quinta-feira, 30 de maio de 2013

Copa 2014 - Quem ganha esse jogo?

Lamentável, simplesmente lamentável o que se assiste (graças à internet, porque a mídia... ora, a mídia...)


Vídeo sobre remoções da Copa no Brasil é exibido na ONU ( jornal Brasil de Fato)


Comitês Populares da Copa denunciam violações ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. As obras atingem cerca de 250 mil pessoas, entre removidas ou em risco de remoção
29/05/2013

Ciro Barros,

Às oito horas da manhã dessa terça-feira (meio-dia em Genebra), Larissa Araújo, da Articulação Nacional dos Comitês Populares (ANCOP), participou da 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para falar das violações cometidas nas remoções de famílias em todo o país nos preparativos para a Copa do Mundo. Em um evento paralelo à sessão do Conselho, o vídeo “Who wins this match?” (Quem ganha esse jogo?), produzido em parceria com a Conectas, foi exibido, mostrando números e depoimentos dos moradores removidos ou em risco de remoção – cerca de 250 mil, segundo o cálculo dos movimentos.

“Para chegar a esses números somamos famílias que foram atingidas por obras – que em algum momento foram vinculadas à Copa e às Olimpíadas – (algumas obras foram retiradas da Matriz de Responsabilidade da Copa e assumidas por governos estaduais e/ou prefeituras), com famílias que em algum momento foram ameaçadas de remoção”, explica Francisco de Felippo, também da Ancop, sobre os cálculos, contestados pelo poder público. “Em Natal, por exemplo, o prefeito assinou um documento se comprometendo a não remover ninguém. Mas isso veio depois de muita luta das comunidades. Se a gente colocasse que as remoções em Natal foram zero, dá a impressão de que não teve problema lá. Mas teve e a gente, junto com as comunidades, reverteu”, exemplifica.

Além dos números, saltam aos olhos o desespero, a indignação e o desalento dos moradores diante dos métodos e da falta de diálogo do poder público transmitidos pelos depoimentos dos atingidos, agora ouvidos na ONU.
Confira o vídeo abaixo:

Se não abrir, vá aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/13062
 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ignorância e falta de educação são as marcas de uma geração de adolescentes

Acabei de ler, no portal do Yahoo, esta matéria. Não resisti à tentação de reproduzi-la aqui, pelo menos o texto. Quem quiser ouvir o pianista em duas músicas, os vídeos estão no Blog do Régis, neste endereço aqui:
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/ignor%C3%A2ncia-e-falta-educa%C3%A7%C3%A3o-s%C3%A3o-marcas-uma-gera%C3%A7%C3%A3o-184831519.html

Mas é triste sentir que a realidade que o Régis denuncia é dolorosamente e cruelmente verdadeira.


Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. O pianista André Mehmari é um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados, todos excelentes. Você pode assistir abaixo dois exemplos desta competência instrumental:

Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor...
“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.

Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no ...!’, Vai se f....!’
Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo - o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.
Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.
Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.
Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.
E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.
Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”
Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!
É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.
Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.
E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.
O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte...
Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.
E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta... diferente! É o fim da picada!
Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!
Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?

Mortalidade infantil caiu 17% após Bolsa Família

Pois é... e ainda tem gente que é contra!

Mortalidade infantil caiu 17% após Bolsa Família

Ainda sob o impacto dos boatos que anunciaram o fim do programa Bolsa Família, governo apresenta pesquisa que associa uma forte redução nas taxas de mortalidade infantil aos efeitos práticos do programa; queda na morte de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009, foi de 17%; estudo foi apresentado hoje pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Tereza Campello afirmou que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição
23 de Maio de 2013 às 13:46
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Uma pesquisa feita para avaliar os impactos do programa Bolsa Família nas taxas de mortalidade infantil mostra redução de 17% na mortalidade de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009. A pesquisa foi feita com dados de cerca de 50% dos municípios brasileiros e revela que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição. A pesquisa registra que o Programa Saúde da Família também contribuiu para a queda dos números.
Os dados apontam que a condicionalidade do Bolsa Família de determinar que as crianças estejam com o cartão de vacinação em dia foi um ponto importante, já que aumentou a cobertura de imunização contra doenças como sarampo e pólio. O aumento da renda das famílias beneficiadas, que ampliaram o acesso a alimentos e bens relacionados à saúde, também é citado. Esses fatores foram destacados pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
"O Bolsa Família melhorou a alimentação das mães. Os estudos mostram que as família se dedicam a comprar comida com esses recursos e isso já é um elemento de alteração do padrão de vida da criança. Ter acompanhamento pré-natal também contribui muito porque a criança já é cuidada antes mesmo de nascer", disse.
A pesquisa aponta que o Programa Saúde da Família, que oferece atenção básica à saúde, teve papel na redução da mortalidade causada por doenças como diarreia e infecções respiratórias. A redução no número de grávidas que davam à luz sem receber atendimento pré-natal também foi registrada pela pesquisa.
"Os dois programas se complementam para evitar o adoecimento das crianças na primeira infância. É importante observar como uma pequena quantia de dinheiro pode ter tamanho benefício em relação à mortalidade infantil", avaliou Maurício Barreto, mestre em saúde comunitária e titular em epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A pesquisa foi conduzida pelo mestre em saúde comunitária da UFBA, Davide Rasella, com a participação de pesquisadores da instituição. Os resultados foram publicados pela revista The Lancet, periódico científico da área de saúde, com sede no Reino Unido.
Edição: Denise Griesinger

