terça-feira, 23 de abril de 2013

QUARTO ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO

QUARTO ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO

CONGONHAS – 24 e 25 de MAIO de 2013
 
INFORMAÇÕES ÚTEIS

 
- LOCALIZAÇÃO: o evento será realizado na Romaria (Alameda Cidade de Matosinhos de Portugal, 153 – Bairro Basílica – fones (31)3731-3133 e 3731-3051).

- HOSPEDAGEM: ver blog – o hotel mais próximo é o Colonial, seguido pelo Hotel Colina. Já está na hora de fazer a reserva de hospedagem.

- INSCRIÇÃO: a ser feita na hora do evento. Capacidade do auditório: 75 pessoas.

- DURAÇÃO: dia 24 (sexta): das 8:30h às 18:30h, apresentação de doze comunicações de meia hora, cada, com intervalos para café e almoço; à noite, será realizado um jantar de confraternização (por adesão) com música folclórica local; dia 25 (sábado), das 9h às 12h, visita guiada à obra de Aleijadinho, pelo professor Luciomar Sebastião de Jesus (Congonhas). Almoço e encerramento do evento.
 
- PROGRAMA PRELIMINAR – ver blog acima.

- DESPESAS: os encontros do Caminho Novo, como de praxe, não são patrocinados, ficando as despesas por conta de cada participante ou da entidade que representa.



PROGRAMA PRELIMINAR DO QUARTO ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO - CONGONHAS - 24 E 25 DE MAIO DE 2013
24 - sexta-feira
08:30h - Abertura - Prof.a Miriam Palhares (Secretaria de Cultura de Congonhas), Prof. Luciomar de Jesus (Congonhas), Prof. Luiz Mauro Andrade da Fonseca (Barbacena), Prof. Geraldo Barroso de Carvalho (Barbacena) e Prof. Francisco Rodrigues de Oliveira (Barbacena).
09:30h - "Primordios da Religiao no Caminho Novo" - Prof. Mario Celso Rios (Academia Barbacenense de Letras).
10h - "O Caminho Novo sob a perspectiva dos viajantes do século XIX" - Prof.a Edna Maria Resende (Arquivo Publico de Barbacena).
10:30h – Intervalo / Café
11h – Prof.a  Márcia Maria Duarte Santos (Belo Horizonte)
11:30h - "0 Universo Urbano e as Estradas Reais e Ferroviárias" - Profª. Helena Guimarães Campos (APCBH - Belo Horizonte)
12h – Almoço
14h – Prof. Irinaldo Alves (Congonhas)
14:30h - "Vertebras do Caminho Novo pelos Sertoes do Leste" - professoras Nilza Cantoni e Joana Capella (Leopoldina e Cataguases).
15h – Prof. Alex Bohrer (Ouro Preto)
15:30h – Prof.a – Leila Barbosa (Juiz de Fora)
16h – Intervalo / Café
16:30h - " As imagens dos Passos no Santuário do Senhor Bom Jesus do Matosinhos: uma análise iconológica" - Prof.a  Andreia de Freitas Rodrigues (Juiz de Fora)
17h - Prof. Mauro Werkema (Belo Horizonte)
17:30h - "Congonhas: patrimonio natural e construido na interseção dos caminhos de Minas" - Prof. Antonio Gilberto da Costa (Belo Horizonte)
18h - "Defesa do Patrimonio Historico de Minas Gerais" - Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda. (Belo Horizonte).
25 - sábado
Circuito turistico na cidade de Congonhas e visita a obra de Aleijadinho - escultor Luciomar de Jesus (Congonhas)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Como um estudante desmontou as teses de dois economistas de Harvard

Por que será que a grande imprensa não comenta este assunto tão importante? 
(publicado no site da Agência Carta Maior)


Como um estudante desmontou as teses de dois economistas de Harvard

Thomas Herndon tem 28 anos e é doutorando em economia na Universidade de Massachusetts. Ao fazer um trabalho para uma das disciplinas que cursava, descobriu que as teses dos economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, de Harvard, que relacionavam endividamento público e desaceleração econômica, estavam baseadas em cálculos equivocados.

