domingo, 3 de dezembro de 2017

Café História da semana

para ler, acessem aqui:
Gênero não é ideologia: os Estudos de Gênero
Nos últimos anos, este campo de estudos acadêmicos tem sofrido com a difusão de termos estranhos a ele, como o de “ideologia de gênero”, e com a propagação de informações falsas ou questões há tempos superadas. Confira o artigo da historiadora Georgiane Garabely Heil Vázquez. Leia.
 


 

Canções escravas e o racismo no Brasil e nos EUA

ivro digital da historiadora Martha Abreu analisa a circulação da produção musical dos descendentes de africanos escravizados nas Américas e a relação dos músicos com os estereótipos raciais da época.

Morre o renomado historiador Georg Iggers

Falecimento ocorreu no último domingo. Destaque no campo da teoria e da historiografia, ele estava com 90 anos de idade.
 


domingo, 26 de novembro de 2017

Boas matérias para ler que indico


1 - Indústria de alimentos ocupa espaços da universidade na Anvisa

leia aqui: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2017/11/industria-de-alimentos-ocupa-espacos-da-universidade-na-anvisa/  

2 - Como incendiar (de novo) o Oriente Médio
Incomodados com seu próprio declínio, EUA e Arábia Saudita tornam-se provocadores e buscam a guerra -- no exato instante em que a região tenta livrar-se dela. Por Patrick Cockburn

leia aqui: http://outraspalavras.net/destaques/como-incendiar-de-novo-o-oriente-medio/ 

3 - Coca-Cola X Uruguai: as corporações contra a segurança alimentarInconformada com lei que obriga a estampar informação nutricional em suas embalagem, corporação quer processar país na Organização Mundial do Comércio… Por João Peres 

leia aqui: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2017/11/coca-cola-x-uruguai-as-corporacoes-contra-seguranca-alimentar/  

Ninguém está fazendo o suficiente para conter a crise climática

Análise de políticas climáticas mundiais mostra que países estão muito aquém das metas para frear aquecimento global.

A reportagem foi publicada por Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil – e 350.org Brasil, 16-11-2017.
Representante de uma pequena ilha do Pacífico severamente ameaçada pelo aumento do nível do mar, o Primeiro Ministro da República de Fiji e Presidente da COP 23, Frank Bainimarama, afirmou na abertura da conferência que “todos estamos na mesma canoa.” Sua mensagem traz a ideia de que o problema do aquecimento global afeta democraticamente a todos e, portanto, também deve ser resolvido de forma global, com ações conjuntas e compromissos de todas as partes. No entanto, o Índice de Desempenho Climático 2018, apresentado nesta quarta-feira (15) em Bonn, na Alemanha, dá mostras de que isso, na prática, não está ocorrendo.

Elaborado pelas organizações Germanwatch, New Climate Institute e Climate Action Network (CAN), o relatório analisou a performance das políticas climáticas da União Europeia e mais 56 países, que juntos respondem por mais de 90% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. O resultado aponta que “nenhum país está fazendo o suficiente para prevenir as perigosas alterações no clima.” Por esse motivo, ninguém ocupou as posições um a três no ranking.
Dentre os países latinos, apenas Brasil, México e Argentina foram analisados. Estes ficaram, respectivamente, na 19a, 27a e 46a colocações. Brasil e México foram avaliados como medianos e Argentina como “muito abaixo” das metas. Suécia, Marrocos, Lituânia, Noruega e Reino Unido lideram a lista; Estados Unidos se encontra em queda livre, ocupando a 56a posição, somente acima de Austrália, Coreia do Sul, Irã e Arábia Saudita.
“Dois anos depois de concordar em limitar o aquecimento global abaixo de 2°C, com esforços para chegar a 1,5°C, ainda vemos uma enorme lacuna entre a ambição das metas de redução dos gases de efeito estufa dos países e seu progresso em relação a uma real implementação do Acordo de Paris nas legislações nacionais”, atesta o relatório.
Mas nem só de negatividade se faz o documento. Segundo a análise, “existem sinais encorajadores de que uma transição energética global está em andamento.” Os números mostram que os investimentos em energias renováveis continuam a dominar os novos investimentos no sistema energético em todo o mundo. Além disso, em 2014, 2015 e 2016 as emissões globais de carbono no setor de energia não cresceram, o que não acontecia desde a revolução industrial, em anos sem uma grande crise econômica.

