segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Perigo!!! Perigo!!!

Lembram-se do robô da série Perdidos no Espaço? Ele me veio à memória ao ler este artigo!!!

Japão dá luz verde para "arriscada" limpeza do reator 4 de Fukushima

A remoção de 1.300 bastões de energia gastos pode ser o momento mais perigoso para a humanidade desde a crise dos mísseis de Cuba. 

Lauren MacCauley, para o Common Dreams 

Autoridade de Regulação Nuclear (ARN) japonesa deu essa semana o ok final para a operadora da usina nuclear danificada de Fukushima Daiichi remover os 1.300 bastões de energia gastos da piscina da altamente danificada unidade 4, iniciando um processo que o militante anti-nuclear Harvey Wasserman descreveu como "o momento mais perigoso para a humanidade desde a crise dos mísseis de Cuba".

De acordo com a Associated Press (AP), a Autoridade de Regulação Nuclear anunciou que o plano de remover manualmente os bastões radioativos a ser posto em prática pela operadora, a Tokyo Electric Power Company, ou TEPCO, é “apropriado” e a remoção “pode se iniciar em novembro, como havia sido planejado, seguida de uma inspeção local feita pelos reguladores”.

A TEPCO estima que o processo completo de decomposição vá levar décadas. Dando mais detalhes do processo, diz a AP:

“A TEPCO preparou uma estrutura massiva de aço com um guindaste operado por controle remoto para remover os bastões de combustível, que serão depositados em um tonel de proteção e transferidos para uma piscina de resfriamento localizada numa construção ao lado. Para abrir espaço para os bastões da unidade 4, a companhia tem transportado os que já estavam na piscina para um depósito mais seguro em tonéis secos, em um local separado.

O plano é esvaziar a piscina do reator 4 até o fim de 2014, e remover bastões de energia das piscinas de três outros reatores danificados ao longo de vários anos antes de cavar até os núcleos derretidos, por volta de 2020.”

No entanto, de acordo com o engenheiro nuclear Arnie Gundersen, os bastões de energia gastos da unidade 4 estão “vergados, danificados e fragilizados e ponto de se desmancharem”. E o presidente da ARN, Shunichi Tanaka, alertou que a remoção dos bastões poderia ser dificultada por conta do risco que representam os destroços que caíram na piscina durante as explosões provocadas pelo terremoto de 2011, pelo tsunami e pelos subsequentes três processos de fusão de reatores na usina.

“É completamente diferente de remover bastões de energia normais de uma piscina”, disse Tanaka durante uma coletiva de imprensa. “Elas precisam ser manipuladas com extrema cautela e devem ser monitoradas muito de perto. Não se pode apressar, ou forçar para que elas saiam, ou elas podem quebrar”.

Wasserman alerta que há cerca de “400 toneladas de combustível naquela piscina, que poderiam liberar mais de 15 mil vezes a radiação que foi detonada em Hiroshima”.

Wasserman, Gundersen e outros ativistas da questão nuclear têm alertado que nem a TEPCO nem o governo japonês têm “os recursos técnicos, científicos e financeiros” para lidar com essa tarefa e que essa situação demandaria um “esforço coordenado mundial dos melhores cientistas e engenheiros de nossa espécie”.


Mais de 100 mil pessoas já assinaram uma petição dando eco a essa demanda. “A remoção de enormes bastões radioativos a mais de 30 metros no ar representa um desafio científico e de engenharia sem precedentes”, dizem os signatários, que pedem ao presidente Barack Obama e ao secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, que intercedam junto às autoridades japonesas. “Pedimos que a comunidade mundial [...] tome controle dessa tarefa incrivelmente perigosa”.

Tradução de Rodrigo Mendes.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/Japao-da-luz-verde-para-arriscada-limpeza-do-reator-4-de-Fukushima/3/29426 

O linhão paraguaio, o porto de Mariel e a paralisia nacional na infraestrutura

Boa questão colocada no ultimo parágrafo... muito boa mesmo! Alguém teria uma resposta?

