terça-feira, 10 de março de 2015

Seminário que discute rumos do ensino médio tem destaque em nova edição do Boletim da UFMG



BOLETIM%201894%20capa%20%281%29.jpg Expansão, currículos, organização escolar e formulação de propostas de intervenção estão entre os temas do seminário Ensino médio no Brasil: sujeitos, tempos, espaços e saberes, que será realizado na UFMG nesta semana. Organizado pelo Observatório da Juventude, da Faculdade de Educação, o evento é o destaque da edição 1894 do Boletim UFMG, que circula a partir desta segunda. Confira o conteúdo em sua versão digital:
Combate à indignidade
Faculdade de Direito instala clínica para prestar assistência a vítimas do trabalho escravo e tráfico humano.
Na encruzilhada
Em seminário na UFMG, educadores e estudantes debaterão os rumos do ensino médio brasileiro.
Lenta maturação
Em aula inaugural na Fale, Silviano Santiago descreverá o processo de formação da literatura brasileira.
O poder dos ‘burocratas da rua'
Pesquisa da FaE analisa papel dos agentes públicos de base na implantação de programas de transferência de renda.
Gênio da síncope e do cromatismo
Grupo de pesquisa da Escola de Música apresenta nos EUA lições e modinhas compostas por mulato brasileiro no século 19.
Acontece
Livro da Editora UFMG que revisita estudos de Lacan sobre a comédia será lançado no próximo fim de semana.
Atenção e acolhimento ao estudante da UFMG
O presidente da Fump, Allan Claudius Queiroz Barbosa, discorre sobre o papel da Fundação na consolidação do projeto acadêmico de parcela expressiva dos estudantes da Universidade.

15 de março - eu não vou!


(fonte: blog da KikaCastro)

segunda-feira, 9 de março de 2015

O urânio, as crianças e o silêncio


É o silêncio.

As autoridades norte-americanas admitem ter usado 320 toneladas de urânio empobrecido, números contestados pela fundação Laka de Amsterdam que estima a quantidade real mais perto de 800 mil toneladas, lançadas no Iraque durante a guerra de 1991 e 1.200 toneladas durante a invasão de 2003.

Em 1991, o exército norte-americano lançou quase um milhão de bombas de urânio empobrecido em três dias contra os soldados iraquianos em retiradas e milhares de refugiados ao longo das estradas perto de Bassora.

O resultado? Rapidamente, algumas áreas do sul do Iraque tiveram um aumento anual de 350% dos casos de leucemia, deficiências imunológicas, cataratas e disfunções renais. As estatísticas oficiais mostram que antes da eclosão da primeira Guerra do Golfo, em 1991, a taxa de casos de câncer era de 40 por cada 100.000 habitantes. Em 1995 tinha subido para 800 por 100 mil e, em 2005, dobrou para pelo menos 1.600 pessoas por 100.000.

O Dr. Jawad al-Ali, do Centro de Tratamento do Câncer em Bassora:
O mundo deve saber que os Iraquianos foram vítimas de agressões infligidas pelo uso de munições de urânio empobrecido por parte de tropas americanas e britânicas durante a guerra. Este é um genocídio.
O especialista que existam 300 locais em todo o Iraque contaminados com radiação de munições de urânio empobrecido:
Antes da Guerra do Golfo, tínhamos dois ou três casos de pacientes com câncer por mês, agora 30-35 pessoas morrem a cada mês. Os nossos estudos indicam que uma percentagem entre 40 e 48% da população terá um câncer dentro de cinco anos.
Considerando que a OMS (Organização Mundial da Saúde) quantifica a população iraquiana em cerca de 33 milhões de habitantes (dado de 2013), estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas receberão um diagnóstico de câncer nos próximos anos.

Além disso, nunca antes tinha sido detectada uma tão elevada taxa de espinha bífida nas crianças, por
exemplo em Bassora, e a taxa continua a aumentar.

O número de hidrocefalias em recém-nascidos é seis vezes maior em Bassora que nos Estados Unidos e são encontradas malformações relatadas apenas nos manuais de medicina que estudam as crianças nascidas perto dos locais dos testes nucleares no Pacífico: crianças sem membros, com intestinos para fora do abdómen, tumores enormes, com um único grande olho ou sem olhos, crianças anencefálicos (ausência de grande parte do cérebro e do crânio), com graves problemas de respiração, com tumores malignos muito agressivos que implica amputações. Estes são apenas alguns exemplos entre muitos.