Recomendo esta leitura

Um artigo que vale a pena ser lido.


Democracia e revolução europeia

A esquerda brasileira deveria se unir em torno de um amplo movimento político e social em defesa de um programa mínimo de resistência democrática ao impasse que a Europa neoliberal está apresentando ao mundo: novos marcos regulatórios para democratizar o acesso à comunicação e garantir o direito à livre circulação da opinião; reforma política e reforma do pacto federativo, principalmente tributário, para reduzir as desigualdades sociais e regionais. Se não avançarmos nesta agenda de resistência, os avanços que tivemos poderão ser revertidos. O artigo é de Tarso Genro.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22106 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ministro Barroso e os mensalões do PT e do PSDB

Semana passada houve uma grande manifestação midiática a respeito da indicação do novo ministro para o STF. A maioria dessas manifestações foi elogiosa. Fala-se muito bem do novo indicado, aponta-se que ele é uma pessoa progressista. Mas houve quem torcesse o nariz, recordando que ele foi advogado da ABERT, que é amplamente dominada pelo grupo Globo. Enfim, toda unanimidade é burra, como já disse alguém (Nelson Rodrigues, se a memória não me falha). Hoje li um artigo muito interessante no Blog da KikaCastro, escrito pelo nosso grande colaborador e pai da Kika, o José de Castro.
Vamos a ele!

