terça-feira, 26 de julho de 2016

Novo número da revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico
v. 16, n. 182 (2016): Revista Espaço Acadêmico, n. 182, julho de 2016

Sumário

administração
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Gestão da diversidade: questão social emergente ou dignidade humana? (01-11)
Shaiane Caroline Kochhann, Glauco Oliveira Rodrigues

ciência & tecnologia
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Cultura organizacional e individual – Consequências da inconsciência de hábitos organizacionais e individuais (12-15)
Antonio Mendes Silva Filho

ciência política
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Pela superação das promessas democráticas: uma discussão sobre o mal-estar político contemporâneo (16-23)
Alisson Ortiz Rigitano

ciências sociais
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Cultura e capital social: entre a explicação e a legitimação das
disparidades espaciais de desenvolvimento (24-35)
Airton Adelar Mueller

A verdade como um problema epistemológico (36-44)
Geilson Fernandes de Oliveira, Marcília Luzia Gomes da Costa Mendes

convergências
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A culinária da política: coxinha, caviar e mortadela (45-55)
Renato Nunes Bittencourt

direitos humanos
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Índice de Desenvolvimento Humano e a violência no Nordeste: o paradoxo nordestino (56-72)
José Maria Pereira da Nóbrega Júnior

educação
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O estado em ação nas políticas educacionais: uma contribuição da teoria marxista para a análise do Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI) (73-87)
Camila Mantovani Dias

educação superior
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A formação de cidadãos reflexivos frente ao atual processo de
mercantilização da educação superior (88-104)
Diego Bechi

geografia
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O processo de refuncionalização do centro de Fortaleza com base nos equipamentos e serviços de educação técnica e profissional (105-116)
Júlia Monteiro Holanda

história
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Porto Novo: a materialização da “terra dos sonhos” no Extremo–Oeste de Santa Catarina na década de 1920 (117-128)
Leandro Mayer

literatura brasileira
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Lima Barreto modernista (129-137)
Michel Goulart da Silva

utopias
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Utopias, ideologias e o "leito de Procusto" (138-153)
Antonio Ozaí da Silva

resenhas & livros
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A Amazônia e a diversidade educacional (154-156)
Marcos Jonatas Damasceno da Silva

BUENO, Zuleika de Paula. Leia o livro, veja o filme, compre o disco: a formação do cinema juvenil brasileiro Maringá (PR): EDUEM, 2016 (244 p.) (157)
REA Editor

revistas
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verve, 29 - 2016. Revista do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária (158)

Café História - as novidades da semana

[1] Desconto em livro:
 Parceria com Ed. Contexto
O Café História e a Editora Contexto estão juntos novamente para tornar a sua vida de leitor ainda mais prazerosa. Nossos leitores possuem desconto de 20% em qualquer livro comprado através do site da editora. [Aproveite]
[2] Mural do Historiador: 
Refugiados
A edição 124 da RHBN chega às bancas com um tema muito importante: o drama dos refugiados. Assunto que entrou novamente para a ordem do dia com a chamada “crise migratória” na Europa, as populações que são forçadas a se deslocar passaram a atrair a atenção geral das nações ao longo do século XX. O estatuto jurídico dos refugiados começou a ser definido em meados do século passado e o Brasil esteve presente no processo de criação das primeiras organizações para tratar do assunto, ainda na década de 1940. O país recebeu refugiados, embora tenha mantido uma relação ambígua com alguns grupos – caso dos judeus, vistos com maus olhos durante o governo varguista. [Confira]
[3] Notícia em destaque:
 Varnhagen gratuito
A FUNAG publicou para download gratuito, na coleção História Diplomática, o livro "Varnhagen (1816-1878) - Diplomacia e Pensamento Estratégico", que reúne ensaios de historiadores e diplomatas a partir de pesquisas elaboradas para o Seminário sobre o assunto, organizado pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), no Instituto Rio Branco (IRBr), em Brasília, em abril de 2016, para comemorar o bicentenário do nascimento do diplomata oitocentista brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen, conhecido também como Visconde de Porto Seguro. [Veja]
[4] Acadêmico:
 História Pública
As inscrições para apresentação de trabalhos no 3º Simpósio Internacional de História Pública: “História pública em debate” estão abertas. O evento, que será realizado de 28 a 30 de novembro de 2016 na Universidade Regional do Cariri, na cidade do Crato, Ceará, recebe propostas para apresentações até o dia 20 de agosto.  [Clique aqui]
[5] Dicas de leitura:
 Especial biografias
O que Karl Marx, Roosevelt e Davi tem em comum? Todos estão em nossa seção de dicas de leitura.  [Clique aqui]

