Por Roberto Amaral
Está nas folhas: o Partido Socialista Brasileiro, que tanto lutou para
fixar-se no campo da esquerda, vai fundir-se no PPS, a excrescência
reacionária da direita. Transformar-se-ão, os dois, no grande satélite
do PSDB, e juntos navegarão na nau dos ressentidos.
A que enxovalhamento moral está sendo levado o partido fundado por João
Mangabeira em 1947, e reorganizado por Jamil Haddad, Evandro Lins e
Silva, Antônio Houaiss e o signatário em 1985!
Em nome de quê?
Já não existe o combativo partido que se opôs a Sarney, a Collor, que fez frente a FFHH e à privataria tucana.
Mas tudo é possível esperar de sua atual direção. Tudo que signifique
indignidade ideológica. A direção que, por mero oportunismo, aliou-se a
Aécio Neves em 2014, antes havia negociado seu apoio a Ronaldo Caiado em
Goiás (na ocasião, o partido foi salvo pela salutar reação de Marina
Silva, então candidata a Vice-Presidente da República) e ainda antes
havia tentado negociar a sigla com o Júnior do Friboi. Essa mesma gente
entregou o partido em Santa Catarina ao clã Bornhausen, no Paraná a Beto
Richa (cuja obra está estampada nas manchetes) e acolheu em seus
quadros, como deputado federal, o inefável Heráclito Fortes.
A fusão, portanto, é apenas o clímax de um processo de grave decadência
ético-ideológica. Uma vertiginosa trajetória de declínio político e
renúncia moral, orientada pelo ganhar a qualquer custo. Uma vez mais – e
não pela última vez – os fins justificam os meios, ainda que espúrios.
Essa fusão é moralmente inaceitável, é o ponto final do PSB. É o
sepultamento, no seu programa, do socialismo, do nacionalismo e da
prática de uma política de esquerda. No entanto, é processo natural no
PSB de hoje, que nada tem a ver com o PSB de seus fundadores, que nada
tem a ver com o PSB de 1990, no qual recebi Miguel Arraes, e nosso
ex-presidente só ingressou no PSB porque naquele então éramos um partido
do campo da esquerda socialista. O de hoje, esse que vem sendo moldado
desde 2014, nada lembra aquele antigo PSB que abrigou Pelópidas da
Silveira e Francisco Julião. Esse PSB que se auto-imola não honra a
biografia de Luiza Erundina. Hoje, seu representante conspícuo, seu
melhor ícone ideológico, é o Pastor Eurico, ventríloquo da direita mais
embrutecida. Em breve, o PSB de Arraes será o partido do Sr. Roberto
Freire, já anunciado como seu primeiro vice-presidente.
A fusão é, ademais, um brutal erro histórico, embora seja o segundo
momento da opção pelo conervadorismo, quando, com a crise do PT e de
outras siglas de nosso campo, tinha todas as condições objetivas, de,
como sempre defendi, cumprir o papel de estuário da esquerda socialista e
democrática. Ao invés de fazer frente à maré conservadora, o PSB optou
por a ela aliar-se.
Esse neo-PSB me causa engulhos.
Por tudo isso, por tudo o que foi dito e pelo que ainda precisa ser
dito, a fusão é tristemente lógica, pois dá sequência aos vitoriosos
esforços de seus dirigentes atuais para jogar a história partidária na
lata de lixo e abdicar de seu futuro. Podendo ser o grande leito da
esquerda, optou o PSB pelo papel de valhacouto de uma direita espúria. É
obra dos que mudam para ganhar, e transformam a política em mero jogo
estatístico, ou instrumento de mesquinhas realizações pessoais.
É a miséria da política.
Ora, que esperar de um partido que, ainda se dizendo socialista, vota
majoritariamente contra os trabalhadores e consagra a precarização do
trabalho? Que esperar de um partido que, dizendo-se socialista, propõe o
ensino do criacionismo em nossas escolas?
De uma forma ou de outra, essa fusão abre caminho para novas fusões, de
igual forma indignas mas coerentes, e de igual forma lamentáveis, com
outros partidos de direita. Por que não fundir-se, por exemplo, com o
DEM de Caiado, e o ‘Solidariedade’ do ‘Paulinho da Força’? O qual,
aliás, tentou, muitos anos passados, ingressar no PSB, mas teve seu
pleito rejeitado por Miguel Arraes. As razões de Arraes para negar-lhe
ingresso são hoje, porém, as razões que devem levar os dirigentes
adventícios a procurá-lo.
Num ato de dignidade histórico-política (certamente é pedir muito dos
atuais dirigentes), o Congresso Extraordinário do PSB, apressadamente
convocado, sem nenhuma discussão com as bases, poderia, numa derradeira
homenagem a João Mangabeira, Miguel Arraes, Antônio Houaiss, Evandro
Lins e Silva e Jamil Haddad, raspar da sigla o ‘S’ de socialismo.
Poderia ser apenas ‘P40′, um nada e um número, ou apenas ’40’, como
muitos de seus dirigentes atuais pleiteiam, há tempos. Um partido sem
projeto, sem ideologia, sem caráter, líquido à espera do recipiente que
lhe dará forma, espaço para a traficância ideológica. Mas um partido (se
essa designação ainda lhe cabe) apto a crescer estatisticamente nesse
deserto moral que ora impera na política brasileira, e no qual sua
Nomenklatura atual se refastela e goza.
