domingo, 3 de dezembro de 2017

Estamos à beira de uma corrida armamentista irracional, denuncia revista americana



“Sabemos que uma guerra nuclear em escala global destruiria a Terra e que essa ameaça existencial é supostamente o que mantém as potências nucleares sob controle. Porém, de acordo com um estudo publicado na revista American Geophysical Union em 2014, até mesmo uma "guerra nuclear limitada e regional", com 100 "armas nucleares pequenas" teria um efeito catastrófico sobre todo o globo”, constata o editorial da revista National Catholic Reporter, 30-11-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Segundo o editorial, “estamos à beira de uma corrida armamentista irracional, e o governo atual vê pouco ou nenhum valor na diplomacia internacional. Que estranha sensação de déjà vu — é 1984 de novo, e o palco parece pronto para o Relógio do Apocalipse chegar ainda mais perto da meia-noite. Exceto pelo fato de que Francisco subiu no palco e está nos chamando de volta à sanidade”.


Eis o texto.

A condenação do Papa Francisco às armas nucleares, "a ameaça de sua utilização, bem como sua própria posse", chegou em um momento crucial, talvez em cima da hora. A possibilidade de armas nucleares serem realmente usadas e o cataclismo que seu uso poderia causar no planeta nunca foi tão grande.
Poucos dias depois de Donald Trump ter se tornado presidente, o Bulletin of the Atomic Scientists mudou os ponteiros de seu Relógio do Apocalipse para dois minutos e meio para a meia-noite. Entre as razões citadas para isso estavam o fato de a Coreia do Norte estar testando armas nucleares, as tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, "um aumento do nacionalismo estridente em todo o mundo... bem como numa campanha presidencial dos EUA", e os comentários perturbadores de Trump sobre o uso e a proliferação de armas nucleares. Sabemos muito bem como estas tendências se aprofundaram e escureceram ao longo deste ano.
A única vez em que o relógio do juízo final esteve mais perto da meia-noite foi em 1953, depois que os Estados Unidos e a União Soviética começaram a testar bombas de hidrogênio e a corrida armamentista aumentou. Em 1984, quando as relações entre os EUA e os soviéticos estavam em um impasse e os EUA estavam ameaçando uma nova corrida armamentista, buscando um sistema de mísseis antibalísticos espacial, o relógio foi acertado para três para a meia-noite.
O arsenal nuclear mundial agora totaliza cerca de 15.000 armas: A Coreia do Norte deve ter 30 a 60 e manifestou claramente que está disposta a usá-las. O Paquistão e a Índia, cujas relações bilaterais parecem eternamente tensas, entrando em conflito por quatro vezes desde 1947, têm entre 120 e 140 armas nucleares cada. Israel deve ter 80. O Reino Unido tem 120 armas nucleares instaladas e 95 estocadas. A França, 290 implantadas e 10 estocadas. A China tem 270. A Rússia tem 7.000 armas nucleares — 1.910 implantadas, 2.390 estocadas e 2.700 inativas, esperando para ser desmanteladas. Os Estados Unidos têm 6.800 armas nucleares — 1.800 implantadas, 2.200 estocadas e 2.800 esperando para ser desmanteladas.
Sabemos que uma guerra nuclear em escala global destruiria a Terra e que essa ameaça existencial é supostamente o que mantém as potências nucleares sob controle. Porém, de acordo com um estudo publicado na revista American Geophysical Union em 2014, até mesmo uma "guerra nuclear limitada e regional", com 100 "armas nucleares pequenas" teria um efeito catastrófico sobre todo o globo.
As configurações iniciais de um ataque nuclear limitado eliminaria a camada de ozônio da Terra "em uma escala jamais observada", segundo o estudo, expondo as pessoas, os animais e as plantas a doses de radiação ultravioleta capazes de alterar os genes. Ao mesmo tempo, poeira e fuligem suspensas na atmosfera fariam temperaturas globais despencarem, encurtando ciclos germinativos, reduzindo drasticamente a produção de alimentos e causando uma "fome global nuclear".
Considerando tal cenário, a avaliação de Francisco está correta: "As armas de destruição em massa, principalmente as armas nucleares, criam apenas uma falsa sensação de segurança".
No entanto, muitos líderes mundiais enganam-se e enganam seu povo com conversas e planos de uma guerra nuclear. Sabemos as intenções da Coreia do Norte. Trump afirmou que ele quer o arsenal nuclear dos EUA em "boa forma" e "no topo".

"Quero modernização e reabilitação total."

