segunda-feira, 21 de abril de 2014

As suspeitas sobre Barbosa no episódio de espionagem

Como se sentiria um operador do direito se alguém afirmasse que há suspeitas de que a mais alta autoridade do Judiciário, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) usa mão de gato, pratica chicana, estupra os procedimentos à luz do dia e com as cortinas do palco escancaradas? E que, na condição de presidente do STF, sua imagem pessoal torna-se a imagem do Judiciário.

No episódio da tentativa de espionagem sobre o Palácio do Planalto, Barbosa agiu com mão de gato ou foi fundamentalmente displicente? O simples fato de existir essa dúvida mostra a desmoralização a que o STF está submetido com os atos de seu presidente, ao não se pronunciar sobre a tentativa do Ministério Público do Distrito Federal de espionar o Palácio do Planalto.

O assessor de Barbosa, Wellington Geraldo Silva, telefonou para Jânio para “uma exaltada cobrança telefônica”, sobre as suspeitas de que, por falta de qualquer reação, Barbosa endossara a tentativa de espionar o Planalto. Foi-lhe recomendado escrever para o Painel do Leitor.

Na carta enviada, o assessor alega que Barbosa tomou as providências regimentais quando recebeu o pedido de quebra de sigilo do seu parceiro, o juiz da Vara de Execuções Penais: sem ler, encaminhou o pedido para apreciação do Procurador Geral da República. Só depois do parecer da PGR, o presidente do STF manifestar-se-ia.

No entanto, quem analisar todos os passos da trama, terá muitos elementos para suspeitar que, ao remeter o pedido para o PGR sem nenhuma observação, ou ao não recusar o pedido liminarmente, o próprio Barbosa participou da trama  para espionar o Planalto – juntamente com a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, o ex-juiz da Vara de Execuções de Brasília Bruno Ribeiro.
Relembrando:
  1. A promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, da Vara de Execuções de Brasilia, pede a quebra do sigilo telefônico de uma área que engloba o Palácio do Planalto.
  2. No seu último ato no cargo, o juiz Bruno Ribeiro, que assumiu a função na Vara de Execuções após a carga de Barbosa contra seu antecessor, recebe o pedido e envia para Barbosa sem nenhuma consideração a mais. É de conhecimento geral as afinidades criadas entre Barbosa e Ribeiro. Além da pressão contra seu antecessor, Barbosa acionou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em defesa de Ribeiro.
  3. Era de conhecimento de Barbosa que, no mesmo dia em que enviou o processo, Ribeiro declarou-se impedido de continuar atuando na Vara de Execuções.
  4. O presidente do STF recebeu o pedido, não conferiu as coordenadas e enviou para a PGR. Se o PGR também não conferisse as coordenadas, Barbosa teria o álibi para quebrar o sigilo do Planalto.
As suposições acima são perfeitamente críveis, para um cargo em que não se admite sequer a dúvida sobre a conduta do titular. Ainda mais com todo o histórico de protelações de Barbosa sobre o episódio Dirceu.
É evidente que Barbosa sabia que o pedido de escuta referia-se a áreas sensíveis, ao Palácio do Planalto ou a outro poder, caso contrário o próprio juiz da Vara de Execuções poderia ter autorizado a quebra de sigilo.
Mas seguir procedimentos habituais em um caso absolutamente unusual - a quebra do sigilo da própria Presidência da República - é um contrassenso que só se explica pela vontade de postergar ao máximo a decisão sobre Dirceu, ou então, de criar um fato político mesmo.

A alegação do assessor, de que Barbosa só poderia se manifestar após parecer do PGR, em um tema que nada tem de usual, mereceu a resposta adequada de Jânio: aceitar isso seria acreditar que o presidente do STF comporta-se como um estafeta, recebendo processos e encaminhando sem ler para o PGR.
Passados vários dias, até agora a única manifestação de Barbosa foi essa nota do assessor, segundo a qual ele cumpriu o regimento, remetendo o pedido (sem ler) para o PGR.

