Já que estamos num feriadão, deixo aqui sugestões para leitura neste fim de semana.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Copa 2014 - Quem ganha esse jogo?
Lamentável, simplesmente lamentável o que se assiste (graças à internet, porque a mídia... ora, a mídia...)
Vídeo sobre remoções da Copa no Brasil é exibido na ONU ( jornal Brasil de Fato)
29/05/2013
Ciro Barros,
da A Pública
Às
oito horas da manhã dessa terça-feira (meio-dia em Genebra), Larissa
Araújo, da Articulação Nacional dos Comitês Populares (ANCOP),
participou da 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização
das Nações Unidas (ONU) para falar das violações cometidas nas remoções
de famílias em todo o país nos preparativos para a Copa do Mundo. Em um
evento paralelo à sessão do Conselho, o vídeo “Who wins this match?”
(Quem ganha esse jogo?), produzido em parceria com a Conectas, foi
exibido, mostrando números e depoimentos dos moradores removidos ou em
risco de remoção – cerca de 250 mil, segundo o cálculo dos movimentos.
“Para
chegar a esses números somamos famílias que foram atingidas por obras –
que em algum momento foram vinculadas à Copa e às Olimpíadas – (algumas
obras foram retiradas da Matriz de Responsabilidade da Copa e assumidas
por governos estaduais e/ou prefeituras), com famílias que em algum
momento foram ameaçadas de remoção”, explica Francisco de Felippo,
também da Ancop, sobre os cálculos, contestados pelo poder público. “Em
Natal, por exemplo, o prefeito assinou um documento se comprometendo a
não remover ninguém. Mas isso veio depois de muita luta das comunidades.
Se a gente colocasse que as remoções em Natal foram zero, dá a
impressão de que não teve problema lá. Mas teve e a gente, junto com as
comunidades, reverteu”, exemplifica.
Além dos
números, saltam aos olhos o desespero, a indignação e o desalento dos
moradores diante dos métodos e da falta de diálogo do poder público
transmitidos pelos depoimentos dos atingidos, agora ouvidos na ONU.
Confira o vídeo abaixo:
Se não abrir, vá aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/13062
terça-feira, 28 de maio de 2013
Ignorância e falta de educação são as marcas de uma geração de adolescentes
Acabei de ler, no portal do Yahoo, esta matéria. Não resisti à tentação de reproduzi-la aqui, pelo menos o texto. Quem quiser ouvir o pianista em duas músicas, os vídeos estão no Blog do Régis, neste endereço aqui:
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/ignor%C3%A2ncia-e-falta-educa%C3%A7%C3%A3o-s%C3%A3o-marcas-uma-gera%C3%A7%C3%A3o-184831519.html
Mas é triste sentir que a realidade que o Régis denuncia é dolorosamente e cruelmente verdadeira.
Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. O pianista André Mehmari é
um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um
músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal
qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que
consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música
popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental
e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes
cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados,
todos excelentes. Você pode assistir abaixo dois exemplos desta
competência instrumental:
“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.
Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no ...!’, Vai se f....!’
Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo - o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.
Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.
Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.
Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.
E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.
Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”
Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!
É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.
Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.
E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.
O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte...
Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.
E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta... diferente! É o fim da picada!
Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!
Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?
Mortalidade infantil caiu 17% após Bolsa Família
Mortalidade infantil caiu 17% após Bolsa Família
Ainda sob o impacto dos boatos que anunciaram o fim do programa Bolsa Família, governo apresenta pesquisa que associa uma forte redução nas taxas de mortalidade infantil aos efeitos práticos do programa; queda na morte de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009, foi de 17%; estudo foi apresentado hoje pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Tereza Campello afirmou que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição23 de Maio de 2013 às 13:46
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Uma pesquisa feita para avaliar os impactos do programa Bolsa Família nas taxas de mortalidade infantil mostra redução de 17% na mortalidade de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009. A pesquisa foi feita com dados de cerca de 50% dos municípios brasileiros e revela que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição. A pesquisa registra que o Programa Saúde da Família também contribuiu para a queda dos números.
Os dados apontam que a condicionalidade do Bolsa Família de determinar que as crianças estejam com o cartão de vacinação em dia foi um ponto importante, já que aumentou a cobertura de imunização contra doenças como sarampo e pólio. O aumento da renda das famílias beneficiadas, que ampliaram o acesso a alimentos e bens relacionados à saúde, também é citado. Esses fatores foram destacados pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
"O Bolsa Família melhorou a alimentação das mães. Os estudos mostram que as família se dedicam a comprar comida com esses recursos e isso já é um elemento de alteração do padrão de vida da criança. Ter acompanhamento pré-natal também contribui muito porque a criança já é cuidada antes mesmo de nascer", disse.
A pesquisa aponta que o Programa Saúde da Família, que oferece atenção básica à saúde, teve papel na redução da mortalidade causada por doenças como diarreia e infecções respiratórias. A redução no número de grávidas que davam à luz sem receber atendimento pré-natal também foi registrada pela pesquisa.
"Os dois programas se complementam para evitar o adoecimento das crianças na primeira infância. É importante observar como uma pequena quantia de dinheiro pode ter tamanho benefício em relação à mortalidade infantil", avaliou Maurício Barreto, mestre em saúde comunitária e titular em epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A pesquisa foi conduzida pelo mestre em saúde comunitária da UFBA, Davide Rasella, com a participação de pesquisadores da instituição. Os resultados foram publicados pela revista The Lancet, periódico científico da área de saúde, com sede no Reino Unido.
Edição: Denise Griesinger
Recomendo esta leitura
Um artigo que vale a pena ser lido.
Democracia e revolução europeia
A esquerda brasileira deveria se unir em torno de um amplo movimento político e social em defesa de um programa mínimo de resistência democrática ao impasse que a Europa neoliberal está apresentando ao mundo: novos marcos regulatórios para democratizar o acesso à comunicação e garantir o direito à livre circulação da opinião; reforma política e reforma do pacto federativo, principalmente tributário, para reduzir as desigualdades sociais e regionais. Se não avançarmos nesta agenda de resistência, os avanços que tivemos poderão ser revertidos. O artigo é de Tarso Genro.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22106
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Ministro Barroso e os mensalões do PT e do PSDB
Semana passada houve uma grande manifestação midiática a respeito da indicação do novo ministro para o STF. A maioria dessas manifestações foi elogiosa. Fala-se muito bem do novo indicado, aponta-se que ele é uma pessoa progressista. Mas houve quem torcesse o nariz, recordando que ele foi advogado da ABERT, que é amplamente dominada pelo grupo Globo. Enfim, toda unanimidade é burra, como já disse alguém (Nelson Rodrigues, se a memória não me falha). Hoje li um artigo muito interessante no Blog da KikaCastro, escrito pelo nosso grande colaborador e pai da Kika, o José de Castro.
