domingo, 18 de fevereiro de 2018

Estamos caminhando para a volta da ditadura militar? 10 passos preocupantes

#1 Primeiro, grupos conservadores da elite saíram às ruas batendo panelas e exigindo o fim de um governo de esquerda, (re)eleito por maioria de votos, acusado de corrupção.
#2 Depois, houve um impeachment baseado num motivo no mínimo frágil (alguém se lembra das pedaladas?), questionado por entidades internacionais de peso.
#3 Em seguida, um vice assumiu contestadamente o poder, promovendo várias medidas que representaram grande retrocesso para o país.
#4 Vários direitos dos trabalhadores, garantidos desde os tempos de Vargas, foram estraçalhados por esse grupo no poder.
#5 O país foi ficando cada vez mais polarizado, dando margem ao fortalecimento de figuras patéticas como Jair Bolsonaro, fã confesso do coronel Ustra, único militar brasileiro declarado torturador pela Justiça até o momento.
#6 Foi ganhando força, também, discursos reacionários que pregam censura a expressões artísticas, que já se tornaram inclusive projetos de lei.
#7 Um ex-presidente foi julgado e condenado até em segunda instância em tempo recorde, com base em provas também frágeis e, de novo, contestadas por seu caráter político (que, muitas vezes, fez lembrar processo quase idêntico sofrido por JK nas mãos dos militares).
#8 Agora, um general do Exército é nomeado interventor de segurança no Estado do Rio de Janeiro, ganhando “poderes de governo“, nas palavras do ministro da Defesa, pelo menos até o dia 31 de dezembro de 2018. Por meio de um decreto já questionado por juristas, e também por políticos à esquerda e à direita.
#9 Esse general poderá tomar decisões apenas referentes à segurança pública, mas segurança pública pode significar muito mais que tanques andando pelas ruas do Rio: pode resvalar nas escolas e na saúde pública, como bem desenhou Renato Rovai.
#10 Pior: podemos nos preparar para, nos próximos meses, assistir a notícias incríveis mostrando como o Rio se tornou um Estado pacífico e maravilhoso depois da intervenção do Exército sob batuta de Temer. Isso deve ser tão martelado que, daqui a pouco, outros Estados que estiveram recentemente embebidos em violência urbana, como Espírito Santo e vários do Nordeste, poderão, quem sabe, ganhar uma ajudinha de um interventor do Exército. E, se essa moda pega, logo teremos um chefe do Exército em cada uma das 27 unidades da Federação.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2018/02/16/volta-ditadura-militar-preocupa/)

Chuva no sertão. cobiça sobre as águas

No Nordeste, os reservatórios rurais voltam a se encher.  Mas a oligarquia internacional da água vai reunir-se em semanas em Brasília, para tentar ampliar seu controle sobre um dos Comuns essenciais da humanidade
Roberto Malvezzi (Gogó)
Depois de longos anos com chuvas abaixo da média, agora chove por todo sertão do Semiárido Brasileiro. Como cantava Gonzaga: “rios correndo, as cachoeiras tão zoando, terra molhada, mato verde que riqueza e a asa branca à tarde canta, ai que beleza, ai, ai o povo alegre, mais alegre a natureza”.
Os grandes reservatórios ainda estão secos ou muito baixos, mas os reservatórios médios, pequenos e micros, como as cisternas, já estão todos cheios. São eles que importam realmente no cotidiano de nosso povo. As grandes obras têm pouca serventia à população difusa do semiárido. Por isso, o problema da água hoje é mais grave no meio urbano que no meio rural nordestino.

O ciclo das águas é fundamental para todos os mananciais de superfície e subterrâneos. São as chuvas que repõem os rios, lagos e aquíferos. Sem renovação constante do ciclo a vida se interrompe.
É esse alerta dramático que pessoas sábias, cientistas e movimentos sociais fazem ao mundo predador do capitalismo, particularmente ao agro e hidronegócios. Sem Amazônia e sem Cerrado o ciclo de nossas águas estará interrompido, com a extinção dos grandes aquíferos que se localizam no Cerrado e abastecem perenemente rios como o São Francisco, Araguaia e Tocantins.
A Oligarquia Internacional da Água, rótulo que lhe atribui Ricardo Petrella, vai se reunir em Brasília no mês de março. São as grandes transnacionais da água, que querem sua privatização geral, sua mercantilização e sua transformação em um produto comercial qualquer. Essas empresas elaboraram o novo discurso da água, com sua teoria de escassez, valor econômico, privatização e mercantilização como soluções para os problemas hídricos do mundo inteiro.
Ao mesmo tempo se reunirá o Fórum Mundial Alternativo da Água (FAMA) para contrapor ao discurso do capital os valores da água como o biológico, social, ambiental, paisagísticos, etc., recusando a sua privatização e garantindo a água como direito fundamental de toda pessoa humana e de todos os seres vivos.
Essa é uma das guerras mais insanas da humanidade. Num país caoticamente político como o nosso, Temer está realizando a entrega de nossos aquíferos, particularmente o Guarani, para grandes empresas como a Coca-Cola, Nestlé e outras transnacionais da água. Uma tragédia cruel e anunciada.
O golpe chegou também à água.
OBS: Viva a politizada Tuiuti! Nem toda consciência dorme.
(fonte: https://outraspalavras.net/brasil/chuva-no-sertao-cobica-sobre-as-aguas/)

