sexta-feira, 10 de maio de 2013

Violência nas escolas

Podia começar este post com o "no meu tempo não era assim", apesar de todos sabermos que cada tempo sempre será diferente do anterior.
No entanto, não tem muito tempo em que eu estava nos bancos escolares e, sinceramente, não me recordo de ter visto uma briga sequer entre alunos - nem nos anos que hoje são chamados de ensino fundamental e médio - e que "no meu tempo" eram denominados de ginasial e colegial. Nunca vi um aluno levantar a voz para um professor, porque todos sabíamos que se isso acontecesse, o mínimo a esperar era uma suspensão de uma semana, quando não a própria expulsão da escola. 
Não se levava armas para a escola, inimaginável pensar que um aluno portasse uma arma de fogo.
Quando os professores entravam em sala de aula, todos ficávamos de pé, eles eram tratados por "senhor", "senhora". Havia professores grosseiros, sim, havia. Falávamos mal de alguns, sim, falávamos, mas no recreio, nunca na sala de aula.
Enfim... hoje as coisas estão diferentes. Muito diferentes. Esta semana vimos, na internet, um professor do Espírito Santo sendo assassinado. Conheço muitos colegas que foram agredidos verbal e fisicamente por alunos. E que, inclusive, foram dissuadidos de fazer um B.O. pelo próprio diretor da escola!
Bem, estou falando disso porque recebi do meu ex-aluno e amigo Guilherme Souto um email retirado do site Advivo, do Luis Nassif, dando conta de uma pesquisa sobre violência nas escolas de São Paulo. Leiam e reflitam!








