Saem primeiros dados de devastação do bioma: 9.483 km² em 2015 —
ainda mais que na Amazônia. Região do “Matopiba” é a mais afetada;
agronegócio da soja, o principal responsável
No Observatório do Clima
O cerrado perdeu 9.483 quilômetros quadrados de vegetação em 2015, um
número que equivale a mais de seis cidades de São Paulo e supera em 52%
a devastação na Amazônia no mesmo ano. A informação vem dos primeiros
dados de monitoramento anual do bioma, divulgados pelo governo federal.
A série de dados de satélite, feita pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foi postada discretamente numa página do Ministério do Meio Ambiente na internet, sem divulgação para a imprensa ou entrevista coletiva. Ela vem acompanhada de uma análise do desmatamento entre 2013 e 2015,
mostrando a pressão sobre o bioma em cada município, as unidades de
conservação, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária mais
desmatados.
O monitoramento anual do cerrado, nos mesmos moldes do que é feito na
Amazônia desde os anos 1980, é uma promessa antiga. Ele vem sendo
aventado desde 2008. Em 2010, e chegou a ser anunciado para o ano
seguinte. Dificuldades técnicas de observar com satélite um bioma
formado por savanas e campos naturais, restrições orçamentárias e o
baixo interesse histórico do poder público em olhar mais de perto o
comportamento ambiental do agronegócio exportador fizeram com que a
promessa fosse postergada. Só em 2016 o governo lançou um programa de
monitoramento ambiental de todos os biomas.
“A série de dados do cerrado é uma informação crucial para a
sociedade, mas também para o mercado”, disse Jair Schmitt, diretor de
Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente.
“Ela vai permitir desenhar e aplicar ao cerrado políticas como as que
causaram a redução do desmatamento na Amazônia.”
Thelma Krug, pesquisadora do Inpe que iniciou o programa de
monitoramento no ano passado quando estava no MMA, diz que a série
histórica vai permitir ao Brasil captar recursos no exterior para
reduzir o desmatamento no bioma – a exemplo do que ocorre com o Fundo
Amazônia.
O chamado “Prodes do cerrado” (o apelido é uma referência ao Prodes, o
sistema que dá a taxa anual de desmatamento na Amazônia) ainda tem
buracos: os dados para os anos de 2012 e 2014 não foram finalizados.
Mesmo assim, a série que de agora em diante será a taxa oficial de perda
do segundo maior bioma brasileiro confirma estimativas que já vinham
sendo feitas e permite tirar algumas conclusões. Há uma notícia boa e
várias ruins.
A boa é que o Brasil praticamente cumpriu a meta de sua política
nacional de clima de reduzir a devastação em 40% até 2020, para 9.421
quilômetros quadrados ao ano. Por coincidência, mas cumpriu.
A meta foi calculada originalmente, em 2009, com base em estimativas
anteriores ao monitoramento anual, que estimaram uma média de 15.700
quilômetros quadrados perdidos ao ano entre 1994 e 2008. A proposta
inicial era uma redução de 50%, que foi expurgada de próprio punho pela
então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como lembrou a ecóloga Mercedes Bustamante,
da Universidade de Brasília, o país definiu como “aceitável” perder
todo ano o equivalente a 1% da área remanescente do cerrado.
Diferentemente da Amazônia, porém, no cerrado não houve um esforço
sistemático de comando e controle, nem havia um acompanhamento anual da
taxa – uma estimativa publicada após a adoção da política, com uma
metodologia diferente, apontava para 7.600 quilômetros quadrados
desmatados entre 2008 e 2009, o que implicaria que a meta já teria sido
cumprida no ano de sua adoção. A nova série histórica publicada pelo MMA
põe o desmate em 2009 em 10.342 quilômetros quadrados.
Entre as más notícias está o fato de que o cerrado continua perdendo
1% de sua área remanescente por ano. Dados do projeto MapBiomas
publicados neste ano indicam que o desmatamento acumulado no bioma neste
século foi três vezes maior que o da Amazônia, proporcionalmente ao
tamanho da área de vegetação remanescente.