(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/05/o-harakiri-ideologico-do-psb.html#more)
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Um texto que emociona e faz pensar
Recebi do professor Jaime Pinsky, amigo a quem prezo muito, este artigo que ele publicou ontem.
Tia Clarita
Por Jaime Pinsky, historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto, autor de Por que gostamos de história, entre outros livrosUma tragédia substitui a outra, as imagens precisam ser consumidas, não há tempo a perder. Hoje só se fala do Nepal (não sei se o tema resiste até domingo, quando este texto vai ser publicado), mas ainda ontem noticiava-se a tragédia dos novos imigrantes, que fogem da miséria africana e da guerra civil na Síria. Tem gente que ainda duvida da importância deles para a combalida economia europeia, onde as pessoas estão sem ânimo até para fazer filhos. Lembrei-me dos meus avós, que aqui aportaram nos anos 1920 fugidos dessa mesma Europa. Eram quatro apenas, mas tiveram ao todo 15 filhos, mais de 40 netos, bisnetos que passaram de uma centena e aqui estão como médicos, engenheiros, psicólogos, administradores, empresários, escritores, veterinários, jornalistas, dentistas, e até um historiador. Esta semana morreu minha última tia. Ao homenageá-la quero honrar todos os imigrantes e seus descendentes que escolheram viver aqui.
Quando tia Clarita foi morar em Sorocaba, com a família, juntaram-se os três filhos menores da minha avó Sara: Abrão, Luiza (minha mãe), e a caçula recém chegada. É verdade que eu já a conhecia de muito antes, mas não podia me lembrar. Afinal, eu não passava de um recém-nascido. Ela me chamou de Jaime (Chaim, Vida, em hebraico), porque eu nascera tão adoentado que só “vingara” por milagre. Assim, Clarita, além de minha tia mais jovem, havia se tornado minha madrinha, algo levado muito a sério por todos que professavam o sincretismo judaico-sorocabano praticado pela família. E levado mais a sério ainda por nós dois, que mantivemos laços estreitos por toda a vida.
Não era difícil gostar da tia Clarita. Ela era dessas raras figuras que sempre optava pelo coração quando este entrava em disputa com a razão. Preocupava-se mais em adivinhar as vontades dos entes queridos do que em calcular o orçamento mensal. Bem antes da existência dos pedagogos da “educação pelo amor” ela praticava esta modalidade com todas as crianças e, particularmente, com os filhos. Para ela não havia nomes, apenas diminutivos afetivos tirados da língua íidishe. Eu era Jaimele, outro Moishele, não faltavam Zisseles (eram quatro) nem Haneles. Outros eram Avramkes, Leikes, Frumkes e ela própria Chaike. Nomes sem diminutivos pareciam duros demais para uma pessoa tão doce como tia Clarita.
E como ela mimava a gente... O cansaço provocado pela subida da rua Hermelino Matarazzo, com a pesada bicicleta Hercules, para chegar até a Bartolomeu de Gusmão número 166, onde ela morava, valia muito a pena. Não só pela recepção carinhosa, nem pela farra que fazíamos com os primos, mas pelos pasteis que a tia preparava, desde a massa fresca até o recheio saboroso. Até hoje eles me provocam água na boca.
Quando uma pessoa querida morre, já com certa idade, tentamos nos consolar pensando na vida longa e boa que ela teve. Não foi bem assim com a tia. Ele teve várias vidas e nem sempre elas foram boas. A primeira foi em Alitus, na Lituânia, ainda criança, quando perdeu o pai e foi criada com a ajuda das irmãs e do novo patriarca da família, tio Arão. Quando a família começou a se arranjar, graças às verduras e ao leite vendidos para um sanatório próximo, o antissemitismo e a visão dos irmãos mais velhos trouxeram a família para cá. Antes, o norte do Rio Grande do Sul, perto das colônias que o Barão Hirch implantara no Brasil para receber os judeus perseguidos pelo czarismo. A política agrícola do governo transladou quase todos para São Paulo, para uma nova vida. Casamento, filhos, dificuldades econômicas, nada tirou o otimismo da tia, nada afetou sua capacidade de dar e receber amor.
Tia Clarita viveu até a experiência antinatural de perder um filho. Eu a visitei algumas vezes com diferentes netos, ela me lembrava da perda do primogênito, mas logo tentava agradar minhas crianças e contava as façanhas das dela, sempre falando com muito orgulho. Também com muita alegria ela recebia as flores de aniversário que eu costumava lhe mandar, como um bom afilhado deve fazer...
Enfim, a tia soube se reinventar, soube ser ela mesma e soube pertencer a uma família grande e complexa como a nossa, gente com diferentes visões de mundo, universo de valores, formas de praticar a fé.
Algumas pessoas são sós, por natureza. A tia tinha medo de ser só, ela era de companhia. Na Lituânia, minha mãe contava, Tia Clarita chorava de medo dos lobos que uivavam no inverno. Em São Paulo cantava no coral para afastar a solidão.
Tia, você nunca vai ficar sozinha.
domingo, 3 de maio de 2015
Luto neste 1º de maio
LEDA MARIA MESSIAS DA SILVA*
Nunca um “primeiro de maio”, teve tão pouco a comemorar. Primeiro, assistimos, estupefatos, a Câmara dos Deputados aprovar o PL 4330/2004, que trata da terceirização na atividade-fim da empresa. Depois, os trabalhadores da Educação, que contribuem com descontos mensais em seus parcos salários, para comporem uma Previdência que garanta a sua aposentadoria no futuro, se viram ameaçados por saques de sua Previdência pelo Estado, que importam em torno de 124 milhões mensais. Em decorrência disso, foram à luta pelos seus direitos e sofreram toda a sorte de violências, com gazes, balas de borracha e cães adestrados para o ataque, como se fossem criminosos de alta periculosidade. Diante da dor, seus gritos não foram ouvidos, pela “Casa” que deveria acolher e ouvir o povo.