Vamos a ele!
Ministro Barroso e os mensalões do PT e do PSDB
Texto escrito por José de Souza Castro:
Parece
acertada a escolha de Dilma Rousseff do novo ministro do Supremo
Tribunal Federal, o advogado e professor de Direito Constitucional da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Luís Roberto Barroso tem
ideias progressistas que não agradam à bancada evangélica no Senado. Mas
seus senadores não têm poder de fogo para vetar seu nome na Comissão de
Constituição e Justiça que fará sua sabatina ou desaprovar a indicação
em plenário.
Entre
as ideias defendidas por ele, como advogado, em julgamentos no Supremo,
estão: a legitimidade do aborto de fetos anencéfalos, a pesquisa com
células-tronco de embriões e a extensão dos direitos civis das uniões
estáveis para casais homoafetivos. Como procurador do Estado do Rio de
Janeiro, Barroso assinou a ação contra a distribuição dos royalties do
petróleo aprovada pelo Congresso Nacional, à espera de julgamento pelo
Supremo.
Quando
for nomeado ministro, em substituição a Ayres Britto, aposentado
compulsoriamente por idade em novembro passado, Barroso herdará
aproximadamente 7.000 processos que estavam sob a responsabilidade do
atual presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. Se houver tempo, ele deve
atuar no julgamento dos recursos apresentados pelos advogados dos
condenados no mensalão do PT.
Em
janeiro deste ano, Barroso assinou artigo, juntamente com o advogado
Eduardo Mendonça, em que comenta aquele julgamento. Escreveu que "jamais
houve um julgamento sob clamor público tão intenso, assim como sob
mobilização tão implacável dos meios de comunicação". E comentou: "A
visibilidade pública, a cobrança da mídia e as paixões da plateia
criaram, na sociedade, um ambiente mais próprio à catarse do que à
compreensão objetiva dos fatos. Divergências maiores ou menores quanto à
prova e suas implicações jurídicas eram tratadas pelo público com a
exaltação das torcidas futebolísticas." Segundo os autores, "a dureza
das penas e o tom por vezes panfletário de alguns votos surpreenderam
boa parte da comunidade jurídica". No seu entender, não é ruim que os
juízes levem em conta "a realidade e o sentimento social", desde que o
Judiciário não se torne subserviente à opinião pública, ou seja,
"pautado pelas pressões da mídia".
Resta saber se, do outro lado do balcão, ele vai escapar dessa pauta.
E
ainda, se ele vai conseguir que, como relator no lugar de Joaquim
Barbosa, o processo do mensalão mineiro – ou mais apropriadamente, do
PSDB, já que o outro inspirado neste é chamado pela imprensa de mensalão
do PT – ande no Supremo. A Procuradoria-Geral da República apresentou
denúncias contra o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo pelos crimes
de lavagem de dinheiro e peculato, durante a campanha da reeleição, em
1998.
Na
época da denúncia, Azeredo era senador pelo PMDB mineiro e presidente
nacional do partido. Ele renunciou a esse último cargo. Como se elegeu
depois deputado federal, seu julgamento continua no Supremo, como o de
outro réu no processo, o atual senador Clésio Andrade (PMDB-MG).
O
empresário Walfrido dos Mares Guia, que era vice-governador e um dos
responsáveis pela campanha frustrada de Azeredo à reeleição, pediu
demissão do cargo de ministro do Turismo, ao ser também denunciado pelo
mensalão do PSDB. Como o processo foi desmembrado, ao contrário do outro
mensalão, Walfrido será julgado pela Justiça Federal em Minas,
juntamente com outros réus que não têm direito a julgamento privilegiado
pelo Supremo. Entre eles, o principal operador dos dois mensalões,
Marcos Valério Fernandes de Souza, já condenado pelo Supremo no caso do
Mensalão do PT e pela Justiça Federal, no Mensalão do PSDB.
Walfrido teve melhor sorte. Conforme a “Folha de S. Paulo” de 3 de outubro de 2012,
quando completasse 70 anos de idade, no dia 24 de novembro, ele poderia
pedir à Justiça prescrição dos crimes de peculato e lavagem de
dinheiro, pelos quais foi denunciado. Pois o prazo de prescrição de 16
anos cairia para oito, por causa da idade do réu. Coisas da Justiça...
No
caso do mensalão mineiro – ou valerioduto tucano –, o caso ocorreu em
1998 e a denúncia foi apresentada e aceita pela Justiça mineira em 2010,
ou seja, 12 anos depois da ocorrência do fato.
Como o prazo superou o máximo de oito anos que manteria Mares Guia como réu no processo, ele poderá pedir sua exclusão.
"É
inexorável. Ele [Mares Guia] não quer [deixar de responder ao
processo], mas também não adianta não querer", disse o advogado Arnaldo
Malheiros Filho, que defende o ex-ministro no caso.
O
valerioduto tucano foi um suposto esquema de desvio de recursos
públicos e financiamento irregular da campanha eleitoral do então
governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tentava a reeleição e perdeu.
Teriam sido desviados R$ 3,5 milhões. São três processos em tramitação,
totalizando 12 réus. O que inclui Mares Guia tramita na 9ª Vara
Criminal, em Belo Horizonte.
Não
há previsão de julgamento de todos esses processos. A ação que tramita
em BH terá nesta semana a quarta de dez audiências previstas para ouvir
testemunhas dos réus.
domingo, 26 de maio de 2013
Leituras para o domingão
Aproveitem o domingo. Duas leituras interessantes e boas para discutir. O tema é a universidade.
ANTONIO PISO
Existem
muitas maneiras de se avaliar a situação das universidades – e nesse
termo plural e genérico eu incluo tanto as públicas (IFES) como as
privadas (IPES) – e a minha será apenas uma visão pessoal, de quem
estudou em universidade pública, ensinou em universidade privada e
compartilha, com a imensa maioria de “universitários” – ou, se
preferirem, “acadêmicos” – uma nítida sensação de que elas passam, no
Brasil, por uma fase de transição, tanto mais dramática quanto é difícil
a situação das universidades públicas e mais “agressiva” a ofensiva das
privadas sobre um “mercado” anteriormente dominado pelas primeiras...
LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2013/05/25/universidades-uma-visao-cetica-sobre-a-possibilidade-de-reforma/
Sugiro também a leitura de:
Interdisciplinaridade como exigência para novas práticas profissionais dos Cientistas Sociais
ANTONIO OZAÍ DA SILVA
sábado, 25 de maio de 2013
Por que Aécio é acusado de fraude contábil
Ainda existem as pessoas que acreditam que Minas Gerais teve uma grande administração tucana....

Entenda o que levou Aécio Neves a ser acusado de fraude contábil
publicado em 24 de maio de 2013 às 23:31Justiça afirma que governo Aécio mentiu sobre investimentos em saúde
Aécio é acusado de desviar R$ 3,5 bilhões do orçamento da saúde, quase metade de tudo que foi investido na área
Joana Tavares, Portal Minas Livre, na edição mineira do Brasil de Fato
Uma norma federal, chamada Emenda 29, aprovada no ano 2000, determina que todos os estados do Brasil devem aplicar 12% do seu orçamento, que vem da arrecadação de impostos, em serviços de saúde. A Emenda determina ainda que os estados – e os municípios – teriam até o ano de 2004 para se adaptar à nova regra.
Não deveria ser uma norma tão difícil de ser colocada em prática.
Afinal, qualquer administrador público sabe a importância da saúde para garantir boas condições de vida para a população.
Apesar de ser lei, o Governo de Minas Gerais, dos anos de 2003 a 2008, não cumpriu essa norma básica. E pior: colocou na sua prestação de contas um suposto investimento de R$ 3,5 bilhões da Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, na conta da saúde, como forma de maquiar o orçamento. Esse valor equivaleria à metade do orçamento geral para a saúde no período. Isso é o que sustenta ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual – MPE, de dezembro de 2010.
A promotora de Justiça de Defesa da Saúde, Josely Ramos Pontes, explica que foi feita uma fraude contábil. “Enganaram os órgãos de fiscalização e a população o tempo inteiro”, denuncia. A partir do entendimento de que a prestação de contas estava equivocada, pois contavam investimentos que nunca teriam acontecido, o MPE entrou com a ação contra a contadora-geral do Estado, Maria da Conceição Barros Rezende, e o então governador Aécio Neves, que assina junto com ela o documento oficial de prestação de contas.
O ex-governador e atual senador pelo PSDB Aécio Neves entrou com um recurso negando a legitimidade da ação e pedindo a extinção do processo. Em sua defesa, alegou, primeiro, que o MPE não teria competência para entrar com a ação. Tentou ainda explicar que os recursos seriam da própria Copasa, para investimentos que a empresa, de capital misto, faria em obras de saneamento no estado.
Tribunal de Justiça recusa alegações de Aécio
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais não aceitou os termos de defesa dos réus. Os desembargadores entenderam que cabia sim ao MPE entrar com a ação, pois Aécio não era mais governador em dezembro de 2010, período em que a ação começou a correr. Mais importante que isso, reconheceram que a denúncia do MPE estava correta, e que não foram investidos os 12% constitucionais previstos para a saúde.
De forma unânime, os magistrados concluem que não houve transferência de recursos para a Copasa, “não passando de artifício utilizado pela Contadora-Geral do Estado, com o aval do Governador do Estado”.
Eles afirmam ainda a gravidade dessa lesão ao Estado, pois o recurso deveria ser destinado para “reduzir doenças, possibilitar o acesso universal e igualitário a todos”.
A promotora Josely Ramos, que ficou dois anos preparando a ação, garante que esse recur-so não existia na Copasa. Segundo a promotora, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) demonstrou que não havia esse aporte bilionário na empresa, que certamente faria diferença para seus investidores privados. A Advocacia-Geral da União (AGU) também comprovou que esse recurso não chegou à Copasa e, por fim, a própria empresa nega que tenha existido esses R$ 3,5 bilhões em seus balanços.
Anastasia na mira
Com a decisão do Tribunal de Justiça, o processo segue em tramitação na 5ª Vara de Fazenda. “Vai ser feita também uma perícia contábil, que não deve demorar muito, pois já foi feita para a constituição da ação. A fase mais complicada do processo se encerra agora. Creio que até o final do ano já esteja pronto para julgamento”, defende Josely.
Caso sejam condenados, as penas para os réus – Aécio Neves e Maria da Conceição Barros Rezende – podem incluir pagamento de multa e perda dos direitos políticos. Josely explica ainda que essa simulação utilizada pelo governo continua acontecendo. Ela está preparando uma outra ação, desta vez investigando o período de 2008 a 2011, contra o governador Antonio Anastasia, que também não aplica o mínimo exigido na saúde de Minas Gerais.
fonte: http://www.viomundo.com.br/
quinta-feira, 23 de maio de 2013
O cenário político - uma entrevista imperdível!
Não deixem de ver!
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Cláudio Lembo/ Cenário político
por
jornaldagazeta
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O início do ocaso de ‘UH’ e do governo Vargas
Nestes nossos tempos, em que os grandes e poderosos senhores da mídia fazem um cerco tremendo aos blogueiros independentes, é interessante refletir sobre o que a apresentadora de um novo livro apresenta. Confiram!
O início do ocaso de ‘UH’ e do governo Vargas
Maria Aparecida de Aquino em 21/05/2013 na edição 747 do Observatório da Imprensa
Prefácio do livro O Caso Última Hora e o cerco da imprensa ao governo Vargas, de Aloysio Castelo de Carvalho, EDUFF/Nitpress, Niterói, 2013
Alguns anos atrás, fiquei muito satisfeita de participar da banca de doutorado que analisou a tese de Aloysio Castelo de Carvalho e já pensei vê-la posteriormente convertida em livro tal a importância do tema e da abordagem conferida ao mesmo pelo autor. Hoje a satisfação é dupla. Prazer de ver entregue a um público maior um trabalho acadêmico de grande densidade e que não perde o vigor ao ser convertido em obra a ser publicada e gosto renovado pelo privilégio de poder apresentá-la nesses novos trajes.
Eu mesma estudei o jornal Última Hora – UH para o meu doutorado e realizei uma comparação com outro grande jornal (O Estado de S. Paulo – OESP) em outro período histórico, no pós-regime militar e, no momento em que fiz os meus agradecimentos, veio à tona a semelhança entre os gigantes e lancei mão de uma frase de um grande cineasta, John Ford, no famoso filme O homem que matou o facínora: “Quando a lenda é mais forte que a história, imprima-se a lenda.”