É possível que o excesso de processos levasse Barbosa a ser descuidado com o pedido. Mas é possível – dada a visibilidade do episódio – que o descuido de Barbosa tivesse sido intencional. É possível que não atinasse para a extensão do pedido. Mas também é possível que agisse em sintonia com o juiz para criar uma crise política.

Agora, coloque-se no lugar de Joaquim Barbosa. Há uma investigação para conferir um telefonema de José Dirceu, que teria sido dada em um dia definido. Barbosa recebe um pedido de autorização de escuta por vários dias, em áreas variadas. Supondo que seja displicente nos seus pedidos, que seja burocrático no encaminhamento dos processos, alguém poderá supor que, ao receber o pedido de quebra de sigilo, não tivesse sequer a curiosidade de conferir as coordenadas definidas pela promotora?

É mais fácil um camelo passando no buraco de uma agulha.

Pergunto: é possível um presidente de STF conviver com tantas dúvidas e suspeitas acerca de sua conduta, em um episódio da mais alta gravidade?
(Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/as-suspeitas-sobre-barbosa-no-episodio-de-espionagem) 

domingo, 20 de abril de 2014

O machismo das mães

RAYMUNDO DE LIMA*

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Existe uma relação direta entre machismo e violência contra a mulher? Nas culturas em que o machismo é epidemia social haveria mais casos de violência sobre a mulher? Parece que sim. Basta ouvir as denúncias das vítimas, veiculadas na mídia ou expressadas por uma ativista dos direitos humanos.

Embora vítimas do machismo, as mães não capazes de educar os seus filhos para serem não-machistas. Pergunto-me por que elas não os educam, desde pequenos, para ajudar nas tarefas domésticas, como arrumar seu quarto, lavar os pratos, aprender a fazer um arroz, um café, ou fritar um ovo. Por que as mães de hoje tendem a se submeterem aos filhos autoritários, ou seja, por que são passivas diante da atitude mandona deles, por exemplo, para lhes trazer isso ou aquilo?

Além de obedecer passivamente, há mães que acham bonito ter um filho “mandão”, “durão”, “fodão”. Antigamente – e até hoje – mulheres se submetiam ao autoritarismo “normal” do pai e, depois que casavam, tinham que submeter ao seu senhor e marido. Algumas o chamavam “meu senhor-marido”. A cultura patriarcalista tem o pai como a lei (a “Lei-do-Pai, segundo Lacan); ele é a autoridade; “o pater, designa-se originalmente uma paternidade ao mesmo tempo política e religiosa, e não é senão por via de conseqüência que ela concerne à família” (JULIEN, P. 1997: 43). O poder do pai torna-se um dia o da família, o pater famílias, cuja conseqüência é o dominus, o senhor da casa (domus).

Hoje, época em que o pai perdeu o seu dominus, porque sua lei – a Lei-do-Pai está em declínio – há um vazio de poder paterno nos lares (domus); as esposas-mães de nossa época são mais autônomas em relação ao marido mas não conseguem preencher o vazio do poder do pai e nem conseguem se livrar das ordens e das imposições dos filhos. Quando uma mãe se cala diante de um “eu quero” do filho, de um “vou sair”, ou da sua falta de respeito por não fazer o que ela lhe pede, pode tanto reforçar a imagem de submissão feminina como valorizar indevidamente o machismo precoce do filho. [1]

Também, me pergunto por que algumas mães “autorizam” o filho denegrir as meninas, chamando-as de bobas, “chatas”, fracas, inferiores? Por que essas mães não educam os filhos para eles serem mais companheiros das meninas, mais respeitosos e “iguais” a elas?

Muitas vezes uma mãe deixa passar uma “brincadeirinha” machista do filho, que Freud denomina de chiste. Por exemplo, “brincar” de fazer da mãe sua “escrava” ou dizer “estou mandando”, são sinais precoces de machismo autorizado com vistas a se transformar em traço de caráter.

