Numa propriedade da União, antes ocupada ilegalmente por
empresas, 250 famílias cultivam hortaliças sem agrotóxico algum.
Inconformados, ruralistas protestam com tratoraços…
Por Geani de Souza, no site do MST
Há quase um ano o acampamento Maria Rosa, localizado no município de
Castro, região dos Campos Gerais do Paraná, é referencia na plantação de
produtos orgânicos.
A ocupação – que foi realizada em agosto de 2015 -, conta hoje com
cerca de 250 famílias ligadas ao MST vindas dos municípios de Castro,
Lapa, Teixeira Soares, Ipiranga e Ponta Grossa.
Desde que ocuparam a fazenda, as famílias – que são detentoras de um
pedaço de terra de 10mX50m, para plantação -, vêm produzindo alimentos
saudáveis para a auto-sustentação do acampamento e também para mostrar
para a sociedade que a produção de alimentos sem veneno é sim possível.
“As famílias plantam hortaliças em geral, uma diversidade de
alimentos que são vendidos nos municípios de Castro e Carambei”, disse o
acampado Rodrigo Athayde.
Histórico
A Sociedade Rural de Castro vem fazendo protestos no município desde
que o MST ocupou a área. Marchas e tratoraços já foram realizadas para
tentar proibir o movimento de permanecer na área.
“Os fazendeiros da região fazem o trabalho com os moradores dizendo
que o acampamento esta ali apenas para fazer loteamento para em seguida
entregar para as lideranças do MST. A nossa resposta se baseia em
mostrar a produção de alimentos sem veneno que produzimos”, enfatizou
Athayde.
A fazenda, que é propriedade da União, estava sendo utilizada por
duas empresas irregulares, entre elas a Fundação ABC. Ambas tinham
contrato de uso vencido há 10 meses com o órgão.
Sabendo disso, a União destinou a área para leilão, porém, o
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) solicitou
que ela fosse destinada para a Reforma Agrária, transformando as terras
em um assentamento modelo em que toda produção seja agroecológica.
Desde abril de 2014 há uma liminar de despejo contra a Fundação ABC,
com multa diária de R$ 20 milhões, mas o governo do Paraná não cumpriu
com a ordem judicial.
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=342958)
sábado, 13 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Nazistas entre nós
Os nazistas, responsáveis pelo Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, foram exemplarmente punidos após a derrota alemã, certo? Não foi bem assim. Muitos desses carrascos desfrutaram o resto da vida em liberdade, em vários cantos do planeta, como se fossem parte da mesma sociedade civilizada que eles tanto se esforçaram em destruir.
Eram vistos como vizinhos pacatos, cidadãos de bem. E isso só foi possível porque, aos olhos de muita gente, o “passado” deveria ficar no “passado”. É essa história de impunidade que o historiador e jornalista Marcos Guterman conta.
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Como a Bolívia acabou com o analfabetismo
Um método transformador e o cuidado de estendê-lo a grupos antes
esquecidos — deficientes e portadores de Down, por exemplo — ensinaram
um milhão de adultos a ler e escrever
Por Fellipe Abreu e Luiz Felipe Silva, no Calle2 | Fotos por Fellipe Abreu
Um grupo de 40 idosos camponeses estava pronto para nos receber para acompanhar uma aula de alfabetização, na região rural da cidade periférica de El Alto, vizinha de La Paz. Estávamos lá para produzir uma reportagem sobre o método Yo Sí Puedo, programa de alfabetização cubano aplicado na Bolívia desde 2006 e que tornou o país um território livre do analfabetismo, segundo a Unesco.
Para a Unesco, uma nação se torna livre do analfabetismo quando a taxa de não-alfabetização está abaixo de 4%. Em 2014, a Bolívia atingiu 3,8%. Hoje, o índice é ainda menor, 2,9%. Isso significa que mais de um milhão de bolivianos adultos aprenderam a ler e escrever nos últimos dez anos. Deste total, cerca de 40% são idosos acima de 60 anos e 70%, mulheres. Isto se deve, principalmente, pela falta de dinheiro das famílias que historicamente vivem em áreas rurais do país e pelo antigo sistema educacional da Bolívia, que até 1952 não era universal.