Um especialista em pediatria do Hospital geral de Fallujah, o Dr. Samira Alani, conduziu uma investigação após a proliferação dos defeitos congénitos como resultado do bombardeio dos Estados Unidos. A sua pesquisa levou-a para o Japão, onde se encontrou com os médicos japoneses que estudam a taxa de defeitos de nascimento por causa da radiação dos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki. A taxa de incidência de malformações em Hiroshima e Nagasaki é actualmente entre 1 e 2%. O Dr. Alani observou que os casos de malformações congénitas foram 14,7% nas crianças nascidas em Fallujah, ou seja, mais de 14 vezes a frequência das áreas afectadas no Japão.

Os médicos iraquianos acreditam que os defeitos congénitos têm aumentado entre 2 e 6 vezes e as crianças têm entre 3 e 12 vezes a probabilidade de câncer ou leucemia desde 1991. Um relatório publicado no The Lancet, em 1998, declarava que na altura cerca de 500 crianças estavam a morrer a cada dia por causa da guerra e das sanções e que a taxa de mortalidade das crianças iraquianas com menos de 5 anos de idade tinha aumentado de 23 por 1.000 em 1989 para 166 por 1.000 em 1993.
E a tendência está a aumentar.

Qual a reacção da comunidade internacional perante estes dados? Nenhuma.

Muitos médicos iraquianos estão a tentar alertar a comunidade internacional para obter ajuda através das figuras mais importantes do mundo. Mas em vão. Após o bloqueio do relatório da OMS, 58 peritos, académicos, intelectuais, profissionais de saúde e defensores dos direitos humanos em Maio de 2013 escreveram para a OMS e o Ministério da Saúde do Iraque, exigindo a libertação imediata do relatório. Não houve resposta.

O apelo, assinado por estudiosos de todo o mundo, incluindo Noam Chomsky, Ken Loach, John Tirman, Dr. Mozhgan Savabieasfahani, organizações como a Human Rights, Health Alliance International e muitas outras ficou simplesmente sem resposta.

Hans von Sponeck, ex-Vice-Secretário-Geral das Nações Unidas e membro do Tribunal de Bruxelas:
O governo dos Estados Unidos tem feito tudo para impedir que a OMS investigasse nas áreas do sul do Iraque, onde foi utilizado urânio empobrecido que causou graves danos, riscos ambientais e de saúde.
À luz desta tragédia ocultada por parte de organizações internacionais, a pergunta é: qual é o papel da OMS? A função desta organização que alimenta o planeta com as suas campanhas contra a poliomielite, a lepra, etc. e pontifica sobre tudo o que é saúde, é de esconder um relatório que acuse um governo? O extermínio do povo iraquiano através da utilização de urânio em larga escala por parte dos exércitos americano e britânico é um tema que não faz parte das normas da OMS e das várias ONGs de fachada? Como descrever uma organização que se atreve a esconder um relatório que indica claramente as monstruosidades da guerra, que esconde os crimes hediondos cometidos contra um povo e a natureza? Como pode um cientista tolerar tal monstruosidade?

Fica a pergunta, como sempre sem resposta.


Ipse dixit.

Fonte: a fonte deste artigo apresenta uma documentação fotográfica (alguns exemplos de defeitos de nascimento) cuja visão não é recomendada para as pessoas sensíveis. O link é o seguinte: Whatsupic
 

Sete cidades que estão livrando-se dos carros

Carros proibidos no centro. Ruas só para pedestres. Mais ciclovias. “Redes verdes”. Espalham-se na Europa e China ações para superar ditadura do automóvel