Por Marco Antonio L.
Da Rede Brasil Atual
Alunos são principais agressores e também maiores vítimas da violência nas escolas
Pesquisa encomendada pela Apeoesp mostra que briga entre alunos é o caso mais comum, mas professores também sofrem com agressão verbal
por Raimundo de Oliveira, da RBA
Professores pesquisados apontaram o bullying está entre os tipos de violência ocorridos nas escolas do estado
São Paulo – Os alunos são os principais autores da violência nas escolas para 95% dos professores da rede estadual de ensino. Eles também são apontados como as vítimas mais frequentes por 83% dos docentes, segundo pesquisa realizada pelo sindicato da categoria (Apeoesp) com 1.400 professores de 167 cidades paulistas. O levantamento, divulgado hoje (9), na sede da entidade, mostra que 52% dos entrevistados relataram ter conhecimento de casos de agressão física ocorridos nas escolas onde trabalharam em 2012.
As brigas entre alunos são os casos de violência mais comuns presenciados pelos professores no ano passado, sendo apontadas por 72% dos entrevistados. As ameaças entre alunos foram testemunhadas por 57% dos professores.
A pesquisa, executada pelo instituto Data Popular entre 18 de janeiro e 5 de março, por telefone, mostra que 44% dos professores sofreram algum tipo de violência no ano passado, sendo que a maioria (39%) aponta a agressão verbal como o mais comum, seguida pelo assédio moral (10%), bullying (6%), agressão física, discriminação e furtos, todos com 5% cada.
A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, afirmou que o sindicato pretende repetir o levantamento a cada dois anos para acompanhar a situação da violência nas escolas paulistas e também vai desenvolver um projeto para tentar combater as principais causas do problema.
A dirigente disse que os dados revelados são preocupantes e serão repassados ao governo estadual. “Alunos, professores, pais, a sociedade toda sofre com essa situação”, observou.
De acordo com a pesquisa, as drogas são um dos principais problemas relacionados pelos professores à violência nas escolas. Para 42% dos entrevistados, a presença na sala de aula de alunos sob efeito de drogas é apontada como a principal situação de violência. O tráfico de drogas e alunos sob efeito de bebida alcoólica vêm em segundo lugar, com 29%.
A presença de gangues no ambiente escolar foi indicada por 21% dos professores que responderam a pesquisa como terceira principal situação de violência, seguida pelo porte de arma branca (15%) e porte de arma de fogo (3%).
Centro e periferia
Mais da metade dos professores (57%) entrevistados consideram violentas as escolas da rede estadual de ensino e a situação é pior nas periferias das cidades. Para 45% dos que lecionam em regiões centrais as escolas são consideradas violentas. Na periferia, o índice sobe para 63%.
Dos que lecionam em regiões centrais, 61% afirmam que há policiamento na região das escolas e este índice cai para 45% na opinião dos que atuam nas periferias.
Os professores do sexo masculino que lecionam em classes do ensino médio são as maiores vítimas. Nesse segmento, 65% afirmaram ter sofrido algum tipo de violência e entre as mulheres do grupo este índice é de 47%.
No ensino fundamental 1 (1ª a 4ª séries), a situação se inverte e 47% das mulheres relataram ter sofrido violência enquanto o índice entre os homens foi de 44%. As mulheres também são as maiores vítimas entre os que lecionam no ensino fundamental 2 (5ª a 9ª séries), com um índice de 29% contra 24% dos professores do sexo masculino.
A pesquisa também mostra que a falta de educação, de respeito e de valores foram apontados por 74% dos professores como principal causa da violência nas escolas, seguida pela desestruturação familiar (47%), drogas e álcool (15%), pobreza (12%), falta de interesse ou indisposição para estudar (11%), conflito entre alunos (6%), tráfico de drogas na região do entorno das escolas (4%), falta de participação da comunidade na escola (3%), falta de estrutura administrativa (3%), desemprego (2%) e outros fatores (15%).
Quase um terço dos professores que responderam a pesquisa (28%) apontaram o debate sobre a violência como principal medida a ser adotada para melhorar a situação. Em seguida, 18% dos entrevistados indicaram a contratação de profissionais de suporte pedagógico, como psicólogos e 16% indicaram os investimentos em cultura e lazer como solução. Para 15%, o policiamento no entorno da escola é um saída.
“A violência nas escolas tornou-se corriqueira. Falta um pouco a presença dos pais de alunos nas escolas e isso é determinante” afirma Maria Izabel. Segundo ela, também faltam professores e funcionários nas escolas.
Para a dirigente, diante dos resultados da pesquisa, a medida mais urgente para combater a violência nas escolas é o reforço no policiamento. “Nas escolas do centro da capital, que têm mais policiamento e maior presença de ronda escolar, os níveis de violência são mais baixos”, disse.
Maria Izabel também afirmou que é preciso reformular a escola pública estadual. “Tem que tornar a escola mais interessante, ou os jovens vão preferir ficar na internet, no laptop ou no celular, em vez de prestar atenção nas aulas. Aí não aprende e depois, quando é cobrado, vai pra cima do professor”, disse.
fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/alunos-sao-os-principais-autores-da-violencia-em-escolas

Um pastor manchado de sangue

Aproveitem o fim de semana para ouvir esta entrevista que Alberto Dines, do Observatório da Imprensa fez com o ex-delegado Claudio Guerra. É longa, mas prestem atenção no que o Dines escreve na apresentação:

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Estou em Vitória e aqui, nos arredores da cidade, acabo de ouvir um dos mais tenebrosos depoimentos, talvez uma das confissões mais fortes, mais dramáticas da história recente do Brasil.
Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops, participou ativamente na repressão, no extermínio, na matança, não fez tortura mas atribui-se a ele mais de 20 mortes. Ele contou a sangue frio seu encontro com Deus e a vontade de ajudar a buscar a verdade.
Esta é uma história que a imprensa levantou quando saiu o livro “Memórias de uma guerra suja” mas não teve coragem de tocar. E se a imprensa não levantar, essa história pode acabar mal.

o Link para a entrevista é este aqui:



http://www.observatoriodaimprensa.com.br/videos/view/memorias_de_um_matador

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Longa vida ao rei


Uma ex-aluna minha, Alecsandra, reside hoje na Holanda. Os leitores devem se lembrar de um post sobre a neve na Holanda, com fotos que ela me enviou.
Pois bem, ela acompanhou de perto a abdicação do trono holandês pela rainha Beatrix e enviou o texto abaixo, modestamente perguntando se serviria para ser publicado aqui no blog.
As fotos que acompanham o texto não são dela, ela enviou-as a partir do site do NCR, um dos jornais mais lidos da Holanda.
Com os agradecimentos a ela, deixo as imagens e o texto com vocês.