Ex-comandante da OTAN por trás do golpe fracassado na Turquia

O ex-comandante das forças da OTAN no Afeganistão, o aposentado General John F. Campbell, foi a mente brilhante por trás do golpe militar fracassado na Turquia, relatou o Yeni Safak Daily, citando fontes próximas à investigação.

O General John F. Campbell, 59 anos, era uma “das principais figuras que organizaram e gerenciaram os soldados por trás da tentativa de golpe fracassada na Turquia”, como relatou a edição em inglês do jornal conservador na segunda-feira.

O jornal é conhecido pelo seu apoio leal ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que era o alvo da tentativa de golpe.

De acordo com o Yeni Safak, Campbell “também gerenciou mais de $2 bilhões em transações pelo Banco da África (UBA Bank) na Nigéria usando ligações da CIA para distribuir entre a equipe pró-golpe do exército na Turquia”.


O general do exército aposentado já havia supostamente feito “ao menos duas visitas secretas” à Turquia desde maio até o golpe fracassado, o qual as autoridades turcas dizem ter sido realizado pelo que chamam de Organização Terrorista Fethullah (FETO).

O ministro das relações exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, alertou na segunda-feira que as relações com Washington poderiam sofrer se não deportassem o clérigo residente dos EUA, Fethullah Gulen, adversário ideológico de Erdogan. Washington já disse repetidamente que a Turquia deve fornecer provas concretas de quaisquer ligações que Gulen possa ter com a tentativa de golpe antes de qualquer possibilidade de deportação seja discutida.

O Turkish Daily reportou que Campbell tinha reuniões ultra secretas na base militar Erzurum e na base aérea Incirlik na Turquia, adicionando que o general do yankee “dirigiu o processo de seguir/avaliar os oficiais militares nas bases”.

De acordo com o jornal, “milhões de dólares foram transferidos da Nigéria para a Turquia por uma equipe da CIA. O dinheiro, que foi distribuído entre uma equipe especial de 80 pessoas da CIA, foi usado para convencer generais pró-golpe. Depois de tirar dinheiro de suas contas bancárias, o time da CIA entregava pessoalmente para os terroristas com vestimentas de militares”.

O governo turco e o presidente Erdogan estão usando isso como pretexto para botar pressão nos EUA em um esforço para deportarem Gulen, disse Ibrahim Dogus, fundador e diretor do Centro de Estudos Turcos e Desenvolvimento, em Londres para o RT News.

“O presidente Erdogan tem tentado com muito afinco caçar qualquer um que tem conexão ou associação com Gulen nesse momento na Turquia.”

Um total de 13,165 pessoas foram detidas em conexão com a tentativa de golpe na Turquia, disse o presidente Erdogan no domingo. Ele mencionou que 8,838 dos presos são soldados, 2,101 são juízes e promotores, 1,485 são policiais, 52 são autoridades locais e 689 são civis, como relatado pelo Hurriyet Daily. Ele adicionou que 934 escolas, 109 dormitórios, 15 universidades, 104 fundações, 35 instituições de saúde, 1,125 associações e 19 sindicatos foram fechados pois pertencem ao que ele descreveu como “Organização Terrorista Fethullah”.

