quinta-feira, 23 de maio de 2013

O cenário político - uma entrevista imperdível!

Não deixem de ver!




Cláudio Lembo/ Cenário político

Hoje vamos conversar sobre política e suas variáveis, que nunca são poucas. Claudio Lembo foi Secretário Municipal 4 vezes, candidato a Vice-Presidente da República, Vice-Governador e Governador de São Paulo.


O início do ocaso de ‘UH’ e do governo Vargas

Nestes nossos tempos, em que os grandes e poderosos senhores da mídia fazem um cerco tremendo aos blogueiros independentes, é interessante refletir sobre o que a apresentadora de um novo livro apresenta. Confiram!


O início do ocaso de ‘UH’ e do governo Vargas

Maria Aparecida de Aquino em 21/05/2013 na edição 747 do Observatório da Imprensa

Prefácio do livro O Caso Última Hora e o cerco da imprensa ao governo Vargas, de Aloysio Castelo de Carvalho, EDUFF/Nitpress, Niterói, 2013

 

Alguns anos atrás, fiquei muito satisfeita de participar da banca de doutorado que analisou a tese de Aloysio Castelo de Carvalho e já pensei vê-la posteriormente convertida em livro tal a importância do tema e da abordagem conferida ao mesmo pelo autor. Hoje a satisfação é dupla. Prazer de ver entregue a um público maior um trabalho acadêmico de grande densidade e que não perde o vigor ao ser convertido em obra a ser publicada e gosto renovado pelo privilégio de poder apresentá-la nesses novos trajes.

Eu mesma estudei o jornal Última Hora – UH para o meu doutorado e realizei uma comparação com outro grande jornal (O Estado de S. Paulo – OESP) em outro período histórico, no pós-regime militar e, no momento em que fiz os meus agradecimentos, veio à tona a semelhança entre os gigantes e lancei mão de uma frase de um grande cineasta, John Ford, no famoso filme O homem que matou o facínora: “Quando a lenda é mais forte que a história, imprima-se a lenda.”

Acredito que isto sempre foi verdade quando se tratou do jornal Última Hora, mas não porque se tratasse de uma lenda no sentido de ser historicamente construída, mas sim, por ser uma lenda no jornalismo, tal a plenitude das transformações que empreendeu e sua importância para a imprensa nacional. Neste quadro podemos dizer que é antes e depois dele. Estamos afirmando que não importa de onde vieram os capitais para o seu financiamento. A magnitude das transformações que ele impulsionou é de molde a criar um novo perfil para a imprensa nacional. Cores, diagramação, apresentação das matérias e por aí vai. A imprensa nacional era uma e se transformou literalmente em outra. É isto que importa e isso ficou para a posteridade.
 
Os jornais e as “massas”

No entanto, como sabemos, a história é filha do tempo e a ele está presa, sofrendo as suas vicissitudes. Portanto, “no meio do caminho havia uma pedra” e a pedra a que nos referimos, especificamente no que diz respeito a esse trabalho, se desenvolve, no chamado “caso do Última Hora”ou “CPI do Última Hora”, batalha travada em 1953 e que, como o trabalho aponta, representa um “cerco” não só ao jornal Última Hora, mas também, ao governo Vargas.
De forma magistral e detalhada, Aloysio Castelo de Carvalho disseca para o leitor todo o ambiente mesquinho criado em torno dos jornais O Globo, Tribuna da Imprensa e O Jornal, ressentidos pelo financiamento concedido pelo governo Vargas a Samuel Wainer para montar o Última Hora. O que começa com uma série de denúncias capitaneadas pelo inimigo mortal de Wainer, Carlos Lacerda que vitupera das tribunas, acaba por se transformar numa CPI, a CPI do Última Hora que leva junto, no mar de difamações, o governo Vargas que havia acedido na concessão dos empréstimos. Vem à tona o governo, visto como devedor de Wainer, pois em 1951 Vargas teria retornado como personagem público pelas mãos do empresário que o fora buscar em seu refúgio no Rio Grande do Sul.
Para narrar essa história a que não faltam lances de suspense o autor lança mão de três elementos fundamentais: o conceito de “opinião púbica”, a relação dos jornais envolvidos com os principais partidos (PSD, PTB, UDN – uma pitada de considerações para o Partido Comunista extinto), o posicionamento dos periódicos em relação aos trabalhadores e aos sindicatos – considerações sobre as “massas”.