América Latina de mal a pior

No cenário climático global, que demanda uma mudança urgente de paradigma, uma avaliação “mediana” não pode ser considerada positiva. Ainda mais quando essa análise não leva em conta o efeito destrutivo de políticas atualmente em curso ou “em vias de”, num futuro bem próximo. No Brasil, o governo manteve a priorização aos combustíveis fósseis na matriz energética, com 70% dos recursos da próxima década destinados a carvão, petróleo e gás. Além disso, o presidente Michel Temer quer aprovar uma Medida Provisória que dará incentivos fiscais trilionários às empresas petrolíferas.
“Os incentivos do governo brasileiro à indústria fóssil revelam uma postura totalmente favorável às energias sujas e ao retrocesso. Para cumprir com as metas de combate ao aquecimento global, o Brasil precisa deixar todas as reservas de petróleo e gás no chão e redirecionar os recursos públicos e privados para iniciativas de energias renováveis, justas e livres”, defendeu Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora de 350.org Brasil e América Latina.
Seguindo no mesmo sentido, o governo de Maurício Macri, na Argentina, pretende aprofundar o modelo de energia baseado em fontes sujas, principalmente hidrocarbonetos não convencionais, como o gás de xisto, que trazem um alto custo ambiental e social.
“A Argentina tem avanços positivos com relação às energias renováveis, como a Lei de Regime Nacional de Geração Distribuída de Energias Renováveis, que está em tramitação no Senado. Mas ao mesmo tempo pretende aprofundar o modelo de extração de hidrocarbonetos através da técnica poluente do fracking, como é o caso da região de Vaca Muerta”, afirmou Juan Pablo Olsson, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Argentina e colaborador do relatório.
No México, o governo de Enrique Peña Nieto também avança com o aprofundamento do modelo extrativista, promovendo a mega mineração e a extração de hidrocarbonetos não convencionais. De acordo com informações atualizadas, 3.780 poços já foram perfurados através do método do fracking, enquanto ativistas, pesquisadores e organizações ambientais alertam sobre os danos ambientais e sociais desse tipo de exploração.
(fonte:  http://www.ihu.unisinos.br/573840-ninguem-esta-fazendo-o-suficiente-para-conter-a-crise-climatica)

Uma frustrante conferência do clima em Bonn

Mundo dá sinais de esgotamento, mas governos seguem em frente com modelo de desenvolvimento. Dinâmicas política nacionais bloquearam quaisquer avanços na COP-23 em Bonn. EUA, Alemanha e Brasil parecem apostar no abismo.
"Os que duvidam dos efeitos da mudança climática ou se orientam por fé religiosa cega, retrógrada e conservadora ou por má fé daqueles que querem continuar o modelo de lucro fácil nas costas do trabalho mal pago da maior parte da população e do esgotamento da rica biodiversidade do planeta", escreve Iara Pietricovsky, antropóloga, mestra em Ciência Política pela Universidade de Brasília e atriz de teatro desde 1969, membro do colegiado de gestão do Inesc, em artigo publicado por Outras Palavras, 21-11-2017. Iara Pietricovsky participou dos debates da COP-23 em Bonn.

Eis o artigo.