Ninguém conhece os “cientistas da Coca-Cola”

Corporação não quis revelar quais os estudos financiados. Nos Estados Unidos, foram US$ 140 milhões desde 2010. Nestlé, Unilever, Danone e Ajinomoto também não divulgaram informações
Envolvida desde a fundação em controvérsias devido à fórmula secreta do principal produto, a Coca-Cola está habituada a financiar pesquisas científicas que busquem promover benefícios ou deslegitimar efeitos negativos. Nos Estados Unidos, frente a pressões da imprensa, a corporação revelou recentemente a lista de organizações e pessoas que tiveram trabalhos patrocinados.

Aqui, a Coca-Cola Brasil optou por não tornar disponível a O joio e o trigo a lista de pesquisadores que tiveram estudos financiados nesses trópicos. Entramos em contato com a assessoria de imprensa no final de junho de 2017, solicitando uma entrevista a ser feita pessoalmente. Dez dias mais tarde, recebemos a informação de que a conversa seria por telefone. Passadas mais três semanas, tivemos de encaminhar as perguntas por e-mail.

1. Quais são as principais motivações da Coca para financiar pesquisas científicas?
2. Quais os critérios utilizados para definir quais trabalhos receberão apoio da empresa? Via de regra, é a Coca quem escolhe os temas ou os pesquisadores que procuram a Coca? Quais têm sido os temas prioritários? 
3. Quais pesquisadores já receberam apoio da empresa no Brasil? É possível saber o montante de recursos destinados a apoio científico?
4. Como a empresa se relaciona com o ILSI Brasil? E como avalia o papel da organização? É possível saber qual o montante investido no ILSI ou qual o percentual total do orçamento anual do instituto que corresponde à Coca?
5. Nos Estados Unidos, alguns veículos de comunicação têm contestado a relação da Coca com pesquisadores. Como a empresa vê essas críticas? Isso provocou alguma mudança na atuação da empresa no Brasil?
6. Há artigos de revisão indicando que estudos financiados pela indústria de refrigerantes tiveram tendência a não indicar o papel desses produtos na epidemia de obesidade. Qual a opinião da empresa sobre esses artigos?
7. Alguns autores afirmam que pesquisas com ênfase em atividade física buscam desviar o foco sobre as verdadeiras causas da obesidade. Como a empresa tem se posicionado em relação a essa crítica?

Questões parecidas também foram apresentadas a Nestlé, Danone, Unilever e Ajinomoto. Nenhuma delas quis responder.

A Coca-Cola chegou a encaminhar, um mês depois, uma nota curta, mas que ignorava todas as nossas questões.

A Coca-Cola Brasil segue parâmetros rigorosos para patrocínio de pesquisas científicas e apoio a pesquisadores. Nosso interesse na literatura científica se reflete na preocupação de embasar todas as nossas decisões em evidências científicas – principalmente relacionadas à formulação de nossos produtos e ingredientes. Dessa forma, asseguramos que estamos oferecendo bebidas de qualidade às pessoas que escolhem consumir nossos produtos.
Para isso, temos uma relação de franco diálogo com os principais interlocutores envolvidos com as questões alimentares e a educação nutricional no Brasil. Buscamos estar atentos às críticas e às oportunidades da nossa atuação nessa área. Hoje estamos mais focados nas melhorias que podemos fazer em nosso portfólio e comprometidos em oferecer mais escolhas para as pessoas.

A postura da empresa revela um duplo padrão. Nos Estados Unidos, após uma série de revelações feitas pela imprensa, a corporação decidiu divulgar os investimentos desde 2010 não apenas em pesquisa, mas em organizações da sociedade civil. Foram US$ 140 milhões, em torno de R$ 430 milhões. Historicamente, atividade física é um assunto preferencial, ao lado das pesquisas que tentam atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

Apesar dos escândalos, o interesse da empresa pelo tema não diminuiu. Nomeada em 2017 por Donald Trump, a nova chefe do Centro para o Controle de Doenças (CDC), Brenda Fitzgerald, teve trabalhos financiados pela Coca, a quem considera uma aliada na luta contra a obesidade. Após sucessivas polêmicas, Brenda deixou o cargo com a revelação de que comprou dezenas de milhares de dólares em ações de empresas de tabaco, justamente um tema central na atuação do CDC.
Trata-se do principal centro de saúde pública dos Estados Unidos, localizado justamente em Atlanta, sede da Coca. Antes do caso de Brenda, a imprensa abordou a relação entre o então assessor especial de Saúde Global do centro, Michael Pratt, e a corporação dos refrigerantes. Ele era um dos propulsores do ISCOLE, Estudo Internacional de Obesidade, Estilo de Vida e Ambiente na Infância, que buscava realizar uma pesquisa em toda a América Latina, justamente uma das áreas com maior evidência de correlação entre aumento do consumo de bebidas açucaradas e obesidade.

