sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

STF paga camisa de ministro e mancha reputação; não é só pelos R$ 250, mas pelo péssimo exemplo

por Plinio Fraga

O Supremo Tribunal Federal pagou R$ 250 pela camisa branca de um de seus ministros. Confeccionada em tricoline extra com 100% algodão e fio 120 egípcio, tem a frente pregueada e o colarinho do tipo smoking. A compra foi pescada pela organização não governamental Contas Abertas. O Supremo preza a elegância. Reservou R$ 1,4 mil para a compra de uma grande dracena artificial e duas palmeiras leque artificiais. As plantas terão tronco natural decorado com material preservado, como cipós e palhas. O valor também inclui três vasos decorativos.

Parece frivolidade relatar gastos como esse da mais alta corte de Justiça do país. Uma palmeira leque artificial pode ser só uma questão de gosto estético duvidoso. Um desperdício a mais. Pior é o gasto com os R$ 250 da camisa branca do ministro. Por que os contribuintes têm de arcar com esse capricho?

De acordo com a Transparência Brasil, um ministro do STF demora entre 11 e 22 duas semanas para decidir um processo. Cada um deles tem, em média, cerca de 3.000 processos em aberto, aguardando decisão. Será que o meritíssimo não teve tempo de trocar de camisa? Será que houve alguma emergência envolvendo seu nobre vestuário?

É possível que o meritíssimo tenha entornado café em sua camisa e enfrentou o urgente problema da mancha do Judiciário. Pediu um auxiliar que comprasse uma camisa nova, mas a conta terminou na grande mãe do Tesouro Público.

Em tese, o Supremo é a elite do Judiciário. Será que não ocorreu a este ministro que o salário mensal de R$ 31 mil que recebe é suficiente para cobrir os gastos que se originem das manchas de sua carreira?

É possível listar uma quantidade enorme de baboseiras gastas com o dinheiro público. O Senado, por exemplo, deslocou oito funcionários para dar expediente na sala VIP que mantém no aeroporto de Brasília. A cada ano, gasta R$ 200 mil só para dar esse conforto a 81 senadores.

Nesta semana, a Casa comprou um psicrômetro ao custo de R$ 1,1 mil. A ong Contas Abertas descreveu o aparelho: “contém dois termômetros idênticos colocados um ao lado do outro, servindo para avaliar a quantidade de vapor de água encontrada no ar”.

A Câmara dos Deputados empenhou R$ 33,3 mil para contratar apresentações teatrais. No palco, temas voltados à história do Brasil, de Brasília e do Parlamento. Uma comprovação de que política é teatro e  ajuste fiscal e responsabilidade dos gastos são peças ficticias.

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(fonte: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/plinio-fraga/stf-paga-camisa-de-ministro-e-mancha-reputacao-103954144.html)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Racismo em alta mancha reputação da França


Leneide Duarte-Plon, de Paris

A França foi até pouco tempo considerada como um exemplo a ser seguido no continente. Não é mais. No relatório do comissário para os direitos humanos do Conselho da Europa, divulgado na terça-feira, 17 de fevereiro, o país passou a figurar na lista dos que sofrem "deterioração da coesão social".

Ser criticada em razão do "recuo da tolerância" e pelo "aumento de agressões verbais e demonstrações injuriosas com caráter odioso ou discriminatório" é um duro revés. Afinal, a França cultivava o histórico orgulho de ser "o país dos direitos humanos", epíteto sempre lembrado por jornalistas e políticos, em referência à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, elaborada logo depois da Revolução Francesa pela primeira Assembleia Nacional Constituinte francesa.

O comissário Nils Muiznieks, nativo da Letônia e diplomado em Ciências Políticas pela Universidade de Berkeley (EUA), pondera em seu relatório de 52 páginas que o antissemitismo e a islamofobia são muito graves em todos os países europeus que passaram pelo exame da Comissão de Direitos Humanos. Na França, contudo, esses dois tipos de racismo são mais graves e os casos mais numerosos porque o país reúne a maior população de judeus e de muçulmanos do continente, cerca de 600 mil para o primeiro e 6 milhões para o segundo grupo.