No último dia 17, terminaram as intensas negociações da COP-23 – a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que deveria ter acontecido nas Ilhas Fiji, mas, em decorrência da falta de infraestrutura, aconteceu em solo alemão. Assim, o símbolo da COP, representando a presidência do país-sede, foi uma palmeira e uma onda do mar, mas o clima real era de árvores amareladas perdendo sua força num inverno que se aproxima na cidade de Bonn. O outono na Alemanha é muito bonito.
A COP-23 elaborou uma primeira versão do que está sendo chamado de o “Livro de Regras”, que pretende ser um texto mais detalhado do Acordo de Paris (APA), cobrindo todos os órgãos subsidiários SBSTA (sigla em inglês para Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice) e SBI, (sigla em inglês para Subsidiary Body for Implementation). O documento foi aprovado cheio de colchetes, que em linguagem diplomática significa que todos colocaram suas posições, mas longe ainda de um acordo, de modo que muitos temas em debate ainda serão submetidos a demoradas negociações.
O fato é que os tempos das negociações não estão equilibrados com os impactos reais que estão ocorrendo em função da mudança climática e da manutenção de um modelo de desenvolvimento que insiste em manter privilégios e intensificar desigualdades. A conclamada “nova economia”, recorrentemente referida pela diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, tem implicações diretas na vida de milhões de pessoas que ficarão desempregadas e sofrerão, cada vez mais, os efeitos da mudança de clima. O propalado salário universal, que toma corpo nos debates do Banco Mundial e FMI, é um grande colchão para amenizar o desastre que está sendo anunciado para um futuro não muito distante.
Mas, vamos às questões que me pareceram mais relevantes nessa COP-23: A Plataforma Indígena nasce no Acordo de Paris (APA), em 2015 e tem como objetivo incluir os conhecimentos indígenas e de comunidades tradicionais dentro do debate e das soluções para a mudança climática. Desde então, houve intensas negociações nas reuniões intermediárias, resultando, inclusive, em um grande encontro patrocinado pelo governo canadense, onde se estabeleceram princípios e bases comuns para serem apresentados na COP-23. O texto foi debatido e aprovado e agora seguirá para as negociações dentro dos órgãos subsidiários SBSTA e o SBI e da próprio UNFCC (sigla em inglês para Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima). Uma questão que parece ambígua no texto aprovado da Plataforma Indígena é o financiamento dos membros do Grupo de Trabalho, por parte da UNFCC, que terão a responsabilidade de acompanhar as negociações, efetivar a governança e construir o plano de trabalho. Aqui poderá se estabelecer uma desigualdade de tratamento em prejuízo da plena participação dos e das representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais, que definitivamente não tem condições financeiras de acompanhar estes processos.
A segunda questão se refere ao financiamento e ao caráter contencioso desde sua origem. São três os principais fundos de financiamento dentro do guarda-chuva da UNFCC: o GEF, o Fundo Verde de Clima e o Fundo de Adaptação. As nações mais ricas e industrializadas comprometeram-se, há sete anos, a levantar US$ 100 bilhões por ano, até 2020, para atacar os problemas de emissão dos gases de efeito estufa e a adaptação aos efeitos da mudança climática. Entretanto, até agora, o Fundo Verde só conseguiu levantar cerca de US$ 10,3 bilhões, muito aquém daquilo que havia sido acordado. Além disso, as decisões mais recentes de financiamento são alvo de críticas pela falta de transparência.
Os Fundos de Clima, em geral, podem estar sendo bloqueados em decorrência de mudanças nas regras da cooperação dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e isso coloca mais pedras no caminho da efetivação desse compromisso.
Por fim, existe sempre a dimensão política nessas negociações -que, ao fim e ao cabo, é a que define tudo. Em seu discurso, Angela Merkel teve que explicar, com constrangimento, o inexplicável: o aumento do uso do carvão como energia. A redução dessa fonte energética pode causar-lhe prejuízos políticos irreparáveis na Alemanha. Do outro lado do Atlântico, o governo norte-americano, que bloqueia os debates, ameaça tirar dinheiro dos fundos dos trabalhos científicos do IPCC. Enquanto isso, o presidente francês Macron propõe que a França substitua a doação de US$ 2 milhões feitas pelos EUA até antes da era Trump. O Brasil, por sua vez, ignora toda a tendência mundial e amplia subsídios a combustíveis fósseis, na contramão da história e do tempo.
Os que duvidam dos efeitos da mudança climática ou se orientam por fé religiosa cega, retrógrada e conservadora ou por má fé daqueles que querem continuar o modelo de lucro fácil nas costas do trabalho mal pago da maior parte da população e do esgotamento da rica biodiversidade do planeta. Em ambos os casos, são forças poderosas que persistem e atuam dentro do jogo político. E, sem dúvida, pelo andar da carruagem e pelo estado da arte das negociações, vivemos tempos de guerra, um tempo de luta. O que prevalecerá saberemos em breve. Muito breve mesmo.