Entre 2010 e 2014, o ISCOLE recebeu US$ 6,4 milhões, o que inclui o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), comandado por Victor Matsudo e criador do Agita São Paulo. Ele é próximo ao International Life Sciences Institute (ILSI), criado pela Coca na década de 1970 e que, como mostramos, busca influenciar a agenda regulatória de saúde no Brasil.

Sabemos que, após o fim do ISCOLE, os recursos da Coca se direcionaram a uma iniciativa similar. O Estudo Latino-americano de Nutrição e Saúde (Elans) é encabeçado pelo brasileiro Mauro Fisberg, coordenador da Força-Tarefa Estilos de Vida Saudáveis do ILSI, e Irina Kovalskys, do ILSI Argentina. “São 12 mil casos avaliados entre adolescentes, adultos e sênior. É um estudo caríssimo. São amostras representativas, e amostra representativa é uma coisa complexa, especialmente em países grandes”, conta Fisberg.

Os resultados ainda não foram publicados e a coleta de algumas informações está em curso, mas o professor adianta uma parte: “Tem um gap mostrando que a obesidade se deve mais ao sedentarismo. É difícil fazer essa afirmação. Eu não gostaria. Mas os números mostram que a gente tem muito menos gente comendo mais do que deveria do que gente fazendo atividade física.”

Em 2002, alguns cientistas acordaram de manhã com um brinde na caixa de correios: “O uso de refrigerantes e a saúde humana” é um artigo de revisão, ou seja, um trabalho que revisa as evidências acumuladas sobre determinada questão. Neste caso, refrigerantes. Os autores, Mauro Fisberg e Olga Amâncio, da Unifesp, e Ana Maria Pitta Lottenberg, da USP, acusavam haver preconceito contra a bebida, “pouco compreendida pelos profissionais da área de saúde”. “Inúmeros alimentos artificiais, industrializados há anos, têm livre trânsito nas clínicas, consultórios e ambulatórios ou são pouco combatidos por estes mesmos profissionais, que rechaçam de forma cabal o uso de uma bebida que, na realidade, é utilizada para seu uso próprio, sem qualquer restrição.”

À época havia vários estudos jogando a responsabilidade para a gordura. E para os obesos, acusados de preguiça, de maneira que uma solução apontada pelos autores era o programa Agita São Paulo, coordenado por Victor Matsudo. Alguns dos estudos citados na bibliografia foram financiados pela indústria de refrigerantes.
Não sabemos quanto Matsudo recebe pelas palestras que dá a comunicadoras na sede da Coca. O mesmo vale para a professora Maria Cecília de Figueiredo Toledo, aposentada da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Em outubro de 2014, ela deu palestra a blogueiros no Rio de Janeiro. Um encontro desse tipo tem resultado garantido para a corporação, já que vários deles saem reproduzindo as informações divulgadas pelos especialistas convocados. É uma aposta nos microinfluenciadores digitais, cenário que se abriu e consolidou nos últimos anos. “A marca mostra que sim, é possível beber o refrigerante com moderação, desde que você faça sua parte e corra atrás para manter sua saúde”, resumiu um dos blogueiros presentes.

Na ocasião, Maria Cecília gravou um bate-papo com uma das comunicadoras para divulgar uma espécie de resumo do que havia sido a palestra. “A partir de 12 semanas a criança pode consumir adoçante. E realmente é uma questão de cultura, de hábito alimentar. A uma criança obesa pode ser recomendado que consuma.”
A indústria de refrigerantes faz um esforço constante por conter danos relacionados à divulgação de informações sobre adoçantes. No começo de 2017, o ILSI realizou um encontro no qual Maria Cecília adotou o tradicional tom assertivo contra a ideia de que esses aditivos provocam danos à saúde. Na ocasião, ela falou que é preciso levantar dados sobre consumo entre crianças e que o ILSI estaria disposto a financiar esse estudo. “Se vocês souberem quem possa fazer essa pesquisa…”

(fonte: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/02/transparente-nos-eua-coca-cola-adota-segredo-sobre-relacao-com-pesquisadores-no-brasil/)

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Novo número da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico acaba de publicar o número mais recente em http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico.

Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

Agradecemos seu interesse em nosso trabalho,
Antonio Ozaí da Silva
UEM, Maringá
Fone 44 - 3011-4288

Revista Espaço Acadêmico
v. 17, n. 201 (2018): Revista Espaço Acadêmico, n. 201, fevereiro de 2018
Sumário

direito
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Quando a filosofia pode ser entrave à resolução de problemas
eminentemente jurídicos (01-10)
Amaral Roque Bueno

educação
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A importância da diversidade na educação: um olhar sobre a cultura afro-brasileira (11-20)
Moises Daniel de Sousa dos Santos

ensino em história
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Cinema, cultura e ensino de História: considerações sobre o uso do recurso cinematográfico em sala de aula (21-30)
Rodrigo Luis dos Santos

geografia
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As transformações socioambientais na bacia hidrográfica do Utinga: agravantes para os lagos Bolonha e Água Preta (31-42)
Fabrício César da Costa Rodrigues, Lidiane Oliveira Matos

As renitências das escalas geográficas: descentralização, regionalismo e o sistema de governança da nova PNDR para a gestão do território (43-55)
Ricardo Nagliati Toppan

história
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Intermitências entre velhice e memória (56-67)
Josiane Nava, Samuel Klauck

O acervo documental na escola: preservando o passado (68-76)
Simone Aparecida Dupla

letras
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A retórica da sedução e do poder em "O casamento do céu e do inferno" de William Blake (77-89)
Dênis Sebastião Ramos Firmino

linguística
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Aquisição da linguagem e aspectos fonológicos e socioculturais (90-100)
Luzia Klunk

sociologia jurídica
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Vedetismo e partidarismo no poder judiciário: os olhos abertos do Direito Penal (101-111)
Renato Nunes Bittencourt

resenhas & livros
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Meios segredos da Constituinte (112-115)
Cássio Augusto Guilherme

Nova tradução brasileira dos "Manuscritos econômico-filosóficos", de Karl Marx (116-118)


José Francisco Lopes Xarão

O prefeito Medioli e o ‘jeitinho safado’ dos deputados e senadores

Texto escrito por José de Souza Castro:

O atual prefeito de Betim, Vittorio Medioli, do PHS, foi destaque numa notícia de “O Globo”por ter sido o candidato que mais gastou dinheiro na campanha para prefeito em 2016, em todo o Brasil. Ele gastou R$ 3,9 milhões e foi o único doador de sua campanha. Se concorresse nas eleições deste ano, só poderia gastar R$ 9.690 de seu próprio bolso – ou dez salários mínimos. Tudo por causa de um “jeitinho safado” dos atuais deputados e senadores na luta para se reelegerem.
“O jeitinho safado” é o título de artigo de Medioli em seu jornal “O Tempo”, publicado no dia 4 deste mês e que não teve a repercussão merecida. Nem entre os próprios leitores do jornal. Quatro dias depois, apenas 16 comentaram o artigo, entre eles, Job Alves dos Santos, que disse: “Excelente abordagem. Agora, como fazer que isto chegue ao público? Esta é uma notícia que precisaria viralizar na internet. Mas a imprensa é modesta na divulgação.”
Segundo Medioli, que escreve semanalmente um artigo em seus jornais e que foi deputado federal pelo PSDB mineiro por 16 anos, as novas regras foram aprovadas pelo Congresso Nacional “exclusivamente para facilitar a reeleição de quem tem cargo”. Não espere o eleitor “novidades e renovação”. Os que já se locupletam em seus mandatos, concederam-se “alguns bilhões de dinheiro público destinados para causa própria de quem aprovou a lei. Facilita-se, assim, a camuflagem do caixa 2 de antigos financiadores, que, tendo sido secados pela Lava Jato, pretendem, como nunca, manobrar debaixo do pano do fundo eleitoral”, interpreta o prefeito de Betim.
Tudo se fez em Brasília, continua Medioli, “para inviabilizar as candidaturas avulsas, expressão mais democrática de um país realmente civilizado, e limitar a irrisórios dez salários o aporte do próprio candidato para sua campanha. Ficou proibido gastar por amor à pátria os recursos que o cidadão ganhou com seu trabalho honesto, taxado pela maior carga tributária das Américas. Não poderá enfrentar o mal que castiga a nação com meios iguais”. E repisa: “A reserva de mercado inclui canalhas e afasta voluntários.”
Conforme o prefeito de Betim, “se fosse para limitar o poder econômico de quem possui bens e decide imolar parte deles numa campanha, a melhor condição do sistema democrático seria rebaixar o teto de todos. Que se coloque R$ 9.690 para qualquer um que deseje concorrer ao pleito, poupando recursos públicos que faltam para os mais carentes”. E questiona Medioli:
“Por qual fantástica e aloprada razão um cidadão que exerce cargo de deputado tem direito a R$ 3 milhões de verba para se reeleger e, na mesma lei, se limitam todos os demais ao ridículo valor de R$ 9.690? Verdade que poderiam receber de outros cidadãos essa mesma quantia, mas como, no exíguo período de 45 dias de campanha? Todos iguais: isso, sim, daria à democracia um tom diferente”, diz o articulista, pregando no deserto. E profetizando:
“A fórmula escolhida pelo Congresso mais execrado de todos os tempos reafirma os motivos de sua estratosférica impopularidade. É bem possível que essa regra absurda venha a arrasar perante a opinião pública o pouco que sobra de credibilidade em Brasília.”
De fato, o Congresso Nacional rasgou o artigo 3º da Constituição, sem que nenhum partido impetrasse uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no Supremo Tribunal Federal. Dói aos ouvidos, também, o silêncio da Ordem dos Advogados do Brasil e da Procuradoria Geral da República. “A democracia vive um triste apagão”, constata Medioli, um italiano que chegou ao Brasil com a Fiat Automóveis na década de 1970, naturalizou-se e criou em sua nova pátria o Grupo Sada, com mais de 30 empresas. Entre elas, a Sempre Editora, dona dos jornais O Tempo, Super e Pampulha, os mais lidos em Minas.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2018/02/09/medioli-campanha-eleitoral/)

