quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Câmara legisla sobre minhas “partes”? Não? Então, parem de encher o saco…

por Fernando Brito

Francamente, esta audiência na Câmara para discutir se existe “ex-gay” é uma dos espetáculos mais ridículos que o Brasil apresenta ao mundo.
Não tenho notícia que, em qualquer ponto da Terra um parlamento esteja discutindo esta questão. Talvez lá no Isis, enquanto estão discutindo a quem degolam, mas lá não tem parlamento…
O que é que suas excelências têm a ver com o que cada um faz, deixa de fazer, torna a fazer, desiste de fazer ou teima em fazer com suas “partes pudendas”?
Nem eu nem você pagamos os deputados para dizerem quem dá o que a quem.
Não existe nenhuma outra questão em relação às orientações (ou opções, como querem os conservadores) sexuais que se liguem ao interesse coletivo que não o respeito, a não-discriminação e a proteção legal e estatal a quem for vítima de violência ou de preconceito.
Se alguns pastores querem “salvar a alma” de gays e lésbicas da danação, estejam à vontade, desde que as pessoas queiram. Mas façam como pastores, não como deputados, porque o legislador a todos obriga com suas leis, e não há obrigação possível na sexualidade alheia.
Não concordo em muitas coisas, como concordo, com o Jean Willys porque ele é gay, mas porque penso semelhante nestas questões. Nem discordo do Bolsonaro por suas propaladas convicções de “macho”, mas porque ele é um sujeito reacionário e truculento.
Até porque ninguém vai interferir com as minhas ou as suas “partes”.
E não perturbar o muito – embora não tudo – o que vínhamos avançando em matéria de convivência e  respeito.
O que se tem de dizer, sempre, é que ninguém pode ser discriminado, maltratado, agredido ou até morto, como ocorre, por ser gay, hetero, mulher,  negro, branco, candomblecista, mórmon, budista  ou lá o que for. Não pode ser porque é um ser humano, essencialmente igual a mim ou a você.
Homofobia, como toda fobia, essa tem cura pela razão, não pela provocação.
No mais, lembro de um imbecil que, nos tempos de faculdade, resolveu fazer gracinha com o “Barbosinha”, um colega gay de outra turma. Colocou no mural da escola uma provocação que envolvia “robalos”. Barbosinha nem discutiu. Na primeira reunião pública em que o dito cujo foi, deu-lhe um murro caprichado – daqueles de um só – na cara diante de todo mundo.
Que me perdoem os “politicamente corretos”, mas bons tempos aqueles em o nariz que se metia nas intimidades alheias levava um corretivo destes.
Até porque ninguém vai interferir com as minhas ou as suas “partes”.
E não perturbar o muito – embora não tudo – o que vínhamos avançando em matéria de convivência e  respeito.
O que se tem de dizer, sempre, é que ninguém pode ser discriminado, maltratado, agredido ou até morto, como ocorre, por ser gay, hetero, mulher,  negro, branco, candomblecista, mórmon, budista  ou lá o que for. Não pode ser porque é um ser humano, essencialmente igual a mim ou a você.
Homofobia, como toda fobia, essa tem cura pela razão, não pela provocação.
No mais, lembro de um imbecil que, nos tempos de faculdade, resolveu fazer gracinha com o “Barbosinha”, um colega gay de outra turma. Colocou no mural da escola uma provocação que envolvia “robalos”. Barbosinha nem discutiu. Na primeira reunião pública em que o dito cujo foi, deu-lhe um murro caprichado – daqueles de um só – na cara diante de todo mundo.
Que me perdoem os “politicamente corretos”, mas bons tempos aqueles em o nariz que se metia nas intimidades alheias levava um corretivo destes.

(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=27786)

Colunista da Folha desmonta farsa de Moro


Leia trecho da coluna de Ricardo Melo, publicada hoje na Folha: (nota: hoje se refere ao dia 21)



ScreenHunter_5923 Jun. 22 13.19
Mandar prender alguém por causa de uma licitação que ainda sequer aconteceu? E depois a ditadura é na Venezuela…
Imagine se o Estado venezuelano começasse a prender os grandes empresários do país usando os mesmos argumentos de Sergio Moro?
O país seria invadido pelos EUA, com aval da ONU.
***

Melo também desmascara a farsa das “pedaladas fiscais”.
Afinal, o TCU quer punir Dilma por algo que todos os presidentes anteriores fizeram, e que apenas “se acentuou” porque os programas sociais aumentaram? Quer punir Dilma por ter ajudado os pobres?