O governo Trump tem abraçado totalmente uma modernização das forças nucleares, que começou com o Presidente Barack Obama e construiria cinco submarinos estratégicos, 72 bombardeiros estratégicos e 240 mísseis balísticos intercontinentais a um custo de US$ 1,2 trilhões ao longo de 30 anos, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês).
Enquanto isso, o governo Trump se recusou a recertificar o acordo nuclear do Irã e envia sinais contraditórios sobre o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (novo START) com a Rússia. O acordo, de 2010, dá a ambos os países o prazo de até fevereiro de 2018 para reduzir as ogivas nucleares estratégicas implantadas para não mais do que 1.550. Ele também limita mísseis implantados em terra e em submarinos e bombardeiros com capacidade nuclear.
Propostas de orçamento apresentadas na Câmara do Congresso dos EUA interromperiam o financiamento do novo START em 2021, restringiria o financiamento para a organização do Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares e reduziria o financiamento do trabalho com a Rússia sobre segurança nuclear.
Estamos à beira de uma corrida armamentista irracional, e o governo atual vê pouco ou nenhum valor na diplomacia internacional. Que estranha sensação de déjà vu — é 1984 de novo, e o palco parece pronto para o Relógio do Apocalipse chegar ainda mais perto da meia-noite. Exceto pelo fato de que Francisco subiu no palco e está nos chamando de volta à sanidade.
É bom recordar que, em 1988, o Bulletin of the Atomic Scientists redefiniu o Relógio do Apocalipse para seis para a meia-noite. Nessa altura, Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev tinham quebrado o gelo das relações bilaterais e colocado as duas nações em um curso de redução de armas, mas estavam sofrendo muita pressão da opinião pública. Grandes demonstrações de armas antinucleares em toda a Europa Ocidental e a América do Norte, sem dúvida, influenciaram líderes políticos.
No entanto, muitos líderes mundiais enganam-se e enganam seu povo com conversas e planos de uma guerra nuclear. Sabemos as intenções da Coreia do Norte. Trump afirmou que ele quer o arsenal nuclear dos EUA em "boa forma" e "no topo". "Quero modernização e reabilitação total."
Hoje, os Estados-membros da ONU estão assinando e ratificando o Tratado de Proibição de Armas Nucleares. Os nove Estados nucleares e alguns de seus aliados rejeitaram o Tratado, mas grande parte do resto da comunidade global apoia a iniciativa.
Assim como com os tratados internacionais que proibiram as minas terrestres e as armas químicas, será necessária ação cidadã global. A liderança de Francisco dá esperança de que se a comunidade mundial atuar em conjunto é possível influenciar a história novamente.

(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/574246-estamos-a-beira-de-uma-corrida-armamentista-irracional-denuncia-revista-americana)

Ambição e conflito sobre um mar de petróleo

Como um príncipe audacioso e temerário assumiu na prática o poder na Arábia Saudita. Por que ele ameaça prolongar a agressão ao Iêmen e incendiar o Oriente Médio, com o apoio de Washington
Por Miguel-Anxo Murado, em Contexto y Acción  | Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel

A princípio parecia um revoltante caso de overbooking: em plena noite do sábado, 4 de novembro, os respeitáveis clientes do Hotel Ritz-Carlton, de Riad, na Arábia Saudita, se viram obrigados a abandonar apressadamente os seus quartos de diárias entre 1.000 e 14.000 dólares. Tinham que deixar seus lugares para outros não menos ilustres (ainda que involuntários) hóspedes. Entre eles se incluíam uma dúzia de príncipes, dezenas de ministros e ex-ministros e algumas centenas de empresários. Todos eles haviam sido detidos ao longo daquele dia, no maior expurgo que se tem notícia na não tão longa nem tão pacífica história da Arábia Saudita. Mesmo que seja só dessa vez, os que dizem que há prisões que parecem hotéis de cinco estrelas agora estão literalmente certos.
Ainda que as autoridades insistam em apresentar a blitz como uma campanha contra a corrupção [versão imediatamente comprada pela grande mídia brasileira], trata-se, a bem da verdade, de episódio de uma encarniçada luta pelo poder. Em termos concretos, trata-se de uma tentativa do poderoso príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman (MbS), para se consolidar no caminho do trono, que em breve pode vir a ser rematado. Não obstante, a escalada dessa “noite dos longos punhais” foi de tal magnitude que coisa assim ainda não tinha sido vista no país ― e não porque a Arábia Saudita seja algum poço de tranquilidade. Seus desdobramentos na política externa, que já alcançam o Líbano, podem vir a ser consideravelmente desestabilizadores.
Para se entender a estranha política desse país é preciso, antes de mais nada, ir à árvore familiar, porque os conflitos aí são mais genealógicos que ideológicos. Não é por acaso que o nome do país seja um sobrenome familiar. Arábia Saudita é, de fato, a propriedade da família al-Saud; e ela deteve o poder no curso de não mais que três gerações. Ainda que pareça um país “antigo”, a Arábia Saudita só existe a partir de 1932. Esse curto período, no entanto, foi suficiente para dar à luz uma família de tal forma extensa que a partilha dos frutos do poder pode não ser sempre satisfatória. Abdulaziz Ibn Saud, o fundador da dinastia, teve, só ele, uma centena de filhos, metade deles homens. Atualmente, entre os 15 mi membros da família real, há coisa de 5.000 príncipes de sangue, que consomem o equivalente a 40 bilhões de dólares por ano. Isso significa uma carga cada vez mais pesada sobre a riqueza do país, em especial depois de vários anos de baixos preços do petróleo.