Acredito que isto sempre foi verdade quando se tratou do jornal Última Hora, mas não porque se tratasse de uma lenda no sentido de ser historicamente construída, mas sim, por ser uma lenda no jornalismo, tal a plenitude das transformações que empreendeu e sua importância para a imprensa nacional. Neste quadro podemos dizer que é antes e depois dele. Estamos afirmando que não importa de onde vieram os capitais para o seu financiamento. A magnitude das transformações que ele impulsionou é de molde a criar um novo perfil para a imprensa nacional. Cores, diagramação, apresentação das matérias e por aí vai. A imprensa nacional era uma e se transformou literalmente em outra. É isto que importa e isso ficou para a posteridade.
Os jornais e as “massas”
No entanto, como sabemos, a história é filha do tempo e a ele está presa, sofrendo as suas vicissitudes. Portanto, “no meio do caminho havia uma pedra” e a pedra a que nos referimos, especificamente no que diz respeito a esse trabalho, se desenvolve, no chamado “caso do Última Hora”ou “CPI do Última Hora”, batalha travada em 1953 e que, como o trabalho aponta, representa um “cerco” não só ao jornal Última Hora, mas também, ao governo Vargas.
De forma magistral e detalhada, Aloysio Castelo de Carvalho disseca para o leitor todo o ambiente mesquinho criado em torno dos jornais O Globo, Tribuna da Imprensa e O Jornal, ressentidos pelo financiamento concedido pelo governo Vargas a Samuel Wainer para montar o Última Hora. O que começa com uma série de denúncias capitaneadas pelo inimigo mortal de Wainer, Carlos Lacerda que vitupera das tribunas, acaba por se transformar numa CPI, a CPI do Última Hora que leva junto, no mar de difamações, o governo Vargas que havia acedido na concessão dos empréstimos. Vem à tona o governo, visto como devedor de Wainer, pois em 1951 Vargas teria retornado como personagem público pelas mãos do empresário que o fora buscar em seu refúgio no Rio Grande do Sul.
Para narrar essa história a que não faltam lances de suspense o autor lança mão de três elementos fundamentais: o conceito de “opinião púbica”, a relação dos jornais envolvidos com os principais partidos (PSD, PTB, UDN – uma pitada de considerações para o Partido Comunista extinto), o posicionamento dos periódicos em relação aos trabalhadores e aos sindicatos – considerações sobre as “massas”.
“Tempos sombrios”
Em nossa concepção, é importante assinalar o que paira como grande fio condutor de todo o trabalho de Aloysio, o conceito de “opinião pública”. Algo que é extremamente caro aos jornais liberais que se pretendem, invariavelmente, “formadores de opinião”, é um conceito quase onipresente dentro da imprensa. E aqui aparece dentro de sua matriz frankfurtiana, ou seja, daquela concebida pela “Escola de Frankfurt”. Essa matriz, com a genialidade de seus criadores, apresenta um alerta. Do mesmo modo como seus autores apontaram para as questões preocupantes em relação à obra de arte apresentadas na reprodutibilidade técnica da fotografia, mostraram possibilidades de “reprodutibilidade de opiniões” em meios de comunicação de grande alcance, como, por exemplo, a imprensa escrita. O que estaria presente na ideia da possibilidade de um conceito de “formação de uma opinião pública” alvo perseguido pelos editores de jornais.
Os historiadores da Nova História Cultural, Michel de Certeau à frente, entretanto, apontam para o fato que, atrás do consumo dos produtos culturais existe a produção, ou seja, o consumo é único. Cada qual consome de forma própria, transformando o ato de consumir, ele mesmo, uma maneira de produção. Assim, a ideia de “opinião pública” como consumo fica deslocada. Acredito que esse seria o diálogo que o trabalho de Aloysio permite e instiga. Mais uma brecha que ele nos coloca e nos leva a pensar. Bons trabalhos são assim.
Por que eu recomendaria ao leitor um mergulho num passado, mesmo que não tão distante, mas que para as gerações mais jovens já produz o distanciamento? Por que, enfim, é imprescindível ler o trabalho de Aloysio Castelo de Carvalho? O tempo de que ele nos fala é um tempo muito presente e eterno. É um tempo, como nos diz Hannah Arendt, de “homens em tempos sombrios”, afinal “homens e suas circunstâncias” que são “nada mais que humanas”, o que quer dizer que situações semelhantes que oporão mesquinhez e grandeza ou as mesclarão poderão ser encontradas em passados distantes ou no futuro remoto. Isto torna este O caso Última Hora e o cerco da imprensa ao Governo Vargas, de Aloysio Castelo de Carvalho, absolutamente, imprescindível.
Maria Aparecida de Aquino é professora do Programa de Pós-Graduação em História Social do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Quantas outras mães não vivem assim?
Um doloroso retrato do que ocorre nas grandes cidades. A matéria é do blog DoLaDoDeLá
Posted: 21 May 2013 08:02 AM PDT
De
tempos em tempos sou atraído pela imagem de uma mulher que no fim da
tarde monta sua barraca num paredão próximo à estação da Barra Funda do
Metrô. De primeiro ela trazia um cartaz no qual descrevia resumidamente
suas necessidades e pedia ajuda a um desses programas de televisão que
realizam sonhos.
Sempre
pensei em me aproximar e conversar com ela, para conhecer melhor como
foi parar ali, mas confesso que - quase sempre - ou estou atrasado, ou
já é tarde o bastante para achar que ela suas duas menininhas, uma de
provavelmente 6 anos e outra de uns 4 ou 5, estariam dispostas a dar
alguma atenção para mim.
Domingo
à tarde criei coragem e me aproximei. Disse que tenho o hábito de vê-la
com seus meninos sempre ali. A garota no colo da mãe, que recebia um
delicioso cafuné, intercedeu: meninos, não, meninas! Ah, disse eu, não
há um menino entre vocês? Não, respondeu secamente a mãe, são só as duas
mesmo.
Trazia
comigo um pacote de biscoitos e algum dinheiro. Sabia que era pouco o
que podia oferecer a ela, mas a mãe agradecida disse que a ajuda chegava
em boa hora, porque elas têm um fogareiro e o mini botijão tinha
acabado. Ajudá-las fez bem mais para mim do que para elas. Na verdade,
ao estender a mão, quem pedia ajuda era eu, ironicamente.
Hoje
deparo-me com estudo do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria
Pública do Estado do Rio de Janeiro, que traça um perfil das pessoas em
situação de rua, naquela metrópole. E pasmem, lá apenas 13% dos
moradores de rua são analfabetos, e dois em cada três não bebem, nem
usam drogas. Ver com números o que senti quando percorri habitações
precárias e conversei com pessoa dos movimentos de luta por moradia no
Centro de São Paulo é confortante.