 
 Após 123 anos um rei holandês é coroado. Dia 30 de abril por volta das 10:15 da manhãhorário local, a rainha Beatrix van Oranje-Nassau, depois de 33 anos no poder, assinou a abdicação do trono holandês em favor do príncipe herdeiro Willem-Alexander.  
 
                                      O novo rei assina o decreto de abdicação e de sua posse como rei holandês - Foto ANP

 
Em seu discurso na sacada do Palácio no centro de Amsterdam, a rainha, que depois da abdicação voltou a usar seu título de princesa, agradeceu e disse estar profundamente emocionada em passar o trono ao seu filho mais velho.
 
O índice de aprovação da rainha era muito alto. Beatrix esteve sempre presente nos momentos alegres e trágicos do país. Como por exemplo dando suporte emocional às familias das vítimas de um acidente aéreo ocorrido em 1992, quando um avião caiu no bairro do Bijlmermeer, suburbio de Amsterdam, matando 43 pessoas.
 
Beatrix recebeu em 1980 o trono das mãos de sua mãe, a rainha Juliana. Segundo entrevistas dadas por ela, o momento da transição foi bastante difícil pois seus três filhos estavam na puberdade. Ela se desdobrava entre as funções de mãe e de rainha. Mas após todo esse período no governo a rainha Beatrix decidiu no ano passado que havia chegado o momento de se afastar do trono e cuidar de sua vida pessoal após anos de dedicação ao trono.
 
Não se sabe se houve um fator determinante para sua abdicação. Em fevereiro de 2012, seu filho do meio, príncipe Friso, sofreu um acidente em uma estação de esqui. Ele continua internado em um hospital na Inglaterra em coma e sem sinais de melhora.
 Príncipe Friso sofreu uma lesão cerebral muito grave e não está claro se ele vai recuperar a consciência.
 
Não se sabe se esse acidente tem influência direta no afastamento do trono, mas o que se sabe é que Beatrix terá mais tempo para se dedicar a si mesmo e a sua família.
 
                                             o novo rei e a nova rainha - Foto ANP


 
Willem-Alexander e sua esposa, princesa Máxima, sabiam há mais de um ano que sua mãe desejava em 30 de Abril de 2013 transferir suas funções. Mas esse desejo deveria se manter em segredo, para que o futuro rei tivesse tempo hábil para encarar sua nova posição. Depois do anúncio da renúncia ocorreu uma espécie de libertação. Nova vida pode ser planejada pelo futuro rei, começando com visitas por  todas as 12 províncias holandesas tendo como motivo a sua apresentação como futuro rei. Nessas primeiras visitas foram incluídos os países de Luxemburgo e Alemanha.
No ultimo dia 30 de abril ocorreram poucos  protestos contra a monarquia, diferente do que aconteceu em 1980 quando centenas de pessoas fizeram protestos violentos para chamar a atenção do governo para a falta de moradia. Com o slogan  Geen woning, geen kroning” sem casa, sem coroação.
 
Mas quem é Willem-Alexander Claus George Ferdinand van Oranje-Nassau (27 de abril de 1967)? 

Militar de carreira até poucas semanas atrás quando deu baixa do posto de general de brigada para assumir a função de rei, piloto, amante dos esportes, casado com a argentina Maxima Zorreguieta, é pai de três meninas Catharina Amália, Alexia e Ariane.
 
O casamento aconteceu em 02/02/2002 . Como o casamento de um príncipe na linha de sucessão é um acontecimento de Estado, Willem-Alexander teve a permissão de se casar com a economista Máxima. O pai da futura esposa do príncipe, George Zorreguieta , foi ministro da agricultura no período da ditadura de Jorge Videla. A Holanda não aceita nenhuma forma de ditadura, e por isso o pai de Máxima não pode comparecer ao casamento da filha. E claro que não compareceu à coroação do genro rei e da filha rainha consorte.
 
