A frase de um aluno, que escolhi para o titulo deste post me parece terrível, cruel, mas, sobretudo, verdadeira. E o que nós, professores, estamos fazendo para impedir que a escola continue matando?
O descompasso entre o ensino e a realidade dos jovens
Enviado por luisnassif, sex, 17/05/2013 - 14:26
Da Agência Brasil
Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil
Mariana Tokarnia*
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas
para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que
há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a
realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de
evasão escolar entre jovens.
“Por que você mata aula?”,
perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a
escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”.
“Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12?
O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo
aprendendo”, defendeu Salete.
De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de
vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a
vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo
Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem
trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar
estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho.
Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União
Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação
Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a
escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os
anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem
diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos
concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas
48,7% terminaram o ensino médio.
O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que
não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais
da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino
fundamental.
Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na
educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos
iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais,
15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos
professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação
de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação.
Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os
adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram
em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco
de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo
com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade
brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”.
“É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as
políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar
professor e escola”, diz Salete.
O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime
vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o
primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas
mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores
de todo o país.