Os mecanismos de poder, ou a falta deles, agravam a rivalidade implícita. A Arábia Saudita não faz uso de um sistema de primogenitura estrita, e menos ainda de instituições democráticas, de modo que a sucessão dos reis sempre foi traumática. A do príncipe (MbS), quando chegue sua hora, não vai a ser uma exceção. Seu pai, o ancião rei Salman, colocou-o em uma boa posição de saída, não só ao nomeá-lo herdeiro como também ao lhe dar o ministério da Defesa. No entanto, o jovem príncipe desperdiçou esse crédito ao lançar o país em uma desastrosa guerra no Iêmen. Seus tios e primos, com o apoio de setores importantes do exército e do empresariado, já planejavam sua queda desde a última primavera. É essa a origem da tal “campanha contra a corrupção”: trata-se do contragolpe com o qual o príncipe pretende assegurar a própria sobrevivência.
A personalidade de MbS é a chave de tudo. A mídia ocidental se esforça para pintá-lo como um reformista. Os críticos insistem na sua ambição desmedida. O que melhor o caracteriza, no entanto, é a temeridade, o excesso de imprudência. Muitos a imputam à sua juventude (nasceu em agosto de 1985), mas parece que, da maneira como as coisas andam, não teremos a oportunidade de comprovar se isso vai mudar com os anos. A intervenção no Iêmen teria sido um desastre mesmo que alcançasse sucesso. E até suas mais bem intencionadas ideias reformistas até agora não foram mais que impulsivas e erráticas. Iniciativas como a autorização [extremamente limitada e condicionada] para que as mulheres dirijam 130 anos depois da invenção do automóvel [N. do T.: algo que deixara horrorizado e sem ação o falecido rei Abdalá, ao ser conduzido pela rainha Elizabeth II, em uma visita ao Reino Unido em 2003, quando esta o levou para passear no seu Land Rover pelo castelo de Balmoral], ou ainda a limitação do poder da polícia religiosa, podem até parecer medidas positivas, mas, isoladas e condescendentes, não constituem parte de qualquer plano efetivo de transformação de uma sociedade medieval.
De maior calado parecem ser as mudanças que o príncipe pretende introduzir na economia saudita, mas nem os objetivos soam realistas, nem os resultados, satisfatórios.