“Tempos sombrios”
Em nossa concepção, é importante assinalar o que paira como grande fio condutor de todo o trabalho de Aloysio, o conceito de “opinião pública”. Algo que é extremamente caro aos jornais liberais que se pretendem, invariavelmente, “formadores de opinião”, é um conceito quase onipresente dentro da imprensa. E aqui aparece dentro de sua matriz frankfurtiana, ou seja, daquela concebida pela “Escola de Frankfurt”. Essa matriz, com a genialidade de seus criadores, apresenta um alerta. Do mesmo modo como seus autores apontaram para as questões preocupantes em relação à obra de arte apresentadas na reprodutibilidade técnica da fotografia, mostraram possibilidades de “reprodutibilidade de opiniões” em meios de comunicação de grande alcance, como, por exemplo, a imprensa escrita. O que estaria presente na ideia da possibilidade de um conceito de “formação de uma opinião pública” alvo perseguido pelos editores de jornais.

Os historiadores da Nova História Cultural, Michel de Certeau à frente, entretanto, apontam para o fato que, atrás do consumo dos produtos culturais existe a produção, ou seja, o consumo é único. Cada qual consome de forma própria, transformando o ato de consumir, ele mesmo, uma maneira de produção. Assim, a ideia de “opinião pública” como consumo fica deslocada. Acredito que esse seria o diálogo que o trabalho de Aloysio permite e instiga. Mais uma brecha que ele nos coloca e nos leva a pensar. Bons trabalhos são assim.

Por que eu recomendaria ao leitor um mergulho num passado, mesmo que não tão distante, mas que para as gerações mais jovens já produz o distanciamento? Por que, enfim, é imprescindível ler o trabalho de Aloysio Castelo de Carvalho? O tempo de que ele nos fala é um tempo muito presente e eterno. É um tempo, como nos diz Hannah Arendt, de “homens em tempos sombrios”, afinal “homens e suas circunstâncias” que são “nada mais que humanas”, o que quer dizer que situações semelhantes que oporão mesquinhez e grandeza ou as mesclarão poderão ser encontradas em passados distantes ou no futuro remoto. Isto torna este O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao Governo Vargas, de Aloysio Castelo de Carvalho, absolutamente, imprescindível.

Maria Aparecida de Aquino é professora do Programa de Pós-Graduação em História Social do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quantas outras mães não vivem assim?

Um doloroso retrato do que ocorre nas grandes cidades. A matéria é do blog DoLaDoDeLá


Posted: 21 May 2013 08:02 AM PDT

De tempos em tempos sou atraído pela imagem de uma mulher que no fim da tarde monta sua barraca num paredão próximo à estação da Barra Funda do Metrô. De primeiro ela trazia um cartaz no qual descrevia resumidamente suas necessidades e pedia ajuda a um desses programas de televisão que realizam sonhos. 

