domingo, 21 de junho de 2015
Internet: o que você assina sem ler
Um repórter britânico atreveu-se a examinar, por uma semana, os “termos de uso” de todos os serviços que utiliza na rede. O que descobriu vai do bizarro ao trágico
Por Gabriela Leite | Imagem: Tom Fish Burne
A maior mentira da internet: “li e concordo com os termos de uso”. Pudera: quem tem tempo ou paciência para o calhamaço de letras miúdas com texto muitas vezes incompreensível que vem antes de nos cadastrarmos a uma rede social ou instalarmos um programa? O problema é que estamos assinando um contrato sem nos dar conta do que podemos perder. Para entender melhor onde estamos nos metendo, o jornalista Alex Hern, do The Guardian, resolveu se desafiar e escrever sobre isso. Decidiu que leria todos os termos de uso de serviços que fosse usar, em uma semana.
O que primeiro chama a atenção, em seu relato, é a quantidade de tempo perdida com leituras maçantes. Segundo ele, toda sua leitura da semana junta — incluindo termos do Facebook, celular e até videogame — equivaleria a um livro com mais ou menos três quartos do tamanho de Moby Dick, livro do norte-americano Herman Melville que pode ser colocado de pé. Hern conta sobre como a Apple, tão conhecida pelo design e usabilidade de seus aparelhos e sistemas, é a que tem pior texto, com alguns blocos todos em letra maiúscula, impossível de ler — e, pior de tudo, desatualizado.
Isso é detalhe perto do problema real dos termos de uso. Afinal, tecnicamente, a empresa pode escrever o que quiser, sabendo que a imensa maioria dos usuários vai concordar sem ler. É comum que elas escrevam, por exemplo, que não garantem a qualidade ou mesmo o funcionamento de seu serviço — Hern dá como exemplo disso, seu provedor de internet.
Mas a questão pode ser ainda mais complicada quando tratamos de privacidade ou direitos autorais. Alguns casos ficaram famosos, como quando foi descoberto que o Facebook vendia os dados de seus usuários para empresas. Além dele, o Twitter também diz, em seus termos (mais bem escritos, segundo Hern), que pode utilizar os textos dos twits publicados nele: “você nos outorga uma licença mundial gratuita, não exclusiva (com direito a sublicenciar) para usar, copiar, reproduzir, processar, adaptar, modificar, publicar, transmitir, exibir e distribuir esse Conteúdo em qualquer e em todos os tipos de mídia ou métodos de distribuição”.
Os termos de uso, conclui Hern, não são nada diferentes de um contrato que você está firmando sem saber e sem poder, ao menos, barganhar. Ainda mais quando se trata de serviços gratuitos como redes sociais — onde, como se diz, se você não está pagando, é porque não é o cliente, mas o produto… Mas termos de serviço também vêm em celulares e videogames. Hern resolveu ler o contrato de seu videogame Playstation, da Sony. Descobriu que uma das sanções que a empresa aplica para dezenas de comportamentos considerados “errados” (que vão desde piratear a simplesmente não atualizar o sistema) pode ser a inutilização completa do aparelho — seu console passa a virar um mero tijolo ao lado da televisão.
Mas o que fazer, então, se não há outra opção senão concordar? Não há saída fácil, mesmo existindo, ao redor mundo — inclusive no Brasil — leis que permitem anular cláusulas abusivas de um um contrato que não pode ser negociado, mesmo que você o tenha assinado. Ler os termos, termina Hern, no final das contas, não serve para nada — melhor nem ler, mesmo. Mas Agustín Reyna, da BEUC, organização de direitos do consumidor europeia, é otimista. Ela mostra que existiram grandes protestos de usuários que conseguiram fazer empresas voltar atrás em termos abusivos. Foi o caso do Instagran, que desistiu de impor um contrato de uso segundo o qual ele próprio “assumia” o direito de vender, para fins publicitários, as fotos postadas pelos usuários…
Para a especialista, as empresas não deverão seguir com esses contratos não transparentes por muito tempo, pois isso afeta sua confiança e espanta usuários — principalmente após as preocupações com privacidade que só têm crescido. Mas Hern questiona: você vai mesmo deixar de usar o Facebook se ele incluir um novo termo agressivo aos seus direitos? Depois de todos esses anos?