Assim que chegamos, fomos recebidos pelo líder comunitário Dom Quintin Pulma, policial aposentado. Elegante, de preto dos sapatos bem lustrados até o chapéu, se apresentou e apresentou toda a comunidade. Um a um, os senhores e as senhoras se levantaram para se dar as boas-vindas. Dom Quintin, então com 83 anos, relatou:
Ao fim deste primeiro dia de contato com o projeto, duas senhoras
levantaram a voz e gritaram. “Não se percam. Não se esqueçam de nós”,
disseram. Esta foi a chave para que a reportagem se tornasse algo maior:
um documentário, para que ninguém mais se esqueça dessas pessoas.
Assim nasceu o projeto Yo Sí Puedo, que acompanhou cinco grupos de alfabetização desde setembro de 2014 até fevereiro de 2016. O documentário conta de perto a história da professora Keyla Guzmán, que batalhou quatro anos para ter seu método de ensino aprovado pelo Ministério da Educação: Keyla leciona para 26 alunas e um aluno no Mercado Rodriguez, espécie de feira popular localizada no Centro de La Paz. A professora iniciou com a alfabetização e atualmente está em vias de concluir o programa Yo Sí Puedo Seguir, continuação do programa que equivale ao ciclo primário do sistema educacional boliviano – para crianças, dura seis anos; para adultos, dois.
Leia o texto na integra na revista Calle2
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=340835)
Por Fellipe Abreu e Luiz Felipe Silva, no Calle2 | Fotos por Fellipe Abreu
Um grupo de 40 idosos camponeses estava pronto para nos receber para acompanhar uma aula de alfabetização, na região rural da cidade periférica de El Alto, vizinha de La Paz. Estávamos lá para produzir uma reportagem sobre o método Yo Sí Puedo, programa de alfabetização cubano aplicado na Bolívia desde 2006 e que tornou o país um território livre do analfabetismo, segundo a Unesco.
Para a Unesco, uma nação se torna livre do analfabetismo quando a taxa de não-alfabetização está abaixo de 4%. Em 2014, a Bolívia atingiu 3,8%. Hoje, o índice é ainda menor, 2,9%. Isso significa que mais de um milhão de bolivianos adultos aprenderam a ler e escrever nos últimos dez anos. Deste total, cerca de 40% são idosos acima de 60 anos e 70%, mulheres. Isto se deve, principalmente, pela falta de dinheiro das famílias que historicamente vivem em áreas rurais do país e pelo antigo sistema educacional da Bolívia, que até 1952 não era universal.
Assim que chegamos, fomos recebidos pelo líder comunitário Dom Quintin Pulma, policial aposentado. Elegante, de preto dos sapatos bem lustrados até o chapéu, se apresentou e apresentou toda a comunidade. Um a um, os senhores e as senhoras se levantaram para se dar as boas-vindas. Dom Quintin, então com 83 anos, relatou:
“Ler
e escrever era proibido! Eu morava no sítio em que meus pais
trabalhavam e o patrão dizia que se eu fosse à escola cortaria minha
língua”. Era a história de quase todos ali. A mensagem que tinham para
nós, contudo, era outra: “agora lemos e escrevemos. Vão e contem para
todos que somos capazes”.
Assim nasceu o projeto Yo Sí Puedo, que acompanhou cinco grupos de alfabetização desde setembro de 2014 até fevereiro de 2016. O documentário conta de perto a história da professora Keyla Guzmán, que batalhou quatro anos para ter seu método de ensino aprovado pelo Ministério da Educação: Keyla leciona para 26 alunas e um aluno no Mercado Rodriguez, espécie de feira popular localizada no Centro de La Paz. A professora iniciou com a alfabetização e atualmente está em vias de concluir o programa Yo Sí Puedo Seguir, continuação do programa que equivale ao ciclo primário do sistema educacional boliviano – para crianças, dura seis anos; para adultos, dois.
Leia o texto na integra na revista Calle2
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=340835)
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Como a imprensa esportiva trata as mulheres nos Jogos do Rio 2016
Rocío Venegas, para a revista Desconcierto, do Chile
Antes de cada evento esportivo, a minuciosa investigação jornalística prévia tem uma parada obrigatória: a lista de mulheres que se destacam, obviamente, por suas características físicas. Nem importa se são mulheres que realmente praticam esportes – até numa Copa do Mundo masculina de futebol, não faltam os rankings das namoradas dos jogadores, avaliando as mais “gostosas” – parece que o mundo do futebol não aceita ou invisibiliza os atletas gays.