Sem surpresa, os dez municípios mais desmatados ficam no chamado
Mapitoba, palco da expansão da fronteira agrícola, entre os Estados de
Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia (daí o acrônimo). Juntos, eles
respondem por 11% dos quase 30 mil quilômetros quadrados desmatados no
cerrado entre 2013 e 2015.
Os três campeões são baianos: São Desidério (337 km2), Jaborandi (295 km2) e Formosa do Rio Preto (271 km2), todos produtores de soja. A Bahia tem cinco municípios na lista dos dez mais.
A Bahia também é o Estado pioneiro da flexibilização do licenciamento
ambiental. Em 2014, um decreto do governo estadual isentou as
atividades agropecuárias de licenciamento, algo que hoje a bancada
ruralista pretende emular com a lei geral de licenciamento, em
tramitação no Congresso. A dispensa foi questionada na Justiça e
revogada em 2017. Durante sua vigência, o Estado não apenas viu o
desmate avançar no cerrado, como também presenciou sua explosão na mata
atlântica: 207% em 2015/2016 em relação ao biênio anterior.
Segundo Tiago Reis, pesquisador do Ipam (Instituto de Pesquisa
Ambiental da Amazônia), a destruição acelerada do cerrado cria problemas
para a própria agricultura. “Esse desmatamento coloca em risco o
equilíbrio ambiental que garante a produção agrícola no Brasil, uma vez
que a perda de vegetação nativa do cerrado compromete a formação de
chuvas por evapotranspiração, a infiltração das águas no solo para
recarregar aquíferos e rios da região”, diz. “Desse processo dependem as
enormes áreas agrícolas irrigadas do oeste baiano, por exemplo.”
(fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=491640)
domingo, 6 de agosto de 2017
Acordo de Paris: Terra tem apenas 5% de chance de ficar dentro do limite de dois graus de aumento de temperatura
A reportagem é de Elena Dusi, publicada por La Repubblica, 31-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um grupo de economistas, estatísticos e especialistas em atmosfera da Universidade de Washington começou a fazer os cálculos e publicou na Nature Climate Change as suas previsões para o ano de 2100. Mais do que dois graus: as chances de que o aumento de temperatura do planeta fique dentro desse limite são de 5%.
O objetivo da Conferência de Paris de 2015 de não superar um grau e meio tem uma probabilidade de ser irrisório: apenas 1%. A hipótese mais realista, de acordo com os cálculos dos pesquisadores, é de que o aumento se confirme em torno dos 3,2 graus.
Os esforços para aumentar as fontes renováveis estão dando efeitos, mas ainda não são suficientes. Daqui a 2100, a intensidade de dióxido de carbono (as emissões necessárias para obter um ponto de produto interno bruto) continuará caindo (em torno dos anos 2000, começou a cair na maioria dos países do mundo), mas não o suficiente. O PIB global subirá, de acordo com as estimativas, 1,8% ao ano, a intensidade de dióxido de carbono cairá presumivelmente 1,9%. Enquanto esses dois efeitos tenderão a se anular mutuamente, as Nações Unidas estimam que os habitantes do planeta chegarão a 11,2 bilhões em 2100.
Os dois graus são a melhor das hipóteses”, comenta Adrian Raftery, coordenador do estudo. “Para ficar dentro do objetivo, deveremos concentrar os nossos esforços em todas as frentes pelos próximos 80 anos.”
As emissões anuais de gases de efeito estufa, que atualmente são de 54 bilhões de toneladas de acordo com o UN Environment Programme, deveriam ser cortadas para 42 bilhões até 2030.
“Os objetivos de Paris – acrescenta o professor de estatística e sociologia da Universidade de Washington – são ambiciosos, mas realistas. O problema é que não serão suficientes para manter o aquecimento em até um grau e meio.”
Ainda no mesmo número, a Nature Climate Change publica um estudo que vem da Universidade do Colorado e tenta imaginar como a Terra reagiria diante de um cenário bastante improvável: a interrupção repentina, da noite para o dia, de emissões poluentes por parte do ser humano.
