quarta-feira, 23 de outubro de 2013

França espionada: "EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos"

França espionada: "EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos"

A França, assim como dezenas de países no mundo, tomou conhecimento de como, quando, quem e com que armas digitais os EUA a espionam até nas sombras.


Paris - Os aliados modernos se entrelaçam sob o regime da traição. A França, assim como outras dezenas de países no mundo, tomou conhecimento de como, quando, quem e com que armas digitais os Estados Unidos a espionam até nas sombras. O jornal Le Monde revelou que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos e seu braço virtual, o dispositivo Prisma, tiveram acesso a chamadas telefônicas, SMS e correios eletrônicos de cidadãos franceses e empresas francesas. Os números sobre o alcance da espionagem são alucinantes: em apenas 30 dias, entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013, a NSA interceptou mais de 70 milhões de chamadas e SMS de empresas e particulares. Com uma média de três milhões de interceptações por dia, os EUA tiveram acesso a muita informação com a desculpa da luta contra o terrorismo.

Paris convocou o embaixador norte-americano na França, Charles Rivkin, para pedir explicações. O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, classificou a espionagem de “inaceitável”. A ofensa é enorme: Washington trata o aliado francês com os mesmos cuidados com que trata a Síria, a Rússia ou o Irã.

O primeiro ministro francês, Jean-Marc Ayrault, considerou “inverossímil” que um país aliado recorra a essas práticas sem justificação estratégica ou de segurança nacional. Presente em Paris no marco das próximas negociações sobre a Síria, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, limitou-se a dizer que seu país estava realizando uma “reflexão” sobre esses temas. Todos estes documentos fazem parte dos volumosos segredos que o ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden, hoje refugiado na Rússia, entregou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald e que foram publicados pelo jornal The Guardian.

A Carta Maior entrevistou Greenwald no Rio de Janeiro há alguns dias e o jornalista lembrou nesta entrevista que “os documentos sobre a maneira pela qual os Estados Unidos espionam e os objetivos que perseguem com essa prática pouco tem a ver com terrorismo. Muitos têm a ver com a economia, as empresas e os governos, e estão destinados a entender como funcionam esses governos e essas empresas. A ideia central da espionagem é essa: controlar a informação para aumentar o poder dos EUA ao redor do mundo”.

No caso da França, os norte-americanos não só se interessaram por gente comum ou suspeita, mas também por lideranças políticas, membros da alta administração e empresas. Segundo detalha o Le Monde, a NSA se concentrou em duas em especial, Wanadoo e Alcatel. A primeira é uma filial do grupo de telecomunicações Orange, a segunda, Alcatel, é uma empresa franco-norte-americana muito importante no campo de aparelhos e redes de comunicação. A espionagem desses dois grupos ocorreu em janeiro de 2012 e não ocorreu por acaso: a data coincide com o momento no qual o Ministério de Finanças da França estava avaliando a possibilidade de recuperar os ativos da Alcatel por meio da Orange.

A NSA dispõe de mais de uma metodologia para acessar informação. Existe um método que ativa um sinal que, imediatamente, põe em marcha a gravação de algumas conversações telefônicas segundo o número marcado. Esse sistema também recupera os SMS em função do conteúdo, detectado por meio de palavras-chave. O programa de espionagem aplicado na França se chama “US-985D”. Seu nome se assemelha bastante ao dos programas que a NSA utilizou na Alemanha. “US-987LA” e “US-987LB”. Especula-se que esses números identificam os blocos ou círculos dentro dos quais Washington põe seus aliados. A França estaria dentro do “terceiro círculo”, no qual também se encontram Alemanha, Polônia, Bélgica e Áustria. O segundo círculo, conhecido como “Cinco olhos”, está composto pelos países anglo-saxões como Grã-Bretanha, Canadá, Nova Zelândia e Austrália.

