sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Gilmar, o vigilante da “vaquinha”, já contratou a si mesmo para dar aulas a seus subordinados


Gilmar, o vigilante da “vaquinha”, já contratou a si mesmo para dar aulas a seus subordinados

7 de fevereiro de 2014 | 09:49 Autor: Fernando Brito

Estou acompanhando, sem muitas esperanças, a investigação que o Conselho Nacional de Justiça fará – diz que fará – nos contratos entre o Tribunal de Justiça da Bahia, que teve seu desembargador-presidente afastado por corrupção , e o Instituto Brasiliense de Direito Público, uma empresa que tem como sócio o Ministro Gilmar Mendes, o homem que, sem qualquer indício, disse que há lavagem de dinheiro nas “vaquinhas” que pagaram a multa imposta a José Genoíno e Delúbio Soares.
Embora a revelação feita por Luís Nassif seja gravíssima e envolva quase R$ 13 milhões de dinheiro público, digo que é sem muita esperança porque Gilmar já fez pior, em matéria de descaramento.
Antes de ir para o STF, ocupando o cargo de Advogado-Geral da União, o órgão público que dirigia contratou a sua própria empresa para dar “cursos” aos seus subordinados, boa parte deles ocupantes de cargos comissionados.
Mais: em grande parte deles, o professor dos cursos era… Gilmar Mendes.
Recebendo, é claro, como professor e como sócio do IDP.
Em 2002, o Procurador Luís Francisco de Souza ingressou com uma ação de improbidade administrativa contra ele e contra seu substituto imediato, Walter Barletta, que pode ser lida aqui, na íntegra,  e da qual transcrevo um pequeno trecho:

A AGU efetuou, com o conhecimento e a anuência tácita do Dr. Gilmar,  451  ( quatrocentos e cinqüenta e um) contratos informais ímprobos, com a empresa do próprio Dr. Gilmar, locupletando-o, enriquecendo-o ilicitamente. Os responsáveis por tais despesas eram membros da AGU, subordinados ao Dr. Gilmar e dependentes do mesmo para manterem cargos de chefia e funções gratificadas ( DAS etc).
O primeiro réu, Dr. Gilmar, permitiu que seus subordinados usassem o poder da entidade e do órgão que dirigia para beneficiar-se, para que sua empresa obtivesse, ilicitamente, receitas e lucros, recursos oriundos da AGU. Beneficiou-se com 451 contratos ilícitos, cada um destes, um ato de improbidade.
O Dr. Gilmar, com a ajuda do Dr. Barletta, permitiu e/ou promoveu contratações informais e pagamentos irregulares e ímprobos, efetuados pela AGU, por serviços do Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP Ltda., empresa pertencente ao Dr. Gilmar Ferreira Mendes, contrariando o artigo 9º da Lei de Licitação (que proíbe ao dirigente de órgão ou servidor contratar, direta ou indiretamente, com o órgão onde trabalha ou dirige), violando também vários artigos da Lei de improbidade administrativa, na medida em que ele era ao mesmo tempo Ministro de Estado Titular da Advocacia-Geral da União e professor e sócio do referido instituto, que é uma empresa privada que visa lucros.
 Além disso, o Dr. Gilmar lecionava em sua própria empresa, no horário de trabalho, e permitia a liberação de subordinados para assistirem as aulas em sua empresa, no horário do trabalho, ganhando, destarte, pró-labores indevidos e ainda fazendo atividades privadas durante o expediente, onde teria que ter dedicação exclusiva.

A ação, ao que sei, foi extinta. O procurador Luis Francisco, depois de atacado de todas as formas por Gilmar Mendes, sumiu na poeira.
E a empresa de Gilmar Mendes segue de vento em pôpa, contratando, como se vê, com o Judiciário do qual ele é um dos comandantes supremos.

Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=13495 

A Ucrânia sob pressão dos neonazistas


A Ucrânia sob pressão dos neonazistas

Mascarados, e falando de “Revolução”, partidários de três grupos de extrema-direita tentam tomar o poder. Bizarro: parecem ter apoio da União Europeia

Por Achille Lollo, de Roma (Itália), no Brasil de Fato

Na capital, Kiev, o ex-campeão do mundo de boxe, Vitalj Klitcho, tentou assumir a liderança do movimento de oposição, empurrando os manifestantes contra as forças policiais para pedir a renúncia do presidente Yanukovich. Foi nesse âmbito que os grupos paramilitares da extrema-direita desfraldaram na Praça Maidan as bandeiras nazistas. Um fato que todos viram, menos a mídia europeia.
O que está acontecendo na Ucrânia parece um roteiro de um filme de ficção política, onde cada acontecimento é teleguiado por diferentes grupos de excelência, cujo objetivo é conseguir uma reação violenta da polícia de choque que há quase dois meses está atenta em não cair nesta armadilha política.
De fato, se a polícia reagisse disparando e matando manifestantes – tal como está acontecendo no Egito – todos os chanceleres da União Europeia e o próprio Obama subiriam nos palanques para defender “a revolução laranja”, pedindo a renúncia do atual governo, chefiado por Mykola Azarov e, antes de tudo, a renúncia do presidente Yanukovich.
Diferentemente do que muitos esperavam em Bruxelas, em Londres e em Washington, a polícia limitou-se a manter o controle nas ruas em volta dos ministérios e enquanto ocorriam as manifestações, o exército ficou de prontidão em torno das 23 centrais nucleares. Uma medida tomada, no domingo (26), pelo ministro do Interior , Vitalj Zakharchenko, visto que no sábado os grupos paramilitares instigavam os manifestantes a ocupar o ministério da Energia e invadir o Departamento de Operações e Controles para fechar os gasodutos que permitem a Rússia exportar o gás na direção dos países da União Europeia. A desastrada tentativa de invasão foi repelida pelo próprio Ministro da Energia que alertou os manifestantes, explicando que qualquer danificação no sistema operacional do referido Departamento podia provocar o blackout em todo o país.
É evidente que a tentativa de provocar um desastre energético não foi casual. Essa foi uma das tantas iniciativas eversivas que os grupos paramilitares – na sua maioria neofascistas e neonazistas – estão tentando ativar para obrigar a União Europeia a impor sanções ao governo da Ucrânia, obrigando o presidente Yanukovich a pedir as demissões.
Neste contexto, a extrema-direita e os três partidos da oposição conseguiram sublevar somente a parte da Ucrânia “etnicamente europeia”, realizando imponentes manifestações na capital Kiev e, a seguir, nas cidades de Sumy, Cernivci, Vinnycja, Rivne, Lutsk, Ternopil, Leopoli e Chernivitsi. Porém, permanecem fiéis ao presidente Yanukovich as cidade do sul e do centro-sul “etnicamente eslavas”; nomeadamente: Odessa, Sebastopoli, Marhanets, Doneck, Kharkiv, Zitomir e Dnipropetrovsk. Um contexto que surpreendeu as excelências da eversão (destruição), visto que a revolta, aparentemente, implodiu na capital Kiev, porque o primeiro ministro, Mykola Azarov, havia rejeitado o protocolo de adesão à União Europeia.
Extrema-direita
O principal objetivo dos grupos paramilitares foi alcançado nas últimas duas semanas transformando as grandes ruas da capital Kiev em um campo de guerra, onde os simpatizantes dos três partidos da oposição logo apoiaram as tentativas dos grupos neonazistas em recorrer à violência para provocar a queda do governo. “Uma posição que, na realidade, vem contrariando o teor político dos debates realizados na Praça Maidan, que não previam uma ruptura política violenta, mas, sim, um acordo para reformular as” leis anti-motim” que o presidente Yanukovich havia introduzido na Constituição e as medidas negacionistas do primeiro-ministro Mykola Azarov, em relação a adesão à União Europeia.
De fato, o presidente Yanukovich, na sexta-feira, havia, praticamente, aceitado as reivindicações formuladas pelos três líderes da oposição e oferecido a Arsenij Yatsenjuk – ex-ministro da Energia e líder do partido da milionária Yiulia Tymoshenko, atualmente presa por fraude à receita – de chefiar o novo governo.