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(fonte: http://www.ocafezinho.com/2015/06/22/colunista-da-folha-desmonta-farsa-de-moro/)

França diz que espionagem americana de três presidentes é “inaceitável”



O governo francês considerou nesta quarta-feira (24/06) “inaceitável” a revelação de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou os últimos três presidentes da França. O chanceler Laurent Fabius convocou o embaixador americano em Paris, Jane Hartley, para discutir o assunto.
Documentos divulgados na terça-feira (23/06) pelo WikiLeaks mostram que Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e o atual presidente, François Hollande, foram alvos de grampos da agência entre 2006 e 2012. Diplomatas e chefes de gabinete próximos aos três chefes de Estado também foram espionados.
Um alto funcionário francês da agência de inteligência nacional será enviado a Washington para discutir o assunto com as autoridades americanas. Em nota, Hollande afirmou que não vai tolerar qualquer ato que ameace a segurança e a proteção dos interesses franceses.
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“As autoridades americanas firmaram compromissos”, diz, em referência às promessas da Casa Branca feitas em 2013 de não espionar governantes franceses. “Eles [os compromissos] precisam ser lembrados e estritamente respeitados.”
O comunicado do Palácio do Eliseu foi divulgado depois de uma reunião emergencial entre ministros e comandantes das Forças Armadas da França nesta quarta-feira.
“É difícil entender ou imaginar o que motiva um aliado a espionar outros aliados que sempre tomam as mesmas posições estratégicas em assuntos internacionais”, afirmou o porta-voz do governo francês, Stéphane Le Foll. “Essa ação não é aceitável nem compreensível.”
Claude Gueant, ex-chefe de gabinete de Nicolas Sarkozy, apontado no relatório como um dos alvos da NSA, afirmou que houve uma grave quebra de confiança. “Considerando a relação muito próxima que temos com os EUA e o fato de que somos aliados extremamente fiéis, me sinto como se a confiança tivesse sido quebrada”, afirmou.
A Casa Branca se pronunciou ainda na noite de terça-feira e negou que os EUA tenham espionado Hollande. “Não temos e nem vamos ter como alvo as comunicações do presidente Hollande”, afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Ned Price.
Ele não negou, porém, que o país não tenha espionado outros líderes franceses no passado. Os relatórios da NSA, classificados como “top secret“, trazem o conteúdo de cinco interceptações de comunicações envolvendo os três presidentes franceses.
Entre os documentos vazados está uma conversa interceptada pela NSA em março de 2010 entre o embaixador da França nos Estados Unidos e um assessor do então presidente Sarkozy. Eles comentam a tentativa frustrada dos franceses de chegar a um acordo de não espionagem com Washington.

(fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/franca-diz-que-espionagem-americana-de-tres-presidentes-e-inaceitavel/)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A geopolítica do Departamento de Justiça dos EUA

Por Andre Araújo

Tenho alergia a imodéstia e exibicionismo, mas fui aqui desafiado por um comentarista como "ignorante do que se passa nos Estados Unidos". Minha ligação com esse país é profunda. Minha mãe estudou toda sua infância e juventude nos EUA, voltou a São Paulo, onde nasceu e não falava português. Tenho cinco primos irmãos americanos natos, tenho sobrinhos americanos, cunhado americano.  Eu, recém nascido, fui alimentado com leite em pó do governo americano, meus pais foram dos primeiros brasileiros a organizar a Rubber Reserve Company em Manaus, autarquia do governo americano para comprar borracha, a companhia tinha um supermercado abastecido diariamente por voos de Miami, em Manaus nessa época o abastecimento era bem precário e o supermerado dos funcionários era a salvação. Muito depois fui executivo e CEO de multinacional americana nos anos 70 e de lá para cá trabalho praticamente só com americanos, governo, partido e empresas. Portanto conheço um pouco os EUA, especialmente seu governo e instituições.

Os EUA tem instituições muito sólidas, é um país que obedece regras. Mas há um outro aspecto. Os EUA tem PROFUNDA noção de interesse nacional. Esses, quando necessário, se sobrepõe às regras e aos princípios. A celébre frase de Roosevelt sobre Anastasio Somoza, ditador da Nicarágua:"Esse é um filha da puta (literal) mas é o NOSSO filha da puta" revela esse sentimento.