Na Hypeness
Um típico paulistano que utiliza o carro todos os dias para trabalhar perde um mês por ano de sua vida no trânsito. Algumas cidades já perceberam que o automóvel não é a melhor opção para grandes centros urbanos. Os carros poluem o meio ambiente, causam acidentes e mortes e estão se tornando um meio de transporte lento e estressante.
Em Londres, se você for a algum lugar de bicicleta, chegará mais rápido do que se tivesse utilizado um carro. Um estudo britânico constatou que os motoristas gastam 106 dias de suas vidas à procura de vagas em estacionamentos. Para fugir desta caótica realidade, algumas cidades estão proibindo o uso de carros em determinados bairros, aplicando multas aos que descumprem as regras.
Veja abaixo algumas das cidades que estão abandonando, aos poucos mas de vez, os automóveis:

1. Madri, Espanha
Madri já proibiu o uso de carros em algumas regiões e pretende aumentar essas áreas. Quem trafegar de carro em áreas proibidas pagará uma multa de 100 dólares. A cidade pretende deixar o centro de Madri completamente sem carros nos próximos cinco anos. As ruas serão redesenhadas para caminhar e não para dirigir. Além disso, os carros mais poluentes pagam um valor mais alto para estacionarem nas ruas.

2. Paris, França
No ano passado, quando os níveis de poluição atmosférica estavam muito elevados em Paris, a cidade proibiu o uso de carros com placas pares por um período. A poluição diminuiu em até 30% em algumas regiões. Desta forma, a cidade pretende desencorajar o uso de automóveis nos próximos anos. No centro da cidade, pessoas que não moram na região central, não poderão utilizar automóveis nos finais de semana e, em breve,  também não poderão utilizar os carros durante toda a semana. Em 2020, o prefeito planeja dobrar o número de ciclovias e proibir carros a diesel. O número de condutores na cidade já está começando a cair. Em 2001, 40% dos parisienses não possuíam carros, hoje 60% não possuem carro próprio.

3. Chengdu, China
Uma nova cidade satélite planejada no sudoeste da China poderia servir como um modelo para locais modernos. As ruas foram projetadas para que as pessoas consigam chegar a qualquer local da cidade em apenas 15 minutos a pé.  A maioria das pessoas poderá ir caminhando ao trabalho nos bairros locais. Os arquitetos Adrian Smith e Gordon Gill realizaram o projeto, que em breve será implementado.

4. Hamburgo, Alemanha
A cidade não planeja proibir totalmente o uso dos carros. Ao invés disso, está tornando mais fácil ficar sem dirigir. Um nova rede verde“, que será concluída entre 15 a 20 anos, irá conectar parques ao redor da cidade, desde jardins comunitários, reservas ou playgrounds até cemitérios. A rede cobrirá 40% da área total de Hamburgo, que será totalmente interligada por meio de ciclovias e vias para pedestres.

5. Milão, Itália
A cidade de Milão está testando uma nova forma de diminuir o uso de automóveis nos centros da cidade. Quem deixar o automóvel em casa, ganhará um “vale” com o mesmo valor de um bilhete de ônibus ou trem. Para evitar fraudes, é necessário instalar uma caixa conectada à internet no carro para o controle e localização do automóvel.


6. Copenhague, Dinamarca
Anos atrás, a cidade tinha um tráfego caótico. Para mudar este cenário, os dinamarqueses aderiram ao uso de bicicletas, para se locomoverem e irem ao trabalho. Na década de 1960, a cidade começou a implantar zonas para pedestres e os espaços para carros foram diminuindo ao longo dos anos. Atualmente, a cidade tem mais de 200 quilômetros de ciclovias, com novas auto-estradas de bicicleta em desenvolvimento, para chegar a seus arredores. A cidade tem uma das taxas mais baixas de propriedade de automóveis na Europa.

7. Helsinki, Finlândia
Em um novo plano, a cidade apresenta um projeto que busca fazer com que seus cidadãos não tenham mais motivos para utilizar carros. O objetivo é mudar a forma como as pessoas se locomovem dentro da cidade e integrar vários tipos de transportes públicos. Um novo aplicativo, ainda em testes, permitirá que os cidadãos acessem instantaneamente uma bicicleta, carro, táxi compartilhado e  encontrem ônibus ou trem mais próximos.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=115461)


domingo, 8 de março de 2015

Prostituição à brasileira


É grande o número de brasileiros que ganham a vida prostituindo-se no exterior. Quem são essas pessoas, de onde vem, quais são seus horizontes e sonhos?
A Editora Contexto apresenta Prostituição à Brasileira, de José Carlos Sebe – autor entrevistado no vídeo que pode ser assistido logo abaixo.
O livro já está em pré-venda, aproveite!
 