Porém, para evitar esse acordo, na tarde do sábado (25), os grupos paramilitares se apoderaram da Praça Maidan e assumiram a liderança autoproclamando- se “Guardiões da Praça da Revolução” . Por outro lado, no centro da capital, na Rua Kresahatyk, o boxeador Vitalj Klitcho desfrutava seu poder midiático, por ter sido campeão do mundo, para empurrar os manifestantes contra o Parlamento e o prédio do Conselho dos Ministros pedindo a imediata renúncia do presidente Yanukovich e a realização de novas eleições.
Duas ações, praticamente combinadas que inviabilizaram o acordo com Yanukovich, obrigando os três líderes da oposição a se afastar da mesa das negociações, além de dever aceitar em silêncio o desenrolar das bandeiras nazistas por parte dos “Guardiões” na Praça Maidan. Um contexto complicado para a mídia europeia que somente agora se deu conta que no momento em que enfatizava a queda de Yanukovich por ter rejeitado a adesão à União Europeia e por não respeitar os direitos humanos, na realidade, estava legitimando a formação de uma oposição virtualmente ligada aos grupos paramilitares neofascistas e neonazistas. De fato, é evidente que quem está financiando as atividades dos “Guardiões” neofascistas e neonazistas, é o mesmo que em novembro financiou as manifestações para a adesão a União Europeia. Isto é, os agentes da milionária Yiulia Tymoshenko, que poderá sair da prisão somente com a queda do presidente Yanukovich.
Incerteza
Diante da baderna provocada pelos “Guardiões” neonazistas na capital Kiev e, sobretudo, diante da incapacidade do líder da oposição, Arsenij Yatsenjuk, em controlar a oposição e direcionar os acontecimento em direção de uma mudança não violenta, a incerteza política tomou conta do Parlamento Europeu, inclusive porque a simples questão da adesão econômica à UE, agora se transformou em um grave problema geopolítico que, como aos tempos da guerra fria, mexe com a geoestratégia da Rússia e da Bielorússia.
Um contexto político que pode explodir a qualquer momento dividindo a Ucrânia em dois, além de criar um grave problema energético para alguns países europeus, visto que as forçadas demissões do presidente Yanukovich podem inviabilizar os recentes acordos que este assinou com o presidente da Rússia, Vladimir Putim, nomeadamente: o desconto sobre o preço do gás fornecido o empréstimo de 15 bilhões de dólares à taxas reduzidas que o Banco Central da Rússia entregou a seu homólogo ucraniano.
Apesar disso tudo, entre as lideranças da União Europeia prevaleceu a tendência de impor ao governo da Ucrânia sanções caso o presidente Yanukovich continuar no poder em função da sustentação política da Rússia. Foi, portanto, nesse contexto que o alemão Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, tomou a iniciativa em atacar Yanukovich e inverter os acontecimento ao dizer: “Quem avança com a violência provoca a perda da confiança e por isso não devemos excluir a adoção de sanções da UE contra a Ucrânia.” Também o presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy, admitiu no sábado “a possibilidade da UE decretar sanções econômicas contra a Ucrânia, caso o governo não aceite dialogar com a oposição.”
O problema é que hoje há uma oposição, manipulada pelos neofascistas e os neonazistas, que faz de tudo para que não haja nenhum tipo de diálogo ou de negociação com o governo. Uma oposição que excluiu do diálogo aquela outra metade da Ucrânia que disse não a União Europeia e que votou em Yanukovich.
Posições que revelam o desenho geoestratégico da União Europeia, com base no qual tudo o que está acontecendo na Ucrânia, na realidade, faz parte do longo processo de desagregação política, econômica, diplomática e sobretudo geoestratégica que a OTAN empreendeu na Ucrânia e na Bielorússia com o objetivo de enfraquecer a Rússia e reduzir, assim, sua influência na região.
De fato, o Comissário para a ampliação da UE, Fuele e a própria ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, não disseram uma única palavra sobre as 15 execuções de policiais que os manifestantes realizaram durante e após as manifestações de sábado. Aliás, o próprio Comissário Fuele que esteve em Kiev, nada disse sobre a presença dos grupos neonazistas e o planejamento de destruição que os líderes desses grupos fizeram para provocar a polícia com armas da fogo, além dos tradicionais coquetéis molotov.
Um conceito belicista que ficou mais evidente na segunda-feira (27), nos debates realizados no âmbito da cúpula Espanha-Itália, onde dois os primeiros ministros reafirmaram a retórica de Martin Schulz dizendo que “a União Europeia não aceita a repressão, motivo pela qual vai usar as sanções econômicas para impedir sua realização”.

(Fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/a-ucrania-sob-pressao-dos-neonazistas/)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Socialismo



Uma colaboração do nosso sumido colaborador prof. Antônio Moura:


Socialismo


         Socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu no final do século XVIII e se caracteriza pela ideia de transformação da sociedade através da distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, diminuindo a distância entre ricos e pobres.
         A diferença entre socialismo e comunismo é que este se propõe utilizar o socialismo apenas como um meio para efetuar as transformações revolucionárias. Segundo Karl Marx, a fórmula para alcançar a igualdade na sociedade não era levada em conta, pelos socialistas utópicos, uma forma prática de ação efetiva contra o capitalismo. Surge, então, com Karl Marx e Friedrich Engels, o chamado socialismo científico, que tinha como base primordial, entender a fundo o capitalismo e as contradições existentes no mesmo. O segundo fundamento teórico do socialismo científico é a luta de classes e a revolução que deveria partir do proletariado. O socialismo utópico acreditava que com a doutrinação filosófica e com a evolução pacífica a sociedade iria conquistar a igualdade.
         Na concepção marxista o socialismo é um meio de vencer etapas da transformação social até chegar ao comunismo. A primeira etapa é a evolução dentro do próprio capitalismo que é a passagem da forma de remuneração para o assalariado. A segunda etapa é o controle dos meios de produção pelas classes trabalhadoras. A terceira etapa são as organizações sociais criando condição para que o homem verdadeiramente livre, racional, ativo e independente proporcione a efetivação do comunismo.
         O que teria levado Marx, um doutor em filosofia a abraçar a causa do proletariado de sua época. Primeiramente, a força de trabalho do proletariado urbano havia se tornado a maior produtora de riquezas no século XIX. Organizada e consciente a classe trabalhadora poderia obter força capaz de pressionar as classes proprietárias dos meios de produção. Segundo Amadeu Santos (2014), o que mais sensibilizou Marx foi uma discussão sobre a Lei de Repressão ao Roubo de Lenha. Os camponeses e pobres europeus que viviam próximos às matas e tinham o hábito de recolher gravetos e galhos de árvores caídos, para se aquecerem durante o inverno, foram considerados invasores e ladrões. Daí as prisões e repressões sobre aqueles humildes camponeses. Esse episódio fez Marx ver como o Direito servia apenas àqueles que mantinham o poder. Com a classe proletária s situação não era diferente dos camponeses catadores de lenha.  Daí o raciocínio de que o alvo da sociedade era a liberdade. Liberdade no sentido de independência, apoiada no fato de o homem valer-se a si próprio, utilizando suas próprias forças e relacionando produtivamente com o mundo.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2014.
 
Antônio de Paiva Moura

Pearl Harbor e Mariel

Pearl Harbor e Mariel

Aqui no Brasil existe uma extrema direita radical, mal informada e burra, que acha que, para ir contra o governo, precisa torcer contra o país.



 inauguração, na semana passada, da primeira fase da expansão do Porto de Mariel, em Cuba, e da Zona Especial de Desenvolvimento do mesmo nome, com a presença da Presidente da República, serviu de pretexto, para o lançamento, pelos anticomunistas de plantão, de  nova campanha na internet.

Alguns deles se comportam como se a obra fosse uma surpresa e tivesse sido feita sob o mais rigoroso sigilo, quando  trata-se do maior projeto em execução na região - a duplicação do canal do Panamá está parada porque as empreiteiras espanholas e italianas contratadas querem receber mais do que foi combinado - envolveu, até agora, centenas de  empresas brasileiras e gerou mais de 150 mil empregos no Brasil.

Para os hitlernautas, e os “inocentes” úteis que os seguem, o Brasil estaria dando um “presente” para Cuba, e o BNDES sendo usado para apoiar governos esquerdistas na América Latina quando deveria estar aplicando seus recursos exclusivamente dentro do Brasil.