Em 2100, o aumento de temperatura registrado em comparação com a era pré-industrial seria igualmente de 1,3 graus. Culpa principalmente da inércia térmica dos oceanos e da longa permanência (séculos ou milênios) do dióxido de carbono na atmosfera. No ritmo da poluição atual, o ponteiro de um grau e meio será alcançado em 15 anos.
Para fechar o círculo, a revista divulga um terceiro estudo da Universidade da Carolina do Norte com o cálculo das consequências para a nossa saúde. Entre hoje e 2030, a poluição causada pelo aquecimento climática causará a morte prematura de 60 mil pessoas em todo o mundo (260 mil até 2100). Ao aquecimento, estão associados o aumento do gás ozônio no nível do solo e do particulado fino. As chuvas diminuirão, junto com o seu efeito de limpar da poluição o ar que respiramos.
O Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, enfim, foi olhar quais são as consequências das mudanças climáticas sobre o Mediterrâneo. Na revista Scientific Reports de junho, um estudo do ISMAR, o Instituto de Ciências Marinhas do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, em conjunto com a Universidade de Southampton e o Instituto de Ciência e Tecnologia do Mar de Túnis, havia revelado que o Mare Nostrum está se tornando cada vez mais quente e salgado. De 2005 até hoje, esse processo começou a galopar, e, hoje, a sua rapidez é duas vezes e meia maior do que na segunda metade do século XX.
“No Mediterrâneo – explica Katrin Schroeder, pesquisadora do ISMAR e uma das autoras do estudo – a evaporação supera as precipitações e o aporte dos rios. Na parte oriental, seca e temperaturas atingiram níveis recordes em comparação com os últimos 500 anos.”
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/570204-acordo-de-paris-terra-tem-apenas-5-de-chance-de-ficar-dentro-do-limite-de-dois-graus-de-aumento-de-temperatura)
2 de agosto: a Terra não aguenta mais
A reportagem é de Marco Bernardoni, publicada no sítio Settimana News, 02-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Deve ser por causa do tom vagamente apocalíptico (que assusta e fascina); deve ser por causa da polêmica renovada também recentemente entre apoiadores e negadores da responsabilidade humana sobre as mudanças climáticas (confirmando que, no debate público, a ciência é trazida para apoiar posições opostas... pobre ciência); deve ser porque as férias me permitem. Só sei que eu decido não apagar logo os e-mails para dar uma olhada nos dois artigos (e nos seus apreciáveis infográficos).
“A data fatídica é cada vez mais precoce. A partir de quarta-feira, 2 de agosto, a humanidade vive a crédito, tendo consumido – em apenas sete meses – todos os recursos que a Terra pode produzir em um ano. Daqui até o fim de 2017, para continuarmos bebendo, comendo, aquecendo-nos ou deslocando-nos, deveremos sobre-explorar os ecossistemas e comprometer a sua capacidade de regeneração” (Le Monde).
No ano passado, isso tinha acontecido no dia 8 de agosto... Fala-se do Earth Overshoot Day (“Dia da Sobre-Exploração da Terra”), calculado pela Global Footprint Network, a organização estadunidense que desenvolveu o conceito e que apoia a campanha de sensibilização, que nos informou que estamos consumindo e poluindo como se tivéssemos à disposição 1,7 Terra.
“Os custos desse crescente desequilíbrio ecológico estão se tornando cada vez mais evidentes no mundo, e nós os vemos sob a forma de desmatamento, seca, escassez de água doce, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera” (do comunicado da Global Footprint Network do dia 27 de junho passado).
Leio ainda que “60% do orçamento anual de recursos naturais é representado pela demanda da natureza para a absorção das emissões de dióxido de carbono”... Em suma, a partir do dia da sobre-exploração, os recursos naturais da Terra não conseguem mais absorver o CO2 emitido pelas atividades humanas.
“Isso aumenta a acidificação dos oceanos e a degradação das terras agrícolas e das florestas”, observa um responsável da WWF. E não só isso, já que “os gases que não são absorvidos aumentam a concentração de CO2 no ar, contribuindo para o aquecimento do clima” (Le Figaro).