A cultura machista tradicional ainda existente em boa parte do planeta leva o todo da sociedade a investir mais nos meninos e rejeitar as meninas. Meninos, nessa cultura, representam mais força física para sustentar a economia baseada na estrutura de subsistência familiar. Há países cujo machismo é tão cruel que faz das mulheres serem desprezados e serem socialmente invisíveis. [2] No Brasil ainda há casos em que é mais valorizado o nascimento de meninos do que de meninas; alguns não conseguem disfarçar sua admiração mais a um filho porque é homem do que uma filha por ser mulher.

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Muitas mães ainda educam os filhos para não demonstrarem emoções, reprimirem o choro, o medo e a dor. Pouco a pouco eles aprendem a silenciar seus sentimentos, emoções, desejos, falhas de desempenho. Quando adultos, suportam carregar a “couraça caracterológica” que o protege e também o aprisiona. Já as meninas são autorizadas a chorar, devem ser boazinhas, subservientes, obedientes, dependentes. Sempre. Desde cedo, alertam as meninas para ter muito cuidado com os meninos “terríveis”. Exortam o menino “macho” para ir à luta, ser aventureiro, ser namorador… De modo que, quanto uma adolescente fica grávida a responsabilidade dificilmente atinge o rapaz educado de modo machista. A educação não-machista dos meninos faria deles pessoas mais responsáveis na condução da sua vida e dos outros também.

É verdade que o pai sempre contribuiu para reforçar o traço de machismo na personalidade do filho. O complementar do machismo é o “marianismo” (MATARAZZO, s.d.: cap. 8). Com a mudança dos costumes, um pai aparentemente liberal deixa passar nos chistes e nas conversas reservadas a preferência por um filho “durão”, mas tem dificuldades de lidar com o seu lado sensível. Por exemplo: um pai deu um carro para o filho após terminar o “terceirão”, mas não teve a mesma atitude generosa de reconhecimento para com a filha, que entrou num concorridíssimo curso de uma prestigiada universidade. Como será que ela se sentiu? Outro caso, um pai não conseguia valorizar a escolha do filho por uma faculdade ligada às artes, não porque ele entendia ser uma escolha “feminina”, mas porque não tinha mercado garantido. Aqui, o mecanismo de racionalização e aparente pragmatismo, camuflam o seu machismo.

Há pais que não poupam carinho “de graça” para os seus filhinhos, enquanto as filhas precisam tornar-se visíveis para receber algum afeto positivo. O fato de as meninas serem mais carentes não é totalmente negativo para o desenvolvimento de suas personalidades porque essa falta essencial pode gerar nelas um forte desejo de estudar e de se esforçar para ganhar a concorrência profissional. As mulheres são hoje quase 60% das vagas nas faculdades do Brasil. Elas hoje ultrapassaram os homens ocupando vagas nas universidades e se destacando nas diversas profissões de nível superior. Contudo, ainda há um número significativo de mulheres que terminam desistindo de fazer carreira profissional porque os valores machistas assimilados exercem pesada influência nelas para terem como única meta de vida um bom casamento, ou seja, para serem dependentes eternas de um marido “machão”. Novelas de época, como a atual “Alma gêmea”, demonstra tais valores sendo predominantes.

Meu recado para as mães é: parem de fazer do filho um machista, porque a vítima pode ser você, a família, toda a sociedade e ele próprio.

Referências
BADINTER, E. Sobre a identidade masculina. Rio: N. Fronteira, 1993.
JULIEN, P. A feminilidade velada: Aliança conjugal e modernidade. Rio: Companhia de Freud, 1997.
MATARAZZO, M. H. Nós dois: As várias formas de amar. São Paulo: Gente: s.d.

RAYMUNDO DE LIMA é Psicanalista, Doutor em Educação (USP) e professor do Departamento de Fundamentos da Educação da UEM. Publicado originalmente na REA, n. 57, fevereiro de 2006, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/057/57lima.htm
[1] Segundo pesquisa de Lídia Weber (UFPR), 45% dos pais são negligentes e 12% são permissivos. Em ambos, o pai deixou de ser “lei”, o primeiro, por irresponsabilidade ou desinteresse e, o segundo, porque se renderam ao autoritarismo dos filhos. Os restantes: 33% são pais participativos e 10% são autoritários.
[2] O filme “Osama” bem ilustra a invisibilidade e crueldade sobre as mulheres no domínio dos talebans, no Afeganistão.