Se
nossa sociedade abrisse os olhos para conhecer os hábitos da nossa
população de rua e abrisse o coração para os relatos dessas vidas
abandonadas, quem sabe não viveríamos numa cidade mais solidária. Para
quem não sabe, essas pessoas são "invisíveis" inclusive aos olhos dos
recenseadores do IBGE, porque não têm endereço fixo.
Na
rua, elas ficam vulneráveis à toda sorte de abusos. São insultadas,
assaltadas, abusadas sexualmente e sofrem com a violência e intimidação
policial. Ver uma mãe com as duas menininhas naquela situação me fez
pensar tudo isso e perguntar: quantas outras mães não vivem assim?
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Ainda a crise mundial
Muito interessante este comentário do site da Agência Carta Maior:
CRISE, ESTADOS FALIDOS, SONEGAÇÃO GLOBAL E ARROCHO; UM ENRÊDO DE GARCIA MÁRQUEZ
"A
Starbucks não paga impostos sobre seus rendimentos porque, segundo
dizem, "não tem lucros contábeis".E não tem porque suas empresas locais,
de propriedade e administração de Starbucks, pagam a uma empresa de
Starbucks fora do país uma quantidade sideral pelo direito de usar o
nome Starbucks. Ou seja, Starbucks paga a Starbucks pelo uso do nome
Starbucks. E na legislação tributária neoliberal, isso é perfeitamente
legal. É realismo mágico contábil. A meu juízo, Gabriel Garcia Márquez
deveria ter sido consultor de empresas de contabilidade". O desabafo é
do economista Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge, um
dos entrevistados pelo correspondente de Carta Maior, em Londres,
Marcelo Justo, na reportagem de leitura obrigatória por quem deseja
entender as raízes de uma crise que há cinco anos imobiliza Estados e
penaliza nações.
As 100 empresas mais importantes do Reino Unido, por
exemplo, tem mais de 8 mil subsidiárias em paraísos fiscais, informa
Marcelo Justo. A Inglaterra não é exceção. A desregulação das últimas
décadas submeteu os Estados a um duplo torniquete fiscal.
De um lado,
corroeu a carga tributária deliberadamente,extinguindo impostos e
mimando endinheirados com baixas alíquotas e isenções .Tudo em nome das
reformas amigáveis aos mercados. De outra parte, o livre trânsito dos
capitais favoreceu a evasão e a sonegação em triangulações contábeis
lubrificadas pelo predomínio do comércio intra e inter-companhias e
de suas respectivas conexões com paraísos fiscais.
O conjunto empurrou a
política fiscal dos governos à servidão do endividamento público, que
por sua vez reduziu Estados nacionais a um anexo dos interesses
rentistas. O colapso de 2008 encontrou governos alijados de ferramentas
para reagir e corporações solidamente apetrechadas para defender seus
privilégios. Alguma surpresa que a Europa patine na mais longa recessão
de sua história?
O testamento de Darcy Ribeiro
Digam o que disserem, não dá para diminuir a importância de Darcy Ribeiro para a compreensão do Brasil. E também para a necessidade de uma profunda reformulação da educação, assunto que, aliás, ocupou alguns posts da semana passada.
O testamento de Darcy Ribeiro
Enviado por luisnassif, seg, 20/05/2013 - 11:09 Por Marco Antonio L.Do Escrevinhador
O testamento de Darcy Ribeiro
Pouco tempo antes de morrer, Darcy – percebendo que o fim se aproximava – disse que queria ficar em casa. E pediu: “doutora, estou com uma vontade de dar uma aula, a senhora não me traz uma criança pra eu dar a aula?”. Deu aula a uma criança de 9 anos. Falou sobre o Brasil, sobre a importância de respeitar todas as culturas. Era o testamento que ele queria deixar.
por Rodrigo Vianna
A TV Senado levou ao ar no fim de semana um belo documentário sobre Darcy Ribeiro. Documentário clássico, em que os depoimentos costuram a história. O diretor do filme não pretendia se mostrar um gênio. Até porque gênio era o personagem retratado.
Entrevistei Darcy uma vez, em 1995, pela TV Cultura. Fazíamos um especial sobre UTIs, sobre formas de humanizar o tratamento hospitalar. Darcy tinha muito a dizer. Fugira pouco antes do hospital, porque o ambiente da UTI o matava lentamente. Fugiu porque queria escrever (terminar de escrever, na verdade) seu grande livro: “O Povo Brasileiro”. Deu certo. Fugiu, escreveu, e viveu mais alguns anos.
Era a segunda vez que driblava a morte. Nos anos 70, exilado, teve câncer de pulmão. Foi desenganado pelos médicos. Pediu aos militares autorização para voltar ao Brasil, onde queria morrer. Voltou, e não morreu. O amor pelo Brasil, pelo conhecimento, pelos índios e pela educação: tudo isso alimentava Darcy Ribeiro.
Acadêmico, jamais se escondeu atrás da pompa universitária. Fundou a UnB (Universidade de Brasília), andou pelo Brasil, fez Política com P maiuúsculo. Foi Chefe da Casa Civil do governo de Jango. Caiu em 64. Foi o último janguista a abandonar o Palácio, com o golpe já consumado. teve que fugir de Brasília num teco-teco, ao lado de Waldir Pires. Diz que foi o momento de maior tristeza na vida: saber que haviam sido derrotados pela direita. Exilou-se no Uruguai, Chile, Peru. Já era um antropólogo renomado. Vivera entre os índios – sua primeira grande paixão. Escrevera sobre os índios obras fundadoras.
O exílio permitiu que estudasse mais sobre América Latina. Debruçou-se sobre o tema. Escreveu o grandioso “As Américas e a Civilização”. Depois da Anistia (e do drible no câncer), Darcy fundou o PDT com Brizola. Foi vice de Brizola no Rio. Idealizador dos CIEPs e do Sambódromo.
Perdeu a eleição para governador em 86, para Moreira Franco. Mais tarde, viraria senador. Nacionalista, professor, namorador… O documentário retrata bem a vida de Darcy.
Adorava o Brasil. “Temos um povo maravilhoso, e uma classe dominante horrorosa. Precisamos dar lição a ela, mostrar que é possível construir esse país”, diz Darcy em transcrição não literal, numa das entrevistas concedidas pouco antes de morrer e recuperadas no documentário.
Ele dizia que “sentia dó” porque não veria a grandeza d Brasil consumada. Iria morrer antes. E disse, olhando para a câmera e para as gerações mais novas: “ficam vocês encarregados de fazer esse país. Mas façam! Sem copiar ninguém! Seremos uma das grandes civilizações desse mundo”.