Na França, a coexistência de judeus e muçulmanos é muitas vezes explosiva, sobretudo por causa da ferida exposta pelo sexagenário conflito palestino-israelense, cada vez mais agudizado pela progressiva ocupação israelense dos territórios palestinos da Cisjordânia.
O comissário não mencionou em seu relatório, mas durante os bombardeios a Gaza, em julho do ano passado, o "país dos direitos humanos" foi o único Estado democrático no mundo que proibiu manifestações em defesa dos palestinos de Gaza, que vivem numa verdadeira "prisão a céu aberto", segundo organizações de direitos humanos insuspeitas. Em total desacordo com suas tradições de liberdade de expressão, o governo francês não deu autorização às manifestações em Paris, que não eram promovidas por muçulmanos, mas por partidos de esquerda e por cidadãos franceses pró-palestinos de diversas origens. O primeiro-ministro Manuel Valls justificou, sem convencer, que o país não podia importar para território francês o conflito Israel-Palestina. A tampa na panela não impede as vivas tensões: os simpáticos à causa palestina entenderam a proibição como um parti pris pró-israelense da parte do governo francês.

O atentado de janeiro contra um supermercado casher e outros atos anti-semitas recentes, assim como mais de uma centena de agressões a mesquitas somente este ano, comprovam que a mobilização nacional contra o racismo que o presidente François Hollande vai anunciar em breve é mais que oportuna.

Entrevistado pelo Le Monde, o comissário para os direitos humanos do Conselho da Europa disse que, ao reconhecer como um tipo de "apartheid" a exclusão de que são vítimas os moradores das banlieues, o primeiro-ministro Manuel Valls fez uso de um verdadeira arma de eletrochoque, prova de vontade política de atacar o problema.

Paradoxalmente, foi o mesmo Valls que, em setembro de 2013, ainda como ministro do Interior, declarou que "os ciganos (roms, em francês) têm vocação para voltar à Romênia ou à Bulgária e para isso é preciso que a União Europeia, com autoridades desses países, encontre um meio de integrar essas populações em sua terra de origem". Esse mesmo governo do primeiro-ministro Valls se orgulha de ter aumentado as expulsões de terrenos ocupados ilegalmente pelas populações ciganas e o envio aos países de origem dos que não têm documentos franceses.

A banalização do discurso discriminatório na França em relação a certas minorias – a mais visada é a comunidade de franceses muçulmanos – na boca de diversos políticos franceses, de esquerda como de direita e de extrema-direita, foi apontada pelo comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa como altamente preocupante. Segundo ele, esse tipo de linguagem envia um sinal à polícia, aos funcionários e aos cidadãos de que o discurso racista pode ser assimilado pela sociedade. Os policiais são frequentemente acusados de violência no tratamento com migrantes, vindos do mundo inteiro, que vivem ilegalmente em Calais, na esperança de atravessar o canal para chegar à Inglaterra.

Mesmo no que diz respeito à acolhida de exilados sírios que buscam a Europa fugindo da guerra, o comissário mostra como a França está longe de sua tradição de "terra de asilo". Em 2015, o país acolherá apenas 500 sírios, o mesmo que em 2014, enquanto a Alemanha deu asilo a 10 mil sírios no ano passado.

Evidentemente, a França não foi o pior aluno entre os países europeus, na visão da Comissão de Direitos Humanos. Mas já teve melhores notas. O relatório anterior, datado de 2006, apontava o país  como o berço dos direitos humanos na visão de muitos europeus. E constatava que ele oferecia "um alto nível de proteção aos direitos humanos".