Por situações como essa, a editora da Universidade de Cambridge encomendou um estudo dedicado a analisar cerca de 160 milhões de palavras usadas nas transmissões, entre notícias por escrito, vídeos, textos em blogs, fóruns de internet e redes sociais, todo o tipo de comentário escrito em inglês alusivo ao esporte, com ênfase na forma em que a imprensa se refere a ambos os sexos. Diante das diferenças radicais mostradas pelo estudo, o centro de investigação se comprometeu a realizar outro idêntico, analisando exclusivamente a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
Não importa que se são as melhores atletas do mundo, ou a dedicação de toda uma vida a uma disciplina esportiva na que se profissionalizou. Tampouco importa que, no caso das Olimpíadas, as esportistas mulheres sejam 45% do total de atletas participantes do evento. A beleza física ou a imposição da maternidade às atletas são estigmas que perseguem a todas.
Uma das primeiras diferenças é o tempo ou espaço que se destina aos esportes praticados por homens nos meios de comunicação, que recebem o triplo de cobertura em comparação com as mesmas modalidades praticadas pelas mulheres. Mas tão ou mais importante que isso é o conteúdo: quando mostram os homens, a atenção se centra em seu desempenho, enquanto a cobertura feminina muitas vezes enfoca outras coisas, se estão solteiras, a idade, e claro, a aparência física.
Um ponto do estudo que deixa isso bastante evidente são as palavras mais usadas quando se referem ao esporte praticado por mulheres: “idade”, “grávida”, “solteira” e “jovem”. Para os homens, os adjetivos que predominam são bem diferentes: “rápido”, “forte”, “fantástico” e “grande”. Nos esportes masculinos, o foco está no desempenho, não em elementos da vida privada.
Por outro lado, as mulheres são constantemente infantilizadas, tratadas como “meninas”, ou enclausuradas nos estereotipo do que é feminino, tratadas como “damas” se são veteranas e mães, rótulos com os quais os homens não precisam conviver.
Ao observar o tratamento dado aos homens e às mulheres em Olimpíadas anteriores, aparece outro ponto que demonstra a diferença da cobertura midiática: ao se referir aos homens, os verbos que mais se repetem são “dominar”, “ganhar”, “conquistar”, e no caso das mulheres, se destacam “competir”, “participar”, “lutar”.
Quando se trata de cobertura machista na imprensa, a América do Sul não fica atrás, e estes Jogos do Rio 2016 vêm mostrando novamente a cara mais cafajeste do jornalismo. Basta ver as longas sequências de imagens das competições, onde os homens são mostrados correndo ou disputando uma bola, mostrando o esforço do esporte, enquanto as imagens das mulheres estão nas curvas – e a grande maioria das imagens são de vôlei de praia, com close na bunda das jogadoras.
A preferência dos jornalistas (a gigantesca maioria homens) esportivos pelo vôlei de praia feminino é um clássico de todas as Olimpíadas. E assim também entendemos comentários como o do locutor chileno Jorge Hevia, do canal estatal TVN, afirmando que as atletas de ginástica – muitas delas menores de idade – deveriam usar trajes mais decotados.
Mónica Maureira, também jornalista chilena e professora da Universidade Diego Portales, diz que esses casos se produzem por uma combinação de respostas aos padrões culturais sexistas e pelos paradigmas jornalísticos, que no caso do jornalismo esportivo mostram uma clara e histórica tendência a invisibilizar ou sexualizar as mulheres que praticam ou que convivem no meio dos esportes: “estamos olhando sempre um lado só, e coisificando o outro lado, por uma deficiência profissional. O jornalismo esportivo não destaca as mulheres por seu desempenho porque sequer está preparado para isso”, explica a acadêmica.
Maureira também observa a ausência de perspectiva de gênero no exercício jornalístico, o que leva a não fazer justiça ao nível de participação feminina num evento como os Jogos Olímpicos, onde as mulheres são quase metade das atletas participantes. Ela também destaca que essa discrepância na quantidade de homens e mulheres nas equipes jornalísticas esportivas é o que dá o tom da linguagem utilizada, que nunca é inclusiva – e muitas vezes é calhorda.