O linhão paraguaio, o porto de Mariel e a paralisia nacional na infraestrutura

O linhão paraguaio, o porto de Mariel e a paralisia nacional na infraestrutura

Nos últimos dias, dois importantes fatos marcaram a nossa política externa e a participação do Brasil no processo de integração da América Latina.

fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/O-linhao-paraguaio-o-porto-de-Mariel-e-a-paralisia-nacional-na-infraestrutura/29429


Nos últimos dias, dois importantes fatos marcaram a nossa política externa e a participação do Brasil no processo de desenvolvimento e integração da América Latina. A linha de alta tensão entre a usina hidrelétrica de Itaipu e Assunção, e a abertura, a investidores estrangeiros, da nova Zona de Desenvolvimento de Mariel, junto ao porto cubano de mesmo nome.

A linha Itaipu-Assunção, de 500 kW, custou 555 milhões de dólares, e é a primeira grande obra financiada pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), criado para fomentar projetos nas menores economias do grupo.

A maior parte do financiamento, quase 400 milhões de dólares, ficou a cargo do Brasil, no contexto dos acordos firmados entre Lula e o Presidente Lugo.

Na mesma época, aumentou-se também a compensação paga ao Paraguai pela energia de Itaipu, que passou de 120 para 360 milhões de dólares por ano.

A obra, de cuja inauguração participou a Presidente Dilma, ao lado do novo Presidente Horácio Cortes, é emblemática para o futuro do Mercosul e o processo de integração sul-americano.

Primeiro, porque mostramos à Europa e aos Estados Unidos que podemos cuidar – técnica e financeiramente – dos grandes desafios de infraestrutura regional, sem precisar de nenhuma ajuda ou interferência deles.

Segundo, porque permitirá que inúmeras empresas brasileiras, que sofrem com a concorrência chinesa, aqui e em terceiros mercados, devido à diferença do custo de energia elétrica entre os dois países, possam melhorar suas condições de competição, instalando-se em território paraguaio, para fabricar para o mercado brasileiro e o  internacional.

Mas, sobretudo, porque, abrindo caminho para o desenvolvimento econômico e social do país vizinho, essa obra contribuirá para erodir o discurso de radical antagonismo aos sócios do Mercosul.

A tática da direita paraguaia é a de manter sempre acesa a chama – que tremula na mente do público mais conservador - do ressentimento histórico contra o Uruguai, a Argentina, e, principalmente o Brasil, por causa da derrota do país na Guerra da Tríplice Aliança.

É esse ressentimento que faz com que o Paraguai, seja visto, hoje, por muitos, como o melhor instrumento - um verdadeiro cavalo de Tróia institucional - para as inúmeras tentativas  de sabotagem e enfraquecimento do Mercado Comum do Sul e da União das Nações Sul-americanas.

Os EUA, a Espanha e o México, com a “Aliança do Pacífico” (que não passa de um mito, os mexicanos crescerão neste ano 1.2%, menos da metade que o Brasil) querem transformar o Paraguai em enclave ideológico neoliberal na região.

E há paraguaios que defendem não só a saída do país do Mercosul, mas também a abertura de seu território para a instalação de bases militares norte-americanas.

Se o linhão paraguaio é grande exemplo de que a integração sul-americana, do ponto de vista da infraestrutura, pode ser bem sucedida, o mesmo acontece com o novo porto cubano de Mariel, e com a Zona de Desenvolvimento Econômico que está sendo construída em seu entorno, no âmbito latino-americano.

Cuba precisa provar que pode seguir em frente, com um modelo de desenvolvimento próprio, apesar da pressão e do bloqueio norte-americano. E o Brasil está presente nesse contexto, financiando e construindo – também em seu próprio benefício – o maior projeto em execução na ilha desde a revolução cubana de 1959.

Os cubanos querem descobrir - como os chineses já o fizeram – se o capitalismo de estado pode funcionar como instrumento de desenvolvimento e de melhora da qualidade de vida da população. E assim evitar que, no futuro, tenham que agregar, sem alternativa, o país ao projeto imperial norte-americano, como já fez Porto Rico, e, em certa medida, o México.

Para isso, além da modernização da indústria açucareira e da agricultura – também com cooperação brasileira – Havana está de olho na duplicação do Canal do Panamá, que deverá aumentar, exponencialmente, a movimentação de cargas na região, a partir de 2015.

Essa é a razão que está por trás do novo Porto de Mariel – construído pela Odebrecht e financiado pelo Brasil em 80% - que contará com capacidade para o transbordo de um milhão de contêineres por ano. E, também, da área industrial em torno dele, criada para atrair  empresas latino-americanas que queiram produzir mercadorias com destino ao Pacífico e  fábricas japonesas, chinesas, e vietnamitas, por exemplo, que fabriquem produtos para os mercados do Atlântico e da América Latina.