A história mais emocionante sobre Darcy é contada por uma das médicas que cuidou dele. Pouco tempo antes de morrer, Darcy – percebendo que o fim se aproximava – disse que queria ficar em casa. E pediu:“doutora, estou com uma vontade de dar uma aula, a senhora não me traz uma criança pra eu dar a aula?“. Deu aula a uma criança de 9 anos. Falou sobre o Brasil, sobre a importância de respeitar todas as culturas. Falou sobre escolas e sambódromos. Era o testamento que ele queria deixar.
Darcy amou o Brasil. Sem pompa, mas com energia. Viva o Darcy Ribeiro!
domingo, 19 de maio de 2013
Fala, Marilena!
São oito horas da manhã e acabo de me deliciar com o artigo do Paulo Nogueira, no blog Diário do centro do mundo (blog, aliás, que recomendo a todos)
A filósofa Marilena Chauí fez duas apreciações interessantes nesta semana, uma sobre a mídia, outra sobre a classe média.
Numa, sobre a mídia, ela foi econômica. Noutra, sobre a classe média, foi torrencial.
Em ambas, ela estava essencialmente certa.
Sobre a mídia, ela disse que qualquer apreciação que fizesse conteria obscenidades.
Veja a mídia. Globo, Veja, Folha, Estadão: como não concordar com Marilena Chauí?
A mídia defende abjetamente seus próprios interesses, e os de seus amigos, e não o interesse público.
As empresas jornalísticas não pagam os impostos devidos (o papel não é taxado, por exemplo), gozam de uma absurda reserva de mercado (estrangeiros só podem ter 30% das ações) e historicamente se alinharam às ações mais nocivas contra o povo brasileiro, como o golpe militar de 1964.
A mídia brasileira precisa de um choque do capitalismo que prega mas que não pratica: tem que ser exposta à competição internacional e tem que criar vergonha na cara e parar de mamar no Estado, do qual sempre extraiu financiamentos a juros que são um assalto ao contribuinte.
Boa parte da gestão inepta das empresas jornalísticas brasileiras reside nisso – nas vantagens que elas recebem de sucessivas administrações.
Isso acabou criando culturas corporativas em que você acha que é mais fácil resolver problemas com um telefonema ao presidente ou ao ministro do que com habilidade gerencial.
A internet apareceu para libertar a sociedade do monopólio de opinião das empresas de mídia, e isso é um fato que deve ser comemorado.
Você só tem acesso a Marilena Chauí na internet. Em compensação, ”pensadores ”, aspas, como Vilas, Magnolis, Pondés et caterva estão em toda parte, como pernilongos na praia, defendendo o mundo da iniquidade que foi sempre a marca do Brasil.
Sobre a classe média, Marilena Chauí também está certa.
Historicamente, a classe média é, em geral, o que existe de mais reacionário numa sociedade.
Nas grandes transformações da humanidade, como na França de 1789, lá estava a classe média na defesa assustada da manutenção da ordem.
Na Alemanha de 1933, foi a classe média que pôs Hitler no poder. Nos Estados Unidos destes dias, é a classe média — obesa, entupida de pipoca e coca cola gigante, sentada no sofá vendo blockbusters de Hollywood — que dá sustentação a guerras como a do Iraque e a do Afeganistão.
Uma das razões do sucesso escandinavo como sociedade é que, lá, a classe média foi educada, e aprendeu a importância do verbo repartir.
A classe média brasileira ainda está bem longe disso. É racista, preconceituosa, homofóbica. Detesta negro, detesta nordestino, detesta gays.
Detesta tanta coisa que, exatamente por isso, é detestável, como disse Marilena Chauí.
sábado, 18 de maio de 2013
"Eu não mato aula, a escola que me mata"
A frase de um aluno, que escolhi para o titulo deste post me parece terrível, cruel, mas, sobretudo, verdadeira. E o que nós, professores, estamos fazendo para impedir que a escola continue matando?
O descompasso entre o ensino e a realidade dos jovens
Enviado por luisnassif, sex, 17/05/2013 - 14:26
Por Assis Ribeiro
Unicef aponta descompasso entre ensino e realidade de adolescentes no Brasil
Mariana Tokarnia*
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, avalia que há, no país, um descompasso entre o que é ensinado nas escolas e a realidade dos adolescentes. Para ela, isso explica o elevado índice de evasão escolar entre jovens.
“Por que você mata aula?”, perguntou a coordenadora a um adolescente que não queria frequentar a escola. O jovem respondeu: “Eu não mato aula, a escola que me mata”. “Que menino de 16 anos vai querer estudar em uma turma com menino de 12? O que temos que fazer é garantir que ele percorra esse fluxo aprendendo”, defendeu Salete.
De acordo com ela, há uma “desvinculação da escola com o projeto de vida do estudante”. “Não se trata propriamente de desinteresse, mas a vida coloca questões que não estão envolvidas com a escola”. Segundo Salete, para enfrentar esse desafio, as instituições de ensino devem trabalhar para a “construção da história de vida” e não apenas mandar estudantes para a universidade ou o mercado de trabalho.
Divulgada no 14º Fórum de Dirigentes Municipais de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a publicação Fora da Escola Não Pode! – O Desafio da Exclusão Escolar indica que, entre os adolescentes que abandonam os estudos, a fase mais crítica ocorre a partir dos 15 anos de idade.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, com 6 anos, 95,4% das crianças brasileiras frequentavam a escola. Com 12 anos, a proporção de meninos e meninas que concluíram os anos iniciais do ensino fundamental no Brasil era 76,2%. A porcentagem diminui com o aumento da idade: 62,7% dos adolescentes com 16 anos concluíram o ensino fundamental. Entre os jovens de 19 anos, apenas 48,7% terminaram o ensino médio.
O Censo 2010 mostra que o percentual de jovens de 18 a 24 anos que não concluíram o ensino médio e que não estudavam chegava a 36,5%. Mais da metade (52,9%) abandonaram os estudos sem completar o ensino fundamental.
Outra questão levantada no estudo é a formação dos professores. Na educação infantil, 43,1% dos docentes não têm curso superior. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o percentual é 31,8% e, nos anos finais, 15,8%. No ensino médio, o índice cai para 5,9%. “A qualificação dos professores é uma grande barreira para garantir a oferta de uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros”, diz a publicação.
Entre grupos específicos, o estudo aponta que as crianças e os adolescentes mais atingidos pela exclusão escolar são aqueles que moram em áreas rurais, os negros, os índios, os pobres, os que estão sob risco de violência e exploração e os com deficiência. Isso indica, de acordo com a publicação, que “as desigualdades ainda existentes na sociedade brasileira impactam diretamente o sistema educacional do país”.