Príncipes e mendigos – Se é preciso buscar no sangue e no parentesco a lógica das lutas pelo poder na Arábia Saudita, seu motor, no entanto, está no petróleo e na economia. A Arábia Saudita é um “Estado do Mal-Estar”: uma espécie de Estado do Bem-Estar intrinsecamente falido. O setor privado representa a metade do PIB, mas é controlado de forma rentista pelos príncipes, e emprega quase exclusivamente imigrantes estrangeiros e sauditas residentes no exterior, o que mal permite produzir benefícios para a população em geral, de 32,2 milhões de habitantes. Os sauditas locais trabalham majoritariamente no setor público, onde os salários são três vezes mais altos que os dos trabalhadores da iniciativa privada. No entanto, o mercado de trabalho é de tal forma ineficiente e a sociedade tão desigual que pelo menos 30% da população vive em estado de pobreza. Em boa medida para controlar descontentamentos, a energia e outros bens básicos, como a água, são subsidiados. Uma vez que o petróleo atualmente não garante mais que uma renda média de 5.000 dólares per capita ao ano, compreende-se que esse sistema não é sustentável. E provavelmente não seja reformável, como é usual acontecer com os sistemas rígidos e hipertrofiados.
O plano de MbS consiste em igualar o mercado de trabalho, rebaixando em um terço o salário do funcionalismo, reduzir o gasto público eliminando os subsídios da energia, e privatizar parte da petroleira pública Aramco, abrindo 5% do seu capital em bolsa, para, com isso, criar uma “cidade da tecnologia” [comprada como um irreal “pacote pronto”] nas margens no Mar Vermelho, visando, assim, diversificar a economia.
Essa “ponte para o futuro” foi batizada de Visão 2030. Entretanto, não como “visão”, ela está se revelando, antes, como uma miragem no deserto. Ao se implementarem os cortes nos subsídios da eletricidade e da água, a resposta da população obrigou seus gestores a darem marcha a ré. Em abril último, diante dos protestos dos funcionários, também foi preciso levantar as reduções salariais impostas. E, finalmente, no que respeita à “cidade da tecnologia”, ela parece, antes, um reconhecimento das insuficiências da economia saudita que a sua solução. NEOM, como ficou conhecida, custará 500 bilhões de dólares e será pilotada por meio de robôs. Pode-se dizer que ela é uma metáfora do que o reino se tornou: um grande desperdício gerido por autômatos.
Isso nos leva de volta ao Ritz-Carlton. Foi lá onde se fez a apresentação, solene e triunfalista, do projeto NEOM. Ao redor dos canapés se reuniram a elite do empresariado saudita e os rostos mais conhecidos da família real. Menos de um mês mais tarde, muitos deles encontram-se compulsoriamente “hospedados” nesse mesmo hotel. No salão de baile onde foram apresentados os vídeos em 3D do projeto, dormem agora, sobre colchonetes, os policiais encarregados de vigiá-los.
A obsessão com o Irã – a política exterior saudita tem muito a ver com a economia, mas esta última não é determinante da primeira. A guerra do Iêmen, por exemplo, pode ser explicada em parte pela necessidade de explorar ― dado o esgotamento virtual dos atuais campos sauditas ― a assim chamada Zona Vazia, uma vasta área rica em petróleo, que está na fronteira entre os dois países. No entanto, na geoestratégia regional, falam mais alto os imperativos religiosos que os interesses econômicos concretos. O Irã, a grande fixação de Riad, pode até ser uma ameaça real, mas o elemento chave para explicar a hostilidade saudita é de que se trata de uma potência xiita, e não uma potência sunita. Isso faz com que, ainda que não estejam desprovidas de elementos racionais, as estratégias exteriores sauditas se inclinem mais para a paranoia e para a falta de comedimento.
Mais uma vez, a personalidade de MbS agrava essa deriva. A iniciativa que produziu a guerra do Iêmen baseou-se no temor de que o Irã pudesse convertê-lo em sua base ― algo sobre o quê parece haver muito poucos indícios. A pressão sobre o Catar, que chegou à beira da própria guerra, se justificava pela atitude mais amistosa desse emirado com o Irã. A confrontação acabou tendo o efeito de transformar aquela amizade em aliança. O mesmo aconteceu na Síria, onde Riad investiu uma enorme fortuna no apoio a grupos jihadistas sunitas, e o que conseguiu foi jogar Damasco nos braços de Teerã.
O conflito atual com o Líbano precisa ser visto nesse contexto de frustração diante dos repetidos fracassos nesse embate, em parte real, mas em parte imaginário, com o Irã. Riad interpreta a presença do partido xiita Hezbolá no governo de Beirute como uma ingerência iraniana. Na realidade, o Hezbolá participou de vários governos durante anos, sua força eleitoral e o sistema libanês de governo a partir de quotas faccionais tornam isso praticamente inevitável. Mesmo os sauditas têm uma presença constante, provavelmente até maior, na política libanesa. Eles a exerceram durante anos a fio através da família sunita Hariri; primeiro por meio do empresário da construção Rafiq Hariri, até seu ainda não elucidado assassinato em 2005, e a partir de então por seu filho Saad.
Saad Hariri não é exatamente um entusiasta do Hezbolá. Afinal, muitos creem que teria sido essa força [outros creem que foi o Mossad, o serviço secreto de Israel] que teria dado cabo de seu pai. Entretanto, a política libanesa, por assim dizer, é pragmática, e em 2009 Hariri firmou um pacto de governo com a milícia xiita, tornando a fazê-lo no ano passado. Por conta desse pacto, Michel Aoun, um general cristão maronita, aliado do Hezbolá, tornou-se presidente e o próprio Hariri tornou-se primeiro ministro. Naquele momento, o acordo foi entendido como uma trégua entre a Arábia Saudita e o Irã. O que aconteceu agora, em 4 de novembro, no mesmo dia da “noite dos longos punhais”, foi que o príncipe MbS decidiu romper a trégua, forçando a demissão de Hariri.
De que essa demissão tenha sido forçada dá pistas o fato de que Hariri fez seu anúncio em Riad, por meio da televisão saudita, e com um discurso de boneco de ventríloquo, no mesmo estilo da retórica do reino sunita. Pouco antes, o celular do primeiro ministro libanês ficou repentinamente sem cobertura; e pouco depois o próprio Hariri desapareceu durante dias, em meio a rumores insistentes de que teria sido, na verdade, sequestrado pelas autoridades sauditas. É verdade que demitir-se em circunstâncias pitorescas parece ser uma especialidade de Saad Hariri. No seu mandato anterior como primeiro ministro, o fez durante uma reunião com o presidente Obama, no Despacho Oval da Casa Branca. Dessa vez, no entanto, a coisa é mais grave.
Se a família Hariri vem sendo testa de ferro de Riad na política libanesa, o que ganhariam agora os sauditas obrigando-o a se demitir? Uma hipótese é que Hariri irritou MbS ao se negar a expulsar o Hezbolá do seu gabinete. Outra, é que se pretenderia substituir Saad por seu irmão mais velho, Bahaa. Isso é pouco verossímil. Há vários anos, Bahaa recusou-se a suceder o seu pai à frente do Movimento Futuro, com a desculpa esfarrapada de que a política libanesa lhe parecia tediosa ― ela pode ser qualquer coisa, menos isso! O mais provável é que MbS esteja pondo em prática a sua tática preferida: criar uma situação caótica, na esperança de que o rio revoltoso acabe lhe beneficiando. Nesse caso, parece acreditar que, ao forçar uma crise em Beirute, a instabilidade estimulará Israel a atacar novamente o Hezbolá, como em 2006. Seria melhor que o príncipe se lembrasse de que, naquela ocasião, o Hezbolá ganhou a parada.
Semear o caos na política libanesa não chega a ser algo difícil. Com efeito, poderia ser apenas redundante. Os libaneses estão tão habituados com a instabilidade que, de imediato, não parece sequer que notem a diferença. Além do mais, ficaram mais de dois anos sem primeiro ministro, entre 2014 e 2016; alguns dias sem Hariri não são lá grande coisa. MbS, no entanto, têm outros meios para causar problemas ao Líbano: como ocorre com outros países do Oriente Médio e do Norte da África, os sauditas controlam boa parte de sua dívida nacional. Mesmo que o precedente do assédio ao Catar devesse ter-lhe ensinado que esse tipo de tática pode ter efeitos francamente indesejados, os precedentes a respeito do próprio MbS fazem crer que ele não vai levar isso em conta.
Por outro lado, o contexto favorece as decisões intempestivas, e outro hóspede recente do Ritz-Carlton tem muito a ver com isso. Quando Donald Trump visitou a Arábia Saudita em maio ― sua primeira viaje ao exterior como presidente ―, sua eterna falta de caráter disfarçada de franqueza entrou em sintonia com a irresponsabilidade disfarçada de espírito visionário de MbS. O resultado foi que o príncipe ficou com a impressão de que Trump lhe deu luz verde para fazer e desfazer no Oriente Médio, e pode até ser que assim seja. Agora só resta ver até onde chega esse projeto pessoal e contraditório do “príncipe louco”: uma teocracia com pretensão de parecer moderada; uma economia do desperdício, reformada por meio de obras megalomaníacas; e uma diplomacia guiada por medos, mais que por alianças.