Há mais. A produção de alimentos é responsável por uma fatia importante dos gases de efeito de estufa: estima-se que 24% provêm do setor agrícola. A Fundação Barilla calculou que o desperdício de alimentos produz, sozinho, a emissão na atmosfera de 24,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, dos quais 14,3 milhões se devem aos desperdícios domésticos.
Reduzindo o desperdício alimentar, o consumo de proteínas animais e cortando o excesso de calorias na alimentação, iríamos no sentido de reduzir a pegada ecológica, postergando, consequentemente, o Overshoot Day. Nada de novo. Infelizmente.
Pode ser que sejam dias de calor insuportável.
Pode ser que isso reduza a minha já frágil confiança nas garantias dos negadores (talvez eu seja um apocalíptico incurável).
Pode ser que eu me lembre de ter cruzado antigamente pelo “Princípio responsabilidade”, de Hans Jonas (do qual eu quase não ouço mais falar... Lembro que, diante da transformação da “natureza do agir humano” por parte dos “novos poderes” da técnica, Jonas introduzia a ideia de vulnerabilidade da natureza e invocava uma “mudança da ética” que levasse em conta também aqueles que, hoje, não têm voz, como as gerações vindouras).
Pode ser que eu não consiga esquecer que o desperdício alimentar, o consumo de proteínas animais e o excesso de calorias na alimentação indicam a diminutíssima porção mais rica do planeta a que pertencemos, que explora e polui sem escrúpulos particulares o bem de todos (eu sempre me lembro disso quando algum dos meus conterrâneos denuncia a invasão dos migrantes econômicos ou reclama contra a injustiça de Deus pelo que aconteceu consigo...).
Pode ser que eu seja também um simplificador de questões complexas.
Pode ser... Mas, depois da leitura, fiquei com algumas perguntas (e não bastou deletar os e-mails).
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/570251-2-de-agosto-a-terra-nao-aguenta-mais)
MP que libera agrotóxicos “vai piorar o que já é ruim”, diz pesquisadora da Fiocruz
A reportagem é de Cauê Seignemartin Ameni, publicada por De Olho nos Ruralistas, 03-08-2017.
Para continuar tendo apoio da bancada ruralista, a Casa Civil se prepara para desengavetar uma Medida Provisória que altera as regras do uso de agrotóxicos no país. A proposta possibilita a autorização de substâncias cancerígenas. E, por isso, proibidas. É a avaliação de Karen Friedrich, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que soltou nota sobre o assunto:
– De acordo com a MP proposta, poderiam ser registrados no Brasil produtos com potencial cancerígeno ou capazes de provocar anormalidades fetais, entre outros efeitos graves, quando tiverem sido encontradas condições de uso apropriadas para reduzir o risco de ocorrência desses efeitos.
O Ibama criticou também a previsão de suspender a regra que só libera a aprovação de agrotóxicos que tenham – comprovadamente – uma ação tóxica menor ou igual à dos atuais.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ao Canal Rural que a ideia é ter um modelo baseado em risco, no que a Anvisa, Ibama e Agricultura estejam os três sempre de acordo. Mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não se manifestou. O Ibama é contrário à medida que pretende alterar a lei 7.802/1989, que torna o conceito de “análise de risco” fator determinante para a permissão de novas substâncias.
Coquetel de Agrotóxicos
A medida foi redigida pelo Ministério da Agricultura com a colaboração do setor agrícola e da indústria agroquímica. Karen Friedrich tem um posicionamento semelhante ao do Ibama:– A MP vai piorar o que já é ruim. A Anvisa avalia os estudos toxicológicos conduzidos pela própria indústria que tem interesse em registrar o agrotóxico.
Segundo ela, os estudos são limitados porque são realizados com um agrotóxico por vez. Uma cobaia recebe a injeção de apenas um agrotóxico. Só que na lavoura, explica, o trabalhador rural aplica uma mistura de agrotóxicos. Ou passa um avião despejado uma série de agrotóxicos.
Em outras palavras: os brasileiros consomem, na alimentação, um coquetel de agrotóxicos. “A Anvisa já encontrou até dez agrotóxicos em um único alimento”, conta Karen. “Ou seja, essa mistura não é testada nos laboratórios para o registro. Se temos um agrotóxico com risco de causar câncer individualmente, na presença de misturas essa probabilidade pode aumentar”.