Sempre pensei em me aproximar e conversar com ela, para conhecer melhor como foi parar ali, mas confesso que - quase sempre - ou estou atrasado, ou já é tarde o bastante para achar que ela suas duas menininhas, uma de provavelmente 6 anos e outra de uns 4 ou 5, estariam dispostas a dar alguma atenção para mim.
Domingo à tarde criei coragem e me aproximei. Disse que tenho o hábito de vê-la com seus meninos sempre ali. A garota no colo da mãe, que recebia um delicioso cafuné, intercedeu: meninos, não, meninas! Ah, disse eu, não há um menino entre vocês? Não, respondeu secamente a mãe, são só as duas mesmo.
Trazia comigo um pacote de biscoitos e algum dinheiro. Sabia que era pouco o que podia oferecer a ela, mas a mãe agradecida disse que a ajuda chegava em boa hora, porque elas têm um fogareiro e o mini botijão tinha acabado. Ajudá-las fez bem mais para mim do que para elas. Na verdade, ao estender a mão, quem pedia ajuda era eu, ironicamente.
Hoje deparo-me com estudo do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que traça um perfil das pessoas em situação de rua, naquela metrópole. E pasmem, lá apenas 13% dos moradores de rua são analfabetos, e dois em cada três não bebem, nem usam drogas. Ver com números o que senti quando percorri habitações precárias e conversei com pessoa dos movimentos de luta por moradia no Centro de São Paulo é confortante.
Se nossa sociedade abrisse os olhos para conhecer os hábitos da nossa população de rua e abrisse o coração para os relatos dessas vidas abandonadas, quem sabe não viveríamos numa cidade mais solidária. Para quem não sabe, essas pessoas são "invisíveis" inclusive aos olhos dos recenseadores do IBGE, porque não têm endereço fixo.
Na rua, elas ficam vulneráveis à toda sorte de abusos. São insultadas, assaltadas, abusadas sexualmente e sofrem com a violência e intimidação policial. Ver uma mãe com as duas menininhas naquela situação me fez pensar tudo isso e perguntar: quantas outras mães não vivem assim?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ainda a crise mundial


Muito interessante este comentário do site da Agência Carta Maior:



CRISE, ESTADOS FALIDOS, SONEGAÇÃO GLOBAL E ARROCHO; UM ENRÊDO  DE GARCIA MÁRQUEZ

 "A Starbucks não paga impostos sobre seus rendimentos porque, segundo dizem, "não tem lucros contábeis".E não tem porque suas empresas locais, de propriedade e administração de Starbucks, pagam a uma empresa de Starbucks fora do país uma quantidade sideral pelo direito de usar o nome Starbucks. Ou seja, Starbucks paga a Starbucks pelo uso do nome Starbucks. E na legislação tributária neoliberal, isso é perfeitamente legal. É realismo mágico contábil. A meu juízo, Gabriel  Garcia Márquez deveria ter sido consultor de empresas de contabilidade". O desabafo é do economista Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge, um dos entrevistados pelo correspondente de Carta Maior, em Londres, Marcelo Justo, na reportagem de leitura obrigatória por quem deseja  entender as raízes de uma crise que há cinco anos  imobiliza Estados e penaliza nações. 

As 100 empresas mais importantes do Reino Unido, por exemplo, tem mais de 8 mil subsidiárias em paraísos fiscais, informa Marcelo Justo. A Inglaterra não é exceção. A desregulação das últimas décadas  submeteu os Estados a um duplo torniquete fiscal.

De um lado, corroeu a carga tributária deliberadamente,extinguindo impostos e mimando endinheirados com baixas alíquotas e isenções .Tudo em nome  das reformas amigáveis aos mercados. De outra parte, o  livre trânsito dos capitais favoreceu  a evasão e a sonegação em triangulações  contábeis lubrificadas  pelo predomínio do comércio intra e inter-companhias   e de suas respectivas conexões  com paraísos fiscais. 

O conjunto empurrou a política fiscal dos governos à servidão do endividamento público, que por sua vez reduziu  Estados nacionais a um anexo dos interesses rentistas. O colapso de 2008 encontrou  governos alijados de ferramentas para reagir e corporações solidamente apetrechadas para defender seus privilégios. Alguma surpresa que a Europa patine na mais longa recessão de sua história?

O testamento de Darcy Ribeiro

Digam o que disserem, não dá para diminuir a importância de Darcy Ribeiro para a compreensão do Brasil. E também para a necessidade de uma profunda reformulação da educação, assunto que, aliás, ocupou alguns posts da semana passada.