Foi na elaboração de um artigo científico para a disciplina de Econometria que Thomas Herndon descobriu o erro de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, dois dos mais prestigiados economistas de Harvard.

Herndon tem 28 anos e é doutorando em economia na Universidade de Massachusetts. O trabalho do estudante de Economia consistia em replicar os resultados de Rogoff e Reinhart e, em seguida, contra-argumentar a tese de que uma elevada dívida pública conduzia a um crescimento econômico mais lento.

Herndon nunca havia chegado tão longe. As várias tentativas falhas em replicar os dados dos dois economistas de Harvard despertaram o interesse do estudante. Herndon fez então os cálculos, utilizando os dados de Rogoff e Reinhart, que tinha requisitado no início de abril, e descobriu que em vez de uma queda de 0,1% no PIB, que os dois economistas tinham previsto para países com uma dívida acima dos 90% do PIB, os cálculos apontavam para um crescimento de 2,2%.

“Quase não acreditei no que os meus olhos estavam vendo quando vi aquele erro tão básico na folha de Excel. Tem de haver uma explicação”, afirma Herndon, citado pela Reuters. “Então chamei a minha namorada para saber se só eu é que estava vendo o erro”, conta.

Perante a descoberta, Herndon comunicou o erro de Rogoff e Reinhart aos seus professores, Robert Pollin e Michael Asch, que mais tarde co-elaboraram o artigo em que questionam a teoria dos economistas de Harvard.

“No início não acreditei nele. Pensei: ok, ele é um estudante, tem de estar errado. Eles são economistas proeminentes e ele é um estudante de doutoramento”, revela Pollin. O professor afirma que durante um mês pressionou o estudante para rever os cálculos. “Depois de um mês disse: ‘Ele está certo’”, afirma o economista.

O artigo dos três investigadores abalou o meio académico e Herndon pensa mesmo alargar o seu trabalho e torná-lo na sua tese de doutoramento.

O erro de Rogoff e Reinhart
Em 2010, Rogoff e Reinhart publicaram um artigo, intitulado “Crescimento em tempo de dívida”, que sustentava que países com uma dívida pública acima dos 90% do PIB tem um crescimento muito inferior comparativamente com os países onde o valor da dívida não é tão elevado.

O estudo dos dois economistas é uma das teorias centrais na fundamentação teórica das políticas de austeridade para a estabilização do endividamento público. Para chegarem a tal conclusão, os dois economistas utilizaram estatísticas de vários países, relativas ao período entre 1946 e 2009.

Primeiro sozinho e mais tarde em conjunto com Pollin e Ash, Herdon descobriu várias fragilidades no estudo “Crescimento em tempo de dívida”, que se podem dividir em três grupos: seleção de dados, ponderação do peso e códigos de Excel.

De acordo com os três investigadores, foram excluídos da análise anos em que dívidas acima de 90% conviveram com crescimentos sólidos: Austrália (1946-1950), Nova Zelândia (1946-1949) e Canadá (1946-1950). Outro dos equívocos prende-se com a ponderação do peso, ou seja, observações diferentes têm o mesmo peso.

Por exemplo, o Reino Unido teve um crescimento médio de 2,4% durante 19 anos com uma dívida superior a 90%. Rogoff e Reinhart deixaram ainda de fora no estudo cinco países com uma dívida superior a 90%, o que se deve a um erro na fórmula de Excel.

Os dois economistas reconheceram já o erro na fórmula de cálculo, reiterando, no entanto, que continua a haver uma relação entre a dívida pública elevada e o baixo crescimento econômico.

“É preocupante que tal erro tenha sido incluído num dos nossos artigos, apesar dos nossos esforços constantes e do nosso cuidado”, afirmam Rogoff e Reinhart num comunicado de resposta à descoberta do erro. “Não acreditamos, no entanto, que este lamentável deslize afete de forma significativa a teoria central do artigo ou do nosso trabalho posterior”, asseveram os economistas.