Na América Latina, os EUA patrocinaram ditadores execráveis como Somoza, Rafael Trujillo, François Duvalier, Gerardo Machado (Cuba), Fulgencio Baptista (Cuba), Juan Vicente Gomez e Marcos Pérez Jiménez (Venezuela), Rojas Pinilla (Colombia), Manuel Odria (Peru), Rios Montt (Guatemala), Carlos Castillo Armas (Guatemala), Manuel Noriega (Panamá), fizeram sempre com base no interesse nacional americano. Por esse mesmo interesse apoiaram Saddam Hussein,  Hosni Mubarak, a dinastia Ibn Saud, Ferdinand Marcos (Filipinas), Ngo Diem (Vietnam), Generalíssimo Chiang Kai Shek, o maior corrupto do Século XX, na China.

Eu fico pasmo na questão da Lava Jato em se descartar a QUESTÃO POLÍTICA ao recorrer ao Departamento de Justiça dos EUA para investigar a Petrobras e agora investigar a Odebrechtcomo se o D of J fosse a Santa Sé impoluta (nem essa é) a operar com absoluta neutralidade em uma questão tão próxima ao interesse americano. Comentaristas aqui acham isso normal. Eu acho uma aberração. Os EUA, e eu não os censuro por isso, não seriam uma potência mundial se fossem bonzinhos. NÃO SÃO. Ao entregar de bandeja PETROBRAS e ODEBRECHT para eles investigarem, estamos abrindo mão de capital estratégico nacional."Ah, mas temos acordos de cooperação entre os Ministerios Públicos". E daí? Os acordos são para serem usados quando interessa ao Brasil, nesse caso não interessa. Com base nesse "Acordo de Cooperação" o Departamento de Justiça pediu ao Brasil para investigar a Chevron? Claro que não. Esses acordos foram pensados para combate ao crime de tráfico, terrorismo, contrabando, a idéia não é perseguir empresas, os EUA nunca pediram ao Brasil para investigar uma empresa americana.

Lá não tem Santelmos mas aqui parece é o que não falta.

fonte:  http://jornalggn.com.br/noticia/a-geopolitica-do-departamento-de-justica-dos-eua

terça-feira, 23 de junho de 2015

Educar imparcialmente, um desejo intolerante




Medo da política nas escolas, expresso no programa “Roda Viva” e num projeto de lei, não tem a ver com parcialidade, mas com temor a opiniões divergentes
Por Diogo Quirim

O programa Roda Viva, apresentado pela TV Cultura em 8 de junho, entrevistou o atual Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Próximo ao fim do programa, João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista Época, após traçar críticas à crescente radicalização e polarização na política brasileira, perguntou: “Por que PT e PSDB mantêm o debate público em um nível tão baixo?”. Ainda: “O que a educação pode fazer para ensinar o convívio dos contrários?”.
O ministro, prontamente, respondeu que, para melhorar o debate político, deve-se considerar democracia e educação como termos equivalentes, em que é necessária uma formação para o respeito do outro. Augusto Nunes, o apresentador do programa, por sua vez, lançou uma questão polêmica: “O ensino de história não estimula essa radicalização [política]?”. Deixo a pergunta em suspenso.
* * *
A resposta de Janine Ribeiro foi bastante razoável, afirmando ser a falta de educação e de formação os principais elementos estimulantes da radicalização, embora seja possível encontrar, em nível universitário, pessoas mal-educadas em todos os sentidos do termo, incapazes de respeitar as diferenças. No entanto, permito-me retornar a um momento anterior da entrevista.
No segundo bloco, a socióloga Maria Helena Castro indagou o ministro sobre a visão do ministério da Educação acerca de uma nova base curricular nacional, especialmente no Ensino Médio. Em sua resposta, o ministro sublinhou a existência de diferentes contextos nas variadas disciplinas, opondo a matemática à história. Afirmou o ministro que, para a matemática, existe grande facilidade na determinação de uma base curricular comum, abordando tópicos consagrados como geometria e equações de segundo grau.
Para disciplinas como a história, no entanto, essa facilidade seria ilusória. Relembrando seus tempos de “ginásio”, contou que o currículo de história dividia-se pelos três anos por temáticas, como História do Brasil, História da América e História do Mundo, o que considerou equivocado. Além disso, lembrou-se de uma tradição no ensino de história de não se chegar até o tempo presente, pois este é um tempo de grandes conflitos políticos. Isso me leva a alguns questionamentos. Por que é mais fácil estabelecer uma base curricular comum para a matemática do que para a história? Qual o receio em abordar os “conflitos políticos” do tempo presente? Não existiriam, também, conflitos políticos na matemática, assim como na história?

