajeto entre a capital mineira. Ao invés de ver a matéria publicada tal como foi apurada, o repórter foi surpreendido ao ver seu texto alterado, nele incluída e destacada a fala de um vereador tucano, o único a “confirmar” que Igor não morava lá. A desmoralização maior para o HD veio com a publicação de reportagens sobre o assunto pela Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo que literalmente desmentiam a publicação.
Assinada pelo repórter Diego Zanchetta e datada de 27 de outubro, a reportagem do ESP, por exemplo, apresenta Igor como ex-hippie, adepto do budismo e pessoa desprendida das coisas materiais. Avesso a qualquer tipo de badalação e residindo em uma casa simples, com um fusca verde na garagem, ele tenta, no momento iniciar uma criação de tilápia. Advogado por formação, é graduado também em Jornalismo e História e fala fluentemente inglês e francês. Igor faz questão de manter uma prudente distância da irmã e de todos que tentam se aproximar dele para chegar à presidente.
Como se este desmentido nacional não bastasse, a direção do HD ainda tentou outra cartada em prol da candidatura de Aécio. Foi o único jornal a divulgar o resultado da pesquisa de um tal Instituto Veritas, que colocava, às vésperas do segundo turno, o candidato tucano à frente de Dilma. Em manchete, o HD destacava: Aécio 57% e Dilma 43%. Menos de 24 horas depois, era desmentido pelos, insuspeitos de serem petistas, institutos Ibope e Datafolha, que concordavam que os dois candidatos estavam tecnicamente empatados: Aécio com 51% e Dilma com 49%. Empate detectado, também, pelo tracking diário de campanha dos dois candidatos. Detalhe: a manchete do HD foi explorada à exaustão pelo comitê tucano nos programas do horário eleitoral de rádio e TV, com tudo indicando que tenha sido feita com este objetivo. O próprio senador Aécio Neves se valeu delas para, nos debates, “mostrar” para Dilma que estava ganhando em Minas e no Brasil.

“Erros ortográficos” inexistentes

No segundo turno, o HD superou-se. Publicou resultado de pesquisa do Instituto Sensus, contratado pelo PSDB, dando vantagem de 17 pontos para o tucano sobre Dilma Rousseff. Em menos de 48 horas, voltou a ser desmentido pelo Datafolha e pelo Ibope. O assunto repercutiu na imprensa nacional, mas foi praticamente ignorado pela mídia mineira. Blogs como o Diário do Centro do Mundo, do jornalista Paulo Nogueira, e da Cidadania, de Eduardo Guimarães, frisaram que se tratou de “crime eleitoral, sujeito às punições legais”. Como o PT não entrou na Justiça, o assunto parecia fadado ao esquecimento, exceto pela tentativa da direção do HD de aproveitar a ocasião e demitir um de seus mais antigos funcionários, o editor e dirigente sindical, Aloísio Morais Martins, na empresa desde sua fundação, há 27 anos.
No dia 30 de outubro, Morais recebeu advertência da direção do HD por ter compartilhado, em sua página pessoal no Facebook, matéria crítica ao resultado das pesquisas dos institutos Veritas e Sensus divulgadas pelo jornal. A alegação era que a sua publicação havia “prejudicado” os negócios da empresa. Alegação no mínimo curiosa. Se havia comentários críticos ao HD na página de Morais, os comentários eram leves se comparados aos da própria página do jornal no Facebook. Em outras palavras, se o próprio jornal compartilhou a matéria, por que um cidadão, que no caso é também funcionário da empresa, não poderia fazer o mesmo? Afinal, as redes sociais são fontes e instrumentos de pesquisa e informação para jornalistas e não jornalistas.
Suspenso e sem vencimentos desde o final de outubro, o caso de Morais foi parar na Justiça do Trabalho, onde a direção do HD pediu a abertura de inquérito para a sua demissão “por justa causa”. Uma audiência estava prevista para 11 de dezembro, mas acabou adiada por solicitação do jornal. Nova data está marcada para maio. Até lá o jornalista permanecerá afastado do trabalho e sem salário. Um dos mais competentes e conhecidos jornalistas mineiros, Morais integra a diretoria na atual gestão do sindicato e na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Some-se a isso que foi, por duas vezes, presidente do sindicato em Minas. Razão pela qual a avaliação que o atual dirigente da entidade, Kerisson Lopes, faz é de que se trata de “perseguição por parte da empresa”, que tenta encontrar uma forma de se livrar de um profissional sério e ético, que incomoda quem não tem compromisso com a liberdade de expressão.
Antes deste episódio, Morais vinha sendo alvo de permanente assédio, com a direção do HD tentando imputar-lhe advertências por “erros ortográficos” que, comprovadamente, não cometeu. Sem falar que suas funções e turno eram alterados sem quaisquer justificativas. Morais só não foi demitido até agora por gozar de imunidade sindical.