(fonte: http://outraspalavras.net/destaques/ambicao-e-conflito-sobre-um-mar-de-petroleo/)

Café História da semana

para ler, acessem aqui:
Gênero não é ideologia: os Estudos de Gênero
Nos últimos anos, este campo de estudos acadêmicos tem sofrido com a difusão de termos estranhos a ele, como o de “ideologia de gênero”, e com a propagação de informações falsas ou questões há tempos superadas. Confira o artigo da historiadora Georgiane Garabely Heil Vázquez. Leia.
 


 

Canções escravas e o racismo no Brasil e nos EUA

ivro digital da historiadora Martha Abreu analisa a circulação da produção musical dos descendentes de africanos escravizados nas Américas e a relação dos músicos com os estereótipos raciais da época.

Morre o renomado historiador Georg Iggers

Falecimento ocorreu no último domingo. Destaque no campo da teoria e da historiografia, ele estava com 90 anos de idade.
 


domingo, 26 de novembro de 2017

Boas matérias para ler que indico


1 - Indústria de alimentos ocupa espaços da universidade na Anvisa

leia aqui: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2017/11/industria-de-alimentos-ocupa-espacos-da-universidade-na-anvisa/  

2 - Como incendiar (de novo) o Oriente Médio
Incomodados com seu próprio declínio, EUA e Arábia Saudita tornam-se provocadores e buscam a guerra -- no exato instante em que a região tenta livrar-se dela. Por Patrick Cockburn

leia aqui: http://outraspalavras.net/destaques/como-incendiar-de-novo-o-oriente-medio/ 

3 - Coca-Cola X Uruguai: as corporações contra a segurança alimentarInconformada com lei que obriga a estampar informação nutricional em suas embalagem, corporação quer processar país na Organização Mundial do Comércio… Por João Peres 

leia aqui: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2017/11/coca-cola-x-uruguai-as-corporacoes-contra-seguranca-alimentar/  

Ninguém está fazendo o suficiente para conter a crise climática

Análise de políticas climáticas mundiais mostra que países estão muito aquém das metas para frear aquecimento global.