O primeiro círculo corresponde às 16 agências de inteligência norte-americanas. “DRTBOX” e “WHITEBOX” designam nos documentos relevados por Snowden as técnicas empregadas para a espionagem. Até agora, nem o diário nem nenhum outro especialista conseguiram elucidar a tecnologia. “DRTBOX” permitiu que, entre meados de dezembro de 2012 e princípios de 2013, fossem interceptados 62,3 milhões de dados telefônicos. O segundo, “WHITEBOX”, utilizado no mesmo período, acessou dados e conteúdos de 7,8 milhões de chamadas. O vespertino francês aponta informações que vão para além da França. O jornal revela que entre 8 de fevereiro e 8 de março deste no, a NSA conseguiu coletar em todo o mundo cerca de 124,8 bilhões de comunicações telefônicas (DNR) e mais de 97 bilhões de conexões pertencentes ao campo digital (DNI).

Afeganistão, Rússia e China são os países mais espionados e, na Europa, só Alemanha e Grã-Bretanha ultrapassam a França no número de interceptações. Os ingleses deram seu “consentimento” para que suas entranhas fossem radiografadas. Um gesto muito natual quando se conhecem as interações entre os dois países. O programa de espionagem britânico “Tempora”, explorado conjuntamente com Washington, autoriza a agência de espionagem eletrônica da Grã-Bretanha, Government Communications Headquarters (GHCQ), a supervisionar o conjunto das comunicações que passam pelos cabos submarinos pertencentes a sete grandes operadoras mundiais: British Telecom, Vodafone Cable, Verizon Business, Global Crossing, Level 3, Viatel e Interoute. Jean-Jacques Urvoas, presidente da Comissão de Leis da Assembleia Nacional e autor de um informe sobre o marco jurídico dos serviços secretos franceses, não se equivoca quando diz, nas páginas do Le Monde: “Os EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos”.

O que ocorrerá no futuro? Seguramente nada. Paris agirá como a União Europeia, Algum protesto aqui, outro ali, e nada mais. O realismo servil como modesta resposta.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Franca-espionada-EUA-nao-tem-aliados-So-alvos-e-vassalos-/6/29281 

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

E você? Ainda acredita nele?

O mentiroso

seg, 21/10/2013 - 08:02
As guerras são crimes da elite


Ele mentiu sobre a presciência em Pearl Harbor. 
Ele mentiu sobre a Baía dos Porcos.
Ele mentiu sobre o assassinato de JFK.
Ele mentiu sobre o Golfo de Tonkin.
Ele mentiu sobre o Vietnã.
Ele mentiu sobre o caso Irã-Contra. 
Ele mentiu sobre a Guerra do Golfo. 
Ele mentiu sobre o incêndio no cerco a Waco. 
Ele mentiu sobre o atentado de Oklahoma City. 
Ele mentiu sobre o 9/11.
Ele mentiu sobre a guerra no Iraque.
Ele mentiu sobre o Fast and Furious. 
Ele mentiu sobre a Líbia. 
Ele mentiu sobre a Síria. 
Ele estão mentindo sobre o Irã.
fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/fotos-charges-e-tirinhas-18

domingo, 20 de outubro de 2013

O INFERNO, NA PRIMAVERA.


O INFERNO, NA PRIMAVERA. 

fonte: http://www.maurosantayana.com/2013/10/o-inferno-na-primavera.html


(HD) - Quem planta vento, colhe tempestade. A máxima popular - que alguns atribuem a antigo provérbio bíblico - se ajusta, como uma luva, ao continente europeu, sitiado, no Mediterrâneo, por milhares de refugiados da série de conflitos que se convencionou chamar de “Primavera Árabe”.
A intenção da UE e dos EUA, ao incentivar o “vamos para a rua” nos países árabes, era destruir a coesão interna – se possível promovendo sua divisão geográfica - de países que, historicamente, se opunham à dominação ocidental naquela região do mundo.
No plano político, esse objetivo já foi quase alcançado. E na economia, a situação beira a catástrofe. Nesta semana, o banco inglês HSBC, publicou relatório afirmando que a Primavera Árabe vai custar a países como o Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Jordânia, Líbano e Bahrein, entre 2011 e 2014, 800 bilhões de dólares, mais uma redução potencial em seu PIB da ordem de 35%.
No plano cultural e no religioso, abriram-se feridas que talvez não cicatrizem nunca. Na última semana de setembro, realizou-se, em Bkerke, no Líbano, a reunião do Conselho de Patriarcas Católicos do Oriente.
A reunião contou com a presença de Gregoire III Laham, representante dos católicos gregos, de Luis Rafael Sako, patriarca caldeu, de Ignacio Yusef Yunan, representante dos siríacos-católicos, de Narciso Pedros XIX e de um grande número de bispos.
No final do encontro, em seu pronunciamento, o Patriarca Maronita Monsenhor Bechara Rai, não mediu as palavras: “O Oriente Médio - afirmou Rai, que vai se encontrar com o Papa Francisco em novembro – precisa, nesse momento, dos ensinamentos de Cristo, do evangelho da paz, da verdade, da fraternidade e da Justiça.”