Uma condenação conjunta de 73 suspeitos, incluindo de Gulen, foi aprovada por um tribunal de Ankara no sábado.

Durante um discurso para o parlamento turco, Erdogan chamou Gulen, seu ex-aliado, de “traidor desonesto”.

“O grupo terrorista FETO, que está abusando dos impostos das pessoas para comprar armas, tanques, aviões de guerra, armas pesadas e usar contra a nação são traidores e desonestos”, disse Erdogan na semana passada, chamando FETO de “um vírus metastaziado”.

Na segunda, o governo turco expediu mandados de prisão para mais de 40 jornalistas suspeitos de terem conexão com o golpe militar fracassado, reportou a NTV.

A Anistia Internacional soou o alarme no domingo, dizendo que juntou “evidências confiáveis” de que as prisões de pessoas em relação ao golpe fracassado foram “sujeitas a espancamentos e torturas, incluindo estupro, em centros de detenção oficiais e não oficiais no país”.

“Relatos de abuso incluindo espancamentos e estupros em detenção são extremamente alarmantes, especialmente dada a escala de detenções que temos visto durante a semana. Os detalhes que documentamos são apenas a superfície dos abusos que podem estar acontecendo em locais de detenção”, disse o diretor da Anistia Internacional na Europa, John Dalhuisen.

(fonte:  http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Ex-comandante-da-OTAN-por-tras-do-golpe-fracassado-na-Turquia/6/36511)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Escola sem partido?


FREI BETTO*
Nada mais tendencioso do que o Movimento Escola Sem Partido. Basta dizer que um de seus propagadores é o ator de filmes pornô Alexandre Frota. O movimento acusa as escolas de abrir espaços a professores esquerdistas que doutrinam ideologicamente os alunos.
Uma das falácias da direita é professar a ideologia de que ela não tem ideologia. E a de seus opositores deve ser rechaçada. O que é ideologia? É o óculos que temos atrás dos olhos. Ao encarar a realidade, não vejo meus próprios óculos, mas são eles que me permitem enxergá-la. A ideologia é esse conjunto de ideias incutidas em nossa cabeça e que fundamentam nossos valores e motivam nossas atitudes.
Essas ideias não caem do céu. Derivam do contexto social e histórico no qual se vive. Esse contexto é forjado por tradições, valores familiares, princípios religiosos, meios de comunicação e cultura vigente.
Não há ninguém sem ideologia. Há quem se julgue como tal, assim como Eduardo Cunha se considera acima de qualquer suspeita. Como ninguém é juiz de si mesmo, até a minha avó de 102 anos tem ideologia. Basta perguntar-lhe o que acha da vida, da globalização, dos escravos, dos homossexuais etc. A resposta será a ideologia que rege sua visão de mundo.
A proposta da Escola Sem Partido é impedir que os professores eduquem seus alunos com consciência crítica. É trocar Anísio Teixeira, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Rubem Alves por Cesare Lombroso e Ugo Cerletto.
Ninguém defende uma escola partidária na qual, por exemplo, todos os professores comprovem ser simpatizantes ou filiados ao PT. Mesmo nessa hipótese haveria pluralidade, já que o PT é um saco de tendências ideológicas que reúne ardorosos defensores do agronegócio e esquerdistas que propõem a estatização de todas as instituições da sociedade.
Não faz sentido a escola se aliar a um partido político. Muito menos fingir que não existe disputa partidária, um dos pilares da democracia.
Em outubro, teremos eleições municipais. Deve a escola ignorá-las ou convidar representantes e candidatos de diferentes partidos para debater com os alunos? O que é mais educativo? Formar jovens alheios à política ou comprometidos com as lutas sociais por um mundo melhor?
Na verdade, muitos “sem partido” são partidários de ensinar que nascemos todos de Adão e Eva; homossexualidade é doença e pecado (e tem cura!); identidades de gênero é teoria promíscua; e o capitalismo é o melhor dos mundos.
Enfim, é a velha artimanha da direita: já que não convém mudar a realidade, pode-se acobertá-la com palavras. E que não se saiba que desigualdade social decorre da opressão sistêmica; a riqueza, do empobrecimento alheio; a homofobia, do machismo exacerbado; a leitura fundamentalista da Bíblia da miopia que lê o texto fora do contexto.
Recomenda-se aos professores de português e literatura da Escola Sem Partido omitirem que Adolfo Caminha publicou, em 1985, no Brasil, Bom crioulo, o primeiro romance gay da história da literatura ocidental; proibirem a leitura dos contos D. Benedita e Pílades e Orestes, de Machado de Assis; e evitar qualquer debate sobre os personagens de Dom Casmurro, pois alguns alunos podem deduzir que Bentinho estava mais apaixonado por Escobar do que por Capitu.
* FREI BETTO é escritor, autor do romance policial Hotel Brasil (Rocco), entre outros livros. Publicado em O Globo, disponível em http://oglobo.globo.com/sociedade/escola-sem-partido-19706491