“É preciso desafiar os dirigentes a trabalharem junto com as políticas públicas, tem muitas que podem ajudar. Tem que formar professor e escola”, diz Salete.
O 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime vai até sexta-feira (17), na Costa do Sauípe (BA). O encontro é o primeiro depois das eleições municipais de 2012. Ao todo foram feitas mais de mil inscrições de secretários de Educação, técnicos e educadores de todo o país.
Velhas ideias emperram a economia
O texto abaixo, do jornalista José de Castro, nosso antigo colaborador, corrobora o post anterior, em que se fazem críticas ao terrorismo econômico praticado por certa mídia.
A matéria foi extraída do blog da Kika Castro
Texto escrito por José de Souza Castro:
Em
seus artigos nos jornais, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto vem
descrevendo a realidade econômica brasileira com opiniões divergentes
daquelas manifestadas, em entrevistas no rádio e na televisão, por
colegas economistas. Sobretudo, por profissionais conhecidos e dispostos
a criticar na TV Globo, na CBN e na Globo News, linhas de frente da
direita brasileira, o Banco Central do Brasil, o Ministério da Fazenda e
todos os demais responsáveis pela política econômica do governo Dilma
Rousseff.
Isso
tem acontecido com mais garra desde que o governo começou a enfrentar o
problema dos juros altos, numa tentativa de reativar a economia, mas se
ampliou neste ano com a alta da inflação. Divergências em assuntos
econômicos são naturais, pois a economia não é uma ciência exata. O
questionável é quando se usa um dos lados da divergência para martelar
opiniões, o dia todo, no noticiário e nos comentários econômicos, para
fazer oposição. Fazer aquilo que Janio de Freitas chama de “terrorismos e
eleitorismos”.
O
respeitável jornalista sugeriu na última quinta-feira, na “Folha de S.
Paulo”, a leitura de um artigo do economista Bráulio Borges, publicado
dois dias antes no mesmo jornal. Nele, o economista-chefe da LCA
Consultores afirma que ocorre um debate mundial que começa a reavaliar
velhas ideias. (E que, é a minha opinião, vem sendo ignorado por aqueles
economistas, por ignorância mesmo ou por má-fé.)
Essas
“velhas ideias” são as mesmas que fundamentam as críticas à política
econômica do governo brasileiro, por ele estar se despregando, a duras
penas, da política macroeconômica estabelecida no Brasil na década de
1990. Até a crise financeira mundial de 2008, diz Bráulio Borges, os
seguidores dessa política – que nasceu do chamado Consenso de
Washington, no final da década de 1980 – acreditavam que manter a
inflação baixa e estável, com o emprego de taxas de juros, era condição
necessária e suficiente para alcançar a estabilidade macroeconômica no
seu sentido mais amplo. No entanto, verifica-se hoje, segundo Borges,
que “há cada vez mais consenso de que os Bancos Centrais não devem
perseguir apenas uma meta (inflação), mas também se preocupar
explicitamente com a atividade econômica e com a estabilidade
financeira”.
É
o que vem tentando fazer o Banco Central do Brasil, ao lançar mão de
outros instrumentos – e não apenas elevar a taxa básica de juros. Sem
abandonar o sistema de metas de inflação, estão sendo levadas em
consideração outras metas. O novo consenso implica em mudanças na
política cambial e adoção seletiva de alguns tipos de controles de
capitais.
Conforme
Bráulio Borges, muitos defensores das ideias antigas, como John
Williamson, tido como um dos pais do Consenso de Washington, vêm mudando
suas cabeças, ao menos parcialmente. O autor cita John Maynard Keynes,
criador da macroeconomia: "A verdadeira dificuldade não está em aceitar
novas ideias, mas escapar das antigas".
Cabe
a nós, que não somos economistas, escapar dessas ideias que nos querem
impingir. Não devemos deixar que os serviçais do grande capital façam a
nossa cabeça, porque dificilmente o melhor para eles é o melhor para
nós.
***
Não assinantes da “Folha de S. Paulo” podem ler AQUI o artigo de Janio de Freitas e AQUI o de Bráulio Borges.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Jânio de Freitas e o terrorismo do noticiário econômico
O notório comuno-petralha Jânio de Freitas (kakakakaka...não resisti a gargalhar do que escrevi! perceberam a ironia do adjetivo, espero!) em mais um artigo lúcido, a contrariar o próprio jornal em que trabalha. Vale a pena ler!
Jânio de Freitas e o terrorismo do noticiário econômico
Enviado por luisnassif, qui, 16/05/2013 - 07:49
Da Folha
Velhas ideias
O terrorismo do noticiário econômico martela; não sei dizer se o governo está aturdido com isso
JANIO DE FREITAS
Liguei o rádio no carro. Entrou de sola: "é crucial e não é bom!". Um susto. O que seria assim dramático? A caminho do almoço, o susto devorou o apetite. Claro, era mais um dado da realidade terrível que o Brasil vive. As vendas no comércio de varejo, no primeiro trimestre ou lá quando seja, caíram a barbaridade de 0,1%.
O comércio vendeu, no período, menos R$ 0,10 em cada R$ 100. Pois é, crucial e nada bom.
Os preços, como o seu e o meu bolso sabem, vêm subindo à vontade há tempos, o que fez com que o comércio precisasse vender muito menos produtos para completar cada R$ 99,90 do que, na comparação com o passado, precisara para vender R$ 100. Mas, na hora, não tive tempo de salvar o apetite com esse raciocínio, porque à primeira desgraça emendava-se a notícia de outra. A queda desanimadora nas vendas para o Dia das Mães, comparadas com 2012: queda de 1%.
É preciso lembrar o quanto os consumidores encararam em aumentos de preços de um ano para cá? O comércio brasileiro está lucrando formidavelmente, com o maior poder aquisitivo das classes C, D e E, aplicado na compra dos tênis aos eletrodomésticos, dos móveis às motos, quando não aos carros.
O terrorismo do noticiário e dos comentários econômicos martela o dia todo. Não sei dizer se o governo está aturdido com isso, como parece das tão repetidas quanto inconvincentes tranquilizações do ministro Guido Mantega. Ou se comete o erro, por soberba ou por ingenuidade, de enfrentar a campanha que está, sim, fazendo opinião.
Daí que me permito duas sugestões, se v. quer elementos para formar sua própria opinião. O primeiro é a leitura, disponível no site da Folha (folha.com/no1278158), de um artigo muito importante, publicado no caderno "Mercado" de terça-feira. Seu autor é Bráulio Borges, mais um economista que escreve em português (um dia chegaremos à primeira dúzia).