* * *
Talvez Marcel van Hattem, deputado estadual pelo PP-RS, pensasse algo em comum com a pergunta de Augusto Nunes sobre o estímulo do ensino de história para a radicalização política ao protocolar o projeto de lei nº 190/2015. Inspirado na ONG Escola Sem Partido, tal projeto visa proibir aquilo que ele chama de “doutrinação política e ideológica” no sistema de ensino estadual. Um trecho que enfatizo é o Art. 3º, inciso IV. Este propõe ao professor que, no exercício de sua função, “ao tratar de questões políticas, sócio-culturais [sic] e econômicas, apresentará aos alunos, de forma científica e imparcial, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito”.
Sem analisar cuidadosamente o projeto, repleto de equívocos, gostaria de me deter na “forma científica e imparcial” de tratar questões políticas, socioculturais e econômicas.
Viver é parcial. Nossos atos são uma escolha entre muitas possíveis. Somos constituídos de experiências individuais que não são compartilhadas por mais ninguém. Somos uma trama de cultura, nação, língua, convicções, emoções, memórias, opiniões, entre inumeráveis outras particularidades, situadas em um momento no tempo e no espaço, das quais não nos despojamos completamente ao fazer ciência e ao ensinar. O que não significa que não possamos ter, sobre elas, certa consciência e senso crítico. Imparcial, desta forma, geralmente significa um posicionamento particular sobre algo disfarçado de verdade inquestionável, esterilizado da contaminação da política e da subjetividade.
* * *
Por que o projeto de lei apenas salienta a necessidade de uma apresentação “científica e imparcial” das questões políticas, socioculturais e econômicas? Por que não há necessidade de tal constrangimento nas questões matemáticas? Talvez exista aqui alguma conexão com a opinião de Janine Ribeiro de que estabelecer uma base curricular comum para a matemática é fácil e para a história é complexo.
Acredito que para ambas as disciplinas é complexo.
Supor que o ensino de história pode estimular a radicalização política é ressaltar que a história é parcial e sujeita a desviar do científico com certa facilidade, como se houvesse uma ciência neutra dos assuntos políticos. A matemática, por sua vez, é tida como a mais imparcial e científica das disciplinas, por isso estabelecer a sua base curricular seria tão simples.
Ou não. E se o modo como construímos a base curricular da matemática também for parcial? E se retirássemos um pouco do espaço dedicado à geometria analítica e abríssemos as janelas entre a matemática e a filosofia, discutindo com o pitagorismo a ideia de que a realidade é inteligível através da matemática? E se nos demorássemos um pouco menos na trigonometria e mesclássemos história e matemática, através de estudos quantitativos de história demográfica e econômica? E se, em uma aula de matemática, discutíssemos privacidade, números primos, criptografia e segurança digital? Ou ensinássemos as vastas contribuições dos matemáticos muçulmanos, que incrustaram nosso vocabulário com algarismo, algoritmo, álgebra… Isso não seria interessante ao tratar da islamofobia?
* * *
O currículo da matemática parece imparcial se tentarmos cortar todos os seus laços com a política e com as outras disciplinas. Mas essa matemática, protegida numa redoma contra os perigos políticos, históricos e filosóficos, contra a invasão inconveniente das outras disciplinas, não é imparcial; esse currículo já é uma escolha. Uma escolha que prejudica tanto a matemática quanto a história. Defender a imparcialidade política nas escolas é, por um lado, privar os alunos do direito à educação para o exercício da cidadania através do debate democrático e, por outro, ressaltar um currículo monodisciplinar, obsoleto, desinteressante e que não corresponde aos intuitos de ultrapassar as fronteiras das áreas do conhecimento para formar um estudante criativo e protagonista de sua própria trajetória.
Quando Augusto Nunes indaga se o ensino de história estimula a radicalização política, me pergunto o motivo de ele ter escolhido, entre as disciplinas, justamente a história. Provavelmente porque sua base curricular comum seja bastante difícil de estabelecer. Não mais do que a matemática. Levantar a questão de como queremos ver a história nas escolas já é admitir o diálogo, a divergência e a inexistência de um ponto de neutralidade. O mesmo vale para a matemática. Sobre como eu gostaria de ver os currículos da história ou da matemática, eu não sei dizer, mas certamente mais vezes juntos em suas parcialidades.
O medo da política nas escolas expresso pela pergunta de Augusto Nunes e por van Hattem não é o medo da parcialidade, é o medo da opinião divergente. Como o debate democrático pode ser aprimorado, como o convívio com as diferenças pode ser ensinado, se querem suspender a política da educação? O ensino da intolerância estimula a radicalização política.