(Fonte: http://espacoacademico.wordpress.com/2014/04/19/o-machismo-das-maes/)

sábado, 19 de abril de 2014

Executivos dos EUA ganham 331 vezes mais do que um trabalhador médio

De todos os países do Ocidente, o que registra maior disparidade entre renda hoje em dia é os Estados Unidos, segundo várias medições e levantamentos. 

Jim Lobe - IPS.


Uma pesquisa divulgada nesta semana pela maior federação sindical dos Estados Unidos conclui que os diretores executivos das principais corporações do país ganharam 331 vezes mais dinheiro do que um trabalhador médio em 2013.

Segundo a base de dados de 2014 da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO, na sua sigla em inglês), os executivos de 350 empresas do país ganharam em média 11,7 milhões de dólares no ano passado, em comparação com um trabalhador médio, que recebeu 35.293 dólares.

Esses mesmos chefes tiveram, aproximadamente, uma renda 774 vezes maior que os trabalhadores receberam no salário-mínimo federal por hora, 7,25 dólares, pouco mais de 15 mil dólares ao ano, de acordo com a base de dados.

Outra pesquisa das principais 100 corporações norte-americanas divulgada no domingo, 13, pelo New York Times concluiu que os ganhos médios de uma liderança dessas empresas no ano passado foi ainda superior: 13,9 milhões de dólares.

Esse relatório, o Equilar 100 CEO Pay Study, determina que, ao todo, esses altos executivos ganharam 1,5 bilhão de dólares em 2013, ainda mais do que no anterior. Como nos últimos anos, quem teve mais dinheiro foi Lawrence Ellison, diretor-executivo da Oracle: 78,4 milhões de dólares.

Os dois estudos, divulgados enquanto dezenas de milhões de pessoas fizeram sua declaração anual de impostos, colocam lenha no acalorado debate sobre o aumento da desigualdade de renda nos EUA. Esse fenômeno saltou para o primeiro plano com o movimento Occupy Wall Street de 2011.

O presidente Barack Obama a descreveu como “o desafio que define nosso tempo”, enquanto começa a campanha pelas eleições legislativas de meio de mandato. Ele tentou dar uma resposta aumentando o salário-mínimo e aumentando os benefícios por desemprego e o pagamento de horas extras aos trabalhadores federais, entre outras medidas.

O fato de Obama ter colocado como alvo a desigualdade e os perigos que ela traz lhe fez ganhar certo respaldo intelectual, inclusive teológico, nos últimos meses. Em uma revisão de sua tradicional ortodoxia neoliberal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um estudo no último mês sobre os efeitos negativos da desigualdade no crescimento econômico e na estabilidade política.

A diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, advertiu que a desigualdade cria “uma economia da exclusão” e que ameaça “o valioso tecido que mantém nossa sociedade unida”. O papa Francisco também se pronunciou reiteradamente sobre os perigos que a desigualdade econômica pode provocar em uma reunião privada que realizou com Obama no mês passado no Vaticano.

O relatório “Global Risks” do Fórum Econômico Mundial, publicado em janeiro, argumenta que a marcante desigualdade de renda será o maior risco para a estabilidade mundial na próxima década.

Neste contexto, um novo estudo do economista francês Thomas Piketty, “O capital no século XXI”, que compara a desigualdade de hoje com a do final do século XIX, recebe críticas favoráveis em praticamente todas as publicações dominantes. A obra se baseia em dados de dezenas de países do Ocidente se remetendo aos dois séculos. Piketty expõe a necessidade de medidas radicais de redistribuição como um “imposto mundial ao capital” para reverter as atuais tendências em direção a uma maior desigualdade. O autor está em Washington para discorrer diante de especialistas de vários centros de pesquisa.