Certamente, a OIT (Organização internacional do Trabalho), que prega a liberdade sindical, ficaria indignada com tanto cerceamento de defesa, de um direito legítimo do trabalhador público ou privado, que é a greve. A greve é uma forma de autodefesa e toda classe de trabalhadores que esgota as possibilidades de negociação com o seu empregador tem o direito de se manifestar.
Já quanto ao PL 4330/2004, recentemente alguns veículos de comunicação estamparam informes publicitários assinados por associações patronais defendendo a terceirização, conforme exposta nesse projeto, sob o argumento de que é boa e regulamenta a terceirização. Mas, que o leitor não se deixe enganar, pois este projeto amplia a terceirização para a atividade-fim. Se de fato o objetivo fosse regulamentar a terceirização, o fariam na atividade-meio – que, aliás, é o que permite a súmula 331 do TST: terceirização na atividade-meio. Essa súmula foi elaborada no seio da Justiça especializada em direito do trabalho, ou seja, por aqueles que conhecem as necessidades do trabalhador. Sou pós-doutora em Direito do Trabalho, com mestrado e doutorado sobre a terceirização, e tenho um livro publicado sobre o tema, pela editora LTr, de São Paulo-SP. Fiz pesquisa de campo sobre a terceirização e sei muito bem do que estou falando. Assim como também o sabem a Associação dos Magistrados Trabalhistas(ANAMATRA) e a de Procuradores do Trabalho (ANPT), que são contra esse famigerado projeto.
Como disse, a Presidente da Associação dos Magistrados de São Paulo, esse projeto cria “carcaças de empresas”, que tudo terceirizam. Se hoje temos em média 15 milhões de empresas terceirizadas, com esse projeto corremos o risco de ampliar para 30 milhões, de tão bom negócio que isso é para quem está ávido para explorar o trabalhador. E que não se venha argumentar que a responsabilidade de quem toma o serviço da empresa que coloca a mão-de-obra é solidária e que os empregados terceirizados ganharão o mesmo salário dos empregados da tomadora, pois, se a tomadora pode terceirizar tudo, pode não haver com quem se equiparar – sem contar que, com salários mitigados e direitos reduzidos, a responsabilidade proposta, pouco significa. Ora, se assim não fosse, para que colocar um terceiro intermediando a relação de trabalho sua e do seu atual empregador??? Portanto, não é verdade, como afirma um dos informes publicitários que li, que quem fala contra, não sabe o que está falando; isso é o que querem que o povo acredite. Sou totalmente contra a terceirização na atividade-fim. Não tenho nada contra a terceirização na atividade meio e penso que deve ser regulamentada, sim. Já passou da hora!
Querem mesmo regularizar a terceirização??? Querem mesmo garantir direitos dos trabalhadores??? Regularizem-na, mas na atividade-meio, com responsabilidade solidária para o tomador de serviços. Qualquer outra coisa, como diz o ditado popular, “é conversa para boi dormir”.
O povo tem de “abrir os olhos” e escolher melhor os seus governantes, pois, a continuar nesse ritmo, para os professores (e, consequentemente, para a Educação), bem como para os demais trabalhadores, chegaremos ao ponto de termos escolas que terceirizam professores, comércio, que terceiriza comerciários, bancos que terceirizam bancários. Chega de enganação! Mais Educação, inclusive, para os nossos governantes no trato com os professores!!!
LEDA MARIA MESSIAS DA SILVA é Pós-doutora em Direito do Trabalho e professora da UEM (Universidade Estadual de Maringá).
(fonte: https://espacoacademico.wordpress.com/2015/05/02/luto-neste-primeiro-de-maio/)
Nunca um “primeiro de maio”, teve tão pouco a comemorar. Primeiro, assistimos, estupefatos, a Câmara dos Deputados aprovar o PL 4330/2004, que trata da terceirização na atividade-fim da empresa. Depois, os trabalhadores da Educação, que contribuem com descontos mensais em seus parcos salários, para comporem uma Previdência que garanta a sua aposentadoria no futuro, se viram ameaçados por saques de sua Previdência pelo Estado, que importam em torno de 124 milhões mensais. Em decorrência disso, foram à luta pelos seus direitos e sofreram toda a sorte de violências, com gazes, balas de borracha e cães adestrados para o ataque, como se fossem criminosos de alta periculosidade. Diante da dor, seus gritos não foram ouvidos, pela “Casa” que deveria acolher e ouvir o povo.
Certamente, a OIT (Organização internacional do Trabalho), que prega a liberdade sindical, ficaria indignada com tanto cerceamento de defesa, de um direito legítimo do trabalhador público ou privado, que é a greve. A greve é uma forma de autodefesa e toda classe de trabalhadores que esgota as possibilidades de negociação com o seu empregador tem o direito de se manifestar.