 
Muito se fala sobre a vulgarmente chamada “profissão mais antiga do mundo”. Termos recorrentes nos noticiários (e também na ficção) como “tráfico de pessoas”, “turismo sexual”, “indústria do sexo”, assim como o montante de dinheiro movimentado pela prostituição são repetidos à exaustão. Porém, poucos dão voz aos verdadeiros protagonistas dessa história. Estima-se que o número de pessoas se prostituindo no mundo ultrapasse os 40 milhões. Mas quem são realmente essas pessoas?
Neste livro, José Carlos Sebe B. Meihy nos traz o relato de cinco vidas, de cinco histórias de brasileiras e brasileiros que entraram no universo da prostituição internacional, narradas por eles mesmos. O autor nos oferece, assim, múltiplos olhares e experiências vindos de dentro do mundo que trata o sexo como negócio, deixando aberto para que o leitor julgue por si cada um desses impressionantes relatos.
 
Nº de Páginas: 240
Formato: 16 x 23

ISBN:
978-85-7244-892-5


 
 

A novela das capivaras e o prefeito que não pode ser babá

por Cristina Castro

Já faz tempo que prometi à Dri, leitora deste blog, escrever sobre uma novela que ronda os moradores de Belo Horizonte -- e os turistas que passam pela cidade -- há vários meses.
Mais especificamente, há 20 meses.
Foi exatamente no dia 4 de julho de 2013 que o jornal "O Tempo" publicou a primeira reportagem sobre a morte de Alysson Ribeiro de Miranda, de 42 anos, por falência múltipla de órgãos causada pela febre maculosa. Ele contraiu a doença passeando com a família por um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte -- o Parque Ecológico da Pampulha --, onde foi picado por um carrapato-estrela contaminado com a bactéria da febre maculosa. Esse carrapato é encontrado aos montes nas capivaras que povoam a orla da Lagoa da Pampulha. E foi aí que começou a novela.
No dia 28 de junho daquele ano, a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada sobre a suspeita. No dia 5 de julho, após a notícia exclusiva sobre a morte de Alysson, a prefeitura disse que lançaria um edital de licitação para contratar uma empresa para solucionar o avanço das capivaras na orla da lagoa. A abertura da concorrência iria começar em um mês e a empresa iria atuar a partir de setembro de 2013, segundo reportagem do dia 9 de julho daquele já longínquo ano.
Não aconteceu nada disso. Em JANEIRO de 2014 -- ou seja, passados seis meses da morte de Alysson e três meses do que seria o início do remanejamento previsto pela Prefeitura de Belo Horizonte -- a gestão de Marcio Lacerda decidiu contratar uma empresa sem licitação, "para agilizar" o processo (!!!!). Segundo a reportagem de 24 de janeiro de 2014, a retirada das capivaras começaria em fevereiro daquele ano e levaria só 40 dias.
Guardaram a data e os novos prazos? Beleza. Acontece que, no meio-tempo, passados sete meses da primeira morte por febre maculosa, uma outra pessoa morreu infectada pelo carrapato contaminado presente nas capivaras: o estudante de engenharia Samir Assi, de apenas 20 anos. Ele contraiu a doença com uma inocente pedalada na orla da lagoa da Pampulha -- passeio favorito de centenas de belo-horizontinos que lotam as ciclofaixas nos fins de semana.
Sem solução por parte da prefeitura, os moradores e frequentadores da Pampulha passaram a andar com medo e mudar seus hábitos.
Apenas no dia 31 de março de 2014 -- ou seja, quando as capivaras já teriam que ter sido remanejadas, se a prefeitura tivesse cumprido o SEGUNDO prazo fornecido à população, em janeiro -- uma empresa (Equalis Ambiental) foi contratada para realizar o serviço. Valor do contrato: R$ 182 mil. Desta vez, não arriscaram informar prazo para início dos trabalhos.