“Construímos, nos últimos 2.000 anos, com nossos irmãos muçulmanos, uma única civilização e uma identidade comum, que a política internacional tem feito de tudo para destruir e sabotar. A Primavera Árabe  transformou-se, em pouco mais de dois anos, em um inferno de matança e destruição.”
Um inferno que estende suas conseqüências para todos os aspectos da vida humana e obriga à quebra de padrões de identidade psicológica e herança antropológica da população mais atingida.
Ainda ontem, na Síria – em uma decisão que lembra o massacre, pela fome, dos habitantes do Ghetto de Varsóvia - um grupo de ulemás e líderes religiosos, foi obrigado a emitir um edital islâmico autorizando os habitantes muçulmanos dos subúrbios do sul de Damasco a abater e comer animais impuros.

Em certas versões do Corão é proibido comer animais que se alimentem de impurezas, como os burros, ou outros, associados ao demônio, que – como os cães e os gatos – possuam caninos.

Autorizamos isto – afirma o comunicado publicado na internet – como um apelo para chamar a atenção do mundo para a terrível situação que estamos vivendo, e tentar evitar que nossos fiéis, por obediência às leis de Alá, venham a morrer de fome.

Senador do PSDB paga 7,5 mil em jantar e bota na conta do Senado. Pode isso, Arnaldo?


Senador do PSDB paga 7,5 mil em jantar e bota na conta do Senado. Pode isso, Arnaldo?


 fonte: http://revistaforum.com.br/blogdorovai/ 

Uma matéria que, evidentemente, não virou manchete e nem destaque na capa do Estadão de hoje é bastante reveladora do udenismo de um certo partido. Ou do faça o que eu digo, mas não faço o que eu faço.
O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), segundo o jornal, teria bancado um jantar na Churrascaria Porcão de R$ 7.567,60 para os amigos e correligionários e colocou na conta do viúva, como gosta de dizer o Elio Gaspari. A viúva, no caso citado, foi representada pelo caixa do Senado Federal.
No dia da emissão da nota fiscal do rega-bofe,  o plenário do Senado foi palco de uma homenagem ao falecido pai do parlamentar, o ex-senador e ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima, falecido em julho de 2012. Vários parentes, amigos e colegas foram a Brasília para participar do evento. E pelo jeito não estava acertado que cada um deveria pagar a sua parte na conta da festança.
Além de Cunha Lima, aparece em destaque na matéria do jornal, que o refinado paladar do senador Fernando Collor (PTB-AL) também é problema nosso. O Senado teria reembolsado três contas no restaurante Kishimoto, cada uma delas custando pelo menos R$ 1 mil. A assessoria do parlamentar teria informado que os valores são usados para a alimentação dos funcionários do gabinete, gasto que é permitido pelas normas do Senado.
Na Câmara, a liderança do PSDB também é a campeã na apresentação desse tipo de nota. A preferência é pelo restaurante Coco Bambu, rede especializada em frutos do mar. Nos primeiros sete meses deste ano, foram 14 notas com valores entre R$ 1.280 e R$ 2.950. O valor total desembolsado pela Câmara nesse caso foi de quase R$ 27 mil.
Ou seja, pode-se falar o que quiser do tucanato, mas não se pode criticar o paladar sofisticado da turma. Quando banca gastos do PSDB, o contribuinte ao sabe que não está pagando uma simples tapioca de R$ 8,30,fato que levou o ex-ministro Orlando Silva a se explicar em todos os jornais. É Arnaldo, a regra da mídia também é clara. Para uns pode, para outros não.

Brasil tem extermínio de negros, inclusive institucional

Esta matéria foi postada hoje no Blog da KikaCastro.