(fonte: https://espacoacademico.wordpress.com/2016/07/20/escola-sem-partido/)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Nota pública da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER)



NOTA PÚBLICA DA SOCIEDADE DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS DA RELIGIÃO (SOTER)

“Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”. (Papa Francisco)

A SOTER, reunida em Assembleia, por ocasião do 29o Congresso Internacional, realizado em Belo Horizonte (MG), vem manifestar-se publicamente sobre a conjuntura atual,ao mesmo tempo em que reconhece o papel e a incidência da religião no processo social e nos rumos da política nacional.

Motivados pela temática do Congresso “Tempos do Espírito: inspiração e discernimento”, os sócios da SOTER posicionam-se diante da grave e complexa crise política atual, caracterizada por uma classe dirigente – em sua maioria – corrupta e hipócrita, alinhada aos interesses privados e oligárquicos nacionais e internacionais. Tal situação se aprofunda por um cenário global de violência sistêmica e de privatização da esfera pública pelo projeto neoliberal em curso, em detrimento dos pobres e dos grupos mais vulneráveis do país: povos indígenas, população negra, pessoas com deficiência, mulheres vítimas da violência, comunidade LGBT e outras.

Nossa percepção é a de que prevalece uma dinâmica política que atravessa o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, com projetos antipopulares, muitas vezes em desrespeito à institucionalidade democrática e portadores de uma pauta política e econômica conservadora e excludente, de atropelo aos direitos humanos, de precarização de políticas públicas e sociais e com a sinalização de perda da soberania nacional em face da adoção de medidas econômico-administrativas submissas aos interesses corporativos internacionais. Tais projetos, por sua vez, encontram eco e apoio em diversos grupos religiosos e seus discursos fundamentalistas.

Nesse contexto, a sociedade civil se encontra dividida e confusa buscando, muitas vezes, não a superação dos dramas da desigualdade e da injustiça estrutural, mas o retrocesso e o aprofundamento da crise.

A partir da análise dos fenômenos sociopolíticos e da responsabilidade das tradições religiosas nesse processo, apelamos a todos e todas a discernir esse momento além das parciais e seletivas informações midiáticas e ações judiciais e a enfrentar a crise em todas as suas dimensões: sociopolítica, econômica, moral, cultural e espiritual, a fim de resistirmos a todo projeto que signifique o sacrifício dos empobrecidos e das pessoas mais vulneráveis e avançarmos para a plena democracia e a superação das históricas desigualdades sociais, étnico-raciais e de gênero, vítimas de tanta violência real e simbólica.