Já quanto ao PL 4330/2004, recentemente alguns veículos de comunicação estamparam informes publicitários assinados por associações patronais defendendo a terceirização, conforme exposta nesse projeto, sob o argumento de que é boa e regulamenta a terceirização. Mas, que o leitor não se deixe enganar, pois este projeto amplia a terceirização para a atividade-fim. Se de fato o objetivo fosse regulamentar a terceirização, o fariam na atividade-meio – que, aliás, é o que permite a súmula 331 do TST: terceirização na atividade-meio. Essa súmula foi elaborada no seio da Justiça especializada em direito do trabalho, ou seja, por aqueles que conhecem as necessidades do trabalhador. Sou pós-doutora em Direito do Trabalho, com mestrado e doutorado sobre a terceirização, e tenho um livro publicado sobre o tema, pela editora LTr, de São Paulo-SP. Fiz pesquisa de campo sobre a terceirização e sei muito bem do que estou falando. Assim como também o sabem a Associação dos Magistrados Trabalhistas(ANAMATRA) e a de Procuradores do Trabalho (ANPT), que são contra esse famigerado projeto.
Como disse, a Presidente da Associação dos Magistrados de São Paulo, esse projeto cria “carcaças de empresas”, que tudo terceirizam. Se hoje temos em média 15 milhões de empresas terceirizadas, com esse projeto corremos o risco de ampliar para 30 milhões, de tão bom negócio que isso é para quem está ávido para explorar o trabalhador. E que não se venha argumentar que a responsabilidade de quem toma o serviço da empresa que coloca a mão-de-obra é solidária e que os empregados terceirizados ganharão o mesmo salário dos empregados da tomadora, pois, se a tomadora pode terceirizar tudo, pode não haver com quem se equiparar – sem contar que, com salários mitigados e direitos reduzidos, a responsabilidade proposta, pouco significa. Ora, se assim não fosse, para que colocar um terceiro intermediando a relação de trabalho sua e do seu atual empregador??? Portanto, não é verdade, como afirma um dos informes publicitários que li, que quem fala contra, não sabe o que está falando; isso é o que querem que o povo acredite. Sou totalmente contra a terceirização na atividade-fim. Não tenho nada contra a terceirização na atividade meio e penso que deve ser regulamentada, sim. Já passou da hora!
Querem mesmo regularizar a terceirização??? Querem mesmo garantir direitos dos trabalhadores??? Regularizem-na, mas na atividade-meio, com responsabilidade solidária para o tomador de serviços. Qualquer outra coisa, como diz o ditado popular, “é conversa para boi dormir”.
O povo tem de “abrir os olhos” e escolher melhor os seus governantes, pois, a continuar nesse ritmo, para os professores (e, consequentemente, para a Educação), bem como para os demais trabalhadores, chegaremos ao ponto de termos escolas que terceirizam professores, comércio, que terceiriza comerciários, bancos que terceirizam bancários. Chega de enganação! Mais Educação, inclusive, para os nossos governantes no trato com os professores!!!
LEDA MARIA MESSIAS DA SILVA é Pós-doutora em Direito do Trabalho e professora da UEM (Universidade Estadual de Maringá).
(fonte: https://espacoacademico.wordpress.com/2015/05/02/luto-neste-primeiro-de-maio/)
sábado, 2 de maio de 2015
Crise de valores motiva alistamento de jovens ao Estado Islâmico
Cristina Fontenele - Adital
A exemplo do que vem ocorrendo na Europa, investigações indicam que o Estado Islâmico (EI) estaria ampliando a cooptação de integrantes na América do Sul. Os brasileiros também estariam na lista dos chamados "lobos solitários”. O relatório "Estado Islâmico: reflexões para o Brasil” teria sido entregue ao Palácio do Planalto pelos órgãos de inteligência, informando que há um fator de risco para o país. Estudiosos analisam o que está motivando jovens a se alistarem ao EI.
Em virtude dos preparativos das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, o governo brasileiro vem trocando informações com a Casa Civil sobre a questão do terrorismo. Afirma que o assunto está na pauta de discussão, mas nega relatórios de inteligência a respeito. Policiais europeus estiveram em Brasília, em fevereiro deste ano, para trocar informações com o governo brasileiro.
Os "lobos solitários” são extremistas que não integram a lista internacional de terroristas, portanto, têm mais mobilidade e podem executar atentados isolados e imprevisíveis em todo o mundo.
O número de dissidentes ocidentais que se juntam ao EI aumentou bastante nos últimos anos: em torno de 3.400, de acordo com autoridades do Exército estadunidense (em balanço de fevereiro de 2015) e aproximadamente 550 mulheres, segundo levantamento da consultoria de segurança The Soufan Group, com sede nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Um recente documentário de uma jornalista francesa, que se alistou disfarçada no EI, mostra a rotina dos combatentes treinando numa praça de Paris e como o grupo terrorista recruta jovens europeus.
Uma campanha de contrapropaganda do Departamento de Estado dos Estados Unidos lançou um vídeo para dissuadir o alistamento de jovens ao grupo terrorista. São imagens extraídas de gravações que o EI usa para recrutar militantes através das redes sociais. Com o título "Bem-vindo à Terra do Estado Islâmico”, o vídeo, que mostra cenas fortes de assassinatos, foi exibido em canais, como CNN, no Facebook, Twitter, Tumblr e Youtube. Mensagens como "Think again, turn away" ("Pense de novo, vire as costas") pretendem combater a fantasia heróica promovida pelo EI.
Em entrevista à Adital, a professora do curso de Ciência da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Lidice Meyer, aponta que estamos vivendo uma crise de valores mundiais, com a juventude buscando valores morais mais rígidos. Essa crise tem afetado o imaginário juvenil, incluindo o brasileiro, deixando o jovem vulnerável às promessas do EI.