Assim, a necessidade de opinar sobre os trajes ou o físico das esportistas é uma mescla entre o mau jornalismo e os padrões culturais: “a abordagem da imprensa esportiva sobre as mulheres sempre é exagerada nos adjetivos. Isso se nota também quando se aborda a violência, sempre destacando coisas `horríveis´ e `sofridas´”. Ninguém comenta as características físicas dos homens, por exemplo, e por outro lado é muito difícil encontrar, mesmo na imprensa chilena, informações sobre a velocista Isidora Jiménez que não sejam comentários sobre sua beleza, sendo ela uma das esportistas mais importantes do país.
O estudo realizado por Cambridge está enfocado nas palavras que mais se usam falar das mulheres e como elas sempre apontam ao espaço íntimo das atletas: “a indagação do campo privado é uma conotação de gênero que se impões sobre as mulheres que participam em atividades públicas. Em vez de valorizar o papel que elas têm em suas especialidades, se prefere mostrar a sua vida privada”. A idade, o estado civil e a maternidade são as principais perguntas.
“É preciso questionar como são as reações da sociedade a esses padrões culturais, mas também quais são as autocríticas que fazemos à nossa formação como jornalistas, diante de casos como esses” afirma Maureira. “As mulheres deveriam ter a autonomia de fazer o que querem fazer. Ninguém vai ter um resultado melhor em campo porque o tamanho do decote é maior ou porque é solteira ou casada. São comentários sexistas e profundamente superficiais” aponta.
Contudo, a comunicadora diz que esses episódios às vezes mostram coisas positivas, como a massiva resposta de repúdio nas redes sociais aos comentários do locutor chileno sobre as roupas das ginastas. “Aqueles que têm voz pública devem se informar e mudar seus conceitos, e devemos exigir isso como audiência. Ver que existe uma sociedade mais evoluída e que repara mais nessas coisas é algo que devemos ver com otimismo”.
Tradução: Victor Farinelli
(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Como-a-imprensa-esportiva-trata-as-mulheres-nos-Jogos-do-Rio-2016/6/36580)
Antes de cada evento esportivo, a minuciosa investigação jornalística prévia tem uma parada obrigatória: a lista de mulheres que se destacam, obviamente, por suas características físicas. Nem importa se são mulheres que realmente praticam esportes – até numa Copa do Mundo masculina de futebol, não faltam os rankings das namoradas dos jogadores, avaliando as mais “gostosas” – parece que o mundo do futebol não aceita ou invisibiliza os atletas gays.
Por situações como essa, a editora da Universidade de Cambridge encomendou um estudo dedicado a analisar cerca de 160 milhões de palavras usadas nas transmissões, entre notícias por escrito, vídeos, textos em blogs, fóruns de internet e redes sociais, todo o tipo de comentário escrito em inglês alusivo ao esporte, com ênfase na forma em que a imprensa se refere a ambos os sexos. Diante das diferenças radicais mostradas pelo estudo, o centro de investigação se comprometeu a realizar outro idêntico, analisando exclusivamente a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
Não importa que se são as melhores atletas do mundo, ou a dedicação de toda uma vida a uma disciplina esportiva na que se profissionalizou. Tampouco importa que, no caso das Olimpíadas, as esportistas mulheres sejam 45% do total de atletas participantes do evento. A beleza física ou a imposição da maternidade às atletas são estigmas que perseguem a todas.
Uma das primeiras diferenças é o tempo ou espaço que se destina aos esportes praticados por homens nos meios de comunicação, que recebem o triplo de cobertura em comparação com as mesmas modalidades praticadas pelas mulheres. Mas tão ou mais importante que isso é o conteúdo: quando mostram os homens, a atenção se centra em seu desempenho, enquanto a cobertura feminina muitas vezes enfoca outras coisas, se estão solteiras, a idade, e claro, a aparência física.
Um ponto do estudo que deixa isso bastante evidente são as palavras mais usadas quando se referem ao esporte praticado por mulheres: “idade”, “grávida”, “solteira” e “jovem”. Para os homens, os adjetivos que predominam são bem diferentes: “rápido”, “forte”, “fantástico” e “grande”. Nos esportes masculinos, o foco está no desempenho, não em elementos da vida privada.
Por outro lado, as mulheres são constantemente infantilizadas, tratadas como “meninas”, ou enclausuradas nos estereotipo do que é feminino, tratadas como “damas” se são veteranas e mães, rótulos com os quais os homens não precisam conviver.
Ao observar o tratamento dado aos homens e às mulheres em Olimpíadas anteriores, aparece outro ponto que demonstra a diferença da cobertura midiática: ao se referir aos homens, os verbos que mais se repetem são “dominar”, “ganhar”, “conquistar”, e no caso das mulheres, se destacam “competir”, “participar”, “lutar”.