A sentença da Suprema Corte de Justiça que, no começo do mês de abril, ampliou os limites das contribuições que os opulentos podem fazer aos partidos políticos e às campanhas eleitorais faz com que muitos temam que a democracia norte-americana vá por um caminho que leve a uma plutocracia.

De todos os países do Ocidente, o que registra maior disparidade entre renda é os Estados Unidos, segundo várias medições. Em seu livro, Piketty mostra que esta atual desigualdade dos Estados Unidos ultrapassa a que a Europa tinha em 1990.

A diferença de 331 para um entre o que os 350 diretores executivos e o trabalhador médio ganham é coerente com a brecha salarial característica da última década. Tal realidade contrasta drasticamente com a que existia depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1950, por exemplo, os salários dos diretores das corporações eram 20 vezes maiores que os dos trabalhadores.

Em 1980, antes de o governo de Ronald Reagan (1981-1989) começar a implementar suas políticas econômicas da “magia de mercado”, tinha que multiplicar por 42 o salário de um trabalhador para obter o de um alto executivo, segundo Sarah Anderson, estudiosa veterana de compensações do Instituto de Estudos Políticos de Washington.

 “Não acredito que ninguém, com exceção talvez de Larry Ellison, possa dizer que os gerentes de hoje são uma forma evoluída dos homo sapiens em comparação com seus predecessores de 30 ou 60 anos atrás”, zombou Bart Naylor, promotor de políticas financeiras da organização Public Citizen.

 “Os que criaram a indústria farmacêutica e a da alta tecnologia... eram altos executivos e não drenavam a economia do modo como os executivos de hoje fazem”, disse à IPS.

“O maquinário de recompensas aos executivos está arruinado”, acrescentou.

 O mortificante para os sindicalistas é que muitas dessas empresas argumentam que não podem se dar ao luxo de aumentar os salários de seus trabalhadores.

“Pay Watch chama atenção sobre o nível caótico de compensações dos diretores executivos, enquanto os trabalhadores que criam esses lucros corporativos não conseguem sequer receber o suficiente para cobrir gastos básicos”, disse o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka.

“Considerem os benefícios da aposentadoria do presidente da companhia Yum Brands, que possui o KFC, Taco Bell e Pizza Hut: mais de 232 milhões de dólares, com impostos diferidos”, disse Anderson.

“É bastante obsceno para uma corporação que emprega mão de obra barata”, completou.

Atualmente, o Congresso legislativo considera várias medidas para abordar o assunto, apesar de a maioria contar com a oposição dos republicanos, que são maioria na Câmara dos Representantes.

Entretanto, um projeto tributário apresentado pelo presidente do poderoso Comitê de Meios e Arbítrios da casa pode colocar fim a uma clara injustiça, a que exime os executivos de pagar impostos pelos “honorários por desempenho” que recebem quando cumprem metas estabelecidas pela diretoria da empresa.

Além disso, a Comissão Nacional de Valores começa a aplicar uma norma pendente há tempos que exigirá que as corporações que têm ações na bolsa revelem os salários de seus diretores executivos, comparados com os de seus empregados em tempo integral, parcial, temporário e sazonal, tanto norte-americanos como estrangeiros.


Tradução: Daniella Cambaúva

(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Executivos-dos-EUA-ganham-331-vezes-mais-do-que-um-trabalhador-medio/7/30751 )

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mais mentiras... agora da "nova política" do PSB