(fonte: http://outraspalavras.net/destaques/educar-imparcialmente-um-desejo-dos-intolerantes/)

Agrotóxicos: hora de acordar para enfrentar o pesadelo

por Jacy Afonso

Não bastassem as contaminações por efluentes gasosos de todos os tipos, poluentes persistentes impostos por processos industriais, pelo escapamento de veículos, pelo desmatamento e demais fontes poluidoras, os agrotóxicos se somam ao peso no prato de cada dia do trabalhador e da trabalhadora.

No Brasil, os números impressionam. Dados da Anvisa do ano de 2013 apontam que 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos. Entre 2007 e 2014, as intoxicações por esses venenos, notificadas e registradas pelo DATASUS do Ministério da Saúde, foram 34.147, e há que se considerar ainda o significativo montante das subnotificações.
 
Em que pesem os avanços de iniciativas como o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), que tem como objetivos a diminuição do uso e a transição para modelos alternativos como a agroecologia e a produção orgânica, estamos diante de retrocessos quanto à liberação de princípios ativos já banidos em todo o mundo, mas permitidos aqui, a partir da flexibilização na legislação. Isso trará impactos irreversíveis para as populações.
 
Somam-se a isso os impactos do uso dos agrotóxicos nos trabalhadores e trabalhadoras e que atingem toda a cadeia produtiva, começando na indústria química, tanto na produção quanto no envase, no transporte, no manuseio no comércio, na aplicação no campo, no consumo dos alimentos pela população.
 
A saúde desses trabalhadores é comprometida no exercício do trabalho, pelo uso abusivo de venenos, e tem as suas defesas nocauteadas dia a dia, numa luta com um adversário oculto e silencioso que quando se revela, em geral, é tarde demais.

E nos locais de trabalho, como são pensados e selecionados os ingredientes que são a base da alimentação dos trabalhadores nos refeitórios das empresas, em sua maioria terceirizadas? Qual o nível de decisão, participação e monitoramento que os trabalhadores efetivamente têm nesses processos?

 Na cadeia produtiva do agronegócio, é grande a vulnerabilidade dos trabalhadores, em sua absoluta maioria temporários, que são submetidos a baixíssimos salários, condições de trabalho exaustivas e, muitas vezes, condições de escravidão, tendo seus documentos retidos e ficando impossibilitados sequer de retornar às suas cidades de origem.

 São visíveis os impactos no meio ambiente, as enxurradas de venenos que encharcam as lavouras diariamente. São comuns a falta de descarte correto, os derramamentos acidentais, a contaminação das águas, a intoxicação e morte de animais por terra, ar e mar, além das populações que sobrevivem da natureza e que veem sua fonte de subsistência comprometida, quando não condenada, para privilégio de poucos.

 Essas são questões que devem ser aprofundadas e que requerem acompanhamento nas mesas de negociação, conselhos, comissões correlatas e demais espaços de enfrentamento ao tema. Pautar o assunto internamente e de forma mais contundente nos sindicatos, federações e confederações, propondo caminhos e soluções, são iniciativas essenciais para avançarmos na defesa de direitos sociais e para impedirmos retrocessos.

Cabe ainda atentar para os instrumentos jurídicos como os Princípios da Precaução, estratégia adotada em Convenções e Acordos Internacionais, dos quais o Brasil é signatário, como o Protocolo de Montreal sobre gases, a Convenção de Cartagena sobre biotecnologias e os Princípios como o da Substituição de Processos e Produtos Perigosos por outros de menor risco. Exercer o direito de saber e de se recusar ao trabalho quando em condição de risco são conquistas, frutos da luta dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo químico, que aprimoram legislações e asseguram seu cumprimento por parte das empresas.