Ministro Barroso e os mensalões do PT e do PSDB

Texto escrito por José de Souza Castro:
Parece acertada a escolha de Dilma Rousseff do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, o advogado e professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Luís Roberto Barroso tem ideias progressistas que não agradam à bancada evangélica no Senado. Mas seus senadores não têm poder de fogo para vetar seu nome na Comissão de Constituição e Justiça que fará sua sabatina ou desaprovar a indicação em plenário.
Entre as ideias defendidas por ele, como advogado, em julgamentos no Supremo, estão: a legitimidade do aborto de fetos anencéfalos, a pesquisa com células-tronco de embriões e a extensão dos direitos civis das uniões estáveis para casais homoafetivos. Como procurador do Estado do Rio de Janeiro, Barroso assinou a ação contra a distribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso Nacional, à espera de julgamento pelo Supremo.
Quando for nomeado ministro, em substituição a Ayres Britto, aposentado compulsoriamente por idade em novembro passado, Barroso herdará aproximadamente 7.000 processos que estavam sob a responsabilidade do atual presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. Se houver tempo, ele deve atuar no julgamento dos recursos apresentados pelos advogados dos condenados no mensalão do PT.
Em janeiro deste ano, Barroso assinou artigo, juntamente com o advogado Eduardo Mendonça, em que comenta aquele julgamento. Escreveu que "jamais houve um julgamento sob clamor público tão intenso, assim como sob mobilização tão implacável dos meios de comunicação". E comentou: "A visibilidade pública, a cobrança da mídia e as paixões da plateia criaram, na sociedade, um ambiente mais próprio à catarse do que à compreensão objetiva dos fatos. Divergências maiores ou menores quanto à prova e suas implicações jurídicas eram tratadas pelo público com a exaltação das torcidas futebolísticas." Segundo os autores, "a dureza das penas e o tom por vezes panfletário de alguns votos surpreenderam boa parte da comunidade jurídica". No seu entender, não é ruim que os juízes levem em conta "a realidade e o sentimento social", desde que o Judiciário não se torne subserviente à opinião pública, ou seja, "pautado pelas pressões da mídia".
Resta saber se, do outro lado do balcão, ele vai escapar dessa pauta.
E ainda, se ele vai conseguir que, como relator no lugar de Joaquim Barbosa, o processo do mensalão mineiro – ou mais apropriadamente, do PSDB, já que o outro inspirado neste é chamado pela imprensa de mensalão do PT – ande no Supremo. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncias contra o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato, durante a campanha da reeleição, em 1998.
Na época da denúncia, Azeredo era senador pelo PMDB mineiro e presidente nacional do partido. Ele renunciou a esse último cargo. Como se elegeu depois deputado federal, seu julgamento continua no Supremo, como o de outro réu no processo, o atual senador Clésio Andrade (PMDB-MG).
O empresário Walfrido dos Mares Guia, que era vice-governador e um dos responsáveis pela campanha frustrada de Azeredo à reeleição, pediu demissão do cargo de ministro do Turismo, ao ser também denunciado pelo mensalão do PSDB. Como o processo foi desmembrado, ao contrário do outro mensalão, Walfrido será julgado pela Justiça Federal em Minas, juntamente com outros réus que não têm direito a julgamento privilegiado pelo Supremo. Entre eles, o principal operador dos dois mensalões, Marcos Valério Fernandes de Souza, já condenado pelo Supremo no caso do Mensalão do PT e pela Justiça Federal, no Mensalão do PSDB.
Walfrido teve melhor sorte. Conforme a “Folha de S. Paulo” de 3 de outubro de 2012, quando completasse 70 anos de idade, no dia 24 de novembro, ele poderia pedir à Justiça prescrição dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, pelos quais foi denunciado. Pois o prazo de prescrição de 16 anos cairia para oito, por causa da idade do réu. Coisas da Justiça...
No caso do mensalão mineiro – ou valerioduto tucano –, o caso ocorreu em 1998 e a denúncia foi apresentada e aceita pela Justiça mineira em 2010, ou seja, 12 anos depois da ocorrência do fato.
Como o prazo superou o máximo de oito anos que manteria Mares Guia como réu no processo, ele poderá pedir sua exclusão.
"É inexorável. Ele [Mares Guia] não quer [deixar de responder ao processo], mas também não adianta não querer", disse o advogado Arnaldo Malheiros Filho, que defende o ex-ministro no caso.
O valerioduto tucano foi um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento irregular da campanha eleitoral do então governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tentava a reeleição e perdeu. Teriam sido desviados R$ 3,5 milhões. São três processos em tramitação, totalizando 12 réus. O que inclui Mares Guia tramita na 9ª Vara Criminal, em Belo Horizonte.
Não há previsão de julgamento de todos esses processos. A ação que tramita em BH terá nesta semana a quarta de dez audiências previstas para ouvir testemunhas dos réus.

domingo, 26 de maio de 2013

Leituras para o domingão

Aproveitem o domingo. Duas leituras interessantes e boas para discutir. O tema é a universidade.


ANTONIO PISO
Existem muitas maneiras de se avaliar a situação das universidades – e nesse termo plural e genérico eu incluo tanto as públicas (IFES) como as privadas (IPES) – e a minha será apenas uma visão pessoal, de quem estudou em universidade pública, ensinou em universidade privada e compartilha, com a imensa maioria de “universitários” – ou, se preferirem, “acadêmicos” – uma nítida sensação de que elas passam, no Brasil, por uma fase de transição, tanto mais dramática quanto é difícil a situação das universidades públicas e mais “agressiva” a ofensiva das privadas sobre um “mercado” anteriormente dominado pelas primeiras... LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2013/05/25/universidades-uma-visao-cetica-sobre-a-possibilidade-de-reforma/

Sugiro também a leitura de:

Em 22 de maio de 2013, estive na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para participar da XXIV Semana de Ciências Sociais: “CIÊNCIAS SOCIAIS: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS”. O evento foi organizado pelo Colegiado do Curso de Ciências Sociais, Departamento de Ciências Sociais, Mestrado em Ciências Sociais, Especialização em Ensino de Sociologia, PARFOR–Ciências Sociais, PIBID – Ciências Sociais e Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Fui convidado para falar sobre o tema “Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais”. A mesa-redonda, coordenada pelo Prof. Dr. Fabio Lanza, também teve a participação da Profa. Ms. Zelma Torres Cruz, professora Emérita da UEL... LEIA NA ÍNTEGRA: http://antoniozai.wordpress.com/2013/05/25/interdisciplinaridade-como-exigencia-para-novas-praticas-profissionais-dos-cientistas-sociais/

sábado, 25 de maio de 2013

Por que Aécio é acusado de fraude contábil

Ainda existem as pessoas que acreditam que Minas Gerais teve uma grande administração tucana....