A reportagem foi publicada por Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil – e 350.org Brasil, 16-11-2017.
Representante de uma pequena ilha do Pacífico severamente ameaçada pelo aumento do nível do mar, o Primeiro Ministro da República de Fiji e Presidente da COP 23, Frank Bainimarama, afirmou na abertura da conferência que “todos estamos na mesma canoa.” Sua mensagem traz a ideia de que o problema do aquecimento global afeta democraticamente a todos e, portanto, também deve ser resolvido de forma global, com ações conjuntas e compromissos de todas as partes. No entanto, o Índice de Desempenho Climático 2018, apresentado nesta quarta-feira (15) em Bonn, na Alemanha, dá mostras de que isso, na prática, não está ocorrendo.

Elaborado pelas organizações Germanwatch, New Climate Institute e Climate Action Network (CAN), o relatório analisou a performance das políticas climáticas da União Europeia e mais 56 países, que juntos respondem por mais de 90% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. O resultado aponta que “nenhum país está fazendo o suficiente para prevenir as perigosas alterações no clima.” Por esse motivo, ninguém ocupou as posições um a três no ranking.
Dentre os países latinos, apenas Brasil, México e Argentina foram analisados. Estes ficaram, respectivamente, na 19a, 27a e 46a colocações. Brasil e México foram avaliados como medianos e Argentina como “muito abaixo” das metas. Suécia, Marrocos, Lituânia, Noruega e Reino Unido lideram a lista; Estados Unidos se encontra em queda livre, ocupando a 56a posição, somente acima de Austrália, Coreia do Sul, Irã e Arábia Saudita.
“Dois anos depois de concordar em limitar o aquecimento global abaixo de 2°C, com esforços para chegar a 1,5°C, ainda vemos uma enorme lacuna entre a ambição das metas de redução dos gases de efeito estufa dos países e seu progresso em relação a uma real implementação do Acordo de Paris nas legislações nacionais”, atesta o relatório.
Mas nem só de negatividade se faz o documento. Segundo a análise, “existem sinais encorajadores de que uma transição energética global está em andamento.” Os números mostram que os investimentos em energias renováveis continuam a dominar os novos investimentos no sistema energético em todo o mundo. Além disso, em 2014, 2015 e 2016 as emissões globais de carbono no setor de energia não cresceram, o que não acontecia desde a revolução industrial, em anos sem uma grande crise econômica.

América Latina de mal a pior

No cenário climático global, que demanda uma mudança urgente de paradigma, uma avaliação “mediana” não pode ser considerada positiva. Ainda mais quando essa análise não leva em conta o efeito destrutivo de políticas atualmente em curso ou “em vias de”, num futuro bem próximo. No Brasil, o governo manteve a priorização aos combustíveis fósseis na matriz energética, com 70% dos recursos da próxima década destinados a carvão, petróleo e gás. Além disso, o presidente Michel Temer quer aprovar uma Medida Provisória que dará incentivos fiscais trilionários às empresas petrolíferas.
“Os incentivos do governo brasileiro à indústria fóssil revelam uma postura totalmente favorável às energias sujas e ao retrocesso. Para cumprir com as metas de combate ao aquecimento global, o Brasil precisa deixar todas as reservas de petróleo e gás no chão e redirecionar os recursos públicos e privados para iniciativas de energias renováveis, justas e livres”, defendeu Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora de 350.org Brasil e América Latina.
Seguindo no mesmo sentido, o governo de Maurício Macri, na Argentina, pretende aprofundar o modelo de energia baseado em fontes sujas, principalmente hidrocarbonetos não convencionais, como o gás de xisto, que trazem um alto custo ambiental e social.
“A Argentina tem avanços positivos com relação às energias renováveis, como a Lei de Regime Nacional de Geração Distribuída de Energias Renováveis, que está em tramitação no Senado. Mas ao mesmo tempo pretende aprofundar o modelo de extração de hidrocarbonetos através da técnica poluente do fracking, como é o caso da região de Vaca Muerta”, afirmou Juan Pablo Olsson, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Argentina e colaborador do relatório.
No México, o governo de Enrique Peña Nieto também avança com o aprofundamento do modelo extrativista, promovendo a mega mineração e a extração de hidrocarbonetos não convencionais. De acordo com informações atualizadas, 3.780 poços já foram perfurados através do método do fracking, enquanto ativistas, pesquisadores e organizações ambientais alertam sobre os danos ambientais e sociais desse tipo de exploração.
(fonte:  http://www.ihu.unisinos.br/573840-ninguem-esta-fazendo-o-suficiente-para-conter-a-crise-climatica)

Uma frustrante conferência do clima em Bonn

Mundo dá sinais de esgotamento, mas governos seguem em frente com modelo de desenvolvimento. Dinâmicas política nacionais bloquearam quaisquer avanços na COP-23 em Bonn. EUA, Alemanha e Brasil parecem apostar no abismo.
"Os que duvidam dos efeitos da mudança climática ou se orientam por fé religiosa cega, retrógrada e conservadora ou por má fé daqueles que querem continuar o modelo de lucro fácil nas costas do trabalho mal pago da maior parte da população e do esgotamento da rica biodiversidade do planeta", escreve Iara Pietricovsky, antropóloga, mestra em Ciência Política pela Universidade de Brasília e atriz de teatro desde 1969, membro do colegiado de gestão do Inesc, em artigo publicado por Outras Palavras, 21-11-2017. Iara Pietricovsky participou dos debates da COP-23 em Bonn.