Mariel e a Linha Itaipu-Assunção, representam duas importantes vitórias geopolíticas para o Brasil, em nossa região do mundo.

Que suscitam a questão seguinte: se podemos fazer isso lá fora, com prazo, competência e preço, porque não podemos fazer aqui dentro?

Em território brasileiro, há dezenas de grandes projetos de infraestrutura paralisados neste momento. É preciso descobrir o que os está travando. Se a burocracia, falhas de projeto, ou mera sabotagem mesmo.

sábado, 2 de novembro de 2013

Asfaltando a via da repressão

Será que temos uma serpente chocando ovos? Realmente, as semelhanças com episódios mais que dramáticos da década de 1930 é assustadora. E como já disse aqui, citando um cientista social europeu, "o fascismo passa sem parar..."

Asfaltando a via da repressão

Por Luciano Martins Costa
A sequência de acontecimentos envolvendo a Polícia Militar em São Paulo e no Rio de Janeiro tem produzido análises mais ou menos apressadas sobre as motivações de manifestantes e sua propensão à prática de atos de vandalismo. Grande parte das opiniões se apoia em interpretações que têm como ponto comum um conceito difuso de pós-modernidade, que geralmente remete a uma espécie de esgarçamento da racionalidade, como se os valores que formaram o que chamamos de tempos modernos estivessem se desfazendo.
Há teorias interessantes sobre a questão, principalmente nos campos da Sociologia e da Comunicação, mas em textos jornalísticos, que devem ser sucintos e aplicados ao calor dos fatos, tais análises acabam produzindo uma visão apocalíptica da realidade contemporânea, como se a civilização tivesse esgotado suas possibilidades.
Tal conceito, aplicado a um país que ainda tem muito a caminhar até que se possa considerar minimamente democrático, pode ser uma forma perigosa de justificar retrocessos e políticas restritivas de direitos.
Há cerca de vinte anos, a tese do “fim da História”, popularizada na imprensa pelo cientista político Francis Fukuyama, levou a comunidade dos países ocidentais a aderir radicalmente aos preceitos do liberalismo econômico, o que produziu sucessivas crises, causadas pela tendência natural do capitalismo à quebra da racionalidade.
A crença na onisciência do capital e em sua suposta capacidade de se autorregular produziu a ficção do crescimento ilimitado dos lucros; quando a realidade se impôs, foi preciso recorrer à mão generosa do Estado, ou seja, o trabalho de todos foi convocado para consertar os estragos feitos pela ambição de poucos.
A decisão de corrigir os danos provocados pelo capital especulativo com os recursos da coletividade afetou a capacidade dos Estados de prover o bem-estar geral, o que levou às sucessivas manifestações de descontentamento que sacudiram as grandes cidades pelo mundo afora.
A percepção geral de que a carência de recursos públicos, provocada pela crise do capital, reduz as chances de toda uma geração, está por trás das ondas de protesto, que na Europa são motivadas pelo desemprego e, entre nós, se expressam em questões pontuais como a má qualidade dos transportes públicos, da educação e da saúde.
A equação impossível
As ondas de protestos podem ser deflagradas por qualquer fato eventual, mas se repetem porque têm uma origem de fundo, capaz de mobilizar pessoas dispostas a correr riscos. No entanto, a imprensa costuma se referir apenas ao fato circunstancial, tido como detonador das manifestações.
No caso que inaugura esta semana, pode-se identificar na origem dos tumultos em São Paulo a morte de um jovem estudante de 17 anos, baleado por um policial militar. Na sexta-feira (25/10), o protesto que resultou em confronto e na agressão a um oficial da Polícia Militar marcava a retomada da campanha pela gratuidade dos transportes públicos. Na próxima semana, a causa imediata pode ser qualquer coisa – e assim teremos, a cada evento, uma explicação pontual.
Por outro lado, articulistas convocados pela imprensa vasculham suas leituras para identificar teorias compatíveis com a circunstância presente. Acontece que a explicação mais próxima da realidade pode não ser compatível com o que a mídia tenta referendar como senso comum.
Embora os protestos sejam claramente incendiados por grupos violentos sem agenda, que funcionam como detonadores da insatisfação difusa na horda, não se pode afirmar que tudo seja ação de vândalos. Há um descontentamento geral, um mal-estar de alto teor emocional, talvez não identificável pelos padrões tradicionais de classificação das ideologias.
A locução mais fácil é aquela que repete a tese do “fim da História” no lado oposto do espectro político: a ideia da pós-modernidade talvez seja apenas a versão esquerdista da mesma moeda onde Fukuyama fez cunhar sua efígie.
Há entre os manifestantes vândalos, lúmpens e militantes de seitas antidemocráticas, além de jovens idealistas que sonham com uma sociedade sem tutela. No outro lado, o Estado se faz representar por uma instituição que abriga criminosos capazes de prender um trabalhador e torturá-lo até a morte e de disparar contra um estudante que inicia sua jornada.
Estamos diante de uma equação difícil de solucionar, se não há disposição de discutir o sistema. Manietado por interesses de grupos que transformaram a política em negócio privado, o Estado é refém das pesquisas de opinião, que por outro lado refletem o que demandam seus financiadores.
O governador de São Paulo quer mais rigor de sua polícia, como se ela fosse a expressão da meiguice. A imprensa criminaliza os manifestantes de maneira geral, predispondo a sociedade a aceitar a repressão que virá.
A via da violência está sendo asfaltada.
(Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/asfaltando_a_via_da_repressao)