(fonte:  http://www.ihu.unisinos.br/573960-uma-frustrante-conferencia-do-clima-em-bonn)

Projeto inédito no Brasil ensina alunos, pais e professores a cultivar alimentos orgânicos


Prática já impactou 1,4 mil pessoas em Carazinho (RS); participantes recebem certificados neste sábado (25).
Um projeto inédito no Brasil, que une educação e conscientização ambiental, tem mudado o hábito de muitos moradores de Carazinho, cidade gaúcha com pouco mais de 60 mil habitantes. Em um ano, mais de 1,4 mil pessoas foram impactadas pelo “Educação & Sustentabilidade”, que ensina aos alunos de escolas públicas, professores e seus familiares teorias e práticas sobre como cuidar do meio ambiente.
A reportagem é publicada por EcoDebate, 23-11-2017.

A cidade já colhe os resultados de um ano da iniciativa. As escolas fazem a merenda escolar com produtos orgânicos plantados pelos próprios alunos e foram desenvolvidas unidades de compostagem de resíduos dentro das instituições de ensino. A comunidade envolvida reduziu o desperdício de água e energia, e a população está mais consciente sobre a importância da sustentabilidade.
Segundo Rodrigo Berté, idealizador da ação e diretor da Escola de Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter, os objetivos foram além do planejado e a mobilização social foi surpreendente. “Nunca tinha visto uma cidade, uma Secretaria de Educação e escolas se mobilizarem tão rápido, o comprometimento deles foi maior do que o esperado. Geralmente as pessoas querem algo em troca para se movimentar. Em Carazinho, a adesão foi espontânea”.
O trabalho no município ainda não acabou. A próxima etapa é englobar mais colégios nesse movimento, os principais parceiros, a Secretaria de Educação e o Ministério Público estão discutindo a possibilidade de ampliar o número de escolas do Ensino Fundamental e inserir as de Educação Infantil.
“Todos os envolvidos foram, de fato, educados para a sustentabilidade e foi possível verificar uma significativa mudança de hábitos. Acredito que outras cidades deveriam implementar o projeto, tendo em vista que constitui uma excelente oportunidade de despertar a consciência cívica e motivar ações dessa natureza”, conta Adriana Costa, promotora de Justiça e titular do Ministério Público na cidade.
O encerramento do primeiro ano de atividades acontece no dia 25 de novembro, sábado, às 8h30, no auditório da Universidade de Passo Fundo, no campus de Carazinho que fica na Rua Diamantino Conte Tombini, 300. Todos os participantes receberão os certificados, os chamados Selos Verdes, que atestam que as ações sustentáveis desenvolvidas são amigas da natureza e seguem determinados parâmetros que neutralizam ou reduzem seu impacto no entorno. A solenidade vai contar com a presença de autoridades locais e parceiros.

Sobre o projeto

O “Educação & Sustentabilidade” foi criado em 2016 pelo professor Berté para que as escolas públicas trabalhassem o tema Meio Ambiente de forma prática, atraindo a atenção dos alunos e envolvendo a comunidade. As crianças aprendem a plantar, adubar, cuidar e colher os frutos da horta. Em casa, eles aplicam o que aprenderam sobre a reciclagem de resíduos para a produção de fertilizante, processo conhecido como compostagem.
Oito escolas públicas de Carazinho (RS) aderiram ao projeto. São elas: Eulália Vargas Albuquerque, o Patronato Santo Antônio, Alfredo Scherer, Capitão Aristides Gabriel, Piero Sassi, Pedro Pasqualotto, Pedro Vargas e Políbio do Valle.
Em 2016, o projeto começou com capacitações teóricas sobre Educação Ambiental. Na segunda etapa, foram desenvolvidas atividades práticas, ensinando o processo de compostagem e hortas mandalas. Além dessas atividades, as escolas são incentivadas a criar iniciativas próprias.
O desenvolvimento é feito pela Unibio com o apoio Ministério Público Estadual, por intermédio da Promotoria de Justiça Especializada de Carazinho, Uninter, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, responsáveis pela capacitação, acompanhamento, material didático e supervisão de todo o processo.