(fonte: http://outraspalavras.net/blog/2015/06/18/internet-o-que-voce-assina-sem-ler/)
sábado, 20 de junho de 2015
A campanha do colesterol é o maior escândalo médico do nosso tempo
Eu já tinha lido a respeito das estatinas, que não devem ser usadas. Pelo sim, pelo não, mais alguns comentários...
Entrevista a Uffe Ranskov, investigador dinamarquês e fundador da
Liga Internacional dos Céticos do Colesterol que defende que o
colesterol alto não é causa mas apenas um sintoma das doenças
cardiovasculares.
Por BÁRBARA BETTENCOURT
Como começou o seu interesse no colesterol?
Quando a campanha anti-colesterol começou na Suécia, em 1989, fiquei surpreendido porque nunca tinha visto indicações na literatura médica que mostrassem que o colesterol elevado ou as gorduras saturadas fossem prejudiciais. Como sabia pouco do assunto comecei a ler de forma sistemática e rapidamente percebi que o rei ia nu.
Parece haver uma guerra de estudos nesta matéria...
Quase todas as pesquisas nesta área são pagas pelas farmacêuticas e pela indústria das margarinas. É também um facto triste que muitos investigadores que mostraram que o colesterol elevado não é mau, não o percebam eles próprios. Por exemplo, dois grupos de investigação norte-americanos mostraram recentemente que o colesterol de doentes que deram entrada no hospital com ataque cardíaco estava abaixo do normal. Concluíram que era preciso baixar o colesterol ainda mais. Um dos grupos fez isso mesmo. Três anos depois tinha morrido o dobro dos pacientes a quem tinham baixado o colesterol, comparativamente aqueles em que o colesterol foi deixado na mesma.
Se o colesterol não tem influência na doença coronária como se explica que haja tantos estudos a mostrar efeitos positivos das estatinas em pessoas com historial de doenças coronárias?
A razão prende-se com o facto das estatinas terem outros efeitos, anti inflamatórios, além de baixarem o colesterol. O seu pequeno benefício só foi demonstrado em pessoas jovens e homens de meia- idade que já tiveram um ataque cardíaco. Nenhum ensaio de estatinas foi capaz de prolongar a vida às mulheres ou pessoas saudáveis cujo único ‘problema’ é terem o colesterol alto. E há mais de 20 estudos que demonstram que pessoas mais velhas com colesterol vivem mais tempo.
Há quem não desvalorize completamente o papel do colesterol, nomeadamente o LDL, mas enfatize a importância do tamanho das partículas.
O investigador norte-americano Ronald Krauss descobriu que o LDL existe em vários tamanhos e que um número elevado de partículas pequenas e com maior densidade está associado a um maior risco de ataque cardíaco, enquanto que um numero alto de partículas de LDL grandes está associado a um risco menor. Também demonstraram que ao comer gordura saturada o número de partículas pequenas no sangue descia e que o número das grandes subia. Isto não significa que as partículas pequenas sejam a causa dos ataques cardíacos. Haver uma relação não implica que seja de causa efeito. O que estes estudos demonstraram foi que comer gorduras saturadas não causa doenças coronárias. De qualquer forma, uma análise do colesterol diz pouco. O nível de colesterol depende de muitas coisas. O stresse pode aumentar o nível de colesterol em 30% a 40% em meia hora.
Diz ainda que as gorduras saturadas não são um problema mas sim a comida processada, com gorduras hidrogenadas, e o açúcar...
Sim, o triste é que até os autores do mais recente relatório da OMS/FAO admitiram que a gordura saturada é inocente e apesar disso continuam com as recomendações de dietas com baixos teor de gordura e altos teores de hidratos de carbono. O relatório diz ‘As provas disponíveis de ensaios controlados não permitem fazer um juízo sobre efeitos substantivos da gordura na dieta no risco de doença cardiovascular’. Na Suécia, milhares de diabéticos obesos puderam deixar a medicação para a diabetes evitando os hidratos de carbono e comendo alimentos ricos em gordura saturada.
O que recomenda às pessoas relativamente à toma de estatinas?