Ora, essa política de estado - até mesmo FHC fazia isso - vem desde o governo militar, com obras na Mauritânia e no Iraque, por exemplo.

O Brasil não empresta dinheiro para projetos de infraestrutura na América Latina nem por filantropia nem  comunismo. Primeiro, porque os recursos emprestados a outros países pagam juros ao BNDES, e precisam ser gastos com a compra de equipamentos e contratação de técnicos e profissionais brasileiros, ou não são liberados.

E, também, porque normalmente esses projetos estão ligados ao desenvolvimento futuro de nossa economia. A linha de 500 Kv de interligação elétrica de Itaipu com o Paraguai, por exemplo, permitirá que centenas de empresas brasileiras que precisam de energia mais barata para concorrer com os chineses, por exemplo, no mercado internacional, se instalem ali. E o crescimento da economia, do emprego e renda no Paraguai, propiciado pela instalação de novas empresas,  levará ao aumento do poder de consumo da população e à  importação de mais produtos brasileiros, multiplicando, também, os empregos e as oportunidades de negócio por aqui.

O mesmo ocorre, com as obras de ligação ferroviária e rodoviária dos corredores bioceânicos que estão sendo construídas em nossas fronteiras com o Peru e a Bolívia. Por essas estradas, chegarão, com um preço mais competitivo,  produtos brasileiros aos mercados desses países, e, por meio de  portos peruanos e chilenos, ao Oceano Pacífico, à China e ao Extremo Oriente, sem precisar passar pelo Estreito de Magalhães ou o Canal do Panamá.  

As pessoas que denigrem a construção, pelo Brasil, de  Mariel - e que se pudessem, parece que gostariam de  bombardear o porto recém inaugurado, como o Japão fez com a base de Pearl Harbor na Segunda Guerra Mundial -  são as mesmas que desprezam e ridicularizam as relações de nosso país com nações como  Venezuela e Argentina, e que gostam de citar, na internet  nas rodinhas, textos escritos por “analistas” antibrasileiros  nos jornais de Miami e da Cidade do México.

Mas foram Argentina e Venezuela que nos deram 10 bilhões de dólares de superávit no ano passado, e não os EUA ou a Europa, que cortaram as importações do Brasil em 2013 e foram responsáveis por um déficit de quase 20 bilhões de dólares em nossa balança de comércio exterior.   

Se o Brasil não tivesse financiado a expansão do Porto de Mariel, outro país o faria. Países capitalistas, e até de orientação conservadora, como a Itália e a Espanha, ou grandes potências econômicas, como a China, investem mais que o Brasil em Cuba, e ninguém em seus países reclama disso como ocorre por aqui.

O BNDES está investindo bilhões de reais em obras de infraestrutura no Brasil. Mas elas não avançam por motivos que não têm nada a ver com os investimentos do BNDES no exterior, financiando - como fazem  bancos de desenvolvimento  do Japão, da Europa e dos Estados Unidos - a criação de empregos em seus países e a exportação de serviços e equipamentos para outras nações.

As obras no Brasil não andam, e às vezes saem por três vezes mais do que deveriam, porque são sabotadas, e paradas a todo momento, por qualquer razão, como já ocorreu, por dezenas de vezes, com as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Telles Pires e com as novas refinarias e complexos petroquímicos que estão em construção - e dos quais dependemos para diminuir a importação de combustíveis - como o COMPERJ e a RNEST.

E também porque, enquanto em Cuba a busca do desenvolvimento é consenso, aqui existe uma extrema direita radical, mal informada e burra, que acha que, para ir contra o governo, precisa torcer contra o país.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Olhem que “desperdício”



Olhem que “desperdício”: dinheiro para saúde, educação, aposentados, deficientes…