                                         A nobreza canta o hino holandês na cerimônia da coroação - foto ANP
 
Segundo um pesquisa publicada no último domingo, 70% (setenta) por cento dos holandeses estão orgulhosos do seu rei que continuará usando seu nome de batismo.
 Em sua última entrevista antes da coroação, mostrou-se maduro, aberto e consciente das suas responsabilidades como Chefe de Estado.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As graves denúncias do planeta

O texto de Leonardo Boff, publicado no site da Agência Carta Maior leva-nos a repensar uma série de questões importantes. O papel da mídia, o que fizemos com o planeta são os dois temas fundamentais.

A teatralização do atentado de Boston

Precisamos estar atentos ao significado político-ideológico da espetacularização do atentado de Boston. É uma forma de desviar a atenção mundial de questões muito mais fundamentais: a primeira é o estado de terror que o Estado norte-americano está impondo internamente a seus cidadãos e ao mundo inteiro. Com isso atraiçoa o que de melhor tinha: a defesa dos direitos fundamentais. Por Leonardo Boff

Precisaria ser inumano e sem sentido de solidariedade e de compaixão não se indignar e não condenar o atentado perpetrado em Boston, com dois mortos e centenas de feridos. Mas isso não nos dispensa de sermos críticos. Houve uma teatralização mundial do atentado com objetivos ocultos que devem ser desvendados. Atentados ocorrem muitos no mundo, especialmente no Afeganistão e no Iraque, na presença das tropas norte-americanas e dos aliados. Sempre com muitos mortos e centenas de feridos. Quase ninguém dá importância ao fato, já naturalizado e banalizado. Muitos pensam: trata-se de gente terrorista ou próxima a eles, incômodos à ocupação ocidental. Que se matem. Convenhamos: são seres humanos como aqueles de Boston. Mas as medidas de avaliação são diferentes. Sabemos o porquê.

Precisamos estar atentos ao significado político-ideológico da espetacularização do atentado de Boston. É uma forma de desviar a atenção mundial de questões muito mais fundamentais: a primeira é o estado de terror que o Estado norte-americano está impondo internamente a seus cidadãos e ao mundo inteiro. Com isso atraiçoa o que de melhor tinha: a defesa dos direitos fundamentais. Não fechou Guantánamo nem ratificou instrumentos internacionais importantes como o Tratado de Roma da Corte Penal Internacional nem a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José de Costa Rica). Não quer que as violações e atentados que seus agentes perpetram pelo mundo afora para garantir o império sejam levados àqueles tribunais.

Mas pela ininterrupta ocupação das mídias mundiais (a nossa Globo estava em peso por lá) a propósito do atentado, os “senhores do mundo” querem desviar a atenção da segunda questão, esta, sim, de consequências funestas e que pode afetar a todos: a ameaça do fim da espécie humana. Primeiro, estes “senhores” devastaram durante séculos o planeta a ponto de ele não poder, sozinho, recuperar sua sustentabilidade. Pelos eventos extremos, dá mostras de que os limites foram ultrapassados. Em seguida, no afã de acumular ilimitadamente e dominar o processo de planetização da humanidade, montaram uma máquina de morte que ameaça a vida na Terra e pode trazer o armagedon para a espécie humana.

Notáveis cientistas do mundo e os mais sérios teóricos da ecologia chamaram a atenção para esta ameaça real. Apenas não sabemos exatamente quando e como vai ocorrer. Mas, mantido o curso atual das coisas, ela será fatal. Michel Serres, renomado filósofo francês da ecologia, já o disse: depois de Hiroshima, Nagasáki e agora de Fukushima, a humanidade descobriu um novo tipo de morte: a morte da espécie. Sim, como Gorbachev não se cansa de repetir: podemos destruir toda a espécie humana, sem restar nenhum testemunho, com as armas químicas, biológicas e nucleares que já construimos e estocamos. Segurança? Nunca é absoluta. Lembremos Three Islands, Chernobyl e Fukushima

Então: a nossa espécie realmente se mostrou o Satã da Terra: aprendeu a ser homicida (mata seus semelhantes), etnocida (quantos povos originários não foram liquidados?), ecocida (devastou ecossistemas inteiros) e agora pode ser especiecida (leva a própria espécie ao suicídio).