Eis o artigo.

No último dia 17, terminaram as intensas negociações da COP-23 – a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que deveria ter acontecido nas Ilhas Fiji, mas, em decorrência da falta de infraestrutura, aconteceu em solo alemão. Assim, o símbolo da COP, representando a presidência do país-sede, foi uma palmeira e uma onda do mar, mas o clima real era de árvores amareladas perdendo sua força num inverno que se aproxima na cidade de Bonn. O outono na Alemanha é muito bonito.
A COP-23 elaborou uma primeira versão do que está sendo chamado de o “Livro de Regras”, que pretende ser um texto mais detalhado do Acordo de Paris (APA), cobrindo todos os órgãos subsidiários SBSTA (sigla em inglês para Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice) e SBI, (sigla em inglês para Subsidiary Body for Implementation). O documento foi aprovado cheio de colchetes, que em linguagem diplomática significa que todos colocaram suas posições, mas longe ainda de um acordo, de modo que muitos temas em debate ainda serão submetidos a demoradas negociações.
O fato é que os tempos das negociações não estão equilibrados com os impactos reais que estão ocorrendo em função da mudança climática e da manutenção de um modelo de desenvolvimento que insiste em manter privilégios e intensificar desigualdades. A conclamada “nova economia”, recorrentemente referida pela diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, tem implicações diretas na vida de milhões de pessoas que ficarão desempregadas e sofrerão, cada vez mais, os efeitos da mudança de clima. O propalado salário universal, que toma corpo nos debates do Banco Mundial e FMI, é um grande colchão para amenizar o desastre que está sendo anunciado para um futuro não muito distante.
Mas, vamos às questões que me pareceram mais relevantes nessa COP-23: A Plataforma Indígena nasce no Acordo de Paris (APA), em 2015 e tem como objetivo incluir os conhecimentos indígenas e de comunidades tradicionais dentro do debate e das soluções para a mudança climática. Desde então, houve intensas negociações nas reuniões intermediárias, resultando, inclusive, em um grande encontro patrocinado pelo governo canadense, onde se estabeleceram princípios e bases comuns para serem apresentados na COP-23. O texto foi debatido e aprovado e agora seguirá para as negociações dentro dos órgãos subsidiários SBSTA e o SBI e da próprio UNFCC (sigla em inglês para Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima). Uma questão que parece ambígua no texto aprovado da Plataforma Indígena é o financiamento dos membros do Grupo de Trabalho, por parte da UNFCC, que terão a responsabilidade de acompanhar as negociações, efetivar a governança e construir o plano de trabalho. Aqui poderá se estabelecer uma desigualdade de tratamento em prejuízo da plena participação dos e das representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais, que definitivamente não tem condições financeiras de acompanhar estes processos.
A segunda questão se refere ao financiamento e ao caráter contencioso desde sua origem. São três os principais fundos de financiamento dentro do guarda-chuva da UNFCC: o GEF, o Fundo Verde de Clima e o Fundo de Adaptação. As nações mais ricas e industrializadas comprometeram-se, há sete anos, a levantar US$ 100 bilhões por ano, até 2020, para atacar os problemas de emissão dos gases de efeito estufa e a adaptação aos efeitos da mudança climática. Entretanto, até agora, o Fundo Verde só conseguiu levantar cerca de US$ 10,3 bilhões, muito aquém daquilo que havia sido acordado. Além disso, as decisões mais recentes de financiamento são alvo de críticas pela falta de transparência.
Os Fundos de Clima, em geral, podem estar sendo bloqueados em decorrência de mudanças nas regras da cooperação dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e isso coloca mais pedras no caminho da efetivação desse compromisso.
Por fim, existe sempre a dimensão política nessas negociações -que, ao fim e ao cabo, é a que define tudo. Em seu discurso, Angela Merkel teve que explicar, com constrangimento, o inexplicável: o aumento do uso do carvão como energia. A redução dessa fonte energética pode causar-lhe prejuízos políticos irreparáveis na Alemanha. Do outro lado do Atlântico, o governo norte-americano, que bloqueia os debates, ameaça tirar dinheiro dos fundos dos trabalhos científicos do IPCC. Enquanto isso, o presidente francês Macron propõe que a França substitua a doação de US$ 2 milhões feitas pelos EUA até antes da era Trump. O Brasil, por sua vez, ignora toda a tendência mundial e amplia subsídios a combustíveis fósseis, na contramão da história e do tempo.
Os que duvidam dos efeitos da mudança climática ou se orientam por fé religiosa cega, retrógrada e conservadora ou por má fé daqueles que querem continuar o modelo de lucro fácil nas costas do trabalho mal pago da maior parte da população e do esgotamento da rica biodiversidade do planeta. Em ambos os casos, são forças poderosas que persistem e atuam dentro do jogo político. E, sem dúvida, pelo andar da carruagem e pelo estado da arte das negociações, vivemos tempos de guerra, um tempo de luta. O que prevalecerá saberemos em breve. Muito breve mesmo.