Não usem estatinas! O seu benefício é mínimo e o risco de efeitos adversos é muito mais alto do que o que as farmacêuticas dizem. Vários investigadores independentes mostraram que há problemas musculares em 25 a 50% das pessoas, especialmente nos mais velhos. Pelo menos 4% ficam com diabetes e parece haver também ligação a perdas de memória ou Alzheimer. Os problemas de fígado também são um risco. A campanha do colesterol é simplesmente o maior escândalo médico do nosso tempo.
(fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/%E2%80%9Ccampanha-do-colesterol-e-o-maior-escandalo-medico-afirma-investigador-dinamarques)
A “coleção de bonequinhos” do Doutor Moro. Personagens novos, sempre às sexta-feiras
Fernando Brito, no Tijolaço
Não tenho nenhuma razão para defender a Odebrecht e acho que pouquíssimos – ou nenhum – empreiteiro entraria no reino dos Céus.
Mas o que está acontecendo é uma insanidade.
Prisão “temporária” a esta altura do campeonato, não pode alegar risco de destruição de provas ou fuga para o exterior, porque estes camaradas têm tempo e recursos de sobra para terem feito isso nos sete meses desde que Moro mandou prender a primeira leva de dirigentes das empresas e nenhum deles mais poderia achar que não estivesse sujeito à mesma ação.
Aliás, há uma singular coincidência na prisão de empreiteiros às sextas feitas: foi assim com aquele lote inicial (sexta, 14 de novembro), foi com o presidente da Galvão Engenharia, Dario de Queiroz Galvão, preso na sexta, 27 de março) e agora com Marcelo Odebrecht, nesta sexta.
Certamente isso não tem qualquer relação com ser o dia do fechamento da edição da Veja ou com o fato de criar mais dificuldades à impetração de habeas-corpus.
Muito menos seria possível imaginar que isso tivesse relação com as declarações de Odebrecht, num evento promovido pelo jornal Valor(Folha +Globo), dizendo que estava sendo colocado no fogo cruzado de interesses políticos.
Tudo isso pode, afinal, entrar na conta da “teoria da conspiração”, tanto quando pode entrar a ideia de que Moro esteja, com a prisão, “retaliando” a decisão do STF de soltar os seus primeiros “bonequinhos” depois de seis meses de um tipo de prisão que, em regra, está limitado a cinco dias.
A menos que estejamos diante de “medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”, como escreveu, em seu voto, o austero Ministro Teori Zavascki.
O fato concreto é que os dados objetivos para a decretação de prisão preventiva ou temporária – destruição de provas, falta de residência física, risco de fuga ao exterior, continuidade delitiva (será que a Odebrecht estaria dando algum para o Youssef em cana ou para o Paulo Roberto Costa, em casa?) – parecem, simplesmente, impossíveis de existir.
O que existe, porém, é a paralisia de tudo o que as maiores empresas de obras e de petróleo brasileiras possam estar fazendo com o Governo brasileiro ou com a Petrobras.
Ponha-se no lugar de diretor de uma delas ou de gestor público. Você iria negociar qualquer coisa, por mais legítima que fosse? Um pagamento, um desconto, um acréscimo por extensão ou modificação em detalhes de um contrato?
Claro que não, não é?
Todos eles se sentem numa prateleira, à disposição do Dr. Moro para, numa sexta-feira qualquer, irem para o xilindró.
E, então, figure-se no lugar de um desembargador federal ou de um ministro do Supremo que tenha de analisar um habeas corpus para sua soltura?
Mesmo que concorde com os argumentos, vai soltar de plano, como faria em outros casos, e ser execrado pela mídia, sujeito à execração como se o estivesse fazendo porque o corpus é de um “empreiteiro da Lava Jato”?
Acabou-se toda aquela história de ritos discretos da Justiça e aplicação responsável do poder do Juiz.
Importa é manter a paralisia pelo terror.
O que vale é a mídia, e está acabado.
O PT é o “ceguinho republicano”, mas Lula vê o obvio: ele é o próximo alvo de Moro
Por Fernando Brito
Da Folha de hoje:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Guiterrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato. Lula também reclamou nesta sexta-feira (19) do que chamou de inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação.Ainda segundo seus interlocutores, Lula se queixa da atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que teria convencido Dilma a minimizar o impacto político da operação.”