O testamento de Darcy Ribeiro

Enviado por luisnassif, seg, 20/05/2013 - 11:09 Por Marco Antonio L.
Do Escrevinhador
O testamento de Darcy Ribeiro
Pouco tempo antes de morrer, Darcy – percebendo que o fim se aproximava – disse que queria ficar em casa. E pediu: “doutora, estou com uma vontade de dar uma aula, a senhora não me traz uma criança pra eu dar a aula?”. Deu aula a uma criança de 9 anos.  Falou sobre o Brasil, sobre a importância de respeitar todas as culturas. Era o testamento que ele queria deixar. 
por Rodrigo Vianna
A TV Senado levou ao ar no fim de semana um belo documentário sobre Darcy Ribeiro. Documentário clássico, em que os depoimentos costuram a história. O diretor do filme não pretendia se mostrar um gênio. Até porque gênio era o personagem retratado.
Entrevistei Darcy uma vez, em 1995, pela TV Cultura. Fazíamos um especial sobre UTIs, sobre formas de humanizar o tratamento hospitalar. Darcy tinha muito a dizer. Fugira pouco antes do hospital, porque o ambiente da UTI o matava lentamente. Fugiu porque queria escrever (terminar de escrever, na verdade) seu grande livro: “O Povo Brasileiro”. Deu certo. Fugiu, escreveu, e viveu mais alguns anos.
Era a segunda vez que driblava a morte. Nos anos 70, exilado, teve câncer de pulmão. Foi desenganado pelos médicos. Pediu aos militares autorização para voltar ao Brasil, onde queria morrer. Voltou, e não morreu. O amor pelo Brasil, pelo conhecimento, pelos índios e pela educação: tudo isso alimentava Darcy Ribeiro.
Acadêmico, jamais se escondeu atrás da pompa universitária. Fundou a UnB (Universidade de Brasília), andou pelo Brasil, fez Política com P maiuúsculo. Foi Chefe da Casa Civil do governo de Jango. Caiu em 64. Foi o último janguista a abandonar o Palácio, com o golpe já consumado. teve que fugir de Brasília num teco-teco, ao lado de Waldir Pires. Diz que foi o momento de maior tristeza na vida: saber que haviam sido derrotados pela direita.  Exilou-se no Uruguai, Chile, Peru. Já era um antropólogo renomado. Vivera entre os índios – sua primeira grande paixão. Escrevera sobre os índios obras fundadoras.
O exílio permitiu que estudasse mais sobre América Latina. Debruçou-se sobre o tema. Escreveu o grandioso “As Américas e a Civilização”. Depois da Anistia (e do drible no câncer), Darcy fundou o PDT com Brizola. Foi vice de Brizola no Rio. Idealizador dos CIEPs e do Sambódromo.
Perdeu a eleição para governador em 86, para Moreira Franco. Mais tarde, viraria senador. Nacionalista, professor, namorador… O documentário retrata bem a vida de Darcy.
Adorava o Brasil. “Temos um povo maravilhoso, e uma classe dominante horrorosa. Precisamos dar lição a ela, mostrar que é possível construir esse país”, diz Darcy em transcrição não literal, numa das entrevistas concedidas pouco antes de morrer e recuperadas no documentário.
Ele dizia que “sentia dó” porque não veria a grandeza d Brasil consumada. Iria morrer antes. E disse, olhando para a câmera e para as gerações mais novas: “ficam vocês encarregados de fazer esse país. Mas façam! Sem copiar ninguém! Seremos uma das grandes civilizações desse mundo”.  
A história mais emocionante sobre Darcy é contada por uma das médicas que cuidou dele. Pouco tempo antes de morrer, Darcy – percebendo que o fim se aproximava – disse que queria ficar em casa. E pediu:“doutora, estou com uma vontade de dar uma aula, a senhora não me traz uma criança pra eu dar a aula?“.  Deu aula a uma criança de 9 anos. Falou sobre o Brasil, sobre a importância de respeitar todas as culturas. Falou sobre escolas e sambódromos. Era o testamento que ele queria deixar. 
Darcy amou o Brasil. Sem pompa, mas com energia. Viva o Darcy Ribeiro!

domingo, 19 de maio de 2013

Fala, Marilena!