“Crescimento em tempo de dívida” foi utilizado como base para trabalhos posteriores, nomeadamente o artigo “Sobreendividamento: passado e presente”, escrito ainda com Vincent Reinhart, no qual os economistas aprofundam o trabalho anterior.

“Concluímos que elevados níveis de endividamento, da ordem de 90% do PIB, constituem um travão a longo prazo para o crescimento, uma situação que pode durar 20 anos ou mesmo mais. Os custos acumulados são impressionantes. Desde 1800, as fases de sobre-endividamento duram em média 23 anos e estão associadas a uma taxa de crescimento inferior em mais de um ponto percentual à taxa de crescimento das fases de menor endividamento. Dito de outra forma, após 25 anos de sobre-endividamento, as receitas de um país são 25% inferiores ao que obteriam se a taxa de crescimento não tivesse sido perturbada”, sintetizava Rogoff num texto para o Project Syndicate.

Rogoff e Reinhart lecionam atualmente em Harvard e já trabalharam para o Fundo Monetário Internacional, em que ocuparam altos cargos. Antes, Rogoff foi economista-chefe no banco de investimento Bear Stearns. Já Reinhart trabalhou para a FED, passando antes por Yale e pelo MIT.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Esgoto tratado não é prioridade em Belo Horizonte

A matéria abaixo foi publicada no Blog da KikaCastro, hoje, sábado.


Esgoto tratado não é prioridade em Belo Horizonte


Texto escrito por José de Souza Castro:
A prefeitura de Belo Horizonte alega que não cabe ao Judiciário definir o que é prioritário na cidade. Por isso, recorreu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais contra sentença do juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal, Renato Luís Dresch. O juiz determinou em setembro de 2010 que o município e a Copasa tomassem providências urgentes para que o esgoto que polui o córrego Camões, na região da Pampulha, fosse coletado e tratado.
A ação foi proposta em novembro de 2001 pelo Ministério Público e só agora parece chegar ao fim, com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, de rejeitar recursos contra o julgamento de Dresch, confirmado pelo Tribunal de Justiça.
Mas, ficará finalmente o córrego Camões livre do esgoto? E se em vez de cumprir a sentença, prefeitura e Copasa preferirem pagar a multa diária de R$ 1 mil? Não seria a primeira vez que uma autoridade menospreza a Constituição. Para Dresch, está claro ali que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, como escreveu na sentença.
É preciso reconhecer que a situação não foi criada pelo prefeito Marcio Lacerda. A ação foi proposta bem na época em que o prefeito Célio de Castro, reeleito em 2000, se licenciava por causa de um acidente vascular cerebral, sendo substituído pelo vice, Fernando Pimentel. Este só deixou a prefeitura em janeiro de 2009.
No último ano do mandato, conforme se lê nas alegações apresentadas ao juiz Dresch, Belo Horizonte tinha 235 mil moradores sem rede de esgoto, mais de 7 mil não possuíam sequer instalações sanitárias nas residências e aproximadamente 30% dos esgotos eram lançados diretamente em cursos dágua. Ou seja, numa situação assim, como exigir que fosse resolvido o problema do córrego Camões?
O que espanta, na defesa apresentada pela prefeitura ao Supremo, em 30 de janeiro de 2012, é que, passados tantos anos, a situação na cidade piorou, em vez de melhorar. Afirma: “Aproximadamente 33% dos esgotos gerados no Município de Belo Horizonte não estão interceptados, originando lançamentos diretos nos cursos d’água por cerca de 740.000 habitantes.”
Como o Executivo não sabe estabelecer prioridades, é necessário, sim, que o Judiciário o faça.

Manipulações da imprensa

Saiu hoje no Blog do Mello. Reproduzo, vale a pena ler isso, principalmente para quem acredita que a imprensa só fala verdades!