Quando se trata de cobertura machista na imprensa, a América do Sul não fica atrás, e estes Jogos do Rio 2016 vêm mostrando novamente a cara mais cafajeste do jornalismo. Basta ver as longas sequências de imagens das competições, onde os homens são mostrados correndo ou disputando uma bola, mostrando o esforço do esporte, enquanto as imagens das mulheres estão nas curvas – e a grande maioria das imagens são de vôlei de praia, com close na bunda das jogadoras.
A preferência dos jornalistas (a gigantesca maioria homens) esportivos pelo vôlei de praia feminino é um clássico de todas as Olimpíadas. E assim também entendemos comentários como o do locutor chileno Jorge Hevia, do canal estatal TVN, afirmando que as atletas de ginástica – muitas delas menores de idade – deveriam usar trajes mais decotados.
Mónica Maureira, também jornalista chilena e professora da Universidade Diego Portales, diz que esses casos se produzem por uma combinação de respostas aos padrões culturais sexistas e pelos paradigmas jornalísticos, que no caso do jornalismo esportivo mostram uma clara e histórica tendência a invisibilizar ou sexualizar as mulheres que praticam ou que convivem no meio dos esportes: “estamos olhando sempre um lado só, e coisificando o outro lado, por uma deficiência profissional. O jornalismo esportivo não destaca as mulheres por seu desempenho porque sequer está preparado para isso”, explica a acadêmica.
Maureira também observa a ausência de perspectiva de gênero no exercício jornalístico, o que leva a não fazer justiça ao nível de participação feminina num evento como os Jogos Olímpicos, onde as mulheres são quase metade das atletas participantes. Ela também destaca que essa discrepância na quantidade de homens e mulheres nas equipes jornalísticas esportivas é o que dá o tom da linguagem utilizada, que nunca é inclusiva – e muitas vezes é calhorda.
Assim, a necessidade de opinar sobre os trajes ou o físico das esportistas é uma mescla entre o mau jornalismo e os padrões culturais: “a abordagem da imprensa esportiva sobre as mulheres sempre é exagerada nos adjetivos. Isso se nota também quando se aborda a violência, sempre destacando coisas `horríveis´ e `sofridas´”. Ninguém comenta as características físicas dos homens, por exemplo, e por outro lado é muito difícil encontrar, mesmo na imprensa chilena, informações sobre a velocista Isidora Jiménez que não sejam comentários sobre sua beleza, sendo ela uma das esportistas mais importantes do país.
O estudo realizado por Cambridge está enfocado nas palavras que mais se usam falar das mulheres e como elas sempre apontam ao espaço íntimo das atletas: “a indagação do campo privado é uma conotação de gênero que se impões sobre as mulheres que participam em atividades públicas. Em vez de valorizar o papel que elas têm em suas especialidades, se prefere mostrar a sua vida privada”. A idade, o estado civil e a maternidade são as principais perguntas.
“É preciso questionar como são as reações da sociedade a esses padrões culturais, mas também quais são as autocríticas que fazemos à nossa formação como jornalistas, diante de casos como esses” afirma Maureira. “As mulheres deveriam ter a autonomia de fazer o que querem fazer. Ninguém vai ter um resultado melhor em campo porque o tamanho do decote é maior ou porque é solteira ou casada. São comentários sexistas e profundamente superficiais” aponta.
Contudo, a comunicadora diz que esses episódios às vezes mostram coisas positivas, como a massiva resposta de repúdio nas redes sociais aos comentários do locutor chileno sobre as roupas das ginastas. “Aqueles que têm voz pública devem se informar e mudar seus conceitos, e devemos exigir isso como audiência. Ver que existe uma sociedade mais evoluída e que repara mais nessas coisas é algo que devemos ver com otimismo”.
Tradução: Victor Farinelli
(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Como-a-imprensa-esportiva-trata-as-mulheres-nos-Jogos-do-Rio-2016/6/36580)
domingo, 7 de agosto de 2016
Mulheres vão perder a presidência do Brasil e da CNA
Texto escrito por José de Souza Castro:
O dia 4 de agosto não deve ser esquecido. Foi o dia em que a Comissão Especial do Impeachment aprovou o relatório do senador Antonio Anastasia, do PSDB mineiro, para afastar Dilma Rousseff da Presidência da República, passados 648 dias de sua reeleição por 54,5 milhões de votos.