Apesar de todas as reservas, Nils Muiznieks pensa que a França tem uma excelente legislação e mais instrumentos para implementar uma política de igualdade que a maioria de seus vizinhos. Entre muitas críticas, o relatório abre outra exceção: considera excepcional o trabalho das associações humanitárias.

Com o mesmo número de páginas, um relatório do governo francês respondeu às acusações sem, contudo, conseguir justificar todas as críticas apontadas no texto do Conselho da Europa.

(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/Racismo-em-alta-mancha-reputacao-da-Franca/5/32906)

Desertificação: 'por que este assunto não está na capa dos jornais?


Um solo produtivo leva de três mil a 12 mil anos para a sua formação, e o aumento da desertificação no mundo desmascara a 'eficiência' do agronegócio.

Najar Tubino

É uma decisão da ONU, que desde 2013 também definiu o dia 5 de dezembro como o dia mundial do solo. Em maio, entre os dias 4 e 7, ocorrerá a Conferência Internacional do Solo na Albânia com o lema: “O solo sustenta a vida: muito lento para formar, rápido demais para perder”. Um centímetro de solo demora entre 100 e 400 anos para se formar, e os pesquisadores calculam que um solo produtivo dentro da normalidade leve de três mil a 12 mil anos para a sua formação. Mesmo assim, a ONU calcula que até 2050 o mundo perderá um Brasil inteiro em solo, ou seja, 849 milhões de hectares. São 12 milhões de hectares por ano. O que é mais importante: somente 5 a 10% dessa terra chegam ao mar. Onde fica o restante? No leito dos rios, no lago das represas, tanto de abastecimento de água, como das hidrelétricas, nos córregos, nos afluentes. Como dizem os chineses: os rios do planeta estão empanturrados.
 
O secretário executivo da Convenção das Nações Unidas contra a desertificação, o africano Luc Gnacadja, do Benin, pergunta: por que este assunto não está na capa dos jornais? Simples, porque a mídia tradicional não trata de assuntos importantes realmente, a não ser com um viés conservador, sempre a favor do mercado. Tratar do solo, portanto, poderá desmascarar a eficiência do agronegócio, cuja receita de monoculturas é a mesma no mundo. Mas aí temos as previsões para o aumento da população e as necessidades de alimentação, o que reforça a prática destrutiva do modelo industrial de produção de alimentos. Temos que crescer 50% até 2050, dizem eles. Isso significa algo como 175 a 200 milhões de novos hectares.
A degradação avança em todo o mundo
 
A matemática é simples: se nada for feito para deter a erosão e o desmatamento, os dois principais fatores da degradação dos solos, em 20 anos teremos perdidos mais 240 milhões de hectares, calculando 12 milhões ao ano, como faz a ONU. Em 1991, 15% das terras cultiváveis do planeta estão se degradando, agora são 24%. Eram 110 países que sofriam com o problema da erosão e com o aumento da desertificação, agora são 168.
 
“-Veja o caso da África, cita o secretário da Convenção contra a Desertificação, que é o continente mais vulnerável à seca e à degradação dos solos. A situação atual aponta para 45% do solo afetado pela degradação e admite-se que dois terços podem ser perdidos até 2025”, diz Luc Gnacadja.
 
Ele completa: “até agora a resposta humana à degradação dos solos e ao avanço da desertificação tem sido derrubar mais área de floresta para aumentar a fronteira agrícola”.
 
Mundo urbano não discute o rural
 
Um texto sobre outra conferência – em Brasília, entre os dias 25 a 27 de março- cita alguns argumentos sobre a importância do solo:
 
“- Os solos constituem insumo fundamental para o desenvolvimento humano. Nenhum país consegue desenvolver-se plenamente sem acesso a esse recurso natural e as suas riquezas são incalculáveis. Em interface com a atmosfera, a hidrosfera, a biosfera e a litosfera o solo é responsável pelos principais processos biogeoquímicos que garantem a vida na Terra, estoca a água e recicla nutrientes, protege contra enchentes, sequestra carbono e abriga 25% da biodiversidade”.
 