Posted: 19 Apr 2013 07:42 AM PDT


A ex-repórter da CNN Âmbar Lyon revelou que durante seu trabalho para o canal recebeu ordens para enviar notícias falsas e excluir outras que não favoreciam o objetivo do governo dos EUA de criar uma opinião pública favorável a uma agressão ao Irã e à Síria.

Lyon afirmou ainda que os principais meios de comunicação dos Estados Unidos intencionalmente trabalham para criar uma propaganda contra o Irã para angariar o apoio da opinião pública a uma invasão militar.

Ela enfatizou que o cenário de demonização utilizado anteriormente para justificar a guerra ao Iraque está se repetindo agora contra Irã e Síria.

A ex-repórter esclareceu que o canal CNN manipula e fabrica notícias e sublinha que o canal recebe dinheiro do governo dos EUA e de outros países em troca do conteúdo de notícias. [Fonte]

Lá, como aqui, manipulam-se as notícias, brandindo um falso patriotismo, por um lado, e recebendo muito bem para isso, pelo outro.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

André Rieu em BH. Eu fui!

Sou fã de carteirinha do André Rieu e da sua orquestra, dos quais tenho todos os DVDs que já vieram para o Brasil.
Ontem, ele esteve em BH. E o espetáculo é realmente grandioso. 
Puristas há que torcem o nariz para ele. Tolinhos! O que ele faz de mais grandioso é apresentar, de forma lúdica, o que há de melhor na música clássica, comprovando que ela é a música de todas as gerações, em todas as épocas. 
Nada de músicos sisudos, todos de preto, como são, geralmente, as orquestras. Não, ali no palco tudo é cor, movimento, vibração, alegria. E que contagia as plateias, onde quer que ele vá.
O palco escolhido para ele se apresentar foi o Mineirinho, que estava lotado como se pode ver. (Foto Izabel Faria)


Havia uma preocupação com a acústica, mas não vi problema algum. Nesse aspecto, tudo foi perfeito.

O problema, aliás, os problemas dizem respeito ao Mineirinho e seu entorno.
1. O trânsito - Caótico é apelido. Saimos de casa às 19:30 e conseguimos entrar no estádio às 21:10. O viaduto recém-construído para ligar a Av. Antônio Carlos ao Mineirão e ao Mineirinho estava tomado de carros, vans, ônibus. Entramos nele às 20:20 e gastamos meia hora para a van rodar algo em torno de uns 500 metros. Descemos um pouco antes e fomos à pé o restante do trajeto.

2. quando chegamos, a orquestra já estava a postos. Europeus costumam iniciar no horário previsto. Felizmente não perdemos nada porque Rieu notou o volume imenso de gente entrando e esperou uns 20 minutos antes de dar início. Falou, num português não muito preciso, claro, que só iria começar quando todos estivessem sentados e em silêncio.

3. Muita gente se comportou como se torcedores de algum jogo fossem. Obrigaram Rieu a pedir que quando ele falasse, ninguém mais falasse...


4. Da entrada no portão principal até se chegar ao estádio, um caminho longo, escuro, cheio de buracos. Ideal para pessoas idosas tropeçarem e quase cairem... 

5. Banheiros em estado lamentável. Papel higiênico? Nada... prá quê, né mesmo?O banheiro masculino no qual tive o desprazer de entrar tinha, de um lado 4 vasos com portas de madeira que devem ter a mesma idade do estádio. Podres, caindo aos pedaços, nenhuma fechava. Do outro lado havia 5 mictórios, dos quais apenas 3 funcionavam, pois 2 haviam sido arrancados e não foram substituidos. Filas para urinar! Incrível!
O chão todo molhado de urina, um fedor desagradabilíssimo! Não eram toaletes recomendadas para pessoas que pagaram 300,00, 500,00 ou até 2.500,00...

6. Por falar nisso, uma distinta senhorita ou senhora, sentada nas cadeiras dos abonados que pagaram 2.500,00 para ver o concerto, teve o lindo e meigo gesto de jogar uma calcinha no palco para o maestro, que apenas olhou e deixou-a no chão. Esqueceram de falar com a distinta que não era o Wando...