Em "Pós-crise de 2008, debate mundial começa a reavaliar velhas ideias'", Borges mostra que as cabeças mais relevantes da "ciência econômica" estão derrubando as teses de política econômica ainda predominantes e adotadas pelos economistas e outros contra as linhas básicas da política econômica no Brasil.
A outra sugestão é para que v. comece bem as quartas-feiras. Se lhe ficam ainda reservas vindas de longe, releve-as e leia os artigos em que Delfim Netto tem dito muito do que precisa ser dito para fazermos ideia de onde e como estamos, de fato. Descontados, pois, terrorismos e eleitorismos. Ou, no caso, são a mesma coisa?
E como crucial vem de cruz, não se esqueça: enquanto o papa Francisco não chega, reze pelos nossos comerciantes, para que recuperem suas perdas.
Velhas ideias
O terrorismo do noticiário econômico martela; não sei dizer se o governo está aturdido com isso
JANIO DE FREITAS
Liguei o rádio no carro. Entrou de sola: "é crucial e não é bom!". Um susto. O que seria assim dramático? A caminho do almoço, o susto devorou o apetite. Claro, era mais um dado da realidade terrível que o Brasil vive. As vendas no comércio de varejo, no primeiro trimestre ou lá quando seja, caíram a barbaridade de 0,1%.
O comércio vendeu, no período, menos R$ 0,10 em cada R$ 100. Pois é, crucial e nada bom.
Os preços, como o seu e o meu bolso sabem, vêm subindo à vontade há tempos, o que fez com que o comércio precisasse vender muito menos produtos para completar cada R$ 99,90 do que, na comparação com o passado, precisara para vender R$ 100. Mas, na hora, não tive tempo de salvar o apetite com esse raciocínio, porque à primeira desgraça emendava-se a notícia de outra. A queda desanimadora nas vendas para o Dia das Mães, comparadas com 2012: queda de 1%.
É preciso lembrar o quanto os consumidores encararam em aumentos de preços de um ano para cá? O comércio brasileiro está lucrando formidavelmente, com o maior poder aquisitivo das classes C, D e E, aplicado na compra dos tênis aos eletrodomésticos, dos móveis às motos, quando não aos carros.
O terrorismo do noticiário e dos comentários econômicos martela o dia todo. Não sei dizer se o governo está aturdido com isso, como parece das tão repetidas quanto inconvincentes tranquilizações do ministro Guido Mantega. Ou se comete o erro, por soberba ou por ingenuidade, de enfrentar a campanha que está, sim, fazendo opinião.
Daí que me permito duas sugestões, se v. quer elementos para formar sua própria opinião. O primeiro é a leitura, disponível no site da Folha (folha.com/no1278158), de um artigo muito importante, publicado no caderno "Mercado" de terça-feira. Seu autor é Bráulio Borges, mais um economista que escreve em português (um dia chegaremos à primeira dúzia).
Em "Pós-crise de 2008, debate mundial começa a reavaliar velhas ideias'", Borges mostra que as cabeças mais relevantes da "ciência econômica" estão derrubando as teses de política econômica ainda predominantes e adotadas pelos economistas e outros contra as linhas básicas da política econômica no Brasil.
A outra sugestão é para que v. comece bem as quartas-feiras. Se lhe ficam ainda reservas vindas de longe, releve-as e leia os artigos em que Delfim Netto tem dito muito do que precisa ser dito para fazermos ideia de onde e como estamos, de fato. Descontados, pois, terrorismos e eleitorismos. Ou, no caso, são a mesma coisa?
E como crucial vem de cruz, não se esqueça: enquanto o papa Francisco não chega, reze pelos nossos comerciantes, para que recuperem suas perdas.
Os jovens finlandeses desejam ser professores!
Já postei algo a respeito, mas volto hoje com este texto e um video. Professores, vejam, reflitam, lutem para que algo parecido possa ser feito aqui no Brasil!
O que vem antes: a qualidade do serviço público ou o imposto mais alto?
Duvido que no Brasil a elite
aceitaria tais condições. Aliás, nossos compatriotas detestam pagar
impostos (fazem de tudo para sonegá-los), mandam 1/3 do PIB para
paraísos fiscais para gastarem nas férias, quando estão no exterior. E
não vão à Escandinávia porque acham que lá é muito frio e terra de
vikings, mas bem que podiam ao menos se informar um pouco melhor sobre o
porquê do sucesso deles.
por Paulo Nogueira
Acaba de sair um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora britânica que publica a revista Economist, a Pearson.
É um comparativo no qual foram incluídos países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.
Você pode adivinhar em que lugar o
Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de futebol.
Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.
Surpresa? Dificilmente.
Assim como não existe surpresa no
vencedor. De onde vem? Da Escandinávia, naturalmente – uma região quase
utópica que vai se tornando um modelo para o mundo moderno.
Foi a Finlândia a vencedora. A
Finlândia costuma ficar em primeiro ou segundo lugar nas competições
internacionais de estudantes, nas quais as disciplinas testadas são
compreensão e redação, matemática e ciências.
A mídia internacional tem coberto o
assim chamado “fenômeno finlandês” com encanto e empenho. Educadores de
todas as partes têm ido para lá para aprender o segredo.
Se alguém leu alguma reportagem na
imprensa brasileira, ou soube de alguma autoridade da educação que tenha
ido à Finlândia, favor notificar. Nada vi, e também aí não tenho o
direito de me surpreender.
Algumas coisas básicas no sistema finlandês:
1)Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.
2)Todas as escolas são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e também comida.
3) Os professores são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.
4) As crianças têm um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.
5) Nos primeiros anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.
6) Os alunos são instados a falar
mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados Unidos, uma
pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)
sto é uma amostra, apenas.
Claro que, para fazer isso, são
necessários recursos. A carga tributária na Finlândia é de cerca de 50%
do PIB. (No México, é 20%. No Brasil, 35%.)
Já escrevi várias vezes: os
escandinavos formaram um consenso segundo o qual pagar impostos é o
preço – módico – para ter uma sociedade harmoniosa.
Não é à toa que, também nas listas
internacionais de satisfação, os escandinavos apareçam sistematicamente
como as pessoas mais felizes do mundo.
Para ver de perto o jeito finlandês de educar crianças, basta ver um fascinante documentário de 2011 feito por americanos.
Comecei a ver, e não consegui parar,
como se estivesse assistindo a um suspense. Achei no YouTube uma cópia
com legendas em espanhol. Está no pé deste texto.
Todos os educadores, todas as
escolas, todas as pessoas interessadas na educação, no Brasil, deveriam
ver e discutir o documentário.
Veja o documentário aqui:
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