Desta forma, somamos nossa voz a de todos os movimentos sociais, populares e entidades democráticas que têm se manifestado pelo restabelecimento da ordem democrática e pela busca de uma sociedade construída sobre os pilares da justiça, da ética e da cidadania plena para todas as pessoas.
Pela dignidade humana e pela democracia!
Belo Horizonte (MG), 14 de julho de 2016.
Cesar Kuzma
Presidente da SOTER
(recebido por e-mail)

Glenn Greenwald aponta fraude na pesquisa Datafolha

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Merda, quanto mais se mexe mais fede. Quem não conhece esse provérbio português? O Datafolha conhece, mas parece que não lhe deu importância, ao divulgar nesta quarta-feira, dia 20 de julho, a segunda versão de sua pesquisa revelada sábado e que deu à “Folha de S.Paulo” a manchete de domingo “mostrando” que 50% dos brasileiros querem a permanência de Michel Temer na Presidência da República e que só 3% preferem novas eleições neste ano para escolher o sucessor de Dilma Rousseff.

Quem se deu ao trabalho de ler essa versão diz que a única coisa que mudou da versão original foi essa frase que vem logo abaixo do título: “58% querem afastamento definitivo de Dilma Rousseff, e 60% são favoráveis a nova eleição”.

Fiz uma busca na segunda versão da pesquisa do Datafolha e a expressão “nova eleição” só aparece uma vez. Exatamente nessa frase. Ou seja, a questão não constava do questionário respondido pelos entrevistados na pesquisa.
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Conclusão do Tijolaço:
“O que está fraudando a boa-fé da opinião pública: a pesquisa publicada domingo ou o documento que o Datafolha divulga hoje com a afirmação de que “60% são favoráveis a nova eleição”? Ou não é fraude, é “ato falho” ou um grito de socorro de quem está sendo metido num estelionato estatístico?”

A manchete da Folha, no domingo, foi de imediato acompanhada pela grande imprensa e, em maior escala, nos blogs favoráveis ao impeachment de Dilma que será decidido pelo Senado no mês que vem.
Sem dúvida, um momento muito favorável para divulgação dessa pesquisa, a primeira que vem a público desde que Temer assumiu o governo para fazer tudo o que o grande capital mais deseja.

Os contrários ao impeachment perceberam o golpe e saíram a campo para desacreditar o Datafolha, do grupo Folha, que edita o jornal mais lido no país e também o maior portal, o UOL. Por exemplo, aqui e aqui.

Mas nenhum golpe à credibilidade do jornal e de seu instituto de pesquisa foi mais forte que o desfechado pelo “The Intercept” neste artigo que pode ser lido em inglês e em português.

O “Jornal do Brasil”, que já foi o jornal mais influente do país nas décadas de 1960 e 1970, mas que hoje não tem mais versão em papel, foi o único, até onde pude pesquisar, que noticiou o artigo de Glenn Greenwald e Erick Dau no “The Intercept”. O JB publicou no dia 20 reportagem com o título “‘The Intercept’: Jornal comete fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer”.

Sites estrangeiros também reproduziram o artigo, caso do Polimedia Press e de Os truques da imprensa portuguesa. Neste se lê: “Glenn Greenwald, um dos mais respeitados jornalistas do mundo, denuncia a fraude jornalística cometida por Datafolha e Folha de São Paulo para impulsionar o Presidente Temer. Coisas que não passam na imprensa portuguesa”.

Poderia ter acrescentado, sem risco de errar: e nem na brasileira.

Curiosamente, a pesquisa “favorável” a Temer, desapareceu das páginas da Folha na quarta-feira, três dias depois de ter sido a “grande manchete” de domingo. Nada ali, em parte alguma. Nem no artigo de Elio Gaspari que afirma que “Antes mesmo de completar cem dias, Michel Temer conseguiu dar estabilidade ao seu governo. Começou da pior maneira possível, com um ministério pífio e contaminado, cercado de suspeitas e de ligações inconvenientes. A mágica tem um nome: calma, sangue frio ou mesmo serenidade.”
O velho jornalista nascido na Itália e que fez carreira no Brasil publica duas colunas semanais (domingo e quarta-feira) em dois jornais diferentes, Folha e O Globo, o que diz muito de seu prestígio com os mandachuvas da imprensa brasileira. Gaspari poderia ter reforçado sua alegoria a Temer com dados da pesquisa do Datafolha, mas não o fez. Será por quê?

