quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem quer um golpe?

Matéria publicada no blog DoLaDoDeLá, hoje. Repasso.


por Zé Augusto

O JN abriu o noticiário escolhendo a dedo como primeiras imagens de cartazes, um grupo muito pequeno de pessoas no Rio, com um cartaz "Fora Dilma" ao lado de "Militar no poder". Foi o abre-alas escolhido pelo telejornal.

Em seguida engatou a fala de um cidadão com um adesivo "Educação em greve"... Uau! A Globo finalmente dando voz a professores em greve? Ledo engano. O formato da edição fez parecer que aquele cidadão ali que falava contra a desigualdade social, estava no conjunto do grupo anterior que pedia a volta da ditadura.

Daí em diante o noticiário focou nos black blocs, sem sequer contextualizar pelo que protestavam. O jornalismo da Globo está tão ruim e manipulado que disse apenas "Eles ocuparam a pista lateral, gritando palavras de ordem, em frente ao palanque das autoridades". Que palavras de ordem, para entender o protesto? O telespectador ficou sem saber.

O fato é que a Globo quis fazer proselitismo de que o Brasil estaria em clima de baderna e caos. Foi assim que fizeram para preparar o golpe em 1964.

Mas a ênfase que a Globo deu não corresponde ao conjunto do que aconteceu no 7 de setembro. Os desfiles cívicos e militares transcorreram normalmente, a exceção de Maceió, que cancelou. 

Mesmo no Rio, onde manifestantes invadiram áreas que tinham cordão de isolamento no final, não atrapalhou o curso do desfile. Manifestações pacíficas do grito dos excluídos também transcorreram sem maiores problemas. 

Os problemas foram localizados entre black blocs, que escolheram agir de forma isolada, e a polícia. É assim que a Globo deveria mostrar, se não estivesse tão assanhada com um golpe.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Alvo da PF, superlobista agita o meio político

Quando se pensa que a questão tá resolvida... verifica-se que o buraco é mais embaixo... bem mais embaixo...