A biometria e o totalitarismo

Medidas que parecem inocentes e até mesmo necessárias para evitar fraudes eleitorais podem se tornar perigosas, como mostra o Mauro Santayana. 
Por que a grande mídia não se interessa por essa discussão?



A biometria e o totalitarismo



Estranhíssima resolução da Justiça Eleitoral determina coleta de dados físicos dos cidadãos. Medida não tem justificativa razoável e pode prestar-se a fins obscuros e antidemocráticos
Por Mauro Santayana, em seu blog
É necessário refletir sobre Estado, Sistema e indivíduo, neste momento em que o TSE está implementando — por simples Resolução – o Recadastramento Biométrico obrigatório da população brasileira.
Bakunin nos recorda que, na maioria das vezes, a cada aumento da autoridade do Estado, corresponde igual ou maior diminuição da liberdade do cidadão. John Locke, na mesma linha, reflete que a finalidade da justiça – e da Lei – não pode ser nunca a de abolir ou restringir a Liberdade, mas sim, de fortalecê-la e aumentá-la.
E lembra que cada homem é proprietário de sua própria pessoa, e, com relação a ela, a ninguém poderá ser dado o direito de estar acima dele.
Há que se tomar cuidado com a biometria. Os nazistas a usavam para medir o crânio de ciganos e judeus, Mengele arrancava os olhos de crianças gêmeas para classificá-los pela cor da íris. Membros masculinos de prisioneiros de campos de extermínio eram amputados e guardados em vidros, cheios de formol, no “museu” de biologia racial de Munique.
O objetivo era catalogar e separar – como se fosse possível em compartimentos estanques – toda a herança genética humana estabelecida pelo acaso, durante milhares de anos.
No mundo inteiro, as mentes mais lúcidas estão se perguntando qual será o próximo passo, no controle do indivíduo pelo Sistema. Os governos espionam nossas comunicações. Softwares de reconhecimento facial são usados para reconhecer-nos na multidão. Sinais de celular são usados por drones para localizar, via satélite, seus alvos, matando, no processo, dezenas de civis inocentes.
Quando o Estado nos obrigará a deixar que nos registrem o fundo da pupila, ou recolherá o DNA de nossas bocas?
O que será feito desse banco de dados, quando concluído? Há poucos meses, não fosse pronta intervenção da Ministra Cármen Lúcia, dados pessoais de todos os eleitores brasileiros teriam sido entregues, graciosamente, pelo TSE, ao Serasa, instituição privada de controle de crédito.
O que irá ocorrer se a polícia pedir uma cópia desses arquivos? O cidadão saberá que dados recolhidos para fazer seu novo título poderão ser usados um dia contra ele? E se formos invadidos por outro país, ou, por causa de uma tentativa de golpe, voltarmos a mergulhar no autoritarismo?
Onde se esconderão nossos heróis, no futuro, se os repressores puderem identificar qualquer um, em segundos, com um simples toque do dedo de um suspeito, na passagem de uma barreira ou no meio de uma manifestação?
Quantos inocentes não teriam sido capturados, antes de conseguir escapar da Europa nazista, caso seus algozes tivessem acesso à internet, a um scanner de dedo e a um banco de dados como esse?
A essência da democracia está na possibilidade de se resistir ao Sistema quando o Sistema erra. Cada vez que tolhemos e aumentamos o controle sobre o indivíduo, fazemos o mesmo com nossos filhos e netos, e com o destino da liberdade, amanhã.

(Fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/a-biometria-e-o-totalitarismo/)

Por que os black blocs incomodam tanta gente?

Boas perguntas... alguém tem boas respostas?

Paulo Nogueira: por que os black blocs incomodam tanta gente

Alguma coisa os jovens mascarados brasileiros devem estar fazendo de certo para desagradar tanto os dois lados do chamado sistema.


Na história da humanidade, sempre que correntes ideologicamente antagônicas se unem num ódio a um grupo, é porque este grupo tem muito mais virtudes do que seus adversários gostariam de admitir.

É o caso, no Brasil de 2013,  dos black blocs.

A mídia corporativa – a voz rouca e obsoleta do conservadorismo nacional, ou do 1% - os chama de vândalos, baderneiros, bandidos, criminosos, arruaceiros, terroristas e por aí vai.

Pela ótica da direita, o crime dos black blocs é denunciar espetacularmente a desigualdade social brasileira. O sonho da direita brasileira é um povo que aceite docilmente a divisão da sociedade entre 99% e 1%, para lembrar as porcentagens eternizadas pela campanha do movimento Ocupe Wall Street.

Pela ótica da esquerda, mais especificamente a esquerda petista, os black blocs cometem um pecado mortal. Eles não dobram os joelhos para reverenciar os avanços sociais realizados pelo PT nos últimos dez anos. Na verdade, eles acham que os avanços foram muito menores do que poderiam e deveriam ser.

Eles querem mais, muito mais inclusão – e não enxergam nem no PT e nem em outros partidos de esquerda a resposta a seus anseios.

Não é tão difícil assim enxergar os motivos da revolta dos jovens black blocs. Veja o que está acontecendo com os índios sob Dilma. Ou o que ocorreu a tantos pobres que tiveram o azar de construir seu casebre num local marcado para receber obras da Copa do Mundo.

Agora preste atenção no garoto de 17 anos da Zona Norte de São Paulo que antes de morrer ainda teve tempo de perguntar ao PM que o assassinou por que atirou. A seu lado, vendo tudo, estava o irmão do jovem mártir, de 13 anos.

Quem está cuidando dessa gente toda? Um governo popular tinha que fazer mais. Indigenistas já notaram que na ditadura militar foram feitos mais assentamentos do que nos governos do PT. (Neste caso, a atenção de Dilma está muito mais com os ruralistas, de cujo apoio depende para governar, do que com os índios.)

A esquerda petista, ou parte dela, gostaria que tudo isso ocorresse e ninguém reclamasse para não atrapalhar a marcha de Dilma rumo ao segundo mandato. E então os black blocs, para essa esquerda, viram a mesma coisa que representam para a direita. São vândalos, bandidos e tudo aquilo que você lê e ouve em reacionários como Jabor e derivados.

Alguma coisa os jovens mascarados devem estar fazendo de certo para desagradar tanto os dois lados do chamado sistema.

Tenho para mim que pelo ângulo da esquerda, que é a que me interessa, eles estão dizendo: chega de tanta iniquidade.

Caso seja entendida essa mensagem fundamental, Dilma poderá fazer um segundo governo bem melhor que o primeiro – caso, como sugerem fortemente as pesquisas, ela ganhe em 2014.

Ela talvez se anime, por exemplo, a enfrentar os grupos de mídia para uma reforma antimonopolística que é vital para a sociedade. A ‘opinião pública’ não pode ser manipulada por quatro ou cinco famílias cuja prioridade um, dois e três são seus próprios interesses econômicos.

Por que Cristina Kirchner desafiou o Clarín e nem Lula nem Dilma desafiaram a Globo? Porque as circunstâncias são diferentes – sempre são, aliás - ou porque Cristina teve mais cojones?