É um golpe contra a democracia desferido por 14 senadores, entre eles, três mulheres: Ana Amélia (PP-RS), Simone Tebet (PMDB-MS) e Lúcia Vânia (PSB-GO). Cinco senadores votaram contra: dois homens (Lindergh Farias, do PT fluminense, e Telmário Mota, do PDT de Rondônia) e três mulheres (Gleisi Hoffmann do PT paranaense, Kátia Abreu, do PMDB de Tocantins, e Vanessa Grazziotin, do PCdoB amazonense).
Três mulheres a favor de demitir a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil, e três contra.
Destas, quero destacar Kátia Abreu. Por pertencer ao partido de Michel Temer – o grande beneficiário desse golpe, juntamente com seu partido, o PMDB – e por ser presidente licenciada da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), uma das entidades que apoiou o golpe militar de 1964 e que tem uma triste história de reacionarismo.
O presidente em exercício da CNA, João Martins da Silva Júnior, em entrevista após o voto de Kátia Abreu,
disse que a senadora traiu a classe e que ela não reassumirá seu lugar
na Confederação. Alguma surpresa? Quem tiver estômago, que ouça a
entrevista do usurpador. Ele era o primeiro vice-presidente da CNA desde
2012 e não quer largar o osso, a exemplo de Michel Temer.
É mais gratificante para os ouvidos democráticos ouvir o que disse Kátia Abreu, ao votar:
Interessantes estes destaques selecionados pelo "Diário do Centro do Mundo":
"Se Temer achava que o governo estava muito ruim, podia ter recusado ser vice novamente. Mas não, ele continuou na chapa e foi eleito, até com a ajuda do meu voto.""O presidente Temer, que é meu presidente também, lutou como um louco para ser vice de novo. Quem é aqui que pode falar de corrupção, de ética? Faça-me o favor!""Mensalão e Petrolão não são de um partido só. O sistema político está podre e a presidente é uma mulher honesta, digna. Já nos partidos políticos, é difícil salvar um."
Kátia
Abreu foi a primeira mulher eleita para presidir a CNA. Isso aconteceu
no final de 2008. Eram 27 eleitores – os presidentes das federações
estaduais de agricultura – e ela teve o voto de 26. Já era senadora e
primeira a presidir a bancada ruralista no Senado.
Tinha sido também a primeira a ser eleita para um sindicato rural e a
primeira para uma federação da agricultura no Brasil. Foi reeleita daí a
três anos e, em 2014, por mais três.
Mulher
de valor, na opinião de seus pares (pelo menos, até ela passar a
defender Dilma na Comissão do Impeachment). Em 2008, Kátia foi agraciada
com a Grande Medalha da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado
de Minas Gerais (Faemg), entidade que completou 60 anos
em 2011, ano em que já havia oito mulheres presidindo sindicatos rurais
no Estado. Entre elas, Denise Cássia Garcia, de Campo Belo, que em 2008 fora a primeira mulher eleita (como segunda suplente) para a diretoria da Faemg.
Quando escrevia o livro sobre os 60 anos da Faemg, entrevistei Gilman Viana,
que havia presidido a federação, e ele justificou a quase completa
ausência de mulheres na entidade: "O espaço da mulher no Brasil não
começou pelo meio rural, começou pelo urbano e depois pelo meio
político. A velocidade da feminilização da liderança rural é mais baixa
do que a ocorrida no meio urbano, não só porque a cidade concentra
maior quantidade de mulheres, como ainda há uma cultura remanescente de
que quem dirige a fazenda é o homem, não a mulher."
Tudo
bem. Mas no Brasil há mais mulheres do que homens, e as primeiras a
assumirem a presidência da República e da CNA estão sendo afastadas pela
minoria masculina...