Ocorre que o mundo atual é urbano, digital, eletrônico e não comporta espaço nem discussão sobre assuntos considerados rurais, do campo, de outra esfera. A não ser quando da realidade bate a porta e começa a sumir a água das torneiras e, de repente, milhões ficarão sem água, como acontecerá em 2015 em São Paulo. É o que diz um trabalho divulgado pela The Nature Conservancy sobre o problema da falta de água nas grandes cidades.
 
Detonaram o mato dos mananciais
 
Se 14,3 mil hectares dos 493,4 mil hectares que formam os sistemas Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Grande fossem reflorestados com mato nativo, isso diminuiria em 568,9 mil toneladas de sedimentos que são jogados nos cursos d’água, que alimentam os reservatórios.
 
“- A sedimentação tem impacto direto na quantidade e na qualidade da água dos mananciais. Isso ocorre porque não há cobertura vegetal ao redor dos rios e das represas. O solo exposto, além de sofrer erosão e não absorver a água das chuvas provoca o escoamento da terra para os corpos d’água, assoreando o leito e diminuindo a vida útil dos reservatórios”, como explica Samuel Barreto, coordenador do Movimento Água para São Paulo.
 
A região dos mananciais já perdeu 70% da mata nativa para a pecuária e agricultura. Os números levantados pela organização não governamental SOS Mata Atlântica são piores – só restam 488km2, ou seja, 21,5%. Não se trata de uma novidade brasileira. A erosão na China já consumiu 19% da área agrícola e os números apontam para descarga de terra superior no rio Yang-Tsé, o maior da Ásia, superior as dos rios Nilo e Amazonas juntos – três bilhões de toneladas ao ano.
 
O tempo passa, as cidades inflam, os rios são empanturrados não somente de terra, de solo perdido, juntamente com seus nutrientes e dos fertilizantes químicos, mas também de esgoto e lixo de todo tipo. É uma situação vergonhosa o que acontece no Brasil, onde o tratamento de esgoto ainda não é considerado uma prioridade, mesmo com verbas federais autorizadas. O conto do vigário de políticos sem compromisso com a população não combina com obras que ficam embaixo da terra. Hoje, ao se fazer uma pesquisa sobre assoreamento de rios e represas no país, o resultado é revoltante. Sem exceções, todos os principais rios brasileiros estão assoreados e entupidos de esgoto e lixo. Seus afluentes, córregos e nascentes foram detonados, sem mato para proteção. Tudo em nome do progresso e da modernidade, que fede com os excrementos de milhões de pessoas.
Colapso do sistema público de água
 
Em 2015, justamente quando o assunto solo poderá ganhar as páginas da mídia ordinária, o país será usado como exemplo do que pode ocorrer na maior metrópole, a falta de água nas torneiras paulistas. O Centro de Desastres Climáticos, do INPE calculou as estimativas de chuvas até abril – mesmo com fevereiro acima da média-, além do que a SABESP retira do sistema Cantareira. E a previsão é que o sistema seca em julho. No início de dezembro passado ocorreu um encontro na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, sobre as perspectivas de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. O professor Pedro Luiz Cortês, da Uninovo, coordenador do encontro, disse:
 
“- Temos um sistema cada vez mais suscetível a eventos climáticos, como secas prolongadas, além do consumo cada vez mais intenso. Desde 2012 sabíamos que entraríamos num regime de falta de chuvas. O governo deveria vir a público apresentar os cenários com os quais está trabalhando”.
 
Outro comentário, agora do professor Reginaldo Berto, do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas, da USP:
 
“- É preciso se preparar para o colapso do sistema público de abastecimento a partir de abril de 2015”.
 