(fonte:  http://www.ihu.unisinos.br/573960-uma-frustrante-conferencia-do-clima-em-bonn)

Projeto inédito no Brasil ensina alunos, pais e professores a cultivar alimentos orgânicos


Prática já impactou 1,4 mil pessoas em Carazinho (RS); participantes recebem certificados neste sábado (25).
Um projeto inédito no Brasil, que une educação e conscientização ambiental, tem mudado o hábito de muitos moradores de Carazinho, cidade gaúcha com pouco mais de 60 mil habitantes. Em um ano, mais de 1,4 mil pessoas foram impactadas pelo “Educação & Sustentabilidade”, que ensina aos alunos de escolas públicas, professores e seus familiares teorias e práticas sobre como cuidar do meio ambiente.
A reportagem é publicada por EcoDebate, 23-11-2017.

A cidade já colhe os resultados de um ano da iniciativa. As escolas fazem a merenda escolar com produtos orgânicos plantados pelos próprios alunos e foram desenvolvidas unidades de compostagem de resíduos dentro das instituições de ensino. A comunidade envolvida reduziu o desperdício de água e energia, e a população está mais consciente sobre a importância da sustentabilidade.
Segundo Rodrigo Berté, idealizador da ação e diretor da Escola de Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter, os objetivos foram além do planejado e a mobilização social foi surpreendente. “Nunca tinha visto uma cidade, uma Secretaria de Educação e escolas se mobilizarem tão rápido, o comprometimento deles foi maior do que o esperado. Geralmente as pessoas querem algo em troca para se movimentar. Em Carazinho, a adesão foi espontânea”.
O trabalho no município ainda não acabou. A próxima etapa é englobar mais colégios nesse movimento, os principais parceiros, a Secretaria de Educação e o Ministério Público estão discutindo a possibilidade de ampliar o número de escolas do Ensino Fundamental e inserir as de Educação Infantil.
“Todos os envolvidos foram, de fato, educados para a sustentabilidade e foi possível verificar uma significativa mudança de hábitos. Acredito que outras cidades deveriam implementar o projeto, tendo em vista que constitui uma excelente oportunidade de despertar a consciência cívica e motivar ações dessa natureza”, conta Adriana Costa, promotora de Justiça e titular do Ministério Público na cidade.
O encerramento do primeiro ano de atividades acontece no dia 25 de novembro, sábado, às 8h30, no auditório da Universidade de Passo Fundo, no campus de Carazinho que fica na Rua Diamantino Conte Tombini, 300. Todos os participantes receberão os certificados, os chamados Selos Verdes, que atestam que as ações sustentáveis desenvolvidas são amigas da natureza e seguem determinados parâmetros que neutralizam ou reduzem seu impacto no entorno. A solenidade vai contar com a presença de autoridades locais e parceiros.

Sobre o projeto

O “Educação & Sustentabilidade” foi criado em 2016 pelo professor Berté para que as escolas públicas trabalhassem o tema Meio Ambiente de forma prática, atraindo a atenção dos alunos e envolvendo a comunidade. As crianças aprendem a plantar, adubar, cuidar e colher os frutos da horta. Em casa, eles aplicam o que aprenderam sobre a reciclagem de resíduos para a produção de fertilizante, processo conhecido como compostagem.
Oito escolas públicas de Carazinho (RS) aderiram ao projeto. São elas: Eulália Vargas Albuquerque, o Patronato Santo Antônio, Alfredo Scherer, Capitão Aristides Gabriel, Piero Sassi, Pedro Pasqualotto, Pedro Vargas e Políbio do Valle.
Em 2016, o projeto começou com capacitações teóricas sobre Educação Ambiental. Na segunda etapa, foram desenvolvidas atividades práticas, ensinando o processo de compostagem e hortas mandalas. Além dessas atividades, as escolas são incentivadas a criar iniciativas próprias.
O desenvolvimento é feito pela Unibio com o apoio Ministério Público Estadual, por intermédio da Promotoria de Justiça Especializada de Carazinho, Uninter, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, responsáveis pela capacitação, acompanhamento, material didático e supervisão de todo o processo.

(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/573966-projeto-inedito-no-brasil-ensina-alunos-pais-e-professores-a-cultivar-alimentos-organicos)