A pesquisadora, graduada em biomedicina com doutorado em toxicologia e saúde, vê com preocupação a falta de dialogo do governo e criticou também a ideia que circula no Palácio do Planalto, segundo reportagem de O Globo, de retirar a Anvisa do processo de autorização de novos agrotóxicos:
– É realmente uma temeridade essa MP passar condicionando o risco do agrotóxico a essa “avaliação de risco” em que algumas pessoas que trabalham em um órgão vão determinar o que é um risco aceitável ou inaceitável sem uma discussão mais ampla com a população e a comunidade científica se eles aceitam esse “risco”.
Ela conta que estudos recentes – e sofisticados – com populações expostas apresentaram efeitos proibitivos de registro. Mas a Anvisa “não teve condição técnica, iniciativa ou força política” para proibir os agrotóxicos. Foi o caso da atrazina, um dos mais utilizados no Brasil, proibido em outros países. E do acefato, igualmente proibido fora do país, mas por aqui liberado.
Autismo e Mal de Parkinson
Pelo menos seis substâncias utilizadas intensamente no campo estão em análise. São elas: 2,4-D, glifosato, paraquat, tiram, carbofurano e abamectina. Alguns novos relatórios são favoráveis ao banimento definitivo do glifosato, líder mundial de mercado, no mercado nacional. De acordo com Karen, há estudos que associam o glifosato ao autismo. E outros que vinculam o paraquat ao mal de Parkinson.Outra ponto polêmico da MP é incluir, nos rótulos dos novos agrotóxicos, a expressão “nas condições recomendadas para uso”. O Ibama avalia que o país não tem estrutura para efetivar essa demanda. A pesquisadora da Fiocruz considera que a solução se transformaria rapidamente em um novo problema:
– Condicionar o risco do uso de agrotóxicos ao uso de equipamento individual é uma calamidade porque esses equipamentos são caros e difíceis de serem utilizados. Não é todo trabalhador que poderá comprar ou usar adequadamente, até pelas condições climáticas do país.
Um antigo cardápio
A ideia de contemplar uma antiga demanda da bancada ruralista não é nova. Em abril deste ano, o Estadão revelou, na reportagem MP pode afrouxar regras para agrotóxicos, que a MP liberaria substâncias cancerígenas e teratogênicas (que põem em risco a formação dos fetos). Diante da repercussão negativa, Temer foi obrigado a engavetar a medida. Desta vez, porém, a proposta não teve a mesma repercussão na imprensa. Apenas uma notícia discreta no Canal Rural.Quando o documento foi apresentado no começo do ano no Comitê Técnico de Assessoramento, integrado pelo Ibama, Anvisa e Ministério da Agricultura, encarregado de avaliar os critérios para uso de agrotóxicos no país, ele foi criticado pela falta de participação dos dois órgãos. Cabe à Anvisa analisar os impactos dos produtos na saúde e ao Ibama mensurar os efeitos dos agrotóxicos no ambiente.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/570316-mp-que-libera-agrotoxicos-vai-piorar-o-que-ja-e-ruim-diz-pesquisadora-da-fiocruz)
Novo número da Revista Espaço Acadêmico
Revista Espaço Acadêmico acaba de publicar o número mais recente em
http://periodicos.uem.br/ojs/ index.php/EspacoAcademico. Convidamos a navegar
no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.