Qualquer que seja a alternativa que você escolha, o fato é que a sociedade argentina se beneficiará extraordinariamente da Lei de Mídia pela qual Cristina se bateu epicamente.

Enquanto isso, sob o PT, a Globo – mesmo com Ibopes com quedas recordes – levantou 6 bilhões de reais em anúncios oficiais que financiam um exército multimídia de colunistas dedicados a defender privilégios e iniquidades.

No fundo, os black blocs estão cansados de tanta acomodação. E quem pode dizer que eles estão errados?

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Paulo-Nogueira-por-que-os-black-blocs-incomodam-tanta-gente/4/29408

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O procurador que apostou na blindagem errada

Bem esclarecedor este artigo do Nassif:

O procurador que apostou na blindagem errada

A enrascada em que se meteu o procurador da República Rodrigo De Grandis se deve à sua aposta na blindagem errada: julgou que o PSDB fosse um todo homogêneo e não se deu conta de que a blindagem da mídia beneficiava exclusivamente o grupo ligado ao ex-governador José Serra.
A primeira prova de fogo de De Grandis foi a Operação Satiagraha. Nela, os principais atores - juiz Fausto De Sanctis e delegado Protógenes Queiroz - foram alvos de uma campanha implacável – da mídia, como um todo, reforçada pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.
De Sanctis e Protógenes mostraram estrutura psicológica para resistir ao massacre a que foram submetidos. De Grandis encolheu-se, assustou-se.
Quando a Satiagraha recrudesceu,  seus parceiros apontavam para seu pouco entusiasmo, o desagrado de ser interrompido em alguma festa para tomar alguma medida urgente, a demora em responder a algumas questões, nada que o comprometesse mas que já demonstrava seu desconforto de enfrentar empreitada tão trabalhosa - que, para procuradores mais vocacionados, poderia ser o desafio da vida.
Definitivamente, De Grandis não tinha a estrutura psicológica e a vocação dos que se consagraram no combate ao crime organizado, como os procuradores Vladimir Aras, Raquel Branquinho, Luiz Francisco, Celso Três, Janice Ascari e Ana Lúcia Amaral - firmes e determinados, alguns até o exagero, como várias vezes critiquei.
O convite inacreditável a Mainardi
Na primeira vez que foi alvo de ataques, De Grandis arriou.
Ocorreu quando o colunista de Veja Diogo Mainardi avançou além da prudência e anunciou que entregaria pessoalmente ao juiz da Operação Chacal (na qual Dantas era acusado de grampear adversários e jornalistas) o relatório da Itália sobre as escutas da Telecom Italia.
Titular do caso, a procuradora Anamara Osório reagiu e publicou nota no site do Ministério Público Federal de São Paulo alertando que se tratava de um jogo de Dantas para contaminar o inquérito. Sem noção, Mainardi partiu para ataques destrambelhados contra os procuradores. Depois, caiu a ficha e entrou em pânico.
Dias depois, foi recebido por De Grandis, através da intermediação de um colega de faculdade ligado à ex-vereadora Soninha - do grupo de Serra. Foi um encontro surpreendente. Numa ponta, um colunista assustado – conforme algumas testemunhas do encontro -, quase em pânico, querendo desfazer a má imagem perante os procuradores. Na outra ponta um procurador assustado, querendo desfazer a má imagem junto à mídia.
Foi provavelmente ali que De Grandis sentiu a oportunidade de se aproximar dos detratores e proteger-se do fogo futuro. Convidou Mainardi para palestrar em um encontro social de procuradores, avalizando - perante a classe - a conduta de um dos principais suspeitos de atuação pró-Dantas.
Só não ocorreu o encontro por falta de agenda de Mainardi.
As mudanças na atuação
A partir daquele episódio, surgem os sinais mais nítidos da aproximação de De Grandis com o grupo Serra.
Quando a Operação Satiagraha foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), De Grandis recorreu, como não poderia deixar de fazer, mas chamou a atenção sua indiferença contra uma medida que comprometia o que procuradores mais vocacionados considerariam o trabalho de sua vida.
Tempos depois, recusou pedido da Polícia Federal para indiciar o vereador Andreá Matarazzo - também do grupo Serra. Devolveu o inquérito solicitando mais informações para tomar sua posição.