(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/573966-projeto-inedito-no-brasil-ensina-alunos-pais-e-professores-a-cultivar-alimentos-organicos)

The Guardian descobre mais um escândalo no pré-sal

Texto escrito por José de Souza Castro:

“The Guardian”, importante jornal britânico, trouxe esperança de que as novas regras do pré-sal propostas pelo governo brasileiro ao Congresso Nacional não venham a prevalecer. Como ignorar o escândalo revelado neste fim de semana de que a comissão mista que aprovou as mudanças foi influenciada pelo lobby comandado no Brasil pelo Ministro do Comércio da Grã-Bretanha, Greg Hands, em favor da Shell, BP (que se chamava British Petroleum) e Premier Oil, gigantes petrolíferas de seu país?
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) faz aqui um bom resumo do mais novo escândalo deste governo, escândalo que, se bem entendido, pode contribuir para reverter o processo de entrega de nossas riquezas às multinacionais.
O líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, o paulista Carlos Zarattini, é um dos que acreditam que a revelação de que o governo Temer trabalhou para a Shell, antes dos leilões do pré-sal, ajudará a oposição a derrubar a MP 795, que acabou com a política de conteúdo nacional e concedeu isenção fiscal de R$ 1 trilhão às multinacionais do petróleo. Para ele, “é um escândalo que só confirma o caráter entreguista desse governo golpista”. Conforme o site 247, entidades empresariais, como a Abimaq, “também pretendem usar a denúncia do Guardian para derrubar a medida provisória encomendada pela Shell e servida de bandeja por Temer”.
Vamos ao que publicou The Guardian. Um telegrama obtido pelo Greenpeace mostra que o ministro Greg Hands veio ao Brasil para negociar redução de impostos e mudanças nas normas ambientais na exploração do pré-sal pela BP e Shell, além da não exigência de participação de empresas brasileiras.
Conforme Requião, Hands foi tão bem-sucedido que justificaria chamar nosso presidente de Mishell Temer.
The Guardian informa que Hands viajou ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, em março, para ajudar empresas de mineração, energia e água a conquistar negócios no Brasil. Ele se encontrou com Paulo Pedrosa, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, e diretamente levantou as preocupações da Shell, BP e Premier Oil com “taxação e licenciamento ambiental”. E obteve de Pedrosa a promessa de que pressionaria autoridades brasileiras sobre essa questão.
A MP 795 é o resultado dessas pressões. Em agosto deste ano, o Brasil propôs um projeto para redução em muitos bilhões de dólares para perfurações na área do pré-sal e, em outubro, PB e Shell venceram as mais importantes concorrências para explorar o petróleo brasileiro.
É um escândalo que atinge não apenas o governo brasileiro, mas também o britânico, razão maior da publicação do “The Guardian”. Trata-se de um embaraço duplo para o governo do Reino Unido, pois o ministro do Comércio fazia lobby junto ao governo brasileiro sobre um gigantesco projeto petrolífero que iria minar os esforços britânicos previstos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada neste mês em Bonn, na Alemanha. E tentou esconder suas ações do público, mas falhou ridiculamente.
Nada engraçado, de fato, para nós. O principal objetivo dos ingleses era enfraquecer as exigências do conteúdo local, impostas ainda no governo Lula, porque BP, Shell e Premier Oil seriam as beneficiárias britânicas diretas das mudanças. E que poderiam fazer suas compras na Grã-Bretanha, livres de impostos e outras amarras.
A Petrobras – e isso quem diz não é “The Guardian”,  que também sabe defender os interesses britânicos – seria a maior prejudicada. Sem um governo – e uma imprensa, como bem ressalta Roberto Requião – para defendê-la.
De resto, defender a Petrobras e a indústria brasileira pode sair caro. A Lava Jato cuida para que não saia barato.