No mais, foi muito bom o concerto. Duas horas e meia que passaram desapercebidas, tal o envolvimento com as músicas apresentadas.
Detalhe interessante foi que, no inicio e perto do final, ele tocou uma música que os mineiros já se acostumaram a ouvir e o estádio inteiro cantou: Oh! Minas Gerais! Devem ter segredado para ele, mas ele sabe que a música de verdade se chama Veni sul mare, é uma canção napolitana, de autoria desconhecida e que foi devidamente plagiada pelo autor do "hino mineiro".

Algumas fotos, tiradas por mim e pela minha esposa:
O "tocador de sinos"

 Momento brincadeira - chuva de papel picado na plateia

 Balada por Adeline - um show de piano

 Duas vozes de ouro do Terceiro Mundo: Africa do Sul e Brasil

Lembra do Dr. Jivago? Esta é uma Balalaika...

 O momento mais aplaudido: Ave Maria de Gounod, cantado pela soprano sul-africana Kimmy Skota

Ao final, o momento Brasil - Tico-tico no fubá e Aquarela do Brasil

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Maledicências da vida...

Recebi do nosso colaborador, prof. Antônio Moura, o artigo abaixo, escrito por um aluno da Escola Guignard.
Faço o registro e deixo o espaço para comentários à disposição de todos!






Fernando Henrique Cardoso maledicente.

Autor:

    
Um ex-presidente brasileiro está rodando o mundo, em viagens patrocinadas por empresas e corporações que cresceram e ganharam muito dinheiro em seu período de governo. Nestas viagens, a presença do ex-presidente ajuda as empresas patrocinadoras a captar investimentos e ganhar mercados.
     
As empresas amigas também patrocinam palestras deste líder político no Brasil e contribuem com fundos milionários para o Instituto que leva seu nome e destina-se a preservar sua memória.
     
Se este ex-presidente se chamasse Luiz Inácio, suas atividades no exterior seriam manchete da Folha de S. Paulo, colocando-o sob suspeita de atuar como lobista de empresas sujas.
     
Mas estamos falando de Fernando Henrique Cardoso, que também viaja fazendo palestras, a convite de empresas, ONGs e instituições diversas. A diferença mais notável entre eles (há muitas outras) é que FHC vai lá fora para falar mal do Brasil.
    
Nas asas do Itaú, seu patrocinador master, Fernando Henrique esteve no Paraguai em 2010 , no dia em que o banco inaugurou a operação para tomar o mercado no país vizinho.
    
O Itaú também o levou a Doha e aos Emirados Árabes ano passado, como informou aimprensa financeira, com a intenção de morder parte dos 100 milhões de dólares que o Barwa Bank tem para investir no mercado imobiliário brasileiro. 
 
   
A Folha estava lá (mas não diz quem pagou a viagem da colunista Maria Cristina Frias)“FHC vai ao Oriente Médio com Itaú para atrair investimento”, ela escreveu. Zero de suspeição ou malícia. O jornal não se preocupou em saber se a embaixada brasileira alugou impressoras para apoiar o ex-presidente em sua missão, mas registrou direitinho o que ele disse lá sobre o governo brasileiro atual: Corrupção cresceu em relação a meu governo, diz FHCCom esse papo, o ex deve ter atraído investimentos para o Chile.
    
FHC também falou mal do Brasil quando foi à China, em maio passado, de novo pelas asas do Itaú (nem parece que é um banco, deve ser uma agência de viagens). Reclamou do ajuste do câmbio, da falta de planejamento, e fez o comercial do patrocinador: 

“Baixar a taxa de juros (no Brasil) é importante, mas tem que olhar as consequências”, ele disse aos chineses. O Estadão resumiu no título a visão de Brasil que FH passou em Pequim: “Não se pode crescer a qualquer a custo, diz FHC”. 
     