O sistema imperial vive buscando bodes expiatórios (antes eram os comunistas, depois os subversivos, agora os terroristas, os imigrantes..., quem mais?) sobre os quais recai o desejo mimético e coletivo de vingança. E assim se autoexime de culpas e de erros. Mas principalmente faz de tudo para que esta ameaça letal sobre a espécie humana não seja lembrada e se transforme numa consciência mundial perigosa.

Ninguém aceita passivamente um veredito de morte. Vai lutar para garantir a vida e o futuro comum. Este deveria ser o objetivo de uma governança global, que exige a renúncia de uma vontade imperial que pensa só em sua perpetuação em vez de pensar no Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade. Por mais que se manipule o atentado de Boston, por quanto tempo, os poderosos ocultarão a situação dramática que pesa sobre nós? Oxalá acordemos todos, simplesmente porque não queremos morrer, mas viver e irradiar.


*Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é também escritor. É autor de 'Proteger a Terra - Cuidar da vida: como escapar do fim do mundo' (Record, 2011). - lboff@leonardoboff.com

terça-feira, 7 de maio de 2013

As graves denúncias do povo de Conceição do Mato Dentro

Vi esta matéria hoje no blog da amiga Kika Castro. Não resisti à tentação de reproduzi-lo. E sugiro que quem puder o faça. 


As graves denúncias do povo de Conceição do Mato Dentro

by Cristina Moreno de Castro
Uma sala cheia de pessoas indignadas, munidas de cartazes feitos à mão, mostra como o projeto Minas-Rio, da mineradora Anglo American, não é bem-quisto pelos moradores da pacata Conceição do Mato Dentro, na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.
O projeto pretende construir um mineroduto para escoar, com água, a extração de minério de ferro, de Minas para o Porto do Açu, no Rio. Sim, abriram mão da construção de ferrovias ou do uso de rodovias para, em seu lugar, escoar a produção mineral com um duto, por onde vão escoar 2.500 m³ de água por hora. Método não muito sustentável, alegam os moradores da região, que dependem da água para outros fins.
E há seis anos a população de Conceição do Mato Dentro luta contra esse projeto. Ontem, em audiência pública na Assembléia de Minas, entregou uma petição com 3.000 assinaturas pedindo a suspensão do empreendimento. E denunciou, conforme diz o site da ALMG, os seguintes problemas:
  • grilagem de terras,
  • assoreamento de córregos e rios,
  • coação da população (seguranças da mineradora estão proibindo a população de transitar por estradas e de chegar até as propriedades rurais),
  • destruição do meio ambiente,
  • falta de água,
  • poluição dos mananciais,
  • invasão de terras pela empresa,
  • destruição de casas e plantações e expulsado os moradores de suas casas,
  • congestionamento e problemas em várias áreas (segurança, saúde) pela falta de estrutura da cidade para receber os 8.000 trabalhadores da obra.
As denúncias foram corroboradas por representantes do Ministério Público presentes na audiência pública. E a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia resolveu formalizar o pedido de suspensão da obra.
Eu, pessoalmente, fico triste por ouvir denúncias graves assim, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente. Conceição é palco de cachoeiras maravilhosas, como a Tabuleiro, já considerada a mais bonita do Brasil pelo Guia Quatro Rodas. Tem também mirantes, lagoas, poços, igrejas históricas e uma paisagem de cerrado deslumbrante. É colada à Serra do Cipó, um paraíso pertinho de Beagá.
Se até a implantação do projeto já é alvo de tantas e tão graves denúncias, corroboradas por agentes fiscalizadores, me pergunto como será o pleno funcionamento do mineroduto. Será que é o caso de arriscar?, pergunto aos responsáveis pela emissão das licenças.

domingo, 5 de maio de 2013

Esta fala merece aplauso!