Ainda bem que o Lula está vendo o obvio, como até este blog, que só tem um tiquinho mais de visão que o Cego Aderaldo, enxerga há meses e, ontem mesmo reafirmou: o alvo é Lula, porque Lula é o grande prêmio de um processo que é, embora haja ladroagem de gente que teve alta posição na Petrobras, conduzido de forma descaradamente política.
E – perdão pela grosseria da palavra – os babacas do PT não percebem que se montou uma “República do Galeão”, como em 1954, com o Dr. Moro, o MP local e a Polícia Federal desempenham o papel dos coronéis udenistas de 60 anos atrás.
De lá, só se sai se “cooperar”, incriminando o “chefe”. E, depois de meses de cana, empreiteiro acostumado à tripa-forra, acusa até a própria mãe.
O grave é que isso está acontecendo em um país com plena normalidade institucional, embora o Judiciário e o Executivo vivam uma inconcebível anomia: existem normas, mas não se lhes dá o devido valor, e segue sem reação a pratica as condutas por elas proibidas, como se tais normas não existissem.
Ninguém reage, e mesmo percebendo que o lobo ronda o terreiro, dedicam-se a um cândido e virginal republicanismo tecnocrático.
Querem ver? Abro então espaço para uma trágica gargalhada:
“Para petistas, os desdobramentos podem afetar o caixa do partido e por em xeque a prestação de contas da campanha da presidente. A detenção de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo colocou a cúpula do PT em “estado de alerta” e preocupa o Palácio do Planalto pelos efeitos negativos na economia.
Para assessores do ministro Joaquim Levy (Fazenda), o “ritmo da economia, que já está fraco, ficará mais lento”.
No entanto, a estratégia adotada pelo partido e pelo governo foi a de afirmar que, dada influência das duas empreiteiras, a investigação atingirá as demais siglas, incluindo o PSDB.
Nessa linha, um ministro citou o nome da operação “Erga Omnes” (expressão em latim que significa “para todos”) para afirmar que não só o PT será afetado.”
Estes caras estão com a cabeça aonde?
Será que esqueceram que estão no governo por uma simples, única e singela razão, chamada Luiz Inácio Lula da Silva?
Será que não entendem que são caudatários do projeto popular que ele encarna? Que não têm um pingo de luz própria?
Efeitos negativos na economia? Atingirá o PSDB?
O que mais? Papai Noel, Saci, E.T de Varginha?
Será que não percebem que há um processo de desestabilização da democracia e demolição do governo eleito acontecendo no Brasil como, aliás, em toda a América Latina, para reverter a afirmação continental das últimas duas décadas?
Se são tão tolos, um lembrete: Lula não precisa do Governo para sobreviver politicamente.
Mas eles precisam de Lula, embora comece a parecer que não acham isso.
(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=27693)
Da Folha de hoje:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Guiterrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato. Lula também reclamou nesta sexta-feira (19) do que chamou de inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação.Ainda segundo seus interlocutores, Lula se queixa da atuação do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que teria convencido Dilma a minimizar o impacto político da operação.”
Ainda bem que o Lula está vendo o obvio, como até este blog, que só tem um tiquinho mais de visão que o Cego Aderaldo, enxerga há meses e, ontem mesmo reafirmou: o alvo é Lula, porque Lula é o grande prêmio de um processo que é, embora haja ladroagem de gente que teve alta posição na Petrobras, conduzido de forma descaradamente política.
E – perdão pela grosseria da palavra – os babacas do PT não percebem que se montou uma “República do Galeão”, como em 1954, com o Dr. Moro, o MP local e a Polícia Federal desempenham o papel dos coronéis udenistas de 60 anos atrás.
De lá, só se sai se “cooperar”, incriminando o “chefe”. E, depois de meses de cana, empreiteiro acostumado à tripa-forra, acusa até a própria mãe.
O grave é que isso está acontecendo em um país com plena normalidade institucional, embora o Judiciário e o Executivo vivam uma inconcebível anomia: existem normas, mas não se lhes dá o devido valor, e segue sem reação a pratica as condutas por elas proibidas, como se tais normas não existissem.
Ninguém reage, e mesmo percebendo que o lobo ronda o terreiro, dedicam-se a um cândido e virginal republicanismo tecnocrático.