Alvo da PF, superlobista agita o meio político

O surgimento do nome de um dos maiores e mais importantes lobistas do país, José Amaro Pinto Ramos, nas investigações do propinoduto tucano do Metrô de São Paulo, causa imenso alvoroço em todo o meio político; além de aproximar os tucanos da Alstom, ele também se envolveu na venda dos caças Rafaele; sua influência esteve presente nos governos de Jânio Quadros, Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury e Mario Covas; foi também ele quem aproximou José Dirceu da Casa Branca; PF investiga transferência de cotas de sua empresa para o ex-deputado Cunha Bueno, amigo pessoal de FHC
9 de Setembro de 2013 às 09:20
247 - Colecionador de arte, frequentador de restaurantes finos e apostador no Jockey Club paulistano, onde têm direito à mesa com ampla visão da pista de corrida e seu nome nela gravado em uma vistosa placa de bronze, José Amaro Pinto Ramos é nome recorrente em todos os grandes negócios nas mais altas esferas do poder nas últimas quatro décadas, pelo menos. Da compra de caças Mirage para a FAB na França nos anos 70 até o lobby para que sejam substituídos pelo caríssimo e mal-afamado caça Rafale, também fabricado pela Dassault, do escândalo do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) no primeiro mandato de FHC, até a explosão do investidor Bernard Madoff, o até agora discreto Pinto Ramos está presente.
Ele tanto apresentou o marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, para Sérgio Motta e o PSDB, quanto aproximou José Dirceu e o PT da Casa Branca. Foi homem forte na gestão de Jânio Quadros na prefeitura de São Paulo e trafegou com desenvoltura nos governos de Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury e Mário Covas. Auxiliou as maiores empreiteiras do Brasil em negócios no país e no exterior e fez do eixo Washington-Paris-São Paulo-Brasília, o seu cenário de “operações”, algumas tidas como nem sempre ortodoxas.
Paulo Maluf, em histórico bate-boca com o falecido ministro Sérgio Motta, disse claramente que José Amaro Pinto Ramos mandava no tucanato. Serjão, apesar de toda sua conhecida irreverência, calou-se e não respondeu ao adversário.
Investigado pelo FBI por negócios mal esclarecidos nos Estados Unidos, o lobista da Alstom e da Siemens (dentre outras dezenas de grandes corporações nacionais e internacionais) sai à luz com a revelação de que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal o investigam por suposta participação central no escândalo do Metrô, com o comprovado desvio de mais de US$ 1 bilhão.
Uma das “operações” de José Amaro Pinto Ramos, a que o 247 teve acesso com exclusividade, chamou a atenção do MPF e do DPF. Ela se deu em 30 de junho de 2010, quando o lobista transferiu a titularidade de uma empresa de sua propriedade, através da cessão e transferência de 1 milhão e duzentas mil quotas pelo valor de R$ 1,00 por quota, para outras três empresas, capitaneadas pelo ex-deputado federal paulista Antônio Henrique Cunha Bueno, notório ex-líder monarquista e amigo pessoal de FHC. 
Pinto Ramos e a Epcint Assessoria Técnica Ltda., transferiram as quotas que possuíam para as empresas Marenostrum (1.248.502 quotas), à Ressac (83.363 quotas) e à EDEN (333.454 quotas). José Amaro Pinto Ramos e a sua empresa (Epcint) transferem o negócio e as três empresas, imediatamente, formam a Vitrus Consultoria de Mercados, uma sociedade anônima. A nova diretoria é constituída por Cunha Bueno, como presidente, e Pinto Ramos é nomeado diretor-administrativo.
As autoridades trabalham com a possibilidade de que Pinto Ramos realizou uma operação bastante conhecida no mercado, tentando apagar os rastros de operações de lobby e pagamento de propinas realizadas por sua antiga empresa, a Epcint, formando uma nova, com a incorporação de outras empresas, que seriam dele ou de pessoas ligadas a ele. Esse pode ser, segundo uma fonte da Polícia Federal, um dos caminhos pelos quais passa a intrincada história do rombo de mais de US$ 1 bilhão do metrô paulista.
Com exclusividade, trechos da ata de constituição da Vitrus, que chamou a atenção do Ministério Público e da Polícia Federal:
Data: 30.06.10. Hora: 16h. Local: Sede Social.Presença: sócios representando a totalidade do capital social: José Amaro Pinto Ramos (Presidente) e Epcint Assessoria Técnica Ltda. (“EATec”); bem como os seguintes presentes: Marenostrum Participações Ltda.; Ressac Participações Ltda.; Epcint Desenvolvimento de Negócios Ltda. (“EDEN”); Sayoko Minemura; Helio Machado Bastos Filho; e Antônio Henrique Bittencourt Cunha Bueno (Secretário). Deliberações tomadas por unanimidade. 1. Cessão e transferência de quotas , no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, conforme segue: (i) José Ramos transfere a totalidade de suas quotas da seguinte forma: (a) 1.248.502 quotas à sócia ingressante Marenostrum; (b) 83.363 quotas à sócia ingressante Ressac; e (c) 333.454 quotas à sócia ingressante EDEN; e (ii) EATec cede e transfere a totalidade das 1.949 quotas de que é titular à sócia ingressante Marenostrum; 2. Retirada dos sóciosEATec e José Ramos e o ingresso das sócias Marenostrum, EDEN e Ressac, como únicas sócias da Sociedade; 3. Transformação da Sociedade em sociedade por ações; 4. Alteração da Denominação Social , que passa a ser Vitrus Consultoria de Mercados S.A.; 5. Nova Composição do Capital Social , totalizado em R$ 1.667.268,00, que passa a ser representado por 1.667.268 (“Ações”), com valor nominal de R$1,00 cada uma, divididas em Ações Ordinárias Classe A e Ações Ordinárias Classe B, distribuídas nas seguintes proporções: (a) Marenostrum é titular de 1.250.451 Ações Classe B, (b) Ressac é titular de 83.363 Ações Classe B, e (c) EDEN é titular de 333.454 Ações Classe A; 6. Aprovação do Estatuto Social ; e 7. Eleição dos Diretores da Sociedade, todos com mandato de 3 (três) anos: (i) o Sr. Antônio Henrique Bittencourt Cunha Bueno, para o cargo de Dir. Presidente, (ii) o Sr. José Amaro Pinto Ramos, para o cargo de Dir. Administrativo; e (iii) a Sra. Sayoko Minemura, para o cargo de Diretora sem designação específica, que farão jus a honorários no limite global e anual de R$ 1.000,00 (mil reais). Aprovada e por todos assinada. SP, 30.06.10. Jucesp - Reg. 311.199/ 10-0, em 27/08/10. José Amaro Pinto Ramos, Presidente. Constituída sociedade Vitrus Consultoria de Mercados S.A., sob NIRE: 35.300.383.508.
fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/poder/114314/Alvo-da-PF-superlobista-agita-o-meio-pol%C3%ADtico.htm