Revista Espaço Acadêmico
v. 17, n. 195 (2017): Revista Espaço Acadêmico, n. 195, agosto de 2017
Sumário
administração
--------
Ensino de Marketing por meio de entrevista semi-estruturada (01-08)
Francisco Giovanni David Vieira
ciência política
--------
O que é democracia? Uma visão exploratória na ciência política (09-22)
Rodrigo Lins
cinema
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A potência narrativa nos falsos documentários (23-35)
Caue Fernandes Nunes
direitos humanos
--------
O papel da UNASUL na efetivação de direitos humanos fundamentais na América do Sul (36-44)
Alfredo Minuci Lugato
educação
--------
O PNE (2014-2024) e a Educação Superior brasileira: a expansão em questão (45-57)
Alisson Slider do Nascimento de Paula
As escolas e o dispositivo de infantilidade (58-69)
Eduardo Alexandre Santos de Oliveira
A Filosofia no Ensino Médio: alguns desafios (70-81)
Kairon Pereira de Araújo Sousa
Percepção de discentes de um curso de Pedagogia em relação à didática:marcas da despolitização (82-92)
Márden Pádua Ribeiro
filosofia
--------
Uma abordagem do conceito de filosofia na obra "O que é filosofia" de Gilles Deleuze e Felix Guattari. (93-103)
Elenilda Alves Brandão
política
--------
Corrupção,
fisiologismo, clientelismo e reacionarismo na morta-viva gestão
presidencial temerária: anatomia de um escândalo antirrepublicano
(104-115)
Renato Nunes Bittencourt
sociologia
--------
“Identidade nacional brasileira” versus “identidade negra”:
reflexões sobre branqueamento, racismo e construções identitárias (116-127)
Mariana Panta, Nikolas Pallisser
Movimentos sociais urbanos na Venezuela: o desenvolvimento do poder popular como alternativa ao Estado burguês (128-140)
Natalia Scartezini
De corpo e alma: tecnologias políticas disciplinares na profissão de jogador de futebol (141-151)
Radamés Mesquita Rogério
resenhas & livros
--------
Os diversos interesses capitalistas na experiência britânica no Egito(152-155)
Guilherme Tadeu de Paula
PRIORI,
Josimar. A luta faz a lei: reflexões sobre política, movimentos sociais
e associações de moradores em Sarandi-PR. Maringá-PR: EDUEM, 2017
(156-159)
REA Editor
MELLO,
Ana Maria de; PENJON, Jacqueline; BOAVENTURA, Maria Eugenia (Orgs.).
Momentos da ficção brasileira. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2016. (160-161)
REA Editor
E a democracia na Venezuela? Não vem ao caso
Texto escrito por José de Souza Castro:
“Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela”, afirma o economista Boaventura Sousa Santos, em artigo no jornal Público, de Portugal. Estranho que alguém quatro anos mais velho que eu e muito mais experiente ainda se choque com a parcialidade da imprensa. Houvesse vivido no Brasil, desse espanto ele estaria imune.
Aqui a imprensa é sempre parcial, quando em jogo interesses de ricos e poderosos ante o restante da população. Não só do país, mas do mundo.
Na Venezuela, diz Boaventura, o que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo e não a democracia. E quando os Estados Unidos ameaçam com sanções por causa do plebiscito de domingo, o motivo é o mesmo, porque “é crucial para o seu domínio global manter o controlo das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial”, interpreta o economista português.
Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados, acrescenta Boaventura. “Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros.”
Pela mesma razão, prossegue, o Irã voltou a estar em perigo, e a revolução bolivariana tem de cair sem ter tido a oportunidade de corrigir democraticamente os graves erros que os seus dirigentes cometeram nos últimos anos. “Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela”.
Algo que você não vai encontrar nos jornais, em rádios e televisões no Brasil são os tais benefícios da revolução bolivariana, tais como os descritos, logo no início do artigo, por Boaventura:
“As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: ‘O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.’ De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.”
Boaventura escreveu antes da realização do plebiscito. Para ele, não há dúvida sobre o direito do presidente Nicolás Maduro de convocá-lo, num momento em que a Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história, desde que “a queda do preço do petróleo em 2014 causou um abalo profundo nos processos de transformação social então em curso”.
A oposição sentiu que o seu momento tinha chegado, “no que foi, mais uma vez, apoiada pelos EUA”. Sobretudo quando o presidente Obama considerou a Venezuela como uma “ameaça à segurança nacional dos EUA” e, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional (AI). A Assembleia Constituinte visa, exatamente, ultrapassar a obstrução da AI dominada pela oposição.