Entenda o que levou Aécio Neves a ser acusado de fraude contábil

publicado em 24 de maio de 2013 às 23:31

Justiça afirma que governo Aécio mentiu sobre investimentos em saúde
Aécio é acusado de desviar R$ 3,5 bilhões do orçamento da saúde, quase metade de tudo que foi investido na área
Joana Tavares, Portal Minas Livre, na edição mineira do Brasil de Fato
Uma norma federal, chamada Emenda 29, aprovada no ano 2000, determina que todos os estados do Brasil devem aplicar 12% do seu orçamento, que vem da arrecadação de impostos, em serviços de saúde. A Emenda determina ainda que os estados – e os municípios – teriam até o ano de 2004 para se adaptar à nova regra.
Não deveria ser uma norma tão difícil de ser colocada em prática.
Afinal, qualquer administrador público sabe a importância da saúde para garantir boas condições de vida para a população.
Apesar de ser lei, o Governo de Minas Gerais, dos anos de 2003 a 2008, não cumpriu essa norma básica. E pior: colocou na sua prestação de contas um suposto investimento de R$ 3,5 bilhões da Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, na conta da saúde, como forma de maquiar o orçamento. Esse valor equivaleria à metade do orçamento geral para a saúde no período. Isso é o que sustenta ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual – MPE, de dezembro de 2010.
A promotora de Justiça de Defesa da Saúde, Josely Ramos Pontes, explica que foi feita uma fraude contábil. “Enganaram os órgãos de fiscalização e a população o tempo inteiro”, denuncia. A partir do entendimento de que a prestação de contas estava equivocada, pois contavam investimentos que nunca teriam acontecido, o MPE entrou com a ação contra a contadora-geral do Estado, Maria da Conceição Barros Rezende, e o então governador Aécio Neves, que assina junto com ela o documento oficial de prestação de contas.
O ex-governador e atual senador pelo PSDB Aécio Neves entrou com um recurso negando a legitimidade da ação e pedindo a extinção do processo. Em sua defesa, alegou, primeiro, que o MPE não teria competência para entrar com a ação. Tentou ainda explicar que os recursos seriam da própria Copasa, para investimentos que a empresa, de capital misto, faria em obras de saneamento no estado.
Tribunal de Justiça recusa alegações de Aécio
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais não aceitou os termos de defesa dos réus. Os desembargadores entenderam que cabia sim ao MPE entrar com a ação, pois Aécio não era mais governador em dezembro de 2010, período em que a ação começou a correr. Mais importante que isso, reconheceram que a denúncia do MPE estava correta, e que não foram investidos os 12% constitucionais previstos para a saúde.
De forma unânime, os magistrados concluem que não houve transferência de recursos para a Copasa, “não passando de artifício utilizado pela Contadora-Geral do Estado, com o aval do Governador do Estado”.
Eles afirmam ainda a gravidade dessa lesão ao Estado, pois o recurso deveria ser destinado para “reduzir doenças, possibilitar o acesso universal e igualitário a todos”.
A promotora Josely Ramos, que ficou dois anos preparando a ação, garante que esse recur-so não existia na Copasa. Segundo a promotora, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) demonstrou que não havia esse aporte bilionário na empresa, que certamente faria diferença para seus investidores privados. A Advocacia-Geral da União (AGU) também comprovou que esse recurso não chegou à Copasa e, por fim, a própria empresa nega que tenha existido esses R$ 3,5 bilhões em seus balanços.
Anastasia na mira
Com a decisão do Tribunal de Justiça, o processo segue em tramitação na 5ª Vara de Fazenda. “Vai ser feita também uma perícia contábil, que não deve demorar muito, pois já foi feita para a constituição da ação. A fase mais complicada do processo se encerra agora. Creio que até o final do ano já esteja pronto para julgamento”, defende Josely.
Caso sejam condenados, as penas para os réus – Aécio Neves e Maria da Conceição Barros Rezende – podem incluir pagamento de multa e perda dos direitos políticos. Josely explica ainda que essa simulação utilizada pelo governo continua acontecendo. Ela está preparando uma outra ação, desta vez investigando o período de 2008 a 2011, contra o governador Antonio Anastasia, que também não aplica o mínimo exigido na saúde de Minas Gerais.

fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/promotora-estuda-nova-acao-contra-aecio-por-fraude-contabil.html