Convite





A Modernidade no discurso político: A Assembleia Legislativa e o Governo JK em Minas
12 de setembro de 2013 - Teatro da Assembleia, 19 horas


Expositoras
Maria Beatriz Gontijo dos Santos
Graduada em letras e mestre em linguística pela UFMG.
Ex-consultora da ALMG, coordenou o controle de linguagem e de terminologia na implantação dos bancos textuais da ALMG.
Maria Elizabete Gontijo dos Santos
Socióloga com especialização em política educacional pela UFMG.
Ex-consultora da ALMG, possui diversos artigos publicados na Revista do Legislativo.
Coordenador
Luiz Fernandes de Assis
Historiador e professor da Escola do Legislativo da ALMG.

A pesquisa analisa a forma como foi implantada a proposta de modernização apresentada pelo governo JK em Minas Gerais, no período de 1951 a 1955, e seus diversos significados para sociedade essencialmente agrária de então. Para o desenvolvimento do trabalho, as autoras utilizaram-se da análise de discursos dos parlamentares na Assembleia Legislativa mineira, bem como do exame de documentos da época. Na ocasião será lançado o livro de mesmo nome, editado pela ALMG, resultado do estudo realizado por elas no âmbito do Núcleo de Extensão e Pesquisa da Escola do Legislativo – Nepel.
Inscrições e informações:

Crocodilos derrotados

Achei esta matéria no site do Nassif. Concordo com o que a pessoa que o recomendou, escreveu: imperdível!


Do face do Paulo Moreira Leite. Imperdível !

Crocodilos derrotados

Nossos cronistas que tentam impedir que os condenados da Ação Penal 470 tenham direito a uma revisão adequada de suas penas e mesmo uma segunda jurisprudência perderam um argumento depois de ontem.

Numa postura autoritária, que confundia seus desejos com a realidade, falavam do monstro, do ronco, do demônio das ruas para justificar a prisão imediata dos condenados.

Mas tivemos protestos de participação modesta, que confirmam não só a vergonhosa ignorância da fatia conservadora da elite de nossos meios de comunicação quanto às preocupações reais que afligem a maioria da população, mas também sua total falta de compromisso com a apuração e divulgação de fatos verdadeiros e informações confiáveis.
Querem fazer propaganda, querem ideologia – e não é difícil entender a razão.
Interessados num eventual proveito político do julgamento, tentam chantagear as instituições da democracia, sem importar-se, sequer, com outros prejuízos de natureza cultural que o estimulo à baderna possa produzir.
Como observou Janio de Freitas, pela primeira vez na história as pessoas saíram a rua num 7 de setembro sem “incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.”

Diz ainda Janio: “pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.”
Lembrando que somos uma pátria de desiguais, o Grito dos
Excluídos disse a que veio. Mas só.
Os demais não disseram nada, embora fosse sobre eles que se disse tudo – especialmente, que o STF deveria se acovardar.
Há um componente maligno e manipulador nesse esforço para anunciar que um protesto será uma manifestação grandiosa.

Procura-se estimular o efeito manada naquele conjunto de cidadãos capazes de sair a rua porque acham que “todo mundo vai estar lá”. Numa sociedade pouco organizada como a nossa, onde os partidos políticos são o que são e as demais organizações sociais são aquilo que se conhece, muitas pessoas sentem-se desenraizadas e sem compromisso social maior. Ficam impressionadas com demonstrações de força.
Tenta-se contaminar nestes indivíduos um sentimento de solidão e isolamento caso não acompanhem os atos daqueles que se quer transformar numa “maioria” que ninguém ouviu nem diz onde mora nem sabe o que pensa – e muitas vezes nem pode ver o rosto, o que não é casual.