Se Dilma Rousseff tivesse feito o mesmo quando Eduardo Cunha barrava todas as medidas propostas por seu governo para superar a crise, como teria reagido a imprensa brasileira? A TV Globo, a Folha de S.Paulo, e Estadão e a Veja? Talvez, apressasse seu impeachment, sem a necessidade de recorrer à farsa das pedaladas fiscais…
Como bem sabemos, o enviesamento da imprensa brasileira é mais grave que a europeia, pois somos menos civilizados. Apesar disso, observa Boaventura, vê-se na Europa “um enviesamento que recorre a todos os meios para demonizar um governo legitimamente eleito, atiçar o incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis”.

O autor diz que as sanções econômicas – tais como as planejadas pelos Estados Unidos – afetam mais os cidadãos inocentes que os governos. “Basta recordar as mais de 500.000 crianças que, segundo o relatório da ONU de 1995, morreram no Iraque em resultado das sanções impostas depois da guerra do Golfo Pérsico”. Depois de lembrar que vive na Venezuela meio milhão de portugueses ou lusodescendentes, Boaventura conclui: “A história recente também nos diz que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.”
Donald Trump não é um grande conhecedor da história. Fosse, não faria diferença: o que importa a morte de meio milhão de crianças, comparada com o domínio de 297 bilhões de barris de petróleo, reserva estimada na Venezuela?
Democracia? Não vem ao caso.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2017/08/01/venezuela/#more-14165)
“Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela”, afirma o economista Boaventura Sousa Santos, em artigo no jornal Público, de Portugal. Estranho que alguém quatro anos mais velho que eu e muito mais experiente ainda se choque com a parcialidade da imprensa. Houvesse vivido no Brasil, desse espanto ele estaria imune.
Aqui a imprensa é sempre parcial, quando em jogo interesses de ricos e poderosos ante o restante da população. Não só do país, mas do mundo.
Na Venezuela, diz Boaventura, o que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo e não a democracia. E quando os Estados Unidos ameaçam com sanções por causa do plebiscito de domingo, o motivo é o mesmo, porque “é crucial para o seu domínio global manter o controlo das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial”, interpreta o economista português.
Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados, acrescenta Boaventura. “Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros.”
Pela mesma razão, prossegue, o Irã voltou a estar em perigo, e a revolução bolivariana tem de cair sem ter tido a oportunidade de corrigir democraticamente os graves erros que os seus dirigentes cometeram nos últimos anos. “Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela”.
Algo que você não vai encontrar nos jornais, em rádios e televisões no Brasil são os tais benefícios da revolução bolivariana, tais como os descritos, logo no início do artigo, por Boaventura:
“As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: ‘O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.’ De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.”
Boaventura escreveu antes da realização do plebiscito. Para ele, não há dúvida sobre o direito do presidente Nicolás Maduro de convocá-lo, num momento em que a Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história, desde que “a queda do preço do petróleo em 2014 causou um abalo profundo nos processos de transformação social então em curso”.
A oposição sentiu que o seu momento tinha chegado, “no que foi, mais uma vez, apoiada pelos EUA”. Sobretudo quando o presidente Obama considerou a Venezuela como uma “ameaça à segurança nacional dos EUA” e, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional (AI). A Assembleia Constituinte visa, exatamente, ultrapassar a obstrução da AI dominada pela oposição.
Se Dilma Rousseff tivesse feito o mesmo quando Eduardo Cunha barrava todas as medidas propostas por seu governo para superar a crise, como teria reagido a imprensa brasileira? A TV Globo, a Folha de S.Paulo, e Estadão e a Veja? Talvez, apressasse seu impeachment, sem a necessidade de recorrer à farsa das pedaladas fiscais…
Como bem sabemos, o enviesamento da imprensa brasileira é mais grave que a europeia, pois somos menos civilizados. Apesar disso, observa Boaventura, vê-se na Europa “um enviesamento que recorre a todos os meios para demonizar um governo legitimamente eleito, atiçar o incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis”.