(fonte: blog da Kika Castro)
sábado, 6 de agosto de 2016
Novo número da Revista Espaço Acadêmico
Revista Espaço Acadêmico
v. 16, n. 183 (2016): Revista Espaço Acadêmico, n. 183, agosto de 2016
Sumário
http://periodicos.uem.br/ojs/i
DOSSIÊ: FEMINISMO, MACHISMO E A CULTURA DO ESTUPRO (0rg.: Antonio Ozaí da Silva)
--------
A cultura do estupro como método perverso de controle nas sociedades patriarcais (01-13)
Andrea Almeida Campos
Por uma criminologia crítica feminista (14-25)
Camila Damasceno de Andrade
Apontamentos sobre preconceitos de gênero e a violência contra a mulher no Brasil (26-38)
Claudia Ramos de Souza Bonfim
As manifestações públicas pelo combate das desigualdades culturais e políticas: evidências da cultura do estupro no século XXI (39-50)
Denise dos Santos Rodrigues
Femicídio em Juárez (México) (51-58)
Eva Paulino Bueno
Na Captiva, na Vera Cruz ou no Baile de Favela: a sexualidade em destaque nas mídias musicais (59-70)
Juliana Ribeiro Vargas
comunicação
--------
Projeto de Extensão “Histórias para Contar” e a proposta de uma formação mais humanística aos acadêmicos de Jornalismo (71-78)
Marcelli Alves da Silva, Thaisa Cristina Bueno
convergências
--------
Olimpíadas da cisão social (79-91)
Renato Nunes Bittencourt
direito
--------
Perspectiva de aplicação da Análise Econômica do Direito na Política Tributária do Estado do Ceará (92-103)
Ramá Lucas Andrade
ecologia
--------
Agonizantes: los ríos y arroyos en el contexto ecológico urbano (104-112)
Fabio Angeoletto, Jeater Waldemar Maciel Correa Santos
história da áfrica
--------
A rejeição revolucionária do colonialismo: Amílcar Cabral e a luta de libertação na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde (113-125)
Danúbia Mendes Abadia
interdisciplinar
--------
Curitiba ensolarada: fotos do clima durante um ano (126-140)
Mario Sergio Teixeira de Freitas
resenhas & livros
--------
Wasaṭiyyah: a moderação e o caminho do meio no Islam (141-143)
Felipe Freitas de Souza
Aportes a uma filosofia concreta: transcendência e encarnação (144-147)
Roberto S. Kahlmeyer-Mertens
Estará a Europa condenada à vassalagem a Washington?
A Segunda Guerra Mundial resultou na conquista da Europa, não por Berlim e sim por Washington.
A conquista era certa mas não toda de uma vez. A conquista da Europa por Washington resultou do Plano Marshall; de temores do Exército Vermelho de Staline que levaram a Europa a confiar na protecção de Washington e a subordinar os militares europeus à NATO; da substituição da libra britânica como divisa de reserva mundial pelo US dólar e do longo processo de subordinação da soberania de países europeus individuais à União Europeia, uma iniciativa da CIA implementada por Washington a fim de controlar toda a Europa através do controle de apenas um governo irresponsável.
Com poucas excepções, sobretudo o Reino Unido, a condição de membro da UE também significou perda de independência financeira. Como só o Banco Central Europeu, instituição da UE, pode criar euros, aqueles países que tão loucamente aceitaram o euro como divisa sua já não têm mais o poder de criar a sua própria moeda a fim de financiar défices orçamentais.
Os países que aderiram ao euro devem confiar em bancos privados para financiar os seus défices. O resultado disto é que países super-endividados já não podem mais pagar suas dívidas pela criação de moeda ou esperar que suas dívidas sejam canceladas (written down) para níveis cujo serviço possam aguentar. Ao invés disso, Grécia, Portugal, Latvia (Letónia) e Irlanda foram saqueados pelos bancos privados.
A UE forçou os pseudo-governos destes países a pagarem os bancos privados do norte da Europa através da supressão dos padrões de vida das suas privatizações e pela privatização de activos públicos a tostões. Portanto, pensões de reforma, emprego público, educação e serviços de saúde foram cortados e o dinheiro redireccionado para bancos privados. Companhias municipais de água foram privatizadas o que resultou em contas de água mais altas. E assim por diante.
Como não há prémio, só castigo, por ser membro da UE, por que é que governos, apesar das vontades expressas dos seus povos, aderem a ela?
A resposta é que para Washington não haveria outro caminho. Os fundadores europeus da UE são criaturas míticas. Washington utilizou políticos por ela controlados para criar a UE.
Alguns anos atrás foram divulgados documentos da CIA provando que a UE que fora sua iniciativa. Ver:
www.telegraph.co.uk/... e benwilliamslibrary.com/blog/?p
Na década de 1970 o orientador da minha dissertação de Ph.D, então um responsável de muito alto escalão em Washington que controlava assuntos de segurança internacional, pediu-me para efectuar uma missão sensível no estrangeiro. Eu recusei. No entanto, ele respondeu à minha pergunta: "Como é que Washington consegue que países estrangeiros façam o que Washington quer?"