Sobre povos predestinados e fábricas equivocadas

Por Jaime Pinsky, historiador e editor, doutor e livre docente da USP, professor titular da Unicamp.

Difícil encontrar um povo que não se considere especial. Um se acha o mais bonito, outro o mais simpático, ou o mais trabalhador, o mais esperto, o mais genial… Além disso, muitos se consideram eleitos para um destinoespecial. E acreditam ter sido selecionados para essa missão por ninguém menos do que um deus, ou um conjunto de deuses. Restaria fazer jus à confiança divina… A ferro e fogo se for necessário. Portadores da Verdade (é isso, com maiúscula mesmo) os componentes desses grupos têm por objetivo na vida cumprir a missão atribuída pela divindade. Alguns estão determinados a mostrar ao mundo o caminho da retidão e da justiça. Outros acreditam ser racialmente superiores e estabelecem como objetivo submeter os demais povos, supostamente inferiores. Outros ainda se acham portadores de uma cultura superior, que devem impingir aos bárbaros de todas as épocas e latitudes. Mas todos têm em comum o fato de se sentir superiores e de ter uma missão. E é aí que reside o perigo.
Ter a verdade revelada por uma divindade implica em ter uma verdade absoluta, indiscutível. Mais ainda, significa sentir-se na obrigação de impingi-la aos outros. O passo seguinte dos fundamentalistas de todos os quadrantes é saírem a campo para amealhar mais ovelhas para o rebanho; isto que os leva a despejar para quem quiser ouvir (e para quem não quiser) as suas revelações. São uns chatos, mas isto não é o mais grave. O pior é que, quando têm condições, acham razoável – e justificável – impor suas verdades reveladas a todos. E são intolerantes contra os que não as aceitam. Tortura e execuções foram utilizadas pelos cristãos, em nome da fé, na Idade Média e durante a Inquisição. Ainda hoje, esses métodos são utilizados em áreas onde prevalece o fundamentalismo islâmico. Mesmo não empalmando o poder, grupos ultra ortodoxos judaicos em Israel defendem uma política nacionalista e excludente, em nome de sua verdade. Mas quando o fundamentalismo se junta ao poder político temos uma receita perfeita para autoritarismo, intolerância e até racismo.
A História tem registrado, também, outra modalidade de aplicação da “verdade absoluta”, uma mistura de doutrina política e religião do poder. O stalinismo, na União Soviética, com um ditador que “nunca errava” e eliminava os adversários, e mesmo os adversários imaginários; o maoísmo, na China, com um líder que se auto considerava sobre-humano, são ótimos exemplos da manipulação política de “verdades” doutrinárias. Mas o caso mais exemplar é o do líder nazista Hitler, na Alemanha. Como um povo culto como o alemão pôde incorrer em um erro histórico de proporções tão grandes como o de aceitar teorias racistas pregadas por ele e seu partido?  Acredita-se que tenham sido três os fatores principais: 1- a tradição local de governos autoritários; 2- a desastrosa situação econômica do país em função da derrota na Primeira Grande Guerra; e 3- uma convicção generalizada na superioridade do povo alemão. Gostaria de lembrar que a ideia da existência de uma suposta raça ariana, superior a todas as demais, com a função de conduzir o mundo e manter a sua pureza não surgiu com o nazismo, mas foi por ele incorporada e manipulada. Até a História foi manipulada com a invenção do arianismo no passado, implantando-se arianos na Índia, na Pérsia, por todo canto, desde que em papeis de liderança e, mais que isso, com funções de chefiar, dignas de uma raça superior, ao contrário de “raças” inferiores como a negra, os eslavos, latinos, ciganos, judeus, etc.
Passada a guerra, os alemães souberam fazer uma profunda autocrítica. Não apenas fizeram um acordo econômico com uma parte das famílias sobreviventes do holocausto (muitas foram completamente exterminadas, não havia como fazer acordo), como mandaram construir memoriais em várias cidades alemãs, e, ao contrário de austríacos e poloneses, assumiram explicitamente, por meio dos seus dirigentes, sua culpa, como Estado e como Nação.
Por tudo isso é que tem havido uma reação tão grande à notícia de que a Volkswagen (montadora de automóveis predileta de Hitler) havia feito experiências com macacos e seres humanos, submetidos a gás oriundo de canos de escapamento de automóveis. Segundo os jornais New York Times e Folha de S. Paulo, a Volkswagen, após fraudar o público e as autoridades a respeitos da poluição produzida por seus veículos resolveu fazer experiências com animais e gente, colocando sua vida em risco. E, mais grave, utilizando verdadeiras câmaras de gás, que remetem a período da História que todos querem apagar. Não tem como não lembrarmos que a Volks operava, no nazismo, com 90% de mão de obra escrava… Realmente, dá para entender os motivos que levaram Steffen Steibert, porta-voz do governo alemão, afirmar, irritado, que tais experiências são indesculpáveis.