As chaves do cofre

A exemplo dos demais jornais mineiros, o HD passou recentemente por mais um novo enxugamento e outros cortes estão previstos. Nos próximos meses, o jornal deve mudar de endereço, trocando o prédio de quatro andares que ocupa no bairro Santa Efigênia, próximo ao centro, por instalações menores, na saída para o Rio de Janeiro. Na redação e direção do jornal, a dança das cadeiras continua, buscando-se privilegiar apenas os “confiáveis”.
Estado de Minas e Hoje em Dia têm até março (os clássicos 100 primeiros dias de uma administração) para decidir sobre a “linha editorial” a ser adotada. Permanecem na oposição sistemática ao PT, agora incluindo o governador Fernando Pimentel, como sempre fizeram em relação aos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e ao primeiro de Dilma Rousseff, ou tentam outro caminho?
Uma coisa é certa: como o ramal minimamente independente já está ocupado por O Tempo, a disputa acirrada vai acontecer entre Estado de Minas e Hoje em Dia para ver quem será o porta-voz da oposição tucana em Minas. Aécio precisará de visibilidade e os dois jornais poderiam garantir-lhe espaço, mas o problema é que os tucanos não têm mais as chaves do cofre das Alterosas e nem da presidência da República e compromisso com o jornalismo não é o forte destas empresas.
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Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG; o presente texto foi publicado no blog Estação Liberdade 
(fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed831_por_quem_os_sinos_dobram)

Veja confirma Carta Maior : Aécio é nota zero

Saul Leblon
reprodução
Em 11 de novembro último, a repórter de Carta Maior, Najla Passos, antecipou o que a revista Veja só reconheceu agora, um mês depois, e de forma envergonhada.

Aécio é um parlamentar pífio, que pouco serve ao eleitor, produz pouco no Congresso e deixa um saldo medíocre ao país quando se trata de formular políticas e apresentar projetos de relevância para a sociedade.

Esse balancete pouco enobrecedor foi sancionado pela nota zero que o veículo mais engajado na fracassada eleição do tucano à presidência da República fez da atuação parlamentar em 2014.

O político ao qual o conservadorismo pretendia entregar os destinos da nação figura como o lanterninha na quarta edição do “Ranking do Progresso”, como a revista da Abril batiza a sua radiografia de desempenho dos parlamentares brasileiros.

O veículo dos Civitas até tentou dourar o lacto purga injetado na biografia do ex-governador mineiro.

Seria o ônus da dedicação exclusiva à campanha eleitoral, aventou a revista confiante na amnésia de seus próprios leitores em relação à indigente colocação de Aécio em rankings anteriores.

No de 2013, por exemplo, ele recebeu uma pontuação inferior a quatro. Numa escala de zero a dez, seu desempenho ficou abaixo daquele cravado por Tiririca, por exemplo.

Nesse melancólico final de 2014 para o conservadorismo, que viu frustrar mais uma vez o seu projeto de retorno ao poder, o protagonista-mór do fiasco coroou assim sua biografia com um esférico e inapelável boletim vermelho.

Entre outras coisas, ele desautoriza a anunciada liderança que o tucano pretende exercer no cerco legislativo contra o segundo governo Dilma Rousseff.

Quando a repórter Najla Passos publicou sua radiografia em novembro, o tucano estava em plena escalada lacerdista.

Cercado de pompa e circunstância pelo dispositivo midiático, o ex-governador de Minas fizera então seu retorno ‘triunfal’ ao Congresso após o revés nas urnas.

Com ataques e críticas ao PT e à presidenta Dilma Rousseff, Aécio acusou o PT, por exemplo, de ‘trabalhar pela redução dos direitos às liberdades no país’, citando a defesa petista da regulação da mídia. ‘Não se constrangem em propor o oposto à liberdade’, disse.

E arrematou com a promessa de liderar a derrubada do decreto da presidenta Dilma, que amplia a participação dos conselhos populares na formulação das políticas púbicas. "O decreto dos conselhos populares deverá ter aqui no Senado o mesmo fim que teve na Câmara, ou seja, o arquivo’, garantiu.

Está explicada a notoriedade do lanterninha do Congresso que ocupa na mídia espaço inversamente proporcional à sua produção legislativa. Aécio é o grão articulador dos interesses conservadores no parlamento. E assim promete se manter, como o guarda noturno das elites no Congresso brasileiro. Sua vocação apenas reafirma o acerto da rejeição que lhe dispensou o eleitor mineiro nas urnas de 26 de outubro.

Foi exatamente o que demonstrou a sua radiografia parlamentar publicada por Carta Maior no início de novembro, e sancionada um mês depois pelo ranking envergonhado da Veja.
(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Veja-confirma-Carta-Maior-Aecio-e-nota-zero-/4/32533)