Brasil tem extermínio de negros, inclusive institucional

Texto escrito por José de Souza Castro: 
“Os negros e pardos brasileiros são vítimas de racismo institucional?”. Essa pergunta fecha o artigo do jornalista Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, publicado neste sábado sob o título “O genocídio dissimulado”.
Ele começa por criticar o desinteresse da imprensa pelo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil. Apenas os jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo” publicaram notícia a respeito. O primeiro, numa pequena nota escondida no meio de uma coluna. O segundo, numa reportagem que, segundo Luciano, parece ter sido baseada na apresentação feita pelo diretor do instituto, Daniel Cerqueira, ao estudo publicado no 4º Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea, no capítulo intitulado “Segurança Pública e Racismo Institucional”.
O articulista desconfia de negligência da imprensa, mas também pode ser que o Ipea tenha falhado na divulgação do estudo.
Indiscutível é a importância de suas revelações, como se pode ver neste pequeno resumo do texto de Luciano Martins Costa:
  • Mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil; há um forte viés de cor/raça nessas mortes; o negro é discriminado duas vezes – pela condição social e pela cor da pele.
  • O risco de morte violenta se apresenta muito mais elevado para adolescentes e jovens do sexo masculino, independentemente da cor da pele ou da classe de renda e educação, do que para pessoas adultas. Ou seja: no período da vida em que mais se expõem à interação social é quando os jovens brasileiros estão sob maior risco de morte.
  • Os brasileiros negros e pardos, sejam ricos ou pobres, seja homem ou mulher, têm quase oito vezes mais possibilidade de se tornar vítima de homicídio do que as pessoas não-negras. Para cada três vítimas de assassinato no Brasil, duas têm a pele escura.
  • O estudo expõe o relativo equilíbrio entre os dois universos comparados – 96 milhões de negros e pardos e 94 milhões de não-negros. O resultado é chocante: apesar de serem as maiores vítimas da violência, negros e pardos evitam fazer queixa à polícia em caso de agressão, porque não acreditam na instituição ou por medo de represália.
  • Os números contextualizados pelo Ipea revelam a persistência de uma política de extermínio causada ou permitida por instituições públicas no Brasil, seja pelo desinteresse em atender ocorrências que têm negros e pardos como vítimas, seja pela ação letal da polícia quando esses cidadãos estão envolvidos ou são suspeitos de participar de ações delinquenciais.
  • Apenas no caso de suicídios os índices de mortes entre não-negros é superior, ou seja, mesmo com chances muito menores de segurança e bem-estar, negros e pardos dão mais valor às suas vidas.
Não é a primeira vez que este blog tem escrito sobre o racismo no Brasil, que torna nossa democracia tão incompleta. Se a imprensa desse a importância necessária ao tema, talvez nosso racismo dissimulado não fosse tão persistente.

sábado, 19 de outubro de 2013

Ministros do STF agiram com má fé no uso do domínio do fato




Ministros do STF agiram com má fé no uso do domínio do fato

Luis Greco, 35, e Alaor Leite, 26, apresentados na Folha como "doutor e doutorando, respectivamente, em direito pela Universidade de Munique (Alemanha), sob orientação de Claus Roxin, traduziram várias de suas obras para o português" escreveram o artigo "Fatos e mitos sobre a teoria do domínio do fato".
 
Nele, liquidam com a versão da teoria engendrada pelo Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
 
O artigo é duro: "Desde o julgamento do mensalão, não há quem não tenha ouvido falar na teoria do domínio do fato. Muito do que se diz, contudo, não é verdadeiro. Nem os seus adeptos, como alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, nem os que a criticam, como mais recentemente o jurista Ives Gandra da Silva Martins, parecem dominar o domínio do fato.
Talvez porque falte o óbvio: ler a fonte, em especial os escritos do maior arquiteto da teoria, o professor alemão Claus Roxin. Mesmo os técnicos tropeçam em mal-entendidos, de modo que o público merece alguns esclarecimentos".
 
A explicação sobre a teoria é radicalmente oposta à que foi vendida ao público pelos Ministros do Supremo. Pelo STF, o "domínio do fato" visaria alcançar mandantes de crimes cuja culpabilidade não pode ser levantada por provas. Seriam culpados meramente diante da presunção de que, sendo chefes, os crimes não poderiam ter passado ao largo deles.
 