Querem ver? Abro então espaço para uma trágica gargalhada:
“Para petistas, os desdobramentos podem afetar o caixa do partido e por em xeque a prestação de contas da campanha da presidente. A detenção de Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo colocou a cúpula do PT em “estado de alerta” e preocupa o Palácio do Planalto pelos efeitos negativos na economia.
Para assessores do ministro Joaquim Levy (Fazenda), o “ritmo da economia, que já está fraco, ficará mais lento”.
No entanto, a estratégia adotada pelo partido e pelo governo foi a de afirmar que, dada influência das duas empreiteiras, a investigação atingirá as demais siglas, incluindo o PSDB.
Nessa linha, um ministro citou o nome da operação “Erga Omnes” (expressão em latim que significa “para todos”) para afirmar que não só o PT será afetado.”
Estes caras estão com a cabeça aonde?
Será que esqueceram que estão no governo por uma simples, única e singela razão, chamada Luiz Inácio Lula da Silva?
Será que não entendem que são caudatários do projeto popular que ele encarna? Que não têm um pingo de luz própria?
Efeitos negativos na economia? Atingirá o PSDB?
O que mais? Papai Noel, Saci, E.T de Varginha?
Será que não percebem que há um processo de desestabilização da democracia e demolição do governo eleito acontecendo no Brasil como, aliás, em toda a América Latina, para reverter a afirmação continental das últimas duas décadas?
Se são tão tolos, um lembrete: Lula não precisa do Governo para sobreviver politicamente.
Mas eles precisam de Lula, embora comece a parecer que não acham isso.
(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=27693)
Momento humor
Enquanto esperamos a próxima sexta-feira, dia escolhido pelo juiz Moro para mandar prender alguém e, provavelmente ele deve mandar prender o Lula (afinal, existe outro objetivo da Lava a Jato que não seja esse?) vamos rir um pouco:
(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/)
Lobão desiste de derrubar Dilma e Lula
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
Bem, é só se debruçar sobre o Conclave de Oslo, uma reunião que a extrema direita tenta, desesperadamente, colocar de pé.
Por trás dela estão os suspeitos de sempre: Olavo de Carvalho, Lobão e Gentili. Entre os coadjuvantes estão figuras como o ex-cantor e eterno analfabeto político Ciro Pessoa e o jornalista Claudio Tognolli, que a cada 15 dias anuncia ter bombas que vão sacudir a política nacional.
O objetivo número um é denunciar ao universo a “fraude” que foram as eleições brasileiras.
A primeira pergunta é: por que Oslo? Não havia nenhum lugar mais perto para facilitar e baratear o projeto?
É aí que entra o segundo objetivo: torpedear uma possível nomeação de Lula para o Nobel da Paz. Oslo é onde são definidos e anunciados os concorrentes. Na programação estava incluído até um panelaço anti-Lula na ultracivilizada capital da Noruega.
O encontro estava marcado para o dia 27 de junho, mas “coisas estranhas”, conforme disse Lobão num hangout, aconteceram e o projeto foi modificado às pressas.
Por “coisas estranhas” entenda-se o miserável fracasso na arrecadação de fundos para bancar a viagem dos candidatos a participantes, chamados de “guerreiros” por revoltados online nas redes sociais.
A pedida de dinheiro foi pretensiosa: 150 mil reais. O resultado estacionou em 25% da meta.
Vale a pena gastar uns minutos no Kickante, o site da coleta, para gargalhar. Recomendo, particularmente, que se vejam os prêmios para os contribuintes.
Apelos não faltaram entre as estrelas.
Num certo momento, alguém escreveu no Twitter algo mais ou menos assim: “Pessoal, vamos colaborar. RT não resolve nada.” Sim, porque em retuítes a ideia foi um sucesso.
Alguém replicou, triunfal: “É verdade. Decidi colaborar já. Botei 5 dólares.” De cinco em cinco, você chega no máximo à Avenida Noruega, em São Paulo.
As “coisas estranhas”, num hangout de Lobão, incluíam, pelo que ele deu a entender, um problema técnico no próprio hangout.
As vozes dos três participantes ficavam se cruzando por demorados minutos. Era Dilma tramando, ou Lula.