Até 9 de maio, a empresa contratada continuava mapeando o grupo de animais. Paralelamente, a prefeitura instalava placas alertando a população para o risco de carrapatos. "Verifique as roupas e o corpo cuidadosamente a cada três horas", diziam as placas. Causaram pânico? Nããão, imagina.
Em julho, o jornal noticiou que as capivaras começaram a invadir jardins de casas da Pampulha, sem ninguém para retirá-las de lá. Naquele momento, a PBH aguardava liberação do Ibama para fazer o manejo dos animais. O Ibama também "brilhou" em agilidade: só liberou o manejo no dia 3 de setembro! A captura das capivaras só começou a ser feita 26 dias depois da liberação pelo Ibama. Até o dia 4 de novembro, das 250 capivaras que vivem no local, 43 tinham sido recolhidas. Menos de um quinto do total (17%). E foi comprovado que estavam mesmo cheias de carrapatos com bactéria da febre maculosa.
Em dezembro, a PBH informou que as capivaras seriam esterilizadas. No dia 26 de janeiro, a notícia era que a esterilização estava ainda "sem data para ocorrer", dependendo de acordo com a UFMG.
Pra piorar, diante dessa morosidade da Prefeitura e do Ibama, um terceiro caso de febre maculosa foi detectado em janeiro deste ano. Desta vez, felizmente, não levou à morte. A vítima da vez era um garoto de apenas 15 anos. A resposta da prefeitura foi a distribuição de cartilhas.
No fim de janeiro, a aposta para combater o problema era o uso de um carrapaticida. De novo, o assunto morreu. Já estamos em março e o remédio ainda não foi aplicado. Pior: a última notícia que tivemos, no domingo, foi que as capivaras estão morrendo no cativeiro!
Então vamos ver se entendi bem: toda a burocracia, envolvendo licitação, dispensa de licitação, autorização do Ibama e acordo com UFMG era para garantir que as capivaras fossem preservadas, ficassem bem, mas livres de carrapatos contaminados. Assim, elas poderiam permanecer em seu lugarzinho na natureza, mas sem causar doença às pessoas. Seriam controladas, para não se multiplicarem muito rápido, e tudo seria legal, joia, ambientalmente correto. Mas o que aconteceu de verdade? Duas pessoas morreram, uma terceira quase morreu, e, mesmo com toda a lerdeza para resolver o problema, com a bela intenção de manter as capivaras vivas e saudáveis, no final das contas, descobrimos que metade delas também estão mortas!?
Ou seja, a Prefeitura de Belo Horizonte agiu tão desastradamente nesta história que, além de não impedir novas mortes de humanos, tampouco garantiu a sobrevivência dos animais.
Realmente, não precisamos de babás assim, caro prefeito Marcio Lacerda. É melhor tomarmos nossas próprias precauções, sem contar com o poder público: trocarmos o principal cartão postal de Belo Horizonte por outro lugar qualquer. E, claro, avisarmos aos turistas que, se forem passear pela lagoa da Pampulha, correm um risco muito grande, conhecido há 20 meses e ainda não solucionado pelos gestores da cidade.
(fonte: blog da Kika Castro)

Robin Hood, herói ou bandido?

Colaboração do professor Antônio de Paiva Moura

O norte-americano Howard Pyle, com base nas tradições orais da Idade Média, na Inglaterra, narrou e ilustrou com pinturas, as aventuras de Robin Hood. Pyle nasceu em Wilmington, em 1853. Aos 16 anos de idade, em 1869, contrariando a família, foi para Filadélfia estudar pintura com o mestre belga Vander Wielan. Pouco tempo depois voltou à sua terra natal para ajudar sua família nos negócios. Em 1883, com 30 anos publicou “As aventuras de Robin Hood. Continuou, ao longo da vida, pintando e escrevendo sobre histórias medievais. Com esse intuito, mudou-se para Florença, onde faleceu, em 1911.
Na versão de Alexandre Dumas, Robin Hood é tratado como “O príncipe dos ladrões" e proscrito. Dumas narra as peripécias dos alegres homens da floresta em busca de justiça e igualdade, além de diversão.