O valor das promessas de Eduardo Campos

16 de abril de 2014 | 11:31 Autor: Fernando Brito
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Aristóteles dizia que a única vantagem dos mentirosos é a de que ninguém acredita neles, mesmo se disserem a verdade.
Na campanha eleitoral, Eduardo Campos arrisca-se a ficar numa situação assim.
Afinal, a matéria da Época, com direito a fotografia posada e entrevista – cuja abertura reproduzo aí em cima – dá a qualquer um o direito de pensar que qualquer coisa que ele diga tem tanto valor quanto o que disse em dezembro de 2012 – apenas 16 meses atrás – quando afirmou taxativamente que não seria candidato e apoiaria Dilma Rousseff.
Quando li a dica no Conversa Afiada, fui atrás da matéria e vi o seu conteúdo estarrecedor.
Leia só:
ÉPOCA – Então, o senhor apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014?
Campos –
 Não há dúvida, não. Qual é a dúvida? Estamos na s base de sustentação. Não tenho duas posições. Quem defende a presidenta Dilma neste momento deseja cuidar em 2013 do Brasil. Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma. Claro. Por que não vamos estar com Dilma? Nós rompemos com Dilma? Saímos do governo de Dilma? Saímos da base dela? Você conhece algum programa criado pelo PSB constrangendo algum programa, alguma decisão da presidenta Dilma? Não existe nenhum. 

Pois enquanto dizia isso, já estava em plena articulação para trair o que ele próprio dizia e, em fevereiro, já colocava a questão dentro do PSB de forma a incomodar seu então colega, o Governador do Ceará,  Cid Gomes dizer que deixaria o partido se fosse imposta esta decisão porque  dava “a impressão de que vamos ficando enquanto as coisas estão dando certo e, se na última hora derem errado, nós saímos.”
Então, a gente tem de admitir que, nos debates eleitorais, aconteçam diálogos assim:
Eduardo Campos: vou moralizar a política.
Eleitor: igual o senhor ia apoiar a Dilma?
Perto de Eduardo Campos, Marina Silva é fidelíssima.
Ao menos nunca disse que ia apoiar Dilma, mesmo se voltando contra a escolha de quem lhe deu tudo, o Presidente Lula.
A “nova política” de Eduardo Campos foi inaugurada por Judas Iscariotes.
(Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=16767)

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Colunista da Globo acusa mãe de Eduardo Campos de morar em imóvel do Senado sem pagar

Ocolunista Ilimar Franco, de O Globo, deu nesta terça-feira (15) uma nota sobre a suposta ocupação irregular de um imóvel do Senado por Ana Arraes, ministra do TCU e mãe do ex-governador Eduardo Campos (PSB).
Chamando a suposta estadia gratuita de Ana Arraes de “mamata”, o colunista informou que a ministra se recusou a pagar pelo uso do imóvel.
Ana Arraes foi deputada federal por dois mandatos, deixando de ser parlamentar para assumir o cargo de ministra do TCU, após ser eleita pela Câmara de Deputados, em uma articulação promovida pelo agora presidenciável Eduardo Campos.
A deputada Teresa Leitão, presidente do PT de Pernambuco, como já fez em outros episódios controversos envolvendo o ex-governador, deve perguntar “Será que é coisa da nova política ?”
Veja a íntegra da nota em O Globo:
“Mamata
A ministra do TCU, Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos (PSB), mora de graça num imóvel do Senado desde agosto de 2012. Em maio de 2013, o Senado decidiu cobrar aluguel dos apartamentos ocupados por pessoas que não são de seus quadros. A ministra, que tem a tarefa de fiscalizar os gastos alheios, não se dispôs a pagar pelo uso do imóvel.”
(Fonte: http://www.jornaldeluzilandia.com.br/txt.php?id=30131)

A mentira da Cemig e do PSDB ao povo mineiro


Os videos citados no texto podem ser vistos aqui:

http://tijolaco.com.br/blog/?p=16796

 

Ufa! Finalmente alguém largou o controle remoto. Aneel foi à TV desmascarar mentiras da Cemig-PSDB