Em novembro do ano passado, a casa americana JP Morgan pagou FHC para falar mal do Brasil sem sair de casa: “O Brasil está pagando o preço por não ter dado continuidade aos avanços implementados”, ele disse, numa palestra para investidores estrangeiros em São Paulo.
     
Na edição deste sábado, a Folha sugere ao Ministério Público que promova uma ação para alguém devolver “gastos indevidos” com horas extras de motoristas e deslocamento de funcionários, nas embaixadas por onde Lula passou. Mas não se comove com o fato de a estatal paulista Sabesp ter pingado R$ 500 mil na caixinha do Instituto FHC (ah se fosse o Visanet...).
    
Fernando Henrique ainda era presidente da República, em 2002, quando chamou ao Palácio da Alvorada os donos de meia dúzia empresas para alavancar o instituto que ainda ia criar: Odebrecht, Camargo Corrêa, Bradesco, Itaú, CSN, Klabin e Suzano. A elas se juntaria a Ambev. Juntas, pingaram 7 milhões no chapéu de FH. Mas foi o Tesouro que pagou o jantar, descrito em detalhes nesta reportagem da revista Época.
     
Todos à mesa eram gratos à FHC pelo Plano Real e não se duvide de que alguns tenham coçado o bolso por idealismo.Mas se a Folha utilizasse o mesmo relho com que trata Lula, teria registrado que os Itaú e Bradesco eram gratos pela maior taxa de juros do mundo; a Ambev deve seu monopólio ao CADE dos tucanos; a CSN é a primogênita da privataria e quase todos ali deviam algum ao BNDES.
     
FHC e seu instituto prosperaram. No primeiro ano como ex-presidente ele faturou R$ 3 milhões em palestras (“o critério é cobrar metade do que cobra o Bill Clinton”, explicou, modestamente, um assessor de FHC). A primeira palestra, de US$ 150 mil de cachê, que serviu de parâmetro para as demais, foi bancada pela Ambev. O IFHC já tinha R$ 15 milhões em caixa e planejava gastar o dobro disso nas instalações.
     
O IFHC abriga o projeto Memória das Telecomunicações (esqueçam o que ele escreveu, mas não o que ele privatizou),patrocinado naturalmente pela Telefónica de Espanha.
    
Todas as empresas citadas neste relato são anunciantes da Folha de S. Paulo e estão acima de qualquer suspeita enquanto anunciantes. Apodrecem, aos olhos do jornal, quando se aproximam de Lula.
   
Eis aí o segundo recado da série de manchetes: afastem-se dele os homens de bem. O primeiro recado, está claro, é: mãos ao alto, Lula!
    
A Folha também se considera acima de qualquer suspeita. Só não consegue mais disfarçar o ódio pessoal que move sua campanha contra o ex-presidente Lula.

terça-feira, 16 de abril de 2013

E a Coreia do Norte, hem?

Este artigo, publicado na Agência Carta Maior, elucida algumas questões importantes para se entender o que está acontecendo na Coreia do Norte. E acaba por nos tranquilizar quanto à impossibilidade de os tais mísseis (será que são de destruição em massa?) não serem lançados...


A verborragia pragmática de Kim Jong Un

Não há nada de loucura na grandiloquência verbal de Kim Jong Un. É a tal realpolitik. A mesma que torna conveniente aos EUA a atual tensão na península coreana - oportunidade para ampliar sua presença militar na região. E a ONU segue impotente evitando contrariar interesses e adotando sanções cujos efeitos são sentidos só pelos miseráveis nos campos da Coreia do Norte.
O ocidente busca compreender os recentes movimentos da Coreia do Norte em meio a um mar de simplificações. A hipótese mais banal é veiculada acriticamente por diversos veículos de comunicação: Kim Jong Un seria um insano e, assim, estaria brincando com a vida de milhões de coreanos ao liderar o país como uma criança mimada a jogar videogame. Ora, temos à disposição informações suficientes para não acreditar nessa bobagem.
Os quase vinte e cinco milhões de norte-coreanos sabem perfeitamente o quanto é inútil a discussão sobre a sanidade mental de Kim Jong Un. O que eles sabem é que Un, um jovem de 30 anos, assumiu o comando do sexto maior exército do mundo e precisa dar respostas ao grave problema de abastecimento que o país enfrenta. Mobilizar a unidade nacional e forçar uma saída negociada com os EUA e a Coreia do Sul parece ser a estratégia do regime. Se, ao final dessa escalada de agressões verbais, conseguirem negociar algum tipo de ajuda humanitária e outras formas de assistência, terão obtido uma grande vitória. Kim Jong Un, ao dar sequencia ao Songun, política estabelecida pelo pai, Kim Jong Il, que tem como fundamento a prioridade aos interesses militares, pretende reforçar sua capacidade de debelar qualquer indício de desestabilização política interna.