(fonte: https://kikacastro.com.br/2017/11/22/the-guardian-escandalo-pre-sal/#more-14724)

domingo, 19 de novembro de 2017

E Finlândia renova sua Educação…

Conhecido pela excelência no ensino, que é público e gratuito, país quer agora renovar currículos e métodos. Receita essencial: ainda mais participação
Por Claudia Wallin, na BBC Brasil

Novos tempos exigirão uma nova escola. O diagnóstico vem da Finlândia, país cujo sistema, já celebrado internacionalmente, agora planeja reformas de olho em como será sua educação daqui a duas décadas.
A meta é envolver os pais em um amplo debate sobre a agenda que os finlandeses acreditam ser necessária para preservar o nível de excelência do ensino público nos próximos anos.
E para isso, nesta quarta-feira a Finlândia vai realizar simultaneamente, nas escolas públicas de todo o país, o que está sendo anunciado como a maior reunião de pais e professores do mundo.
“O mundo está mudando, as escolas precisam mudar, e o diálogo com os pais é crucial nesse processo, uma vez que eles podem desempenhar um papel significativo na evolução da escola”, diz à BBC Brasil Saku Tuominen, um dos organizadores do evento e diretor do projeto HundrEd, criado no país para identificar e compartilhar inovações educacionais em todo o mundo.
Os finlandeses já se perguntam: que tipo de conhecimentos, habilidades e aptidões serão importantes para um aluno em 2030?
‘Diálogo permanente’
“Inovação é a chave”, afirma Tuominen. “Em um mundo em transformação, pensamos que em 2030, por exemplo, os alunos precisarão estar capacitados tanto em termos de novas tecnologias e da ênfase na criatividade como também no desenvolvimento de habilidades emocionais, autoconhecimento e pensamento crítico.”
A megarreunião de pais é resultado de uma colaboração entre o Ministério da Educação e Cultura, o Sindicato dos Professores, a Associação de Pais de Alunos da Finlândia e o projeto HundrEd.
Mais de 30 mil pais já se inscreveram para participar do evento – e a ideia é transformar a iniciativa em um evento anual.
“Queremos um diálogo de alto nível e permanente sobre os fundamentos da educação do futuro. E mais do que nunca precisaremos de soluções criativas em consonância com a base do pensamento finlandês, que é uma educação em que o aluno tenha prazer em aprender”, destaca Saku Tuominen.
Alunos viram professores
Para alavancar o debate, a reunião de pais e mestres será aberta em todas as escolas, que exibirão vídeos curtos com a fala de especialistas e educadores sobre o rumo das reformas em nível nacional, além de filmes sobre inovações que vêm sendo experimentadas em escala local.
Uma dessas inovações é um projeto-piloto que inverte os papéis entre mestres e aprendizes: alunos estão dando aulas a professores sobre o uso mais eficiente de tablets, mídias sociais e câmeras digitais.
“Os resultados têm sido excelentes”, diz Saku Tuominen. “É uma forma eficaz e econômica de capacitar melhor os professores de cadeiras não ligadas à tecnologia, e que também cria laços mais estreitos entre professor e aluno.”
Na visão finlandesa, professores não deverão ser apenas provedores de informação, e os alunos não serão mais somente ouvintes passivos.
“Queremos que as escolas se tornem comunidades onde todos possam aprender uns com os outros, incluindo os adultos aprendendo com as crianças”, diz Anneli Rautiainen, chefe da Unidade de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação finlandês.
“Habilidades tecnológicas e codificação serão ensinadas juntamente com outros assuntos. Para apoiar os professores, também haverá tutores digitais.”
Solução de problemas
Outra inovação a ser apresentada na reunião de pais é um projeto que vem sendo conduzido nas escolas da cidade de Lappeeenranta, no sudeste da Finlândia, para treinar os alunos em técnicas de solução de problemas. O projeto reúne uma equipe de psicólogos, especialistas e educadores.
“A ideia é capacitar os estudantes a desmistificar os problemas, e aprender a focar nas soluções”, explica Tuominen.