A leitura de Hanna Arendt, uma das mais fecundas estudiosas do nascimento de movimentos totalitários que levaram às piores ditaduras do século passado, permite interessantes comparações com aquilo que se diz e se faz no Brasil de hoje. Não tudo, mas boa parte, pelo menos.

Hanna Arendt explicou que os movimentos contra uma democracia ainda em gestação na Europa entre as duas Guerras precisaram de “uma grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos, que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs; que, consequentemente, os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade eram uns néscios e que as autoridades constituídas eram não apenas perniciosas, mas também obscuras e desonestas.” (“Origens do totalitarismo”, página 444).

É claro que, diante do fiasco comprovado de ontem, ninguém irá admitir que nunca houve uma relação direta nem clara entre a ação 470 e os protestos de junho.
Havia, há dois meses, quem protestasse contra os condenados. Era muita gente, sem dúvida. Mas havia uma raiva mais ampla e generalizada, que envolvia o sistema político, a saúde pública e, como causa inicial, não vamos esquecer, o transporte público.

Reconhecer isso hoje seria aceitar que se fez uma descrição política interesseira, que pretende dar ao povo um tratamento de ralé, estimulando, acima de tudo, a busca de um líder autoritário – para empregar, mais uma vez, a análise de Hanna Arendt.

Para ela, povo é aquele movimento social articulado a partir de interesses concretos e definidos, inclusive de classe social, que reage para defender seus direitos quando são atacados – e por isso ela identifica povo com a democracia.
Já a ralé, no sentido político, é formada por uma massa de cidadãos de várias classes, alimentados por uma “ amargura egocêntrica” que produz uma forma de “nacional tribal” e também o “niilismo rebelde."

Analisando a estratégia de um dos mais cruéis líderes de um movimento em si monstruoso como o nazismo, Arendt fala que Himmler procurava recrutar integrantes das SS entre cidadãos que não estavam interessados em “problemas do dia a dia” mas somente em questões ideológicas de quem acredita trabalhar “numa grande tarefa que só aparece uma vez a cada dois mil anos.”

Vejam algumas semelhanças entre as coisas.
No livro “ A Cozinha Venenosa, “ no qual estuda a emergência do nazismo a partir da história de um jornal socialdemocrata de Munique, a jornalista Silvia Bittencourt lembra uma frase do hino da SS: “a Alemanha desperta.”

Descrevendo a “atomização social e a individualização extrema”, Hanna Arendt fala de massas que, “num primeiro desamparo de sua existência, tenderam para um nacionalismo especialmente violento.”

Avaliando o comportamento dos partidos que tinham uma postura de cumplicidade nos ataques a democracia, diz que agiam assim “por motivos puramente demagógicos, contra seus próprios instintos e finalidades.”

Na verdade, a falta de disposição espontânea para transformar o 7 de setembro numa jornada de confronto político real, como ocorreu em junho, não era tão difícil assim de ser percebida.

Em 4 de setembro registrei neste espaço minhas dúvidas sobre o tão falado monstro e seu “ronco”, como dizem os adoradores de todo movimento capaz de ser usado para causar prejuízos ao condomínio Lula-Dilma.

Falando dos crocodilos que rondam o Supremo, escrevi:

“Tenho certeza absoluta de que muitos brasileiros querem a prisão dos condenados pela ação penal 470. São sinceros e estão convencidos de seus motivos. Acho que o massacre dos meios de comunicação, tendenciosos, tem muito a ver com isso.
Não custa lembrar, contudo, que o Brasil não se resume a essas pessoas. Todos os deputados indiciados na ação penal 470 e que disputaram cargos eleitos em 2010 tiveram boa votação. Em 2012 a lei ficha limpa tirou João Paulo Cunha do pleito em Osasco. Senão, teria sido eleito prefeito. Não pode concorrer e emplacou um substituto no posto. Dirceu só não foi eleito em 2010 porque perdeu os direitos políticos no Congresso.
(...)
O “povo”, “a rua”, “o monstro” compareceu em massa às urnas em 2006, 2010, 2012. Em nenhuma dessas ocasiões a ação penal 470 derrotou qualquer candidato a presidente, a governador, a prefeito. Ocorreram derrotas e vitórias espetaculares. Sei da opinião de quem vai aos protestos. Mas basta andar pela rua e perguntar a opinião da população sobre Dilma. Ou sobre Lula.”