17 de abril de 2014 | 06:55 Autor: Fernando Brito
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Ontem, a gente publicou aqui o vídeo mentiroso – vamos parar de ter medo da palavra, não é?- veiculado pela Cemig nas emissoras de TV de Minas Gerais, apontando a Aneel e o Governo Federal pelo reajuste que ela própria pediu nas tarifas de luz dos mineiros.
Hoje, publica a resposta, imediata e dura, que a Aneel deu a esta farsa, com um comercial esclarecendo quem pediu aumento, de quanto, o quanto foi autorizado e a explicação de que, desejando, o governo de Minas não precisa sequer aplicar este valor.
É que a Aneel só deu autorização para menos a metade dos brutais 29,74% solicitado pela empresa do Governo de Minas, aquela que tem dinheiro em caixa para se candidatar a comprar usinas na Colômbia.
De quebra, o anúncio da Aneel mostra que o Governo mineiro é o que mais encarece a conta de luz, com a maior alíquota de ICMS sobre energia do país.
É isso aí.
Finalmente alguém compreendeu que tem hora que é preciso largar o controle remoto e passar a mão numa boa e velha borduna.
Lá no final, coloco, para quem não viu, o criminoso “comercial” da Cemig.
Mas, antes, porque parece ser a primeira reação à altura tomada por um órgão deste Governo, desde a aposentadoria do blog da Petrobras,  contra a campanha de manipulação com que procuram engabelar o povo brasileiro
O vídeo e a transcrição de seu texto, enquanto aplaudo de pé que ainda exista alguém com brios na propaganda oficial:
“É falsa a afirmação da CEMIG de que o reajuste na conta de luz dos mineiros é decidido pelo Governo Federal. Na verdade, a CEMIG pediu à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) um reajuste de 29,74%nas contas de luz dos consumidores mineiros. A Aneel autorizou 14,24%.
“Ressalte-se que este é o índice máximo. O reajuste nas contas de luz pode ser menor por decisão da CEMIG e do governo mineiro. Hoje grande parte dos consumidores mineiros paga uma alíquota de até 30% de ICMS na sua tarifa de energia, o maior índice do país.
“Foi a ação do Governo Federal que fez com que, no ano passado, os consumidores de todo o país tivessem uma redução média de 20,2% no valor da conta de luz.”.
E aqui, o vídeo sem-vergonha veiculado pelo Governo mineiro, “empurrando” o reajuste que pediu para o colo do Governo Federal.

Em tempo: leio no Painel que ao governo  vai partir “para cima do governo de Minas e da Cemig pela propaganda em que a estatal de energia mineira responsabiliza o governo federal pela alta de 14% na tarifa elétrica. A AGU vai acionar o Estado governado pelo PSDB na Justiça Eleitoral por uso da máquina pública e no Conar por propaganda enganosa”. É isso: ninguém se põe de pé sem buscar seus sentimentos de honra e dignidade.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nova edição da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico
v. 13, n. 155 (2014): Revista Espaço Acadêmico, 155, abril de 2014
Sumário
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/view/883
DOSSIÊ - FILOSOFIA DA CIDADE (Org.: Prof. Dr. Renato Bittencourt)
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Absurdo e desespero na cidade (01-13)
        Wellington Lima Amorim

A intensidade da cidade e sua violação pela privatização empresarial da
administração pública associada ao militarismo policial (14-27)
        Renato Nunes Bittencourt

Redes urbanas de mobilização digital (28-38)
        Salvatore Barreto Benvenuto

Copacabana e o espírito do lugar: reflexões sobre a celebração da vida
no Rio de Janeiro contemporâneo. (39-47)
        Alessandra de Figueredo Porto

ciência & tecnologia
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Educação: necessidade corporativa e determinante humano (48-50)
        Antonio Mendes Silva Filho

economia
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Os alicerces econômicos do Brasil atual: heranças de Fernando Henrique
Cardoso para seus sucessores (51-60)
        Giordano Carlo Paiola