"Dinheiro", disse ele. "Nós damos aos seus líderes sacos cheios de dinheiro. Eles pertencem-nos".
Verifica-se ser claro que a UE serve os interesses de Washington, não os interesses da Europa. Exemplo: o povo e o governo francês opõem-se aos alimentos geneticamente modificado (GMOs), mas a UE permite uma "cautelosa autorização de mercado" da introdução de GMOs, confiando talvez nas "descobertas científicas" dos cientistas que estão na folha de pagamentos da Monsanto. Quando o estado estado-unidense de Vermont aprovou uma lei exigindo a etiquetagem de alimentos GMO, a Monsanto processou o estado de Vermont. Uma vez que os subornados responsáveis da UE assinem o acordo TTIP escrito pelas corporações globais dos EUA, a Monsanto tomará o comando da agricultura europeia.
Mas o perigo para a Europa vai muito além da saúde dos povos europeus que serão forçados a jantar alimentos envenenados. Washington está a utilizar a UE para forçar os europeus a entrarem em conflito com a Rússia, uma poderosa potência nuclear capaz de destruir tudo da Europa e dos Estados Unidos em poucos minutos.
Isto está a acontecer porque líderes europeus subornados com "sacos de dinheiro" preferem antes o dinheiro de Washington a curto prazo do que a vida dos europeus a longo prazo.
Não é possível que qualquer político europeu seja suficientemente estúpido para acreditar que a Rússia invadiu a Ucrânia, que a Rússia a qualquer momento invadirá a Polónia e os estados bálticos, ou que Putin é um "novo Hitler" a tramar a reconstrução do império soviético. Estas alegações absurdas são nada mais que propaganda de Washington totalmente destituída de verdade. A propaganda de Washington é completamente transparente. Nem mesmo um idiota poderia nela acreditar.
Mas a UE vai em frente com a dita propaganda, tal como o faz a NATO.
Por que? A resposta é dinheiro de Washington. A UE e a NATO são absolutamente corruptas. Elas são as prostitutas bem pagas de Washington.
O único meio de os europeus poderem impedir uma III Guerra Mundial nuclear e continuar a viver e desfrutar o que resta da sua cultura que os americanos ainda não destruíram com a cultura de sexo, violência e cobiça dos EUA, é os governos europeus seguirem a pista do inglês e saírem da União Europeia criada pela CIA. E saírem da NATO, cujo propósito se desvaneceu com o colapso da União Soviética e que agora é utilizada como instrumento de Washington para a Hegemonia Mundial.
Por que desejarão os europeus morrer pela hegemonia mundial de Washington? Isso significa que os europeus estarão a morrer também pela hegemonia de Washington sobre a Europa.
Por que os europeus querem apoiar Washington quando altos responsáveis estado-unidenses, tais como Victoria Nuland, dizem "Foda-se a UE"?
Os europeus já estão a sofrer com as sanções económicas que o seu soberano em Washington os forçou a aplicar à Rússia e ao Irão. Por que desejarão os europeus serem destruídos pela guerra com a Rússia? Será que os europeus anseiam pela morte? Será que foram tão americanizados que já não apreciam a acumulação histórica de beleza artística e arquitectónica, realizações literárias e musicais de que os seus países são guardiões?
A resposta é que não faz diferença o que quer que seja que os europeus pensem, porque Washington estabeleceu para eles um governo que é totalmente independente dos seus desejos. O governo da UE é responsável só perante o dinheiro de Washington. Algumas pessoas capazes de emitir ordens (edicts) estão na folha de pagamentos de Washington. Todos os povos da Europa são servos de Washington.
Portanto, se os povos europeus permanecem os crédulos, indiferentes e estúpidos que são atualmente, estão condenados – juntamente com o resto de todos nós.
Por outro lado, se os povos europeus puderem recuperar o seu sentido da realidade, libertarem-se da Matrix que Washington lhes impôs e revoltarem-se contra os agentes de Washington que os controlam, os povos europeus podem salvar as suas próprias vidas e as vidas do resto da humanidade.
O original encontra-se em www.informationclearinghouse.i
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Estara-a-Europa-condenada-a-vassalagem-a-Washington-%09/4/36561)
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