Seria ilusório no entanto, esperar por um balanço politicamente honesto deste 7 de setembro. Ninguém irá aplicar o mesmo critério e reconhecer que a população não está com tanta pressa assim –-- e dar uma folga na chantagem sobre o Supremo, deixando que, nos últimos dias, seja capaz de encarar os fatos e reconhecer que tem o dever de abrir o debate para a discussão dos embargos infringentes, uma possibilidade de assegurar a pelo menos uma parcela dos réus o direito de uma revisão de suas penas.

As “ruas “ e o "monstro" eram apenas pretextos convenientes para justificar uma postura autoritária para mobilizar a população, de qualquer maneira, para exigir punições exemplares. Não deu certo e agora se mudará de assunto para perseguir o mesmo alvo, que é criminalizar as mudanças ocorridas no país nas últimas décadas. Como se faz sempre, a retórica consiste em transformar o bom em regular em ruim, o ruim em péssimo – e dizer que tudo o que há de ótimo saiu da cartola da oposição, enxotada do Planalto com uma popularidade negativa de 13 pontos.

A transmissão ao vivo do julgamento, ainda no ano passado, destinava-se a transformar uma decisão que deveria ser tomada num ambiente de serenidade e recolhimento num espetáculo público com várias demonstrações de autoritarismo e intolerância.
Tivemos um ministro relator que jamais foi um juiz, mas um aliado da acusação e, em vez de ser questionado a respeito, foi aplaudido exatamente por isso.

Este comportamento permitiu várias distorções e abusos. No último exemplo, o ministro Ricardo Lewandovski demonstrou, com dados irrefutáveis, o agravamento artificial das penas com a finalidade de impedir que, apesar das denúncias injustas, da falta de provas, da fraqueza de tantas acusações, os réus pudessem beneficiar-se de um direito universal – a prescrição de penas depois de determinado prazo de investigação.

Estimulando atitudes de quem se coloca acima da lei, improvisa soluções sob encomenda a seus interesses, o que se quer é outra coisa.
Convencer o “niilismo rebelde” e o “nacionalismo tribal” que é possível desrespeitar a democracia pois ninguém será capaz de reagir. Estamos sendo submetidos a um teste.
Através do ataque aos direitos de 25 condenados, pretende-se atingir os direitos do povo inteiro É um plano para um prazo mais longo, amplo e profundo.

Se, em outubro de 2014, Dilma Rousseff e Lula confirmarem o dizem as pesquisas eleitorais de hoje, cravando uma quarta vitória eleitoral consecutiva sobre a “ a amargura egocêntrica” das elites, nós poderemos saber exatamente o que estava em jogo no espantalho do monstro de 7 de setembro -- obter, fora das urnas, fora do respeito devido às instituições democráticas, vitórias que só a soberania popular pode assegurar.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Lagoa da Pampulha: revitalizar ou maquiar para a Copa?

E pensar que a lagoa já foi, mesmo!, o cartão postal de BH....


Lagoa da Pampulha: revitalizar ou maquiar para a Copa?