O autor diz que as sanções econômicas – tais como as planejadas pelos Estados Unidos – afetam mais os cidadãos inocentes que os governos. “Basta recordar as mais de 500.000 crianças que, segundo o relatório da ONU de 1995, morreram no Iraque em resultado das sanções impostas depois da guerra do Golfo Pérsico”. Depois de lembrar que vive na Venezuela meio milhão de portugueses ou lusodescendentes, Boaventura conclui: “A história recente também nos diz que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.”
Donald Trump não é um grande conhecedor da história. Fosse, não faria diferença: o que importa a morte de meio milhão de crianças, comparada com o domínio de 297 bilhões de barris de petróleo, reserva estimada na Venezuela?
Democracia? Não vem ao caso.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2017/08/01/venezuela/#more-14165)
Os privilégios sobrepõem-se ao mérito
Antônio de Paiva Moura
Muitos são os sinônimos de mérito. O
primeiro é “merecer”. Seguem outros: saber, virtude, dom, capacidade, aptidão e
competência. O sentido semântico que melhor assenta na abordagem que segue é:
qualidade de quem merece reconhecimento.
Em Roma o gladiador que entrasse em
uma arena e matasse seu adversário, era aplaudido e considerado como herói,
merecedor de reconhecimento público. O
jogo de futebol foi criado com o objetivo de praticar a paz no respeito pelos
adversários. O ideal do futebol é que vença sempre o que tiver mais mérito. Mas
isso nem sempre acontece. Muitos clubes brasileiros foram campeões, anos
seguidos, sem o merecer.
Corria o século XIX, quando o mito
de Napoleão estava em alta. Ele havia conquistado o poder por mérito e não por
pertencer à nobreza. Toda uma legião de jovens europeus inspirava-se na
ascensão daquele soldado e general, por mérito e acreditava poder reeditar o
feito, cada um ao seu modo. Muitos tipos populares acabaram sendo internados em
manicômios por encenar a figura de Napoleão. A Revolução Francesa havia
combatido a mentalidade aristocrática e os privilégios da nobreza.
Por mais que tenha passado o tempo e
muitas experiências históricas, os privilégios de classes e as elites do poder
impedem o triunfo do mérito sobre status familiares. Descendentes de antigos
escravos; de indígenas e de famílias brancas pobre, mesmo que acumulem
conhecimentos, diplomas e capacidade de trabalho, serão sempre preteridos em
funções e cargos importantes nas instituições.
Honoré de Balzac, em seu romance
“Ilusões Perdidas”, abordou esse problema com muita propriedade. O personagem Lucien
Rubrempré é um jovem que sai do interior da França e vai para Paris, crente que
era um notável poeta; que lá iria ser admirado e bem recebido por seus méritos
pessoais. A primeira pessoa da qual se aproxima é Madame de Bargeton. Mas esta
foi persuadida por sua prima a abandoná-lo. Ela havia verificado que Lucien não
tinha refinamento parisiense. A partir daí ele passa a freqüentar clube
literário e altas rodas, mas percebe que ninguém se interessava por sua poesia.
Tenta o jornalismo e se enriquece de forma ilícita. De um jornal republicano
salta a outro monarquista conservador; passa a ser malvisto e se enche de
dívidas.
A maioria dos serventuários da
Justiça no Brasil pertence às parentelas dos magistrados. Uma verdadeira
excrescência a lotação dos servidores dos gabinetes dos parlamentares
municipais, estaduais e federais do país. Os cargos comissionados na
administração pública são providos por indicações de políticos.
Os prefeitos municipais de Bonfim,
Região Central de Minas Gerais, em todo o século XX e decorrer do XXI, saíram
praticamente de duas famílias lá radicadas. O atual prefeito, Gustavo Marques
Ribeiro é bisneto e neto de ex-prefeitos ligados à família Marques. Ele é filho
de ex-prefeito, da família Ribeiro. A mãe de Gustavo e todos os seus tios também
foram prefeitos de Bonfim.
Com os infortúnios do personagem
Lucien, Balzac conclui que o sistema impõe um filtro capaz de matar talentos e
elevar os medíocres. O mérito aqui depende muito mais do berço e da classe do
que do merecimento propriamente dito: É
preciso boas doses de ilusão e ingenuidade para crer que os melhores vencem no
final
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