Suponho que o faro jornalístico de Elio Gaspari percebeu, como diz o Tijolaço, a fraude. O problema é que muitos brasileiros que leram (ou ouviram) a notícia no domingo não se deram conta dela até hoje, inclusive senadores que vão julgar o impeachment de Dilma. Não era essa a aposta dos (ir)responsáveis pela “Folha de S.Paulo”, que não cuidam do que ainda resta de credibilidade no jornal que herdaram?

(fonte: https://kikacastro.com.br/2016/07/21/fraude-datafolha/#more-12817_

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Turquia: o “Sultão” sabia de tudo?


Hipótese provável: Erdogan conhecia trama para a quartelada e deixou que ocorresse. Agora, pode reerguer-se — e para isso, tende a trocar Europa e EUA pela Ásia
Por Pepe Escobar | Tradução: Vila Vudu

Tudo leva a crer que Deus usa FaceTime. Foi por uma sequência icônica de imagens rodadas num iPhone, de local ignorado e exibida ao vivo pela CNN turca por uma âncora totalmente desentendida, que Erdogan conseguiu convocar sua legião de seguidores às ruas, disparar o Poder Popular e derrotar a facção militar que havia tomado a TV estatal e declarara que assumira o poder.

Deus pois trabalha por misteriosas vias celulares móveis. A convocação de Erdogan mobilizou até os jovens turcos que haviam protestado furiosamente contra ele no Parque Gezi; que levaram muito gás lacrimogênio pela cara e foram espancados com jatos dos canhões de água pela polícia dele; que acham detestável o partido AKP governante; mas que apoiariam Erdogan contra um “golpe militar fascista”. Para nem dizer que virtualmente todas as mesquitas em toda a Turquia repetiram a convocação de Erdogan.

A versão oficial de Ancara é que o golpe foi perpetrado por uma pequena facção de militares comandada à distância pelo clérigo e exilado na Pennsylvania Fethullah Gulen – agente, ele, pessoalmente, da CIA. A autoria permanece por comprovar; mas o certo, mesmo, é que o golpe foi remix turca de Os Três Patetas; os verdadeiros patetas parecem ser os já detidos comandante do 2º Exército general Adem Huduti; comandante do 3º Exército Erdal Ozturk; e ex-comandante da Força Aérea Akin Ozturk.

Como ex-agentes hiper-excitados da CIA ensinavam freneticamente pelas redes norte-americanas – e se há quem entenda de mudança de regime é aquele pessoal! – a regra número um em golpes é mirar e isolar a cabeça da serpente. Mas a esperta cabeça da serpente turca, daquela vez, estava em local incerto e não sabido. Para nem dizer que nenhum alto general capaz de soar suficientemente patriota e convincente foi à TV estatal para explicar os motivos do golpe.

Os golpistas miraram, sim, nos serviços de inteligência – cujas principais posições estão no aeroporto de Istambul, no palácio presidencial em Ancara e perto dos ministérios. Usaram helicópteros Cobra – com pilotos treinados nos EUA – contra aqueles alvos. Miraram também o alto comando do exército – que nos últimos oito anos tem sido nomeado por Erdogan e não goza da confiança do oficialato de médio escalão.
Enquanto ocupavam as pontes do Bósforo, em Istanbul, pareciam estar em contato com a polícia militar – que se estende por toda a Turquia e mantém ligações firmes dentro da própria corporação. Mas no fim viu-se que não tinham nem o número – nem a preparação – necessária. Todos os ministérios chaves pareciam comunicar-se entre eles enquanto o golpe ia-se desenrolando, bem como os serviços de inteligência. E no que tenha a ver com a polícia turca, são agora uma espécie de guarda pretoriana do [partido] AKP.