Para transformar cartão postal de Belo Horizonte é preciso sanear sua bacia. Obra em curso é superficial: não resistirá após campeonato 
Por Giulia Afiune, na Publica
“O aspecto da Lagoa da Pampulha é péssimo. Cheia de lixo, algas, esgoto, com muito mau cheiro. Nem dá vontade de ir para lá”. É assim que a jornalista Nirma Damas descreve a lagoa perto de sua casa. Nirma mora há 44 anos às margens de um córrego que desagua na Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
A menos de um ano da Copa do Mundo, a situação dessa paisagem de cartão postal da capital mineira é preocupante. A maior parte das águas que banham o entorno do estádio Mineirão – que vai sediar jogos do evento – e da Igreja de Santo Antônio, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e um dos principais pontos turísticos de BH, apresentam um índice de qualidade ruim (45%) ou péssimo (32%); o restante tem qualidade média. Os números são de um
relatório do Igam (Instituto Mineiro de Gestão de Águas) referente ao quarto trimestre de 2012.
Nenhuma das amostras coletadas atingiu qualidade boa ou excelente, já que todas (100%) continham coliformes fecais. “Desde a década de 60, a Lagoa é um depósito de lixo, esgoto, sujeira, sedimentos. Tudo que é carregado pelos córregos que formam a bacia da Pampulha fica lá, depositado”, explica o médico e professor Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão, iniciativa interdisciplinar da Universidade Federal de Minas Gerais que estuda as águas do estado.
A origem do problema está na ocupação desordenada em torno dos afluentes, ele explica: “A partir da década de 60, muita gente foi morar no entorno da Lagoa. Enquanto parte das ocupações foi feita com construções de qualidade por pessoas de classe mais alta, muitas foram absolutamente desordenadas, principalmente em direção à cidade de Contagem (município vizinho de Belo Horizonte). Por isso grande parte do esgoto da região passou a ser depositado diretamente nos afluentes que iam para a Lagoa.”
O geógrafo Rodrigo Lemos explica que, até hoje, a desigualdade marca a região da Bacia da Pampulha, que abrange Belo Horizonte e Contagem. “A orla da Pampulha tem um dos metros quadrados mais caros de Belo Horizonte, mas as comunidades no entorno dos afluentes são frágeis, do ponto de vista social, e ocupam essas áreas de risco por necessidade.”
Alto investimento, resultado duvidoso
Para a Copa do Mundo, a Prefeitura e o Governo do Estado decidiram realizar uma ação conjunta para despoluir o local. Em maio deste ano, a Prefeitura emitiu a ordem de serviço para o desassoreamento da Pampulha. Durante oito meses, o fundo da lagoa será escavado para retirar lixo e sedimentos, que serão transportados por tubulações até as margens, onde serão desidratados e levados para um aterro sanitário situado na rodovia BR-040. Essa operação custará R$ 108 milhões aos cofres da cidade.
O problema é que enquanto o projeto pretende retirar 800 mil m3 de terra e sujeira, os afluentes continuam depositando 500 mil m3 desses materiais por ano, segundo o professor Polignano. “Vai ter uma melhora parcial no ano que vem, mas a durabilidade vai ser muito curta e a eficácia muito pequena para a dimensão do problema que a gente tem. Questionamos a validade desse tratamento por entender que ele é paliativo e ineficaz para cumprir o que ele tem que atingir”, diz o professor.
Essa não é a primeira vez que o poder público decide tomar uma iniciativa como essa. Segundo levantamento do jornal Estado de Minas , feito com base em dados do Igam, R$ 333,1 milhões foram investidos, entre 1997 a 2011 para limpar a lagoa.
Um bom motivo para que a população desconfie da efetividade da obra atual. “Pelo menos três vezes gastaram uma verba grande no trabalho e aí, 5, 6 anos depois, o problema voltou e tiveram que fazer de novo”, critica Nirma Dias, que também coordena o Programa Pampulha Viva, integrante do Projeto Manuelzão. “Quando foi anunciado que a Copa seria aqui e o governo começou a falar em revitalizar a Lagoa, nós do Projeto Manuelzão colocamos: não queremos uma Lagoa maquiada para a Copa, e sim, toda a Bacia revitalizada”, ela defende.
Para o professor Marcos Polignano, a solução tem de englobar toda a bacia, evitando a entrada de sedimentos nos rios que a compõem, controlando o uso do solo e impedindo a ocupação das áreas de proteção do entorno: “Para resolver o problema da Lagoa, tem que garantir a qualidade da água que chega lá, pelos afluentes”, diz.
Tratamento de esgoto e qualidade das águas
Assegurar a qualidade das águas é responsabilidade do governo do estado, por meio da Companhia de Saneamento de Minas Gerais. Desde setembro de 2012, a Copasa diz estar investindo R$102 milhões para construir 80 km de redes coletoras de esgoto e 20 km de interceptores e tubulações que impedem que ele caia dentro dos córregos da Bacia da Pampulha. O esgoto será levado para a estação de tratamento do córrego do Onça, já em funcionamento. A meta é aumentar de 95% para 97% o esgoto tratado na área da bacia em Belo Horizonte e de 80% para 95%, em Contagem.
“As obras da Copasa, associadas ao desassoreamento e à limpeza das águas da Lagoa feitos pela prefeitura, têm como objetivo tornar as águas da Pampulha em classe 3, ou seja, próprias para esportes náuticos, como remo, canoagem, pedalinhos, até junho de 2014. Não vai poder nadar, porque ainda não tem condições para contato primário.”, diz Valter Vilela Cunha, engenheiro da Copasa responsável pelo empreendimento. Segundo a classificação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), as águas de classe 3 também podem ser usadas para pesca, para irrigação de plantas, para saciar a sede de animais e para consumo humano, após tratamento. O pior índice da escala são as águas de classe 4, destinadas somente à navegação e à harmonia paisagística. “Atualmente as águas da Pampulha não são de classe nenhuma por causa da poluição”, diz o engenheiro da Copasa.
As obras deveriam ter acabado em junho desse ano, mas o prazo foi esticado para dezembro de 2013. “O maior desafio tem sido trabalhar em áreas carentes, em que muitas pessoas moram praticamente dentro dos cursos d’água. Então para fazer as obras foi necessário remover essas pessoas e transferir para prédios que nós estamos construindo. Como esses processos são complexos, demorou mais do que estava previsto”, diz Cunha.
As famílias terão que pagar para ligar o esgoto da cozinha e dos banheiros de sua casa à rede coletora.“O valor dessa obra depende do tamanho da casa, de onde estão as instalações sanitárias. Mas nós estamos fazendo a ligação de graça para a população de baixa renda”, diz o engenheiro. A reportagem entrou em contato com associações locais de moradores para confirmar a informação, mas não obteve resposta até o fechamento.
O problema mais grave não é o esgoto, diz geógrafo
Mas, segundo o geógrafo Rodrigo Lemos, que está fazendo mestrado na UFMG sobre planejamento e gestão territorial e gestão dos recursos hídricos na Pampulha, o principal problema não é o esgoto, e sim, o assoreamento contínuo, causado pelas construções na beira da Lagoa e dos afluentes. “A lagoa continua sendo assoreada porque as ocupações regulares e irregulares que existem na região movimentam o solo e retiram a vegetação ciliar, que “seguraria” a terra”, explica. “A erosão leva os sedimentos para os córregos e estes, até a lagoa, onde o material fica depositado.”
“A Pampulha é um reservatório artificial, o que quer dizer que ele tem uma vida útil. Em 1989, quando o volume de sedimentos depositados no fundo da Lagoa era cerca de 380 mil m3 por ano, foi feita uma projeção de que, em 2000, o número saltaria para 600 mil m3. Mas não foi feito outro levantamento para afirmarmos, com certeza, qual é esse número hoje”, conta.
Lemos criticou os sucessivos programas de desassoreamento e tentativas de limpeza da Pampulha por não atacarem a origem do problema. “Se a Copasa cumprir sua meta, teremos uma lagoa sem cheiro. Mas se não acabarem com o assoreamento, daqui a pouco não teremos lagoa nenhuma”, alerta.
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O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Os crimes da Nestlé são acobertados no Brasil!