Com as mesmas armas: a epidemia do açúcar em cliques

por Moriti Neto

Projeto de fotógrafo e nutricionista espanhol usa imagens de alta qualidade para contra-atacar as corporações alimentares e combater o maior motivo da obesidade no planeta  

Lista de compras às mãos, ando (ou corro, a depender do dia) pelo supermercado a checar tabelas nutricionais antes de colocar um produto no carrinho. Prateleiras imensas, poluição visual. Letras miúdas. Uma bagunça que quase faz desistir. Tento ler o óbvio. Mas nem o óbvio é acessível quando o outro lado – a indústria alimentar e os órgãos reguladores – não descortina o que há de fato dentro das embalagens. Busco, então, as quantidades de açúcares. O motivo é outra obviedade: doenças. Diabetes tipo 2, cáries, obesidade, da qual derivam hipertensão e problemas cardiovasculares.
“Bola dentro”, penso. Numa fração de tempo, porém, noto que chutei por cima do gol e que o adversário me goleou nos contra-ataques. A escalação do rival não deixa dúvidas: glucose de milho; lactose, xarope de malte, glicose e frutose; dextrose, maltose, xarope de milho e xarope de malte; maltodextrina e sacarose. No banco de reservas, néctares, açúcar invertido, açúcar de confeiteiro, açúcar mascavo, açúcar bruto, mel, açúcar branco/refinado, melaço/melado e caldo de cana engordam o elenco. Nomenclaturas craques em desorganizar o raciocínio de quem vai às compras, num jogo que tem por objetivo esconder que todas são uma só: açúcar.
Guerrear contra as 24 horas do dia cada vez mais curtas e os rótulos da indústria alimentar coloca os consumidores em situação complicada. Menos mal, que há quem use armas para revidar e dar munição ao lado mais fraco. O fotógrafo espanhol Antonio Rodriguez Estrada é um exemplo. De trajetória curiosa, ele é o fundador do site fotográfico SinAzucar (Sem Açúcar), projeto que denuncia a quantidade de açúcares escondida em alimentos, mesmo os vendidos como 0%, pelos quais, geralmente, pagamos mais.

Madrilenho de nascimento, Antonio tem 45 anos e se dedica à fotografia desde os 15. Aprendeu a lidar com as câmeras em experiências do dia a dia e cursos da área. Profissionalizou-se e passou a viver de clicar produtos diversificados e modelos para “books”. Apesar de a vivência acadêmica do espanhol ter seguido por outros caminhos (formou-se como engenheiro em informática na universidade), ele nunca se afastou das fotos.
Entusiasta da “vida saudável”, Are, como é mais conhecido na Espanha, passou a fazer crossfit há cinco anos, modalidade de exercícios físicos que escolheu por ser praticada de maneira “mais coletiva”. Realizou cursos de nutrição esportiva, nos quais obteve várias titulações. A combinação de duas paixões, a fotografia e a saúde, surgiu em formato de imagem pela primeira vez em 1º de outubro de 2016, quando decidiu publicar nas redes sociais a foto de um creme catalão, acompanhado da equivalência em açúcar, que era de 155 gramas. Não agradou a muitos. “Perdi seguidores”, confessa.