"É como se os valores dos pais não servissem mais para a geração atual. Então, o jovem busca dentro do Islã regras fortes. O jovem questiona os valores dos pais, mas se deixa seduzir pelo que vem de fora. Na verdade, a busca é por segurança e apoio.”, observa.
De acordo com a professora, os jovens veem no Islã a promessa de aventura, a possibilidade de estarem contribuindo para resolver os problemas sociais. Assim, eles "dão um sentido à própria vida”. O EI facilita a ida do jovem ao Oriente Médio, fornece apoio emocional e financeiro. Então, aquele jovem que tem uma família desestruturada acaba seduzido pelo ideal do grupo extremista. Ele vê nessa jornada uma forma de "lutar contra o capitalismo que subjuga o mundo”.
Lidice lembra que, à época da explosão das Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001, a sobrecarga de imagens com cenas do atentado e das pessoas morrendo acabou despertando o interesse pelo Islamismo.
Mulheres
Existe também a cooptação voltada, especificamente, para as mulheres. Lidice comenta que, nas redes sociais, são postadas fotos de jovens em casas bonitas, comidas saborosas, animais de estimação. "Tudo construindo a ideia de vida normal e até melhor do que a jovem teria, hoje, em seu país de origem.”, ressalta.
O EI realiza ainda uma "romanceada” imagem da mulher, como se ela participasse da luta armada e política em "pé de igualdade” com o homem. A jovem acaba pensando que "está fazendo bem ao mundo”. É comum a postagem de fotos com mulheres empunhando armas.
Outro fator de sedução, de acordo com a professora, é o sonho do parceiro único, "maduro”, que aguarda uma moça com os mesmos ideais sociopolíticos que ele. A mulher ainda tem em seu imaginário o casamento com o "herói”, com o "príncipe encantado”, explica.
A mídia
Lidice destaca que o maior papel da imprensa deve ser primeiro diferenciar o Islã do Estado Islâmico (EI). Islã é uma instituição religiosa, EI é uma instituição política, um grupo terrorista que utiliza o Alcorão de forma fundamentalista. Como em toda religião, pode haver interpretações fundamentalistas e relações de violência, a exemplo de que já houve na Igreja Católica e até no Budismo. O EI não representa o Islã, embora tenha fundamentos religiosos.
A mídia favorece a propagação, repetidas vezes, de imagens violentas e acaba não aprofundando a questão. Esse jovem, que já é acostumado com jogos violentos, nos quais a morte é uma constante, acaba naturalizado com imagens chocantes, como a de vídeos do EI degolando pessoas. As redes sociais também têm contribuído bastante para a construção da imagem do EI.
Para a estudiosa, no Brasil, estamos ficando acostumados com imagens violentas. Segundo ela, é comum, no Rio de Janeiro, por exemplo, cidade onde já morou, ter um cadáver na rua e as pessoas passarem normalmente por perto como algo banal.
Diálogo
De acordo com a professora, ainda no Brasil, vertentes como os sunitas e xiitas não consideram o EI como representante do Islã e se negam a apoiarem essa facção. Todos os sheiks que atuam no país pregam a paz, a convivência e a tolerância.
Nessa perspectiva, não há possibilidade de diálogo entre grupos extremistas e a religião islâmica. "Uma vez que se consideram os detentores da razão e do que é certo, o EI não receberia nem o Papa Francisco, se fosse o caso.”, conclui Lidice.
De um modo geral, o extremismo do EI tem gerado uma onda de intolerância entre as pessoas que terminam confundindo religião com terrorismo.
*Lidice Meyer é professora do curso de Ciência da Religião do Mackenzie Possui Pós-Doutorado em Antropologia e História pela Universidade de São Paulo (2014) e doutorado em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (2005). Tem experiência nas áreas: antropologia cultural, antropologia da religião, antropologia bíblica, antropologia para a psicologia, antropologia da nutrição, ética e cidadania, ciências da religião, magia e religião.
(fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&cod=84874&lang=PT)
A exemplo do que vem ocorrendo na Europa, investigações indicam que o Estado Islâmico (EI) estaria ampliando a cooptação de integrantes na América do Sul. Os brasileiros também estariam na lista dos chamados "lobos solitários”. O relatório "Estado Islâmico: reflexões para o Brasil” teria sido entregue ao Palácio do Planalto pelos órgãos de inteligência, informando que há um fator de risco para o país. Estudiosos analisam o que está motivando jovens a se alistarem ao EI.
Em virtude dos preparativos das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, o governo brasileiro vem trocando informações com a Casa Civil sobre a questão do terrorismo. Afirma que o assunto está na pauta de discussão, mas nega relatórios de inteligência a respeito. Policiais europeus estiveram em Brasília, em fevereiro deste ano, para trocar informações com o governo brasileiro.
Os "lobos solitários” são extremistas que não integram a lista internacional de terroristas, portanto, têm mais mobilidade e podem executar atentados isolados e imprevisíveis em todo o mundo.
O número de dissidentes ocidentais que se juntam ao EI aumentou bastante nos últimos anos: em torno de 3.400, de acordo com autoridades do Exército estadunidense (em balanço de fevereiro de 2015) e aproximadamente 550 mulheres, segundo levantamento da consultoria de segurança The Soufan Group, com sede nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Um recente documentário de uma jornalista francesa, que se alistou disfarçada no EI, mostra a rotina dos combatentes treinando numa praça de Paris e como o grupo terrorista recruta jovens europeus.