Os autores mostram como a lei brasileira trata as autorias: "O Código Penal brasileiro (art. 29 caput), embora possa ser compatibilizado com a teoria do domínio do fato, inclina-se para uma teoria que nem sequer distingue autor de partícipe: todos que concorrem para o crime são, simplesmente, autores".
 
A verdadeira teoria do dominio do fato diz exatamente o contrário: "Para o domínio do fato, porém, o autor, além de concorrer para o fato, tem de dominá-lo; quem concorre, sem dominar, nunca é autor. Matar é atirar; emprestar a arma é participar no ato alheio de matar. Na prática: a teoria do domínio do fato não condena quem, sem ela, seria absolvido; ela não facilita, e sim dificulta condenações. Sempre que for possível condenar alguém com a teoria do domínio do fato, será possível condenar sem ela".
 
Quando esteve no Brasil, Roxin deu entrevista rebatendo as interpretações dadas pelo Supremo. De volta à Alemanha foi alvo de terrorismo por parte dos alunos, possivelmente insuflados por algum Ministro do STF que domina o alemão. Insinuaram que ele estaria sob suspeita de vender pareceres para réus. Sem familiariedade com o vale tudo de alguns Ministros do STF acumpliciados com a mídia, Roxin mandou desmentidos débeis.
 
Agora, seus alunos e tradutores trazem os fatos. E escandalizam-se com o uso da presunção de culpa: "A teoria do domínio do fato não é teoria processual: ela nem dispensa a prova da culpa, nem autoriza que se condene com base em presunção --ao contrário do que se lê no voto da ministra Rosa Weber, que fala em uma "presunção relativa de autoria dos dirigentes".
 
Por piedade, evitaram mencionar o Ministro Luiz Fux que chegou ao cúmulo de afirmar que cabia aos réus demonstrar sua inocência.
 
Não se trata de uma disputa de interpretação entre Gilmar e companheiros e Roxin: trata-se de entender as teses que Roxin desenvolveu. Fica claro que houve uma mistificação, na qual entraram vários Ministros do Supremo. E o dolo é tanto maior quando maior foi o descaso com que receberam as explicações de Roxin.
 
Como é possível que um episódio dessa amplitude tenha contaminado a maioria dos Ministros do mais alto tribunal brasileiro? Onde estava o desconhecimento, onde a malícia?
 
Durante meses, a defesa da Constituição esteve nas mãos solitárias de  Ricardo Lewandowski,  único defensor da legalidade. Lewandowski foi duro nas sentenças, insurgiu-se contra um percentual pequeno das condenações. Mas com sua posição, consolidou uma trincheira de dignidade, mais tarde reconhecida. Não se tratava de condenar ou absolver, mas de não manipular a lei.
 
Agora, gradativamente o mundo jurídico retorna ao leito da legalidade. Juristas conservadores, como Ives Gandra e Cláudio Lembo se uniram às vozes dos que se indignaram com os abusos. A reação do mundo jurídico provocou até a reviravolta oportuna de Celso de Mello, épico ao atropelar a lei e promover o linchamento, e, quando a poeira baixou, épico ao refugar o linchamento. É um amante das epopeias.
 
Luis Roberto Barroso e Teori Zavaski vieram se juntar a Lewandowski, na recomposição da dignidade perdida do STF. O Ministério Público Federal está em mãos responsáveis.
 
Mas a verdadeira história ainda está para ser contada.
 
 

Aviso da ANPUH-MG

Prezados Historiadores de Minas Gerais, o XIX Encontro Regional de História (ANPUH-MG) será realizado em Juiz de Fora (UFJF) de 22/07 à 01/08 de 2014 e quem vai escolher o tema é você! Acesse o link: http://www.anpuhmg.org/enquete/ e vote em uma das três opções:
 
- Movimentos Sociais Contemporâneos 
- Profissão Historiador: formação e mercado de trabalho 
- Memórias do Autoritarismo: 50 anos do Golpe de 64
 
Obrigado pela participação!
ANPUH/MG (Gestão 2012-2014)

--
Associação Nacional de História - ANPUH
Seção Minas Gerais