Apesar de não concordar com muita coisa dita e feita pelo presidente do STF, sou obrigado a reconhecer nesta apresentação dele várias grandes verdades. Coloquei-as em negrito e vermelho. Comentem!


Joaquim Barbosa vê ausência de pluralismo na mídia brasileira


A apresentação do presidente do STF se deu em quatro partes voltadas a
apresentar uma perspectiva multifacetada sobre liberdade de imprensa. Na
abertura, reafirmou o compromisso da corte e do país com a liberdade de
expressão e de imprensa, e ressaltou que uma imprensa livre, aberta e
economicamente sólida é o melhor antídoto contra arbitrariedades. Barbosa
lembrou a ausência de censura pública no Brasil desde a redemocratização em 1985.

Na segunda parte, o ministro apresentou como o tema é tratado na
Constituição de 1988, que pela primeira vez reservou um capítulo específico
para a comunicação. Segundo Barbosa, no sistema legal brasileiro nenhum
direito fundamental deve ser tratado como absoluto, mas sempre interpretado em completa harmonia com outros direitos, como privacidade, imagem pessoal e, citando textualmente o texto constitucional, “o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Nesse sentido, ressaltou o ministro, o sistema legal brasileiro relaciona a liberdade de expressão com a responsabilidade legal correspondente. “A lei se aplica a todos e deve ser obedecida. A liberdade de imprensa não opera como uma folha em branco ou como um sinal verde para violar as regras da sociedade”, afirmou Barbosa.

Na terceira parte de seu discurso, Joaquim Barbosa apresentou dois casos em que o Supremo Tribunal Federal teve que lidar com a liberdade de expressão e de imprensa. No primeiro, lembrou a a análise que o STF teve de fazer sobre a publicação de obras racistas contra judeus por parte de Siegfried Ellwanger. Neste caso, a corte avaliou que a proteção dos direitos do povo judeu deveria prevalecer em relação ao direito de publicar casos
discriminatórios. Em seguida, falou sobre a lei de imprensa, que foi
derrubada pelo Supremo por ser considerada em desacordo com a Constituição e extremamente opressora aos direitos de liberdade de expressão e de imprensa.

Antes de encerrar, porém, Barbosa fez questão de ressaltar que não estaria sendo sincero se não destacasse os problemas que via na mídia brasileira. Falando da ausência de diversidade racial, o ministro lembrou que embora pretos e mulatos correspondam à metade da população, é muito rara sua presença nos estúdios de televisão e nas posições de poder e liderança na maioria das emissoras. “Eles raramente são chamados para expressar suas posições e sua expertise, e de forma geral são tratados de forma estereotipada”, afirmou o ministro.

Avaliando a ausência de diversidade política-ideológica, Barbosa lembrou que há apenas três jornais de circulação nacional, “todos eles com tendência ao pensamento de direita”. Para ele, a ausência de pluralismo é uma ameaça ao direito das minorias. Barbosa finalizou suas observações sobre os problemas do sistema de comunicação destacando o problema da violência contra jornalistas. “Só neste ano foram assassinados quatro profissionais, todos eles trabalhando para pequenos veículos. Os casos de assassinatos são quase todos ligados a denúncias de corrupção ou de tráfico de drogas em âmbito local, e representam grave violação de direitos humanos”.

Em resposta a questoinamentos do público, Barbosa lembrou um dos motivos da impunidade nos crimes contra a liberdade de imprensa é a disfuncionalidade do sistema judicial brasileira, que tem quatro níveis e “infinitas possibilidades de apelo”. Além das possibilidades de apelo, a justiça brasileira tem, na perspectivas de Barbosa, sistemas de proteção aos poderosos, que influenciam os diretamente os juízes. “A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”, concluiu Barbosa.