Uma campanha de contrapropaganda do Departamento de Estado dos Estados Unidos lançou um vídeo para dissuadir o alistamento de jovens ao grupo terrorista. São imagens extraídas de gravações que o EI usa para recrutar militantes através das redes sociais. Com o título "Bem-vindo à Terra do Estado Islâmico”, o vídeo, que mostra cenas fortes de assassinatos, foi exibido em canais, como CNN, no Facebook, Twitter, Tumblr e Youtube. Mensagens como "Think again, turn away" ("Pense de novo, vire as costas") pretendem combater a fantasia heróica promovida pelo EI.
Em entrevista à Adital, a professora do curso de Ciência da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Lidice Meyer, aponta que estamos vivendo uma crise de valores mundiais, com a juventude buscando valores morais mais rígidos. Essa crise tem afetado o imaginário juvenil, incluindo o brasileiro, deixando o jovem vulnerável às promessas do EI.
"É como se os valores dos pais não servissem mais para a geração atual. Então, o jovem busca dentro do Islã regras fortes. O jovem questiona os valores dos pais, mas se deixa seduzir pelo que vem de fora. Na verdade, a busca é por segurança e apoio.”, observa.
De acordo com a professora, os jovens veem no Islã a promessa de aventura, a possibilidade de estarem contribuindo para resolver os problemas sociais. Assim, eles "dão um sentido à própria vida”. O EI facilita a ida do jovem ao Oriente Médio, fornece apoio emocional e financeiro. Então, aquele jovem que tem uma família desestruturada acaba seduzido pelo ideal do grupo extremista. Ele vê nessa jornada uma forma de "lutar contra o capitalismo que subjuga o mundo”.
Lidice lembra que, à época da explosão das Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001, a sobrecarga de imagens com cenas do atentado e das pessoas morrendo acabou despertando o interesse pelo Islamismo.
Mulheres
Existe também a cooptação voltada, especificamente, para as mulheres. Lidice comenta que, nas redes sociais, são postadas fotos de jovens em casas bonitas, comidas saborosas, animais de estimação. "Tudo construindo a ideia de vida normal e até melhor do que a jovem teria, hoje, em seu país de origem.”, ressalta.
O EI realiza ainda uma "romanceada” imagem da mulher, como se ela participasse da luta armada e política em "pé de igualdade” com o homem. A jovem acaba pensando que "está fazendo bem ao mundo”. É comum a postagem de fotos com mulheres empunhando armas.
Outro fator de sedução, de acordo com a professora, é o sonho do parceiro único, "maduro”, que aguarda uma moça com os mesmos ideais sociopolíticos que ele. A mulher ainda tem em seu imaginário o casamento com o "herói”, com o "príncipe encantado”, explica.
A mídia
Lidice destaca que o maior papel da imprensa deve ser primeiro diferenciar o Islã do Estado Islâmico (EI). Islã é uma instituição religiosa, EI é uma instituição política, um grupo terrorista que utiliza o Alcorão de forma fundamentalista. Como em toda religião, pode haver interpretações fundamentalistas e relações de violência, a exemplo de que já houve na Igreja Católica e até no Budismo. O EI não representa o Islã, embora tenha fundamentos religiosos.
A mídia favorece a propagação, repetidas vezes, de imagens violentas e acaba não aprofundando a questão. Esse jovem, que já é acostumado com jogos violentos, nos quais a morte é uma constante, acaba naturalizado com imagens chocantes, como a de vídeos do EI degolando pessoas. As redes sociais também têm contribuído bastante para a construção da imagem do EI.
Para a estudiosa, no Brasil, estamos ficando acostumados com imagens violentas. Segundo ela, é comum, no Rio de Janeiro, por exemplo, cidade onde já morou, ter um cadáver na rua e as pessoas passarem normalmente por perto como algo banal.
Diálogo
De acordo com a professora, ainda no Brasil, vertentes como os sunitas e xiitas não consideram o EI como representante do Islã e se negam a apoiarem essa facção. Todos os sheiks que atuam no país pregam a paz, a convivência e a tolerância.
Nessa perspectiva, não há possibilidade de diálogo entre grupos extremistas e a religião islâmica. "Uma vez que se consideram os detentores da razão e do que é certo, o EI não receberia nem o Papa Francisco, se fosse o caso.”, conclui Lidice.
De um modo geral, o extremismo do EI tem gerado uma onda de intolerância entre as pessoas que terminam confundindo religião com terrorismo.
*Lidice Meyer é professora do curso de Ciência da Religião do Mackenzie Possui Pós-Doutorado em Antropologia e História pela Universidade de São Paulo (2014) e doutorado em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (2005). Tem experiência nas áreas: antropologia cultural, antropologia da religião, antropologia bíblica, antropologia para a psicologia, antropologia da nutrição, ética e cidadania, ciências da religião, magia e religião.
(fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&cod=84874&lang=PT)
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Corações e mentes - não deixe de assistir!
Estamos comemorando 40 anos da derrota norte-americana no Vietnã.
O maior documentário sobre esta guerra é o filme - em minha opinião - Corações e Mentes.
Você que não viveu na época ou que não teve a chance de ver este filme, pode assisti-lo agora.
É só entrar no blog Tijolaço que ele está lá, inteiro, traduzido. Dá o que pensar!
http://tijolaco.com.br/blog/?p=26551
Um freio na tragédia brasileira de agrotóxicos?