4 de fevereiro de 2014 | 09:03 Autor: Fernando Brito
despgoverno

Quando o prezado amigo e a querida amiga olharem o gráfico aí de cima, esqueça as barrinhas cor-de-rosa, porque elas indicam apenas o volume de dinheiro gasto, não o crescimento do que se gastou.
O que vale para analisar, mesmo, são as bolinhas pretas que medem o quanto aumentaram estes gastos em valor real, descontada a inflação.
E aí, os números, publicados hoje pela Folha, ganham um novo significado.
O “descontrole” das despesas pública passa a ter “padrão Fifa”.
8,5% a mais em assistência a idosos e deficientes, vejam só que absurdo. Em lugar de acumularmos para pagar os juros estamos dando dignidade a essa gente, não é senhores “mercadistas”?
Quem quiser ver como eram estas despesas com FHC, como ficaram com Lula e como estão com Dilma, vai encontrar os dados aqui.
Depois vem o Amparo ao Trabalhador (FAT),  que paga o seguro-desemprego, o abono salarial para quem ganha pouco,  financia os cursos de qualificação profissional, obras de saneamento, agricultura familiar, etc.. Supérfluos, não?
Logo a seguir, a Saúde, esta bobagem, ainda mais agora com esta coisa horrível dos médicos cubanos, que dominados pela ideologia comunista, teimam em querer trabalhar em qualquer grotão e, pior, ainda comparecem ao trabalho e atendem as pessoas. Agora mesmo tem um que vai ser punido por atender um doente no lugar de um médico brasileiro que faltou ao trabalho.
Junto com a saúde estão os aposentados – aqueles que o Fernando Henrique, um dia, chamou de vagabundos – cuja a grande massa está se beneficiando da elevação real do mínimo.
E as despesas com educação. O que é isso? Como é que podem crescer mais do que a inflação. Vai ver estão fazendo escolas técnicas, creches, coisas do gênero… Como se sabe, populismo, não é?
Ah, e tem a expansão dos gastos reais com os servidores públicos: absurdos 2,8% acima da inflação. Embora isso reflita um crescimento quase vegetativo das despesas com pessoal, não há dúvidas que existe um descalabro em manter os funcionários mal e mal com a reposição inflacionária e ainda por cima dar umas “sobrinhas” de aumento, não é?
É curioso que os “reis do superávit” jamais se preocupam com o outro lado, o lado que de fato drena os recursos da população: os juros.
Estes são um “santo remédio” e todos comemoram quando eles aumentam, para que os “investidores” não nos dêem um tchauzinho e procurem plagas mais generosas para remunerá-los.
E quanto eles aumentaram em 2013?
Do relatório do Banco Central: passaram a “R$248,9 bilhões (5,18% do PIB), comparativamente a R$213,9 bilhões (4,87% do PIB) em 2012″.
É isso, meus caros, esta discussão acirrada sobre déficit público. Claro que um país, como uma família, deve cuidar de suas dívidas, e o Brasil tem feito isso, reduzindo – sabe lá deus com que esforço – a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB ano a ano – que era de mais de 50% no final do Governo FHC e hoje está pouco acima de 33%.
Mesmo a dívida bruta, que os economistas conservadores dizem que é “a que importa”, porque inclui os repasses feitos pelo governo ao BNDES e a outros órgãos estatais, que os devolverão, afinal, vem caindo: segundo o BC terminou 2013  em “57,2% do PIB, reduzindo-se 1,1 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. Essa redução decorreu, principalmente, da queda no volume de operações compromissadas. No ano, houve redução de 1,7 p.p. na relação”.
Ah, a matéria da Folha mostra, ainda, em outro gráfico, que o governo poderia ter feito, sem dificuldades, a tal “meta cheia” de superavit, s não tivesse reduzido os impostos sobre alguns bens, sobre a gasolina e desonerado as empresas em suas folhas de pagamento – passando a tributar previdência pelo faturamento – como forma de manter o emprego em nível elevado.
Uma bobagem, diria o economista-chefe do Itaú, aquele banco que está autuado pela receita que, se pagasse os R$ 18,7 bilhões que deve, sozinho, já cobria o “rombo” das isenções de impostos dos combustíveis e da cesta básica, somados.
romboitau 
Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=13381

O homem esfaqueado, a chacina em Guarujá e o beijo gay


O homem esfaqueado, a chacina em Guarujá e o beijo gay


Por Esther Solano Gallego
Balanço do fim de semana: um homem esfaqueado por uma briga de trânsito na frente de sua mulher e filha, uma chacina em Guarujá que teve como vítimas a quatro pessoas, incluindo uma mulher grávida, e, claro, o hipercomentado beijo gay.