 A ação sindical exige conhecimento dos processos, estratégia para o enfrentamento aos riscos, exigência de que o poder público fiscalize, inspecione, notifique e preste contas aos trabalhadores e à população. E inclui também a exigência de que se determine a substituição de equipamentos e tecnologias que tragam risco por outras que preservem a integridade física e protejam a saúde humana e o meio ambiente.
 
O debate, por sua importância, não poderia deixar de estar também no cinema. O documentário intitulado O Veneno está na Mesa, do cineasta brasileiro Silvio Tendler, já tem uma segunda versão. Além de questionar o monopólio das empresas produtoras de agrotóxicos e fertilizantes e os interesses econômicos desse setor, o filme mostra ainda experiências viáveis de produção agroecológica, respeito aos trabalhadores do campo e ao meio ambiente e alerta sobre o direito a viver sem venenos. Afinal, outro mundo é, sim, possível.
(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/Agrotoxicos-hora-de-acordar-para-enfrentar-o-pesadelo/3/33800)

Governo do Equador denuncia “conspiração” para desestabilizar o país

por Cristina Fontenele

El presidente de Ecuador, Rafael Correa, anunció el retiro temporal de dos proyectos de ley actualmente en debate en la Asamblea Nacional. El proyecto de ley de la Redistribución de la Riqueza (conocida como Ley de la Herencia) y el proyecto sobre las ganancias extras (Plus Valía) han generado polémica y fuerte oposición de grupos de extrema derecha. Correa convoca al país a "un gran debate nacional” sobre este asunto y pide estado de alerta a quienes lo apoyan frente a los intentos de desestabilizar al gobierno.
Con la cercanía de la visita del Papa al país, prevista para los días 5 a 8 de julio, el gobierno retiró los proyectos de ley con el propósito de calmar los ánimos y evitar que grupos de oposición "provoquen más violencia”, como ha ocurrido en recientes manifestaciones en Quito.

Según el mandatario, los proyectos de ley buscan democratizar la propiedad, la tierra, reducir las desigualdades y evitar la evasión fiscal, lo que afecta principalmente a las clases altas de la sociedad. En declaraciones, Correa ha defendido que no se puede evitar la "Revolución Ciudadana”, y se refirió a la oposición como "gente insensata, irresponsable”, que busca violencia. Él reafirma su disposición para el diálogo con "gente de buena fe”.

En un pronunciamiento por televisión, el último 15 de junio, el presidente afirmó que "los pobres son pobres porque existe una sociedad tremendamente injusta, que produce y reproduce profundas desigualdades de oportunidades desde el comienzo de la vida”. Correa destacó la prepotencia de ciertos empresarios, que se consideran "los redentores del país” y recuerda que, después de la crisis económica de 1999, el país fue "salvado” no por los ricos, sino por los pobres y migrantes, con "sudor y sacrificio”.
Correa denunció este sábado 20 de junio, la existencia de una conspiración en contra de su gobierno, con apoyo internacional. Según él, "venezolanos reaccionarios” opositores del presidente Nicolás Maduro se han infiltrado en Ecuador para generar miedo y crear agitación social. Correa hizo un llamado a la población para denunciar a esas personas y enviarlas fuera del país, "de vuelta a Miami”.

Para el secretario general de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), Ernesto Samper, no se permitirá que actos violentos convocados por la oligarquía y por los políticos de extrema derecha creen pánico y un clima desestabilizador en el país, como por ejemplo las últimas manifestaciones del 13 de junio, en Quito.
El presidente venezolano, Nicolás Maduro, también convoca a la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe (Celac) a defender el gobierno de Correa y se solidariza con el pueblo ecuatoriano. "Llegó la hora de activar toda la solidaridad con el pueblo de Ecuador y con el presidente Rafael Correa”, declaró Maduro en la apertura de la programación cultural de la Casa Tito Salas, en el Estado de Miranda, Venezuela.

La Conferencia Episcopal Ecuatoriana (CEE) expresó en un comunicado que el diálogo es el único camino posible para encontrar "soluciones justas y razonables”. Y espera que la visita del Papa a Ecuador traiga "un mensaje de paz, unidad y esperanza, necesarias parta construir una sociedad más justa y solidaria”.

(fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&cod=85470&lang=PT)