A Coreia do Norte possui um dos regimes mais militarizados que a história contemporânea conhece. Perto dessa dinastia militarista, a antiga URSS fica parecendo, praticamente, uma democracia liberal. E engana-se quem acredita que os movimentos de Kim Jong Un são decorrência de algum tipo de combate ideológico frente ao ocidente e o capitalismo. É pragmatismo mesmo. O regime norte-coreano, por sinal, advoga a superação do marxismo pelo Juche, uma espécie de doutrina teológica que reserva ao grande “presidente imortal e eterno”, Kim Il Sung - avô de Kim Jong Un e fundador da Coreia do Norte - um lugar divino. O Juche foi transformado em doutrina oficial em novembro de 1970, substituindo o marxismo-leninismo. Uma das lendas Juche bastante conhecida na Coreia do Norte, afirma que uma estrela de brilho intenso e um duplo arco-íris apareceram nos céus do Monte Paekdu quando o grande líder Kim Il Sung nasceu neste que é o mais auspicioso feriado da Humanidade.

Pode parecer engraçado, mas discordar ou rir da história oficial pode custar a vida de um norte-coreano comum. Juche, em Coreano tem um significado que se aproxima de autoestima. Transformada em ideologia oficial, essa doutrina que, em diversos aspectos, se aproxima do corporativismo fascista, busca legitimar com apelo religioso um regime tirânico que permite a seu “Líder supremo” desperdiçar milhões de dólares com seu programa nuclear enquanto milhares de camponeses se veem obrigados a comerem cascas de arvores para matar a fome.

A retórica norte-coreana não é nova. Em 2002, após George W. Bush incluir o país entre os membros do “eixo do mal” - expressão criada pelo então Presidente dos EUA - Pyongyang já havia anunciado que “varreria da terra sem piedade seus agressores”. Não deu em nada. E agora, mais uma vez, um conflito não parece ser o objetivo real do regime, muito embora o aparente despreparo de Kim Jong Un e as incertezas sobre o comando do país possam levar o atual processo a um desfecho imprevisível no momento. Mas, de fato, há bons motivos para acreditarmos que os dirigentes norte-coreanos não optaram por uma espécie de suicido coletivo.

Os interesses da China na região, que não aceita a ideia de ter os EUA margeando suas fronteiras no caso da derrubada da dinastia norte-coreana é um fator que os líderes militares norte coreanos manipulam muito habilmente. O colapso da Coreia do Norte e um eventual deslocamento em massa de gente faminta em direção à grande potência asiática é outro risco que Pequim não pretende correr. E assim, Kim Jong Un segue os passos de seu pai, com uma relativa convicção de que não será atacado. O povo norte-coreano segue sofrendo as consequências de um jogo tão real quanto lamentável.

Não há nada de loucura na grandiloquência verbal de Kim Jong Un. É a tal realpolitik. A mesma que torna conveniente aos EUA a atual tensão na península coreana - oportunidade para ampliar sua presença militar na região. E a ONU segue impotente evitando contrariar interesses e adotando sanções cujos efeitos são sentidos unicamente pelos miseráveis confinados nos campos da distante Coreia do Norte.

(*) Secretário Geral de Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No twitter: @vinicius_wu