Poderia ser apenas rigor técnico, não fossem os fatos posteriores.
Foi apanhado no contrapé quando a revista IstoÉ mencionou os pedidos de procuradores suíços para atuar contra suspeitos do caso Alstom - dentre os quais José Ramos, figura-chave da história. Alegou ter esquecido o pedido em uma pasta errada. Agora, a Folha informa que o próprio Ministério da Justiça enviou três cobranças, os procuradores paulistas também o questionaram, e nada foi feito.
O erro de avaliação
Há vários pontos a explicar seu comportamento.
O primeiro, o da análise incorreta do benefício-risco.
A Satiagraha revelou, em sua amplitude, o risco de atuar contra pessoas próximas a Serra. Se fosse a favor, haveria blindagem. E a comprovação foi o próprio comportamento do ex-Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza. Ele retirou da AP 470 o principal financiador do mensalão – as empresas de telefonia controladas por Dantas -, escondendo dados levantados pelo inquérito da Polícia Federal. Foi premiado com contratos milionários da Brasil Telecom, e continuou vivendo vida tranquila.
Antes disso, o mesmo Antônio Fernando anulou a Operação Banestado, em uma atitude escandalosa que não mereceu uma reação sequer da corporação dos procuradores, menos ainda da mídia.
Depois, o ativismo político de Roberto Gurgel, comprometendo a imagem de isenção da corporação e garantindo aos inimigos, a forca, aos aliados, a gaveta.
Com tais exemplos, De Grandis deve ter apostado que, ficando longe dos esquemas tucanos, seria poupado pela mídia.
A falta de informação lhe custou caro.
A blindagem da mídia abrange exclusivamente o esquema Serra - uma estrutura complexa que passa pelo banqueiro Daniel Dantas, por Verônica Serra, por lugares-tenentes como Andrea Matarazzo, Gesner de Oliveira, Mauro Ricardo, Hubert Alqueres (e seu primo José Luiz), antes deles, por Ricardo Sérgio, Vladimir Riolli, pelos lugares-tenentes que levou ao Ministério da Saúde, pelos esquemas de arapongagem.
Não entram na blindagem outros grupos tucanos, como o do governador paulista Geraldo Alckmin ou os mineiros de Aécio. Pelo contrário, não poucas vezes são alvos de fogo amigo.
Ao não se dar conta dessas nuances, De Grandis se expôs.
Agora ficou sob fogo cruzado do PT e no grupo de Serra.
O PT, para atingir o PSDB; o grupo de Serra para fornecer mais elementos para Dantas anular a Satiagraha no Supremo Tribunal Federal. O primeiro grupo ataca De Grandis da Operação Alstom; o segundo, o De Grandis que não mais existia, da Satiagraha.
O anacronismo da gestão Gurgel
Some-se a tudo isso o anacronismo burocrático da gestão Gurgel.
O MPF padece do mesmo vício do jornalismo: as tarefas principais, a linha de frente das investigações são entregues a procuradores ou repórteres novatos. Quando ganham experiência, procuradores são promovidos e limitam-se a dar pareceres; e repórteres tornam-se editores.
O burocratismo de Gurgel não criou nenhuma estrutura intermediária, com procuradores mais experientes coordenando, orientando e fiscalizando a atuação da linha de frente.
Agora, o novo PGR, Rodrigo Janot, montou essa estrutura intermediária, nomeando procuradores experientes para essa função.
O episódio traz inúmeras lições.
A principal delas são os efeitos deletérios sobre o trabalho dos procuradores, quando submetidos ao jogo de interesses da mídia.
Recentemente, o MPF de São Paulo montou um seminário apenas com representantes da velha mídia, para falar das relações entre eles. Houve loas à liberdade de imprensa, ao apoio que a mídia dá a escândalos mesmo que não devidamente apurados pelo MPF, a celebração da amizade – que já feriu tantos direitos individuais, pelo hábito da escandalização.
Em nenhum momento entrou-se nos temas centrais: a influência deletéria dos interesses econômicos na cobertura jornalística; a maneira como essa submissão à mídia inibe ou pauta o trabalho de procuradores; o novo papel das redes sociais, como freio e contrapeso aos interesses corporativos.
Quem sabe, comecem a acordar para os novos tempos.

fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/o-procurador-que-apostou-na-blindagem-errada

II Festival Internacional da Diversidade Cultural