Os “guerreiros”, sem fundos, estão se recolhendo. Lobão anunciou que ficará no Brasil, na retaguarda, uma posição “muito importante”.
Gentili, “confirmadíssimo”, também já avisou que não irá.
O verão de Oslo terá que se virar sem os “guerreiros”.
Na retaguarda, Lobão terá mais tempo de cuidar de outro projeto de vaquinha virtual, um destinado a bancar seu novo disco.
As coisas não estão indo melhor, aí, do que no Conclave de Oslo. Lobão pediu 80 mil reais, e não chegou ainda a um quarto do solicitado.
Caso você queira ajudar Lobão, aqui vai o endereço. Você poderá ter a honra de assistir ao vivo um ensaio, caso colabore com determinada quantia. Terá a oportunidade também de ganhar palhetas.
Lobão, já quase aos 60, lembra um anedota do goleiro Manga, de meio século atrás. Manga foi jogar no Uruguai. Na volta, estava mudo. Não aprendera espanhol, e esquecera o português.
Lobão esqueceu o que é ser músico, e não aprendeu a fazer política.
Só falta ficar mudo, como Manga.
(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/06/lobao-desiste-de-derrubar-dilma-e-lula.html)
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Encíclica ecológica do Papa Francisco: que mundo queremos deixar para quem vai nos suceder?
Adital
‘Laudato si’, publicada nesta quinta-feira, 18 de junho, é considerada pelo próprio Vaticano o documento pontifício mais importante dedicado à temática da ecologia até hoje, culminando um percurso de reflexão com mais de 50 anos.
O nome foi inspirado na invocação de São Francisco "Louvado sejas, meu Senhor”, que no Cântico das Criaturas recorda que a terra "pode ser comparada ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”.
Ao longo de seis capítulos, o Papa convida exorta todos a uma "conversão ecológica”, a "mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade de um compromisso para com o "cuidado da casa comum”. A encíclica ecológica é dirigida aos/às católicos/as, mas, certamente, pode ser assimilada por todos os cristãos e fieis de outras religiões.
As temáticas tratadas são: as mudanças climáticas; a questão da água; a dívida ecológica; a raiz humana da crise ecológica; e a mudança nos estilos de vida.
Sobre o primeiro tema, o texto de Francisco assinala que as mudanças climáticas são um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicos, políticos, e constituem um dos principais desafios atuais para a humanidade. "O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos”, e o impacto mais pesado da sua alteração recai sobre os mais pobres.
Com relação à questão da água, o Sumo Pontífice afirma, claramente, que o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Ou seja, privar os pobres do acesso à água significa "negar-lhes o direito à vida, radicado na sua dignidade inalienável”.
No âmbito de uma ética das relações internacionais, a Encíclica indica que existe uma verdadeira "dívida ecológica”, sobretudo do Norte em relação ao Sul do mundo global. Diante das mudanças climáticas, portanto, há "responsabilidades diversificadas”, e, certamente, as dos países desenvolvidos são maiores. Francisco se diz impressionado com a "fraqueza das reações” diante dos dramas de tantas populações.
No que diz respeito à raiz humana da crise ecológica, para o Pap, o ser humano não reconhece mais a sua correta posição em relação ao mundo e assume uma posição que ele chama de autorreferencial, centrada, exclusivamente, em si mesmo e no próprio poder. Isso deriva, então, numa lógica do "descartável”, que justifica todo tipo de descarte, ambiental ou humano.
O Papa propõe mudanças nos estilos de vida das pessoas, através da educação e da espiritualidade. Ele prega uma educação ambiental que incida sobre gestos e hábitos quotidianos, da redução do consumo de água, passando pela separação do lixo, até o apagar de luzes desnecessárias. Para Francisco, "uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, por meio dos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo”. O Pontífice recorda, porém, que tudo isto será mais fácil a partir de um olhar contemplativo que vem da fé. "O crente contempla o mundo, não como alguém que está fora dele, mas dentro, reconhecendo os laços com que o Pai nos uniu a todos os seres”.
Trajetória
No início dos anos 1970 do século XX, o beato Paulo VI (1897-1978) já alertava para um "problema social de vastas dimensões”, na carta apostólica escrita para o 80º aniversário da publicação da Encíclia ‘Rerum novarum’. Em 1970, dirigindo-se à Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Paulo VI falou sobre a possibilidade de uma "catástrofe ecológica sob o efeito da explosão da civilização industrial”.