 
Enquanto isso, a mídia ordinária faz uma contagem regressiva ao contrário, dando uma falsa impressão à população de que as coisas estão melhorando: chegou a 8,9% e continua subindo. O Sistema Cantareira, assim como outros sistemas de abastecimento, começou a entrar em colapso ao longo dos últimos anos. A essência do problema é que a classe política conservadora não considera o ambiente como parte da vida e do suporte da vida, além de combater as mudanças climáticas, como se fosse ideia de comunista. E, por essa e outras, que o país, que tem água doce em grande quantidade, dará um exemplo ao contrário ao mundo. Claro, que tudo ainda depende da decisão técnica do governador paulista.

(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/Desertificacao-por-que-este-assunto-nao-esta-na-capa-dos-jornais-/3/32899)

Linchamentos - a justiça popular no Brasil

O Brasil está entre os países que mais lincham no mundo. Nada menos que quatro linchamentos e tentativas de linchamento por dia. Nos últimos 60 anos, mais de um milhão de brasileiros participou de ações de justiçamento de rua.
Neste livro oportuno e inquietante, o sociólogo José de Souza Martins busca, além dos motivos próximos, as raízes profundas dessa antiga prática, verdadeiro ritual de loucura coletiva.
A obra já está em pré-venda, aproveite!



     



O Brasil está entre os países que mais lincham no mundo. Essas ações, motivadas por atos gravíssimos de estupro de crianças, por casos de incesto, por roubos que vitimam pessoas pobres e desvalidas, culminam no trucidamento violento dos acusados.
Embora no geral seja curta a duração do ódio que move essas ações, não é pequeno o elenco dos momentos do ato de linchar. Eles vão da perseguição ao apedrejamento, ao espancamento, à mutilação do linchado e, não raro, ao seu extermínio pelo fogo, estando ainda vivo. A crueldade da multidão é demarcada e regulada por valores e procedimentos do justiçamento arcaico, que nos remetem a normas e critérios da Inquisição e das Ordenações Filipinas. Pouco diferem os nossos linchamentos de hoje dos que entre nós já eram praticados desde o primeiro de que se tem notícia, na Bahia, em 1585.

Nº de Páginas: 208
Formato: 16 x 23

ISBN:
978-85-7244-891-8



COMCIÊNCIA - tema é Avaliação de Ensino

Está no ar o número 165 da revista mensal eletrônica de jornalismo científico ComCiência, publicada pelo Labjor e pela SBPC. O tema desta edição é “Avaliação de Ensino”.

Editorial
- Exames nacionais de avaliação do ensino, por Carlos Vogt - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&tipo=1314
Artigos
- Tendências e abordagens teóricas das pesquisas sobre o Enem, por Fabíola Matte Bergamin Maria Fernanda Alves Garcia Montero - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1312
- Vale a pena prestar atenção nos rankings internacionais?, por Renato H. L. Pedrosa - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1313
- Avaliação no ensino superior: origens e dilemas na experiência internacional e brasileira, por Elizabeth Balbachevsky - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1318
- Do acesso ao sucesso (e depois), por Ana Maria Carneiro - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1320
- Os processos de avaliação no Brasil: o que foi proposto e o que ocorre de fato, por Roberta Muriel Cardoso e José Dias Sobrinho - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1325
 
Reportagens

- Por que avaliar?, por Simone Caixeta de Andrade e Tatiana Venancio -http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1316
- O que nos mostram as avaliações em ciências: o triste cenário brasileiro, por Cassiana Purcino Perez - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1317
- Avaliação do ensino médio deve passar por mudanças, por Patrícia Santos - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1321
- Rankings universitários internacionais: polêmica sob medida, por Roberto Takata - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1323
- Especificidades da avaliação no ensino a distância, por Kátia Kishi e Juliana Passos - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=110&id=1324

 Entrevista

- Robert E. Verhine, entrevistado por Carolina Medeiros - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=entrevista&edicao=110

Resenha

- Desafios da avaliação educacional, por Ana Paula Zaguetto - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=resenha&edicao=110