Ministério Público Federal volta a pedir proibição do glifosato –
veneno mais usado no país. Novos estudos internacionais ampliam suspeita
de que seja cancerígeno
Por Marco Weissheimer, no Sul21
O Ministério Público Federal recomendou, em um documento enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica do glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida do mercado nacional. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente nas áreas plantadas com soja transgênica. O pedido, feito pelo MPF do Distrito Federal, baseia-se em estudos como o realizado pela International Agency for Research on Cancer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo o qual esse produto pode ser cancerígeno.
O procurador da República Anselmo Henrique Carneiro Lopes também encaminhou uma petição à Justiça Federal reforçando o pedido de liminar para proibir a concessão de novos registros de agrotóxicos que contenham oito integredientes ativos (um deles é o glifosato) condenados por organismos internacionais e pela própria Anvisa. Na avaliação do MPF do Distrito Federal, fatos recentes reforçam indícios dos riscos do uso do glifosato e dos demais produtos questionados no pedido de liminar.
Na petição encaminhada à Justiça Federal, Anselmo Lopes lembra que, em dezembro de 2014, a própria Anvisa determinou o banimento de dois ingredientes ativos: o forato e a parationa metílica. Em relação aos demais, cinco deles (lactofem, carbofurano, abamectina, tiram e paraquat) já tem parecer técnico da Anvisa que orienta para a proibição de sua comercialização no Brasil, “em razão de suas potenciais características carcinogênicas, mutagênicas, teratogênicas e/ou disrupturas endócrinas”.
No Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça liberou a comercialização de produtos à base de paraquat no Estado. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) havia indeferido em 2012 os produtos a base desse princípio ativo por seus efeitos danosos à saúde humana. Estes produtos são considerados extremamente tóxicos, podendo causar falência aguda de órgãos, e fibrose pulmonar progressiva. O Ministério Público Estadual está tentando reverter essa decisão do TJ gaúcho junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O alerta do Instituto Nacional do Câncer
Em sua petição, o MP Federal lembra ainda que a OMS reconheceu, em março de 2015, estudos de 17 especialistas de 11 países, que investigaram o potencial carcinogênico de alguns produtos, entre eles, o glifosato. Entre outras conclusões, os cientistas “afirmaram que o glifosato produz, muito provavelmente, efeitos carcinogênicos em seres humanos”. Baseado neste estudo, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou um alerta chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros.
Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a OMS estimam que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil.
No Brasil, destaca a nota de alerta do Instituto Nacional do Câncer, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011. Em 2009, acrescenta, “alcançamos a indesejável posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante”. E chama a atenção para o fato de que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil colocou o país no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos.
O Inca também manifestou preocupação com o fato do Brasil ainda realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos, “que ocasionam dispersão destas substâncias pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações”. E criticou a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, além do fato de o Brasil permitir o uso de agrotóxicos já proibidos em outros países.
Novo inquérito civil investigará liberações de transgênicos
O procurador Anselmo Lopes também enviou correspondência ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estabelecendo um prazo de 15 dias para o órgão informar os procedimentos adotados para cancelar os registros de agrotóxicos que apresentam os ingredientes ativos forato e parationa metílica, banidos pela Anvisa no final de 2014. Além disso, encaminhou pedido para que as secretarias estaduais de meio ambiente e de saúde, e os departamentos de água e esgoto de todas as capitais enviem, em um prazo máximo de 90 dias, relatórios de análise de contaminação da água por agrotóxicos.
Por fim, o MP Federal instaurou um novo inquérito civil para investigar se há necessidade de cancelamento de liberações para comercialização de sementes transgênicas no Brasil. O Ministério solicitará à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) cópias de todos os procedimentos de liberação comercial de transgênicos que sejam tolerantes ao glifosato.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=139342)
Por Marco Weissheimer, no Sul21
O Ministério Público Federal recomendou, em um documento enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica do glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida do mercado nacional. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente nas áreas plantadas com soja transgênica. O pedido, feito pelo MPF do Distrito Federal, baseia-se em estudos como o realizado pela International Agency for Research on Cancer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo o qual esse produto pode ser cancerígeno.
O procurador da República Anselmo Henrique Carneiro Lopes também encaminhou uma petição à Justiça Federal reforçando o pedido de liminar para proibir a concessão de novos registros de agrotóxicos que contenham oito integredientes ativos (um deles é o glifosato) condenados por organismos internacionais e pela própria Anvisa. Na avaliação do MPF do Distrito Federal, fatos recentes reforçam indícios dos riscos do uso do glifosato e dos demais produtos questionados no pedido de liminar.
Na petição encaminhada à Justiça Federal, Anselmo Lopes lembra que, em dezembro de 2014, a própria Anvisa determinou o banimento de dois ingredientes ativos: o forato e a parationa metílica. Em relação aos demais, cinco deles (lactofem, carbofurano, abamectina, tiram e paraquat) já tem parecer técnico da Anvisa que orienta para a proibição de sua comercialização no Brasil, “em razão de suas potenciais características carcinogênicas, mutagênicas, teratogênicas e/ou disrupturas endócrinas”.
No Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça liberou a comercialização de produtos à base de paraquat no Estado. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) havia indeferido em 2012 os produtos a base desse princípio ativo por seus efeitos danosos à saúde humana. Estes produtos são considerados extremamente tóxicos, podendo causar falência aguda de órgãos, e fibrose pulmonar progressiva. O Ministério Público Estadual está tentando reverter essa decisão do TJ gaúcho junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O alerta do Instituto Nacional do Câncer
Em sua petição, o MP Federal lembra ainda que a OMS reconheceu, em março de 2015, estudos de 17 especialistas de 11 países, que investigaram o potencial carcinogênico de alguns produtos, entre eles, o glifosato. Entre outras conclusões, os cientistas “afirmaram que o glifosato produz, muito provavelmente, efeitos carcinogênicos em seres humanos”. Baseado neste estudo, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou um alerta chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros.
Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a OMS estimam que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil.
No Brasil, destaca a nota de alerta do Instituto Nacional do Câncer, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011. Em 2009, acrescenta, “alcançamos a indesejável posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante”. E chama a atenção para o fato de que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil colocou o país no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos.
O Inca também manifestou preocupação com o fato do Brasil ainda realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos, “que ocasionam dispersão destas substâncias pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações”. E criticou a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, além do fato de o Brasil permitir o uso de agrotóxicos já proibidos em outros países.
Novo inquérito civil investigará liberações de transgênicos
O procurador Anselmo Lopes também enviou correspondência ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estabelecendo um prazo de 15 dias para o órgão informar os procedimentos adotados para cancelar os registros de agrotóxicos que apresentam os ingredientes ativos forato e parationa metílica, banidos pela Anvisa no final de 2014. Além disso, encaminhou pedido para que as secretarias estaduais de meio ambiente e de saúde, e os departamentos de água e esgoto de todas as capitais enviem, em um prazo máximo de 90 dias, relatórios de análise de contaminação da água por agrotóxicos.
Por fim, o MP Federal instaurou um novo inquérito civil para investigar se há necessidade de cancelamento de liberações para comercialização de sementes transgênicas no Brasil. O Ministério solicitará à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) cópias de todos os procedimentos de liberação comercial de transgênicos que sejam tolerantes ao glifosato.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=139342)
E o McDonald’s declina mais um pouco…
Novo recuo no primeiro trimestre: rede parece incapaz encarar sociedades incomodadas pela pobreza dos cardápios, superexploração dos funcionários e uso de carne com hormônios
Por Sandro Pozzi, no El Pais
A rede de fast-food McDonald’s passa por um momento realmente complicado, com as contas do primeiro trimestre refletindo um desempenho pior do que o esperado. O lucro da multinacional norte-americana caiu para 810 milhões de dólares (2,4 bilhões de reais) entre janeiro e março, comparados aos 1,2 bilhão de dólares (3,6 bilhões de reais) do mesmo período do ano passado. A receita, por sua vez, totalizou 5,96 bilhões de dólares (18 bilhões de reais), uma queda de 11%.
O impacto negativo do dólar pode explicar a retração nos negócios do McDonald’s, como em outras multinacionais. O problema é que as vendas nas unidades da rede caíram 2,3% em escala global e 2,6% nos Estados Unidos, seu principal mercado. O motivo é simples: as novas campanhas e as mudanças no cardápio não são suficientes para enfrentar a concorrência.
A queda de 30% no lucro global do McDonald’s também se explica pelas
dificuldades que a empresa tem em outros mercados, como no Japão e na
China. As vendas na Europa, que até agora serviam como termômetro, estão estáveis com uma tendência ligeiramente negativa na França e na Rússia. O lucro operacional mostrou uma redução de 20% na região, devido à fraqueza da demanda e ao efeito do câmbio.
São os primeiros resultados trimestrais apresentados pelo diretor-presidente da rede, Steve Easterbrook, que assumiu o cargo em março. O novo executivo do McDonald’s pretende anunciar em 4 de maio um plano para melhorar o desempenho da companhia, a mesma estratégia adotada pela Coca-Cola há um ano para acelerar as vendas e o lucro a longo prazo.
Easterbrook admitiu na apresentação dos resultados que a companhia deve ser mais ágil para “atuar mais rápido” diante da mudança de tendência dos consumidores, se realmente pretende ser competitiva em um mercado com novos atores como Chipotle ou Shake Shack, que na terça-feira anunciou a abertura de restaurantes na Califórnia.
O que está por saber é se o novo diretor-presidente vai aplicar a dose correta. Por enquanto, precisa ganhar a confiança dos investidores com novas iniciativas, como diferentes opções no cardápio, eliminar o uso de frangos tratados com antibióticos, e elevar o salário mínimo dos empregados. Medidas que podem enfurecer os proprietários das franquias.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=137736)
São os primeiros resultados trimestrais apresentados pelo diretor-presidente da rede, Steve Easterbrook, que assumiu o cargo em março. O novo executivo do McDonald’s pretende anunciar em 4 de maio um plano para melhorar o desempenho da companhia, a mesma estratégia adotada pela Coca-Cola há um ano para acelerar as vendas e o lucro a longo prazo.
Easterbrook admitiu na apresentação dos resultados que a companhia deve ser mais ágil para “atuar mais rápido” diante da mudança de tendência dos consumidores, se realmente pretende ser competitiva em um mercado com novos atores como Chipotle ou Shake Shack, que na terça-feira anunciou a abertura de restaurantes na Califórnia.
O que está por saber é se o novo diretor-presidente vai aplicar a dose correta. Por enquanto, precisa ganhar a confiança dos investidores com novas iniciativas, como diferentes opções no cardápio, eliminar o uso de frangos tratados com antibióticos, e elevar o salário mínimo dos empregados. Medidas que podem enfurecer os proprietários das franquias.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=137736)
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