"O gradual esgotamento da camada de ozônio e o consequente 'efeito estufa' que este provoca já atingiram dimensões críticas”, alertava João Paulo II. Em sua Carta Encíclica ‘Centesimus annus’, de 1991, Karol Wojtyła ligou a questão ecológica ao problema do consumismo e ao que definiu como "erro antropológico”. "[O homem] pensa que pode dispor arbitrariamente da terra, submetendo-a sem reservas à sua vontade, como se ela não possuísse uma forma própria e um destino anterior que Deus lhe deu”, observou.
A Encíclica ‘Evangelium vitae’, de 1995, recorda que, em relação à natureza visível, a humanidade está submetida "a leis, não só biológicas, mas também morais, pelo que a crise ecológica é entendida como reflexo de uma crise moral”.
O penúltimo papa, Bento XVI, também deixou intervenções em favor de uma "economia verde” e do respeito pelo meio ambiente, promovendo um desenvolvimento sustentável. Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, de 1º de janeiro de 2007, ele falava, especificamente, sobre o problema do abastecimento energético, alertando para "uma corrida sem precedentes aos recursos disponíveis”.
A água era outra preocupação papal, sendo considerada "um direito inalienável”, que não pode ser privatizado. Foi, sobretudo, na Encíclica ‘Caritas in veritate’, de 2009, que Bento XVI condensou a reflexão sobre a "proteção do ambiente, dos recursos e do clima”, a "monopolização dos recursos naturais” e a "exploração dos recursos não renováveis”.
Bento XVI afirmou que a degradação da natureza está estreitamente ligada à cultura que molda a convivência humana: quando a "ecologia humana” é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental, dado que "respeitar o ambiente não significa considerar a natureza material ou animal mais importante do que o homem”.
A encíclica termina com uma Oração inter-religiosa pela Terra e uma Oração cristã pela criação. A seguir como está a divisão da Encíclica Laudato Si em capítulos:
CAPÍTULO 1: O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A NOSSA CASA(Aquecimento global e contaminação; Contaminação, lixo e cultura do descarte; O clima como bem comum; A questão da água; Perda da biodiversidade; Deterioração da qualidade da vida humana e decadência social; Inequidade planetária; A debilidade das reações; Diversidade de opiniões).
CAPÍTULO 2: O EVANGELHO DA CRIAÇÃO (A luz que oferece a fé; A sabedoria dos relatos bíblicos; O mistério do universo; A mensagem de cada criatura na harmonia de toda criatura; Uma comunhão universal; O destino comum dos bens; A visão de Jesus).
CAPÍTULO 3: A RAIZ HUMANA DA CRISE ECOLÓGICA(A tecnologia: criatividade e poder; A globalização do paradigma tecnológico; Crise e consequências do antropocentrismo moderno; O relativismo prático; A necessidade de preservar o trabalho; A inovação biológica a partir da pesquisa).
CAPÍTULO 4: UMA ECOLOGIA INTEGRAL (Ecologia ambiental, econômica e social; A ecologia cultural; A ecologia humana e o espaço da vida cotidiana; O princípio do bem comum; Uma justiça intergeracional bem entendida).
CAPÍTULO 5: ALGUMAS LINHAS ORIENTADORAS E DE AÇÃO(O diálogo sobre o meio ambiente na política internacional; O diálogo rumo a novas políticas nacionais e locais; Favorecer debates sinceros e honestos; Política e economia em diálogo para a plenitude humana; As religiões no diálogo com as ciências).
CAPÍTULO 6: EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICA (Apostar em outro estilo de vida - educação para a aliança entre a humanidade e o meio ambiente; A conversão ecológica; Gozo e paz; O amor civil e político; Os sinais sacramentais e o descanso celebrativo; A Trindade e a relação entre as criaturas; A Rainha de toda a criação; Mais além do sol).
Leia a Encíclica 'Laudatio si''' completa em: http://w2.vatican.va/content/francesco/es/events/event.dir.html/content/vaticanevents/es/2015/6/18/laudatosi.html
(fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&cod=85438&lang=PT)
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