Poema

- Utopia, por Carlos Vogt - http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&id=1315&edicao=110

Notícias

http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?module=comciencia&action=view&section=3
- Consumo de frutas e verduras ajuda a proteger organismo da poluição
- Desvendado mecanismo de regulação do metabolismo da glicose na obesidade
- Editores se posicionam sobre investimento da Capes em publisher internacional
- Mortalidade prematura relacionada à poluição custa R$ 1,7 bilhão anuais
- Indústria pirotécnica apresenta riscos aos trabalhadores

Boa leitura!
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Labjor/Unicamp - http://www.labjor.unicamp.br

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Globo esconde FHC. Será investigada?

Por Altamiro Borges

No domingo passado (8), o blogueiro Luis Nassif postou uma grave denúncia sobre a seletividade da Rede Globo na cobertura da Operação Lava-Jato, que apura o escândalo de corrupção na Petrobras:

Ontem, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, enviou um e-mail a todos os chefes de núcleo com o seguinte conteúdo:

“Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato

Atenção para a orientação

Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.


Ainda segundo Luis Nassif, a ordem “se deveu ao fato da reportagem ter procurado FHC para repercutir as declarações de Pedro Barusco – de que recebia propinas antes do governo Lula. No Jornal Nacional, o realismo foi maior. Não se divulgou a acusação de Barusco, mas deu-se todo destaque à resposta de FHC assegurando que, no seu governo, as propinas eram fruto de negociação individual de Barusco com fornecedores; e no governo Lula, de acertos políticos. Proibiu-se também a divulgação da denúncia da revista Época (do próprio grupo) contra Gilmar Mendes”.

Diante da grave denúncia, que indica mais um crime de sonegação informativa, a direção da TV Globo preferiu se fingir de morta. Não desmentiu nem confirmou a informação. Passado quatro dias, os telejornais da emissora até informaram que o nome de FHC havia sido citado nas delações premiadas da Lava-Jato. Mas pegaram bem leve. Bem ao contrário do escândalo feito com as acusações, sem prova, contra o ex-ministro José Dirceu. O Jornal Nacional tem dedicado vários minutos para atacar diariamente o líder petista. Já no que se refere ao tucano FHC, ele segue as ordens expressas da diretora do império global: “Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique”.

Emissora seria punida em outro país

Em qualquer outro país um pouco mais civilizado, a “orientação” da chefona da TV Globo resultaria em imediata investigação. Afinal, a emissora explora uma concessão pública de televisão e deveria seguir normas rígidas de imparcialidade e pluralidade informativas. Mas no Brasil não há qualquer órgão que garanta estes preceitos democráticos. Nos EUA, país tão paparicado pela mídia colonizada, existe a Federal Communications Commission (FCC), criada em 1934, que fiscaliza as emissoras da rádio e televisão. Seu papel principal é evitar a monopolização no setor, mas ela também recebe queixas sobre conteúdos distorcidos das programações e faz recomendações.


Já na Europa, os órgãos reguladores são ainda mais rígidos na questão do conteúdo. No Reino Unido, o Office of Communications (Ofcom) tem a missão, entre outras, de zelar pela qualidade e diversidade nas programações. Abusos comprovados são punidos de acordo com legislação. Em outros países europeus, como Portugal, Itália, França e Espanha, também existem órgãos formados pelas empresas de mídia, poderes públicos e entidades da sociedade civil para fiscalizar o conteúdo das concessões públicas de rádio e televisão. No período mais recente, a América Latina também deu passos importantes no sentido de coibir a “ditadura midiática” – seja na Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador e outros.

Já o Brasil segue na “vanguarda do atraso” neste campo tão estratégico. Isto ajuda a explicar a ordem da diretora da Rede Globo para esconder o grão-tucano FHC. Ela sabe que o império global não será investigado e nem punido.

(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/02/globo-esconde-fhc-sera-investigada.html)