Perder adesões no Facebook, Instagram ou Twitter não foi problema. Ao contrário, o creme catalão era só o começo. E a repercussão da postagem embalou a criação do SinAzucar. “Quando eu comecei a olhar para os rótulos, descobri que muitos produtos que eu considerava saudáveis tinham muito açúcar. E uma das causas da atual epidemia de obesidade é o abuso de produtos industrializados na alimentação diária. Eu queria dar a minha contribuição para informar as pessoas disso, principalmente quando descobri quantas enfermidades estão associadas a eles”, diz Antonio.
Em linhas gerais, a ideia é fotografar o produto usando a mesma linguagem visual que a indústria emprega para vender. “Fotografia limpa, iluminação cuidada, retoque atrativo, impacto visual. O objetivo é chegar ao número máximo de pessoas pelas redes sociais”, explica o fotógrafo.
O trabalho é didático. Auxiliado por nutricionistas e outros profissionais da saúde, Antonio optou por apresentar cubos de açúcar (torrões com peso de 4 gramas cada) como forma de exposição de “açúcares ocultos”, ou seja, os que não despejamos diretamente no cafezinho ou na receita do bolo caseiro. O que o projeto pretende revelar são exatamente as quantidades que vêm embaladas pela indústria com tabelas nutricionais recheadas de estranhezas, aquelas que não conseguimos ler e interpretar corretamente na correria do cotidiano graças ao exagero (proposital?) de nomenclaturas incomuns e confusão visual.
Aspectos fundamentais também considerados são os valores nutricionais informados nas tabelas, já que eles se referem a certas quantidades do produto e não à embalagem toda. Cada rótulo traz uma porção determinada em gramas e, frequentemente, carrega uma referência de quanto de açúcar há ali. Quem come mais do que a porção indicada, deve calcular separadamente a quantidade de nutrientes. O SinAzucar trabalha com o valor total.
Sempre com a escolha de marcas de referência para aumentar a força dos alertas, as informações usadas pelo site saem dos rótulos dos próprios fabricantes dos produtos. Inicialmente, as fotos visavam aos itens com grandes quantidades de açúcar, como os refrigerantes, até que o fotógrafo percebeu que os alimentos mais surpreendentes negativamente eram aqueles em que o ingrediente era inesperado, a exemplo de molhos de tomatemolhos para salada ou iogurtes para bebês.
O imqucto positivo na Internet veio, conta um animado Antonio. Ele recebe, em média, 50 mensagens por dia, desde interações que trazem elogios ou críticas até as que apenas contêm dúvidas sobre o que consumir nas refeições. “A internet se tornou uma maneira de conseguir colaboradores que formam uma rede de compartilhamentos e trocas. Na Espanha, o SinAzucar já é visto por milhões de pessoas e funciona para entrar com o tema nos meios de comunicação tradicionais, jornais, rádio e TV”, enfatiza.
Atualmente, a iniciativa conta com 222 mil seguidores no Facebook, 152 mil no Instagram e 53 mil no Twitter. Apesar disso, não possui patrocínios. “Todos somos voluntários no projeto. Não temos nenhum tipo de apoio financeiro. É uma iniciativa voluntária”, ressalta o idealizador do trabalho.
Do cinema ao sono das crianças: pesadelo
Você vai ver um filme com a família. Para saborear “melhor” a experiência, compra pipoca doce e refrigerante para todos. É o combo “bomba de açúcar”. Segundo as fotos do SinAzucar, uma Coca-Cola tradicional em copo gigante tem, aproximadamente, 20 torrões de açúcar ou 79,5 gramas,  muito mais do que a quantidade máxima indicada por dia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 50 gramas. Esqueceu a pipoca? Ela é 50% açúcar. “Na prática, são 40 torrões e, então, quando sai do filme, você vai ao Burger King comer novamente, porque o nível de açúcar que ingeriu na sala de cinema faz você baixar o nível de açúcar no sangue e vem uma hipoglicemia”, argumenta Are.
Ainda dá para passar na Starbucks e tomar um café. Afinal, as crianças estão pilhadas e você precisa de energia até que durmam. Um cafezinho e quase 20 torrões de açúcar (80g) a mais te acompanharão. E não tem escapatória: se preferir uma lata de bebida energética, como o Red Bull, 13 torrões lhe descerão goela abaixo.
Chegada em casa. O leitinho dos filhos antes de deitar é obrigatório. Eles pedem a adição de chocolate em pó. Você topa e, se o achocolatado for o Nesquik, da Nestlé, a colher vai entrar e sair de uma embalagem que guarda 75,7% de açúcar na composição.
Você ainda não está na cama. O neném, que ficou com os avós durante a ida ao cinema, é o mais agitado e não caiu no sono. “Tem fome”, imagina o papai. Ele abre a geladeira e pega uma embalagem de iogurte “sabor natural” destinado a bebês, da Nestlé. É um copinho plástico. Pouco tamanho, mas açúcar de monte. O suficiente para que seu caçula vá dormir com mais 9 gramas (dois torrões e meio) do ingrediente no corpinho.