Tucanos em Minas, petistas em Brasilia.
E lá se vão nossas águas minerais!


Crimes da Nestlé são acobertados por autoridades e imprensa brasileira

As águas turvas da Nestlé: Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente, vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão


Há alguns anos, a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar a água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões. As águas minerais, de propriedades medicinais e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.

Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição.
Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a PureLife é uma água química. A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando, por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.
Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.

Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início de 2004.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e à imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ONG verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.

Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte, no entanto, o governo de Minas (PSDB) baixou portaria regulamentando a atividade da Nestlé. Ao invés de aplicar multas, deu-lhe uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso.

Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente, vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão. Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do governo federal (PT), para calar a boca. Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.

Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento.

Sim, é a mesma famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores, para substituir leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.

A vendedora de leites e papinhas “substitutos” estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação. Mais preocupante: o governo federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização “parcial” das águas. O que é isso? Como será regulamentado?

Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar agora a tal desmineralização “parcial”? Além do que, “parcial” ou “integral”, a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós, cidadãos, ganhamos com isso?

É simples. Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. É para essas empresas que o governo governa? Uma vergonha!

Carla Klein, Correio da Cidadania

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O senhor da guerra (ótima charge!)

Latuff é um dos grandes cartunistas/chargistas/caricaturistas, bastante comprometido com causas nacionais e internacionais.
Esta que recebi hoje é muito legal, em minha opinião!