Enquanto isso, o Gulfstream 4, voo TK8456, de Erdogan decolou do aeroporto de Bodrum, à 1h43, e sobrevoou o nordeste da Turquia, com o transponder ligado, absolutamente sem ser perturbado. Foi de seu avião presidencial, enquanto ainda estava em terra, que Erdogan falou pelo FaceTime; depois, do ar, administrou o contragolpe. O avião jamais saiu do espaço aéreo da Turquia – sempre visível aos radares civis e militares. Os jatos F-16 dos golpistas poderiam facilmente tê-lo rastreado e incinerado. Em vez disso, mandaram helicópteros militares bombardearem a residência presidencial em Bodrum horas depois de Erdogan ter deixado o local.

A cabeça da serpente com certeza sabia, 100% de certeza, que entrar naquele avião e permanecer no espaço aéreo turco era tão seguro quanto mastigar um(a) baklava. Ainda mais espantoso, o Gulfstream pousou em absoluta segurança em Istanbul nas primeiras horas da manhã do sábado – apesar da ideia dominante segundo a qual o aeroporto estaria ocupado pelos “rebeldes”.

Em Ancara, os “rebeldes” usaram uma divisão mecanizada e dois comandos. Em torno de Istanbul, havia um exército completo; o 3º comando é realmente integrado às forças de resposta rápida da OTAN. Esse 3º comando forneceu os blindados Leopard posicionados nos pontos-chaves em Istanbul – os quais, por falar deles, não abriram fogo.

E ainda os dois exércitos chaves posicionados nas fronteiras com Síria e Irã mantiveram-se em modo “esperar para ver”. Então, às 2h da madrugada, o comando também chave do 7º exército, baseado em Diyarbakir – encarregado de combater contra os guerrilheiros do PKK – declarou-se leal a Erdogan. Foi o momento exato, crucial, quando o primeiro-ministro Binali Yildırım anunciou que estava implantada uma zona aérea de exclusão sobre Ankara.

Significou que Erdogan comandava os céus. E que a brincadeira acabara. Misteriosos são os movimentos da história: a zona aérea de exclusão com que Erdogan tanto sonhou, por tanto tempo, sobre Aleppo ou sobre a fronteira sírio-turca, acabou materializada sobre sua própria capital.

“Prenda os suspeitos de sempre”

A posição dos EUA foi extremamente ambígua desde o início. Com o golpe já em andamento, a embaixada dos EUA na Turquia chamou-o de “levante turco”. O secretário de Estado John Kerry, em Moscou para discutir a Síria, também segurou suas fichas. A OTAN manteve-se majestaticamente muda. Só quando já não havia dúvidas de que o golpe fracassara, o presidente Obama e os “aliados da OTAN” proclamaram oficialmente seu “apoio ao governo democraticamente eleito”.

Erdogan, o “Sultão” voltou ao jogo com fúria. Entrou imediatamente ao vivo, na CNN turca, e exigiu que Washington lhe entregasse Gulen, mesmo sem qualquer prova de que seja responsável pelo golpe. E a exigência trazia uma ameaça embutida: “Se querem continuar a ter livre acesso à base aérea Incirlik, têm de me entregar Gulen”. Difícil não lembrar de história recente, quando os EUA de Dick Cheney, em 2001, exigiram que os Talibã lhe entregassem Osama bin Laden, sem qualquer prova de que tivesse sido responsável pelos ataques do 11/9.

Assim sendo, todas as probabilidades apontam para a possibilidade de que os serviços de inteligência de Erdogan soubessem que havia um golpe em construção; e o esperto sultão deixou acontecer, sabendo que fracassaria, porque os golpistas tinham apoio muito limitado. Pode-se dizer até que sabia – com antecedência – que até o Partido Popular Democrático, pró-curdos, cujos membros Erdogan está tentando expulsar do Parlamento, apoiariam o governo em nome da democracia.