São oito horas da manhã e acabo de me deliciar com o artigo do Paulo Nogueira, no blog Diário do centro do mundo (blog, aliás, que recomendo a todos)

A filósofa Marilena Chauí fez duas apreciações interessantes nesta semana, uma sobre a mídia, outra sobre a classe média.
Numa, sobre a mídia, ela foi econômica. Noutra, sobre a classe média, foi torrencial.
Em ambas, ela estava essencialmente certa.
Sobre a mídia, ela disse que qualquer apreciação que fizesse conteria obscenidades.
Veja a mídia. Globo, Veja, Folha, Estadão: como não concordar com Marilena Chauí?
A mídia defende abjetamente seus próprios interesses, e os de seus amigos, e não o interesse público.
As empresas jornalísticas não pagam os impostos devidos (o papel não é taxado, por exemplo), gozam de uma absurda reserva de mercado (estrangeiros só podem ter 30% das ações) e historicamente se alinharam às ações mais nocivas contra o povo brasileiro, como o golpe militar de 1964.
A mídia brasileira precisa de um choque do capitalismo que prega mas que não pratica: tem que ser exposta à competição internacional e tem que criar vergonha na cara e parar de mamar no Estado, do qual sempre extraiu financiamentos a juros que são um assalto ao contribuinte.
Boa parte da gestão inepta das empresas jornalísticas brasileiras reside nisso – nas vantagens que elas recebem de sucessivas administrações.
Isso acabou criando culturas corporativas em que você acha que é mais fácil resolver problemas com um telefonema ao presidente ou ao ministro do que com habilidade gerencial.
A internet apareceu para libertar a sociedade do monopólio de opinião das empresas de mídia, e isso é um fato que deve ser comemorado.
Você só tem acesso a Marilena Chauí na internet. Em compensação, ”pensadores ”, aspas, como Vilas, Magnolis, Pondés et caterva estão em toda parte, como pernilongos na praia, defendendo o mundo da iniquidade que foi sempre a marca do Brasil.
Sobre a classe média, Marilena Chauí também está certa.
Historicamente, a classe média é, em geral, o que existe de mais reacionário numa sociedade.
Nas grandes transformações da humanidade, como na França de 1789, lá estava a classe média na defesa assustada da manutenção da ordem.
Na Alemanha de 1933, foi a classe média que pôs Hitler no poder. Nos Estados Unidos destes dias, é a classe média — obesa, entupida de pipoca e coca cola gigante, sentada no sofá vendo blockbusters de Hollywood —  que dá sustentação a guerras como a do Iraque e a do Afeganistão.
Uma das razões do sucesso escandinavo como sociedade é que, lá, a classe média foi educada, e aprendeu a importância do verbo repartir.
A classe média brasileira ainda está bem longe disso. É racista, preconceituosa, homofóbica. Detesta negro, detesta nordestino, detesta gays.
Detesta tanta coisa que, exatamente por isso, é detestável, como disse Marilena Chauí.

sábado, 18 de maio de 2013

"Eu não mato aula, a escola que me mata"

A frase de um aluno, que escolhi para o titulo deste post me parece terrível, cruel, mas, sobretudo, verdadeira. E o que nós, professores, estamos fazendo para impedir que a escola continue matando?


O descompasso entre o ensino e a realidade dos jovens  
Enviado por luisnassif, sex, 17/05/2013 - 14:26
Da Agência Brasil
Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil
Mariana Tokarnia*
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens.
“Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete.
De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho.
Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio.
O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental.
Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação.
Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”.
“É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete.
O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país.