No raciocínio dos finlandeses, é preciso mudar a percepção sobre o que deve ser ensinado às crianças e o que elas necessitam para sobreviver numa sociedade e em um mercado de trabalho em rápida transformação.
“As escolas precisam se adaptar aos novos tempos e reconhecer que, com a revolução tecnológica e o impacto da globalização, as necessidades das crianças mudaram. É preciso incluir no currículo escolar temas como a empatia e o bem-estar do indivíduo, além de renovar os ambientes de ensino para motivar os alunos”, observa Kristiina Kumpulainen, professora de Pedagogia na Universidade da Finlândia.
O novo currículo escolar adotado em 2016 já inclui um alentado programa de tecnologia de informação, assim como aulas sobre vida no trabalho. Parte dos livros escolares, assim como a maioria do material de ensino, é completamente digital.
Diálogo
A Finlândia, país de 5,4 milhões de habitantes, é conhecida internacionalmente por pensar fora da caixa no que diz respeito à educação, o que atrai a curiosidade de especialistas do mundo inteiro.
Os dias são mais curtos nas escolas finlandesas: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, que reúne países desenvolvidos). Em uma típica escola finlandesa, os alunos têm em média cerca de cinco aulas por dia.
Os estudantes finlandeses gastam ainda menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia. O sistema também não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade.
E para os desafios dos novos tempos, os pais querem voz ativa.
Para a presidente da Associação de Pais da Finlândia, Ulla Siimes, não há mais espaço para as tradicionais reuniões entre educadores autoritários e pais queixosos.
“Quando perguntamos aos pais o que eles esperam das reuniões com professores, a resposta é que eles querem se sentir incluídos nas questões escolares, e não apenas receber relatórios sobre o que está sendo feito”, disse Siimes em entrevista à TV pública finlandesa YLE, ao destacar a importância da reunião de pais e mestres da próxima quarta-feira.
“As experiências pessoais vivenciadas pelos pais décadas atrás podem influenciar as suas concepções sobre como as crianças devem ser educadas nas escolas, e precisamos atualizar nosso modo de pensar para adaptar as técnicas de ensino à realidade da nova era”, acrescentou ela.
A reunião também pretende informar os pais sobre os efeitos de mudanças que já vêm sendo implementadas nas escolas do país, como a criação de salas de aula mais versáteis e flexíveis.
Paredes vêm sendo derrubadas para a criação de espaços de ensino em plano aberto, com divisórias transparentes. Em vez das carteiras escolares, o mobiliário inclui sofás, pufes e bolas de pilates.
“No futuro, não haverá necessidade de salas de aula fechadas, e a aprendizagem acontecerá em todos os lugares”, diz Anneli Rautiainen.
Outra aposta consolidada no novo currículo escolar é o ensino baseado em fenômenos e projetos, que atualiza a tradicional divisão de matérias e dá mais espaço para que determinados temas – por exemplo a Segunda Guerra Mundial – sejam trabalhados conjuntamente por professores de diferentes disciplinas.
Ainda que não lidere o ranking internacional de desempenho de alunos medido pelo exame Pisa, da OCDE, a Finlândia costuma estar entre os mais bem colocados do mundo. Mas isso não é o que guia as reformas educacionais, dizem educadores.
“A importância de rankings como o Pisa no pensamento finlandês é bastante insignificante. Eles são vistos como uma espécie de medição de pressão sanguínea, que nos permitem considerar, ocasionalmente, a direção para onde estamos indo, mas os resultados dos testes não são nosso foco principal”, diz o educador finlandês Pasi Sahlberg. “O fator essencial é a informação que as crianças e os jovens vão precisar no futuro.”
“Na Finlândia, o objetivo da educação não é obter sucesso no Pisa”, reforça Saku Tuominen, um dor organizadores da reunião de pais. “Nossa meta é ajudar as crianças e adolescentes a florescer e ter uma vida mais satisfatória.”

(fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/e-finlandia-renova-sua-educacao/)