Dois fatos extras acrescentam ainda mais credibilidade a essa hipótese. No início da semana, Erdogan assinou lei garantindo imunidade a soldados que tomassem parte em operações de segurança doméstica – como nas ações anti-PKK; é ação que visa a melhorar as relações entre o governo do AKP e o exército. E a corte superior de justiça da Turquia, HSYK, expulsou da magistratura nada menos que 2.745 juízes, na sequência de uma sessão extraordinária pós-golpe. Só pode significar que a lista já estava preparada com antecedência.

A principal consequência geopolítica, imediata, do golpe é que Erdogan parece agora ter miraculosamente reconquistado sua “profundidade estratégica” – como diria o ex-primeiro-ministro, Davutoglu, já afastado. Não só externamente – depois do colapso miserável de suas duas “políticas”, para o Oriente Médio e para os curdos – mas também internamente. Para todas as finalidades práticas, Erdogan agora controla o Executivo, o Legislativo e o Judiciário – e não vai carregar prisioneiros no expurgo dos militares. Ladies and gentlemen, o Sultão está in da house.


Significa que o projeto neo-otomano está ainda em andamento – mas agora sob maciça reorientação tática. O “inimigo” real agora são os curdos sírios – não Rússia e Israel (nem ISIS; mas esses, para começar, nunca foram). Erdogan vai à caça do YPG, que para ele é mera extensão do PKK. A ordem do dia para ele é impedir por todos os meios que se crie uma entidade estatal autônoma no nordeste da Síria – um “Curdistão” montado como uma segunda Israel com o apoio dos EUA. Para isso, ele carece de alguma espécie de entente cordiale com Damasco – tipo insistir que a Síria tem de preservar sua integridade territorial. E significa também, é claro, renovado diálogo com a Rússia.

Assim sendo… o que a CIA andou fazendo? 

Desnecessário dizer que Ancara e Washington estão agora em comprovada rota de colisão. Se há um Império do Caos escondido no golpe – a arma do crime ainda não foi encontrada –, com certeza vem do eixo neocons/CIA, não do governo pato manco de Obama. No momento, a alavancagem de Erdogan resume-se ao acesso à base aérea Incirlik. Mas sua paranoia está inflando: para ele, Washington é duplamente suspeita, porque protegem Gulen e apoiam o YPG.

O Inferno tampouco não conhece fúria como a de um sultão subestimado. Apesar de todas as suas recentes loucuras geopolíticas, o balê de Erdogan de reconectar-se simultaneamente com Israel e Rússia é eminentemente pragmático. Sabe que precisa da Rússia para o [gasoduto] Ramo Turco e para construir usinas nucleares; e precisa do gás de Israel para consolidar o papel da Turquia como nodo chave de passagem da energia entre oriente e ocidente.

Quando se ouve, crucialmente importante, que o Irã apoiou a “valente defesa da democracia” dos turcos, como tuitou o ministro Zarif, de Relações Exteriores, é claro como Erdogan, em apenas umas poucas semanas, reconfigurou toda a pintura regional. E isso sugere integração da Eurásia, e a Turquia profundamente conectada às Novas Rotas da Seda – não à OTAN. Não surpreende que o governo em Washington, na Av.Beltway – para quem, sobretudo, Erdogan é o proverbial “aliado errático e não confiável” – esteja completamente histérico. Aquele sonho de coroneis turcos sob comando direto da CIA acabou – pelo menos, no futuro que se pode antever.

Assim sendo, e quanto à Europa? Yildirim já disse que a Turquia pode reintroduzir a pena de morte – a ser aplicada aos golpistas. Significa bye bye UE. E bye bye a aprovação, pelo Parlamento Europeu, de viagem sem visto para turcos em viagem pela Europa. Erdogan afinal, já obteve o que queria da chanceler Merkel; aqueles 6 bilhões de euros para conter a crise de refugiados que, essencialmente, foi disparada por ele. Merkel apostou a fazenda da família em Erdogan. Agora, está falando sozinha – e o Sultão fala diretamente com Deus pelo FaceTime.
(fonte: http://outraspalavras.net/destaques/turquia-o-sultao-sabia-de-tudo/)