Crescimento econômico: um fetiche numérico (61-72)
        Roney Gusmão do Carmo

educação
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A obrigação de ir à escola ou o direito à ignorância? (Ou uma
reflexão sobre o direito de estudar em paz) (73-80)
        Raymundo de Lima

educação & prática de ensino
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Questões contemporâneas sobre o ensino de Economia Doméstica no Brasil:
61 anos depois (81-86)
        José Carlos do Amaral Junior

educação superior
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Educação Superior: realidade mundial e brasileira (87-95)
        Máximo Alessandro Mendes Ottoni, Marília Borborema Rodrigues Cerqueira

religião & sociedade
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Breve discussão sobre o ?nascimento? dos santos populares no Brasil:
estudo de alguns casos (96-105)
        Raylinn Barros da Silva

sociologia urbana
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Projeto PAC ?Contorno Norte? de Maringá: os impactos da obra e o
aprofundamento do processo de segregação socioespacial na Região
Metropolitana de Maringá (106-122)
        Felipe Fontana, Fernanda Martins Valotta

resenhas & livros
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Contradebates sobre a democracia venezuelana (123-125)
        Daiane Gobbi Tretto, Eloi Martins Senhoras

PINHEIRO, Milton (org.) Ditadura: o que resta da transição. São Paulo:
Boitempo, 2014, 376p. (126-127)
        REA Editor

SOUZA, Mario José de. Políticas públicas para o campo científico.
Maringá, Eduem, 2013, 87p. (Prefácio: Walter Praxedes) (128)
        REA Editor

Twitter anti-Cuba: uma gota d’água no oceano?



Documentos de Edward Snowden revelam: EUA e Reino Unido promovem manipulação incessante da internet, para desestabilizar governos “inimigos”
Por Cauê Seignemartin Ameni
No início de abril, a agência de notícias Associated Press fez a mais recente revelação envolvendo ações encobertas dos EUA para promover o dissenso em Cuba. A ferramenta, chamada de ZunZuneo, é uma espécie de Twitter que disparava mensagens de celular (SMSs). Chegou a ser utilizada por cerca de 40 mil cubanos. Na aparência, visava promover a troca de notícias sobre esportes, música e clima. Mas tinha como objetivo original corroer a credibilidade do regime, instigando uma “primavera cubana” . Foi criado pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), organização supostamente voltada para ajuda humanitária. Era, contudo, apresentado como plataforma privada, isenta de vínculos com Estados — especialmente o norte-americano…
Há uma semana (em 7/4), a trama complicou-se. De acordo com os documentos revelados pelo jornalista Glenn Greenwald, esta prática não se restringe apenas à ilha caribenha. As agências de inteligência norte-americana (NSA) e britânica (GCHQ) trabalham há anos num esforço conjunto para manipular opinião pública nas principais redes sociais de alcance mundial como Twitter, Facebook e Youtube. “Esse tipo de operação é frequente nas agências de inteligência ocidentais, que se infiltram secretamente nas mídias sociais para disseminar ‘propaganda’, ‘mensagens em massa’, e ‘promoção de notícias’ (…) difundindo disfarçadamente pontos de vista amigáveis aos interesses ocidentais e espalhando informações falsas ou prejudiciais contra alvos”. Isso aparece repetidamente em todos os documentos da NSA vazados pelo ex-agente Edward Snowden, relata Greenwald na nova publicação digital onde é editor, The Intercept.
Documentos publicados há semanas, na estréia da revista (ver nossa tradução Como os governos ocidentais manipulam a internet), expõem a agressividade da GCHQ em manipular a rede mundial de computadores. Já o material que Greenwald trouxe à luz em 7/4 – uma apresentação interna, para membros desta agência de espionagem e suas congêneres de países anglo-saxões — revela alguns detalhes das ações. Uma delas, bastante sugestiva, é chamada de “colheita de credenciais” [credential harvesting]. Por meio de espionagem eletrônica, os agentes procuram “identificar jornalistas não-britânicos que poderiam ser manipulados, para produzir informações no âmbito de uma campanha sigilosa”.
Para Greenwald, este tipo de ação ameaça “a própria integridade da internet”: “um usuário comum da rede tem pouquíssima — ou nenhuma — condição de saber se as mensagens que lê são propaganda produzida secretamente por governos”. Ainda segundo ele, “é precisamente por isso que [tal tipo de manipulação] é tão atraente para as agências de espionagem, tão poderosa e tão perigosa”

(Fonte: http://outraspalavras.net/blog/2014/04/14/twitter-anti-cuba-uma-gota-dagua-no-oceano/)