A vida real de Robin Hood tem muitas versões. Para alguns historiadores, ele foi um nobre chamado Robert of Locrsley, nascido em 1160 no condado de Nottingam, durante o reinado de Henrique II. Seu pai foi morto e ele perdeu seu castelo e sua riqueza. A partir daí, Robin reuniu um grupo de homens e foi morar na floresta de Sherwood. Dessa história teria derivado a lenda, muito conhecida na Idade Média, transmitida ao povo pelos menestréis que perambulavam pela Inglaterra, cantando suas baladas. A lenda tem fim no reinado de Ricardo Coração de Leão (1157-1199), que lutava na Terceira Cruzada.

Na versão de Howard Pyle, Robin Hood era conhecido como chefe de bando de astutos ladrões. Amparado em seu bando, Robin Hood agia violentamente assaltando transeuntes da estrada real, alegando estar combatendo as injustiças. Ensinava aos demais componentes do grupo, a arte de manejar arco e flecha, cajados e espadas; montar a cavalo e planejar assaltos; inventar disfarces e defesa pessoal. Robin Hood e seu bando assaltavam pessoas que transportavam valores, usando uma técnica que aliviava sua consciência. Levava as vítimas para a floresta e lá ofereciam a elas um banquete. Depois as obrigava a pagar as despesas com tudo que tinham. Na retórica deRobin Hood, a extorsão não era roubo.

Quando o transeunte não tinha nada, mas ganhava a luta de cajados contra qualquer elemento de seu bando, Robin o convidava a integrar-se à sua facção. Com isso o bando ia crescendo em quantidade, qualidade e riqueza. Na versão de Pyle, tudo que qualquer elemento conseguia como prêmio por torneios de arcos, era levado para o grupo.

A história de Robin Hood reforça a ideologia do merecimento da acumulação de riquezas. Mas segundo Tomas Morus, conterrâneo de Robin, nada justifica a acumulação de riqueza, seja por meios pacíficos ou coercitivos. O episódio do cavaleiro Sir Richard of the Lea, que perdeu sua fortuna tomada por outro poderoso senhor, em pagamento de uma pequena dívida, mostra as duas formas de enriquecimento. Não se
sabia como Richard havia conseguido sua riqueza. Usando de sua força e de sua astúcia, Robin Hood conseguiu reverter a situação e devolver ao nobre senhor a sua fortuna. 

Tanto nas versões de Dumas quanto de Pyle, Robin Hood não aparece como protetor dos pobres e nem distribuindo com eles os produtos dos roubos. Porque era de origem nobre, Robin foi considerado como o “bom ladrão”, e até como herói.

Duas situações aproximam Robin Hood da oficialidade, do establishment: a primeira é a evocação de Nossa Senhora como sua protetora nos momentos de lutas difíceis. A segunda é a reverência e a consideração às figuras da realeza. Robin era amigo e protegido da rainha Leonor, esposa de Henrique II. No final da história acaba sendo arqueiro oficial do rei Ricardo Coração de Leão.  

A Inglaterra não se enriqueceu somente com atividades lícitas de comércio, mas também com o uso da violência, isto é, com a pirataria e com a guerra de corso, na qual autorizava, oficialmente, que seus marinheiros aprisionassem navios de determinadas nações e saqueassem suas valiosas cargas. Os estrangeiros fizeram no Brasil o mesmo que os portugueses fizeram na Ásia e na África: invasões e saque como o famoso Cavendish, em 1591, comandante dos corsários ingleses, que assaltou e saqueou vários
engenhos em São Vicente. A operação durou dois meses, mas seus navios voltaram repletos de mercadorias valiosas para a Inglaterra.

No Brasil, nas primeiras décadas do século XX, entrou em cena um bandido que se tornou herói. Virgolino Ferreira da Silva, de Terra Talhada PE, o Lampião, surgiu da opressão exercida pelos ricos potentados regionais sobre os pobres. Lampião era contra alguns coronéis, mas aliado a outros. Foi violento com as populações pobres e ao invés de justiceiro, era um perverso vingador.

No filme de faroeste, da insignificância de um cavaleiro, ele pode chegar à condição de herói, macho, forte invencível. No bando de Robin Hood também prevalecia a figura do másculo, do forte e exímio atirador de flechas. Os heróis do faroeste são modelos de homens corajosos, viris e determinados, que devem ser
seguidos pelos jovens. No faroeste, matar um fora da lei não é crime, mas significa “um
bom serviço prestado à sociedade”.