A lógica mais rudimentar consideraria que os dois primeiros episódios, em toda sua tragédia, são mais relevantes para o debate social do que um beijo-mercancia, um beijo-comércio.

A realidade, porém, é que só o beijo gerou convulsão social (segundo me consta, as 338 pessoas assassinadas por razões homofóbicas em 2012 não geraram convulsão nenhuma). 

As cinco vidas perdidas foram jogadas nas sombras, no silêncio.

Minha conclusão, talvez precipitada, é que a sociedade brasileira está muito mais acostumada ao horror da morte brutal do que à naturalidade do beijo.

Claramente perverso.

Sociedade tirânica a nossa, bestial, que aceita a destruição dela mesma com esta inércia assustadora.

Esther Solano Gallego é Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A “penúltima verdade” da Folha

É espantoso... espantoso!!! O que mais me intriga é que depois da manchete em letras garrafais, a linha imediata desmente totalmente a manchete!!!! Será que eles pensam que os leitores só leem a manchete?

A “penúltima verdade” da Folha

1 de fevereiro de 2014 | 07:40 Autor: Miguel do Rosário
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Uma das sinopses mais comuns nos clássicos de ficção científica diz que a realidade tal qual a conhecemos não é a verdadeira realidade. Philip Dick tem algumas obras onde conta essa mesma história de maneiras diferentes. Em The Penultimate Truth (A penúltima verdade), por exemplo, a humanidade vive nos subterrâneos, trabalhando para uma guerra que já terminou há anos. Um grupo de ricaços controla as informações passadas à população, para que ela continue trabalhando em regime de semi-escravidão, vivendo em cidades construídas embaixo da terra. Inventam-se crises, batalhas perdidas, disseminam-se ameaças, esperanças, sempre mentirosas, tudo para que um grupo de conspiradores prossiga desfrutando de uma vidinha milionária na superfície do planeta.
Na literatura e no cinema anglo-americanos, há dezenas, quiçá centenas, de obras que denunciam os arbítrios e os riscos de uma mídia corporativa maior do que a democracia suporta. Em “O Amanhã nunca morre”, um filme da franquia 007, um poderoso magnata da imprensa mundial, Elliot carver, almeja dominar o mundo através da manipulação midiática: inventa uma guerras aqui, uma crise acolá, e vai virando dono de tudo.
Às vezes eu fico a imaginar que nossa mídia deveria ser mais explorada por nossos ficcionistas do livro e da tela. Ontem mesmo, esbarrei numa reportagem  (a da imagem acima) que me deu ideia para um romance. A história poderia ser a seguinte: meia dúzia de órgãos de mídia, organizados em cartel, tentam vender à população que seu país vive uma terrível crise econômica. Mas é mentira, não há crise nenhuma. Os conspiradores manipulam as notícias para comprar ações baratas e lucrar com o aumento dos juros.
O jornal informa que o Bradesco divulgou seu balanço de 2013. Tudo cresceu: carteira de crédito, faturamento e lucro líquido. Quer dizer, uma coisa caiu: a inadimplência (favor mandar emails para Diogo Mainardi).
Entretanto, os editores dão o seguinte título à matéria: “Bradesco diminui expansão de crédito”, o que poderia ser traduzido, com um pouquinho de humor, para “crédito aumentou, mas caiu”.
A base para a matéria sequer é a comparação entre a expansão de 2013 sobre o ano anterior com a de 2012. Não. O título busca sentido no fato do Bradesco ter “estimado”, no início do ano, expandir o crédito em 13% mas expandiu “apenas” 11%.
O Santander, outro grande banco que divulgou esta semana seu balanço de 2013, ampliou sua carteira de crédito em 7,5%.
Queda na inadimplência, aumento nos lucros, nada disso tem imporância para os editores da Folha. O que vale é investir no baixo astral e na manipulação das notícias, para que os leitores, como no livro de Philip Dick, continuem trabalhando silenciosamente nos subterrâneos, enquanto os donos da mídia e seus sócios se tornam a cada dia mais e mais ricos.

Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=13240