Nem as infusões preparadas para “acalmar” o sono infantil se salvam. Um mal exemplo é o Blevit Sueño, fabricado pela companhia Ordesa, da região da Catalunha, megaempresa que vende “complementos nutricionais” para crianças e adultos. Quarenta gramas do produto (dose recomendada para uma criança de 8 anos) possuem 38 gramas de açúcar, equivalente a 9,5 torrões. Quer dizer: só para adormecer, a pequena ou o pequeno devem ingerir quantidade próxima ao recomendado para todo o dia.
Tenha uma boa noite, se conseguir pregar o olho.

Pressão leve
Antonio Estrada Rodriguez conta que sofreu pressões da indústria, mas que, na maioria, elas foram “leves”. “Algumas me contataram, mas, de maneira amigável, para me dizer que o produto que eu fotografei não exemplificava todo o portfólio. Até pedem para retirar o produto, mas são presenças sutis, caminham com cuidado”, revela.            
O fotógrafo diz, no entanto, que um dos casos não foi de “pressão leve”. A mão pesada chegou em fevereiro de 2017, com a empresa de sucos Zumosol, que se sentiu atacada quando o projeto estampou uma imagem do Veggies Zumosol (um suco, em teoria, à base de verduras e frutas) ao lado de sete torrões de açúcar, ou seja, 28 gramas.

 “Até pedem (as empresas) para retirar o produto, mas são presenças sutis, caminham com cuidado”

Advogados exigiram que o SinAzucar removesse a foto. Enviaram um documento dando o prazo de três dias para a remoção da imagem e publicação de um texto “ditado por eles e que não poderia mudar em uma única vírgula, basicamente dizendo que os produtos eram super-saudáveis”. Antonio reagiu. Não aceitou que quisessem colocar palavras em sua boca. “Três minutos depois de receber o documento, eu o publiquei nas redes sociais como me havia chegado.”
A foto foi compartilhada muitas vezes e passou a despertar debates sobre o produto. Artigos na mídia abordavam a composição do Veggie Zumosol. “Se a Zumosol não tivesse feito nada, teria sido mais uma foto, mas a atitude fez com que aparecesse em jornais de circulação nacional e as pessoas diziam: ‘Ei, vejam que os sucos não são tão saudáveis’.”
De origem espanhola e vice-líder no segmento de sucos no país ibérico, a Zumosol foi adquirida, em 2013, pelo Toksöz Group, holding nascida na Turquia que atua nas áreas alimentar e farmacêutica. Já a foto do suco Veggie feita por Antonio jamais saiu do lugar.

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Ciência + ultraprocessados, de novo

Antonio R. Estrada é homem de múltiplas experiências. Como fotógrafo e esportista, acumula muitas viagens. Conhece bem cada solo onde pisa. Ele diz, sem titubear, que a Coca-Cola patrocina muitos eventos de nutrição (oh, surpresa!) na Espanha. “Isso, de alguma forma, pode condicionar publicações científicas, claro”, comenta.
Estrada conta que também é habitual encontrar produtos das corporações alimentares com selos de entidades de saúde que garantem “o quão saudável são sem que realmente sejam”. Tais organizações receberiam dinheiro em troca de referendar a qualidade dos itens.
O fotografo revela que, na Catalunha, um órgão de saúde pública chegou a distribuir, recentemente, uma espécie de guia da boa alimentação patrocinado pela Danone. No livro, principalmente direcionado aos pais de crianças, peças publicitárias estavam disfarçadas como textos institucionais. “Nas páginas sobre alimentação saudável dirigidas aos pais, havia produtos com nada de especial para as crianças. A marca e os textos publicitários estavam lá”, lembra.
De acordo com Antonio, tanto a questão dos eventos de nutrição quanto a publicidade de alimentos carecem de regulação na Espanha. Ele sabe do que está falando. Um dos principais itens a figurar no livro catalão era o Actimel, um leite fermentado que, para além dos ingredientes lácteos tradicionais do iogurte, contém um fermento específico, exclusivo da Danone, o probiótico L.Casei Danone, mais as vitaminas D e B6, formando um composto, que, segundo a fabricante, atua na flora intestinal e melhora a imunidade, dentre outros milagres. Mas, se considerarmos que um frasco de 100 g do produto leva 11,5 g de açúcares (11,5% da composição nutricional total, portanto), fica difícil acreditar que esse santo cumpra o que promete.

(fonte: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/02/com-as-mesmas